A História dos Vídeo Games

A História dos Vídeo Games #4: o PONG (1972)

No nosso último encontro aqui na coluna A História dos Vídeo Games no Nintendo Blast, conhecemos... (por Sergio Oliveira em 31/01/10, via Nintendo Blast)

No nosso último encontro aqui na coluna A História dos Vídeo Games no Nintendo Blast, conhecemos a história do primeiro console de todos os tempos, o Magnavox Odyssey, e vimos que apesar da genialidade do seu criador, Ralph Baer, o Odyssey não emplacou e o seu mais interessante jogo, o Ping Pong, foi alvo de uma cópia descarada feita por Nolan Bushnell.

Falar dos primórdios dos vídeo games e não falar de PONG é um pecado. Lançado oficialmente em 1972 em plataforma Arcade, PONG rendeu tanto dinheiro a Bushnell e a Atari que em 1975, numa jogada de marketing genial, decidiram lançá-lo em uma versão doméstica, o Home PONG, que competiu diretamente com o Magnavox Odyssey.

Arcade de PONG que ficava nos bares e rodoviárias da vida. Na realidade PONG é uma cópia descarada, porém melhorada, do jogo Ping Pong que acompanhava o Odyssey. Bushnell, que era muito bom em fazer mods nos jogos, contratou Allan Alcorn para começar a desenvolver jogos com ele na recém fundada Atari. Desenvolvido por Alcorn como esboço de um projeto muito maior, PONG acabou se tornando uma febre tão grande que vendeu 19.000 arcades e ainda rendeu grana com um contrato feito junto a Namco pra vender a novidade na terra do sol nascente.

O jogo era muito básico: duas “tiras” em dois extremos da tela, que se moviam verticalmente, rebatiam a bola um ponto que se movia de um lado para o outro. O objetivo, como todo bom jogo de tênis, é fazer com que seu oponente não alcance a bolinha – a única forma de fazê-lo errar. O diferencial aqui está, principalmente, no fato de PONG ser capaz de fazer a contagem dos pontos sozinho – ele, ao contrário do Ping Pong e de inúmeros outros jogos do Odyssey, possuia um sistema de memória (bem rudimentar, é verdade) que permitia isso, e o Odyssey já não o tinha (os gamers eram obrigados a anotar a pontuação em bloquinhos que vinham nos jogos).

O Console de Um Jogo Só - o Home PONG Depois de fazer sucesso por 3 anos nos bares, restaurantes e rodoviárias da vida, PONG finalmente chegou às casas dos mais privilegiados da sociedade na versão Home PONG. Por quase 1 ano Bushnell e sua equipe correram atrás de patrocínio para financiar o desenvolvimento do protótipo. Depois de terem um protótipo pronto e ter rodado meio mundo atrás de alguém que bancasse a produção do “brinquedo”, a Atari finalmente conseguiu o patrocínio da gigante de departamentos, a Sears.

Logo foram encomendados 150.000 unidades de Home PONG para serem vendidos no Natal de 1975. Para isso, a Atari chegou a adquirir uma fábrica específica só para produzir o novo brinquedinho. Deu certo, o jogo bombou nos lares norte-americanos e aí começou mais uma história de sucesso, que também foi cheia de controvérsias e problemas.

Todo o sucesso do Home PONG chamou a atenção do nosso conhecido Ralph Baer, idealizador e desenvolvedor do Odyssey, que também criou alguns jogos, entre eles o clonado Ping Pong. Vendo o sucesso do PONG de Bushnell e sentindo-se lesado, Baer entrou na justiça alegando infrigimento de direitos autorais por Bushnell e pela Atari – afinal de contas, o jogo era IGUAL ao que Baer fez e patenteou! O fato é que a Atari se viu numa sinuca de bico (a coisa tava preta). O advogado da Atari achou que seria melhor que houvesse um acordo fora dos tribunais e acertou com a Magnavox a aquisição de uma licença no valor de US$700.000 sobre os direitos do jogo Ping Pong  e que a partir de então quem fizesse uns joguinhos parecidos (vulgos clones dos clones), teriam que pagar royalties.

PONG de Nolan Bushnell Passado isso, inúmeras versões de PONG foram lançadas, bem como inúmeras versões do Odyssey contendo versões diferentes do PONG de Bushnell (que na verdade era da Magnavox/Baer) na tentativa de alavancar o console que na realidade nunca decolou. O interessante é que a Magnavox virou refém de uma cópia do seu próprio jogo e as versões subsequentes do Odyssey todas tentavam imitar PONG.

A influência que um joguinho, um mísero joguinho, de 3 pontinhos que se moviam por uma tela preta causou na indústria dos vídeo games foi tanta, que causou essa confusão inteira. E pior, PONG era tão bom, mas tão bom, que desbancou um console inteiro (Odyssey) quando chegou na sua versão doméstica – RAIOS, era apenas um aparelhinho que era conectado à televisão e que só dava para jogar um ÚNICO jogo, o PONG!

Nolan Bushnell e sua cria, o Home PONG Bushnell e a Atari foram suficientemente astutos para dar o primeiro passo rumo à popularização dos vídeo games e consoles domésticos. A simplicidade de PONG e sua fácil jogabilidade em um arcade foram suficientes para popularizar o jogo que logo se tornou “o console de um jogo só”. Ao contrário de Baer, Bushnell tinha a veia para negócio – criou a Atari, apostou em PONG e ficou rico!

A primeira geração de vídeo games foi marcada por muito amadorismo por parte das empresas pioneiras, falta de planejamento mercadológico e muitas, mas muitas, controvérsias. Por isso PONG e o Odyssey foram os dois principais consoles dessa geração que ainda teve outros personagens coadjuvantes. Porém isso é assunto para o nosso próximo encontro aqui na coluna A História dos Vídeo Games. Até lá!

Sergio Oliveira escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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