A História dos Vídeo Games

A História dos Vídeo Games #12: O Nintendo Entertainment System e a ressurreição da indústria

Na última edição da coluna A História dos Vídeo Games , pudemos perceber que a indústria dos víd... (por Sergio Oliveira em 07/08/10, via Nintendo Blast)

Na última edição da coluna A História dos Vídeo Games, pudemos perceber que a indústria dos vídeo games perdera tanto sua força que os computadores começaram a assumir o papel de principal aparelho de entretenimento para muitas famílias. O MSX foi o maior símbolo dessa época nos Japão e América do Sul, onde se tornou excepcionalmente popular. Seu hardware otimizado para multimídia despertou o interesse de muitas softhouses que viram nele a grande oportunidade de se reerguer. Porém, ao passo que o MSX se popularizava, uma outra empresa, que não tinha nada a ver com o ramo de entretenimento eletrônico, dava o seu primeiro passo rumo a grandiosidade.

FamicomO ano era 1983. O país: Japão. A empresa: a até então conhecida por seus decks de baralho, selos e alguns jogos para arcade, Nintendo. Depois de muito analisar o mercado, entender suas necessidades, o motivo que levara a indústria a sucumbir e montar todo o projeto de acordo com o que fora obtido, a Nintendo lançou o seu primeiro console oficial no dia 15 de julho daquele ano – o Family Computer (ou Famicom para os íntimos). Parecido muito mais com um brinquedo do que com um console, o Famicom vendeu feito água do outro lado do mundo, vendendo mais de 2,5 milhões de unidades em menos de um ano.

Não demorou muito e, com a febre que o console se tornara no Japão, a Nintendo decidiu que era chegada a hora de explorar o então falido mercado norte-americano. Mesmo com a devastação do mercado das bandas de cá, a Nintendo ainda temia muito pelo que a Atari poderia fazer. Houve um período de análise de mercado e, percebendo que os riscos seriam demais, a Nintendo optou por vender os direitos de venda do Famicom à Atari – dessa forma eles teriam a garantia de algum retorno nesse investimento. Só que as coisas não ocorreram conforme o planejado e a Atari recusou prontamente a oferta da Nintendo, alegando que o “brinquedo” não era interessante diante das circunstâncias pelas quais o mercado estava passando.

nes-console1Mesmo com uma mão na frente e outra atrás, e tendo levado um baita chute na bunda, a Nintendo não desistiu do mercado norte-americano e logo providenciou uma estratégia para conquistar as terras do Tio Sam. Primeiro foi realizada uma pesquisa com os lojistas, que também rejeitavam a ideia de vender tanto um “brinquedo” como um vídeo game – nem um, nem outro davam dinheiro. Frente os resultados dessa pesquisa, a Nintendo decidiu que o design do Famicom deveria ser refeito caso quizesse vender o console nos EUA. Logo em seguida, o contexto cultural norte-americano exigia um nome diferente para o console – essa história de Family Computer só funcionava no Japão. Então o Famicom passou a ser chamado Nintendo Entertainment System.

Depois de muita luta, de muita pesquisa e de investir uma boa grana em publicidade e propaganda para o NES, o console finalmente começou a ser vendido em 1985. O mais interessante disso tudo é que a Nintendo teve a sensibilidade de identificar as necessidades do mercado norte-americano. Atacando cada uma delas individualmente, a empresa adaptou o seu produto à realidade cultural do país e entregou o produto que todos esperavam. O NES não foi vendido nos EUA como um vídeo game, tampouco como um brinquedo, mas sim como um “centro de entretenimento” – que era o que todos esperavam naquela época.

Famicom_controllersMesmo com algumas falhas presentes nas placas-mãe dos primeiros lotes, que inclusive gerou um recall geral, pode-se dizer, com toda a certeza, que a Nintendo entrou com o pé direito no mercado de consoles. O NES não só foi o console pioneiro que marcou o início da terceira geração, como também foi o mais popular de todos eles. Não bastasse isso, também ditou como a indústria deveria ser dalí para frente, definindo desde a forma como deveriam ser os controles – com o direcional de cruz –, até a forma como a indústria deveria se organizar.

341pxnintendo_official_seal_svgSeu sucesso e consolidação como um dos melhores consoles de todos os tempos se deu não apenas pela enorme biblioteca de jogos que possuia, mas também por grande parte desses jogos serem de altíssima qualidade. O que poucos sabem é que por trás disso tudo existia um forte sistema de aprovação e licenciamento de jogos que a Nintendo impunha a todos que desejassem desenvolver para o NES. Enquanto as softhouses lançavam jogos da maneira que queriam para outras plataformas, a Nintendo foi esperta o bastante para montar uma espécie de comitê que analisava cada jogo que era desenvolvido para o NES. Caso fossem aprovados, recebiam um selo de qualidade para poderem ser lançados no mercado – caso contrário, eram mandados de volta para ajustes ou para a lata do lixo.

Esse tipo de iniciativa garantiu aos consumidores, e à própria Nintendo, que os jogos lançados seriam todos de qualidade, garantindo o nível de vendas para o console também. Alguém aí consegue ver aonde esse tipo de controle é realizado hoje em dia?

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Não bastasse isso, a Nintendo ainda se mostrou uma excelente desenvolvedora de periféricos para o seu console – foram inúmeros deles, tais como a Power Glove, o R.O.B e a pistola NES Zapper. Para promover os periféricos, a empresa adotou a venda de jogos com os acessórios embutidos, o que deu muito certo e é praticado até hoje não só pela Nintendo, mas pela Sony, Microsoft e a falecida Sega enquanto era viva.

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O lançamento prematuro do NES e a estratégia mercadológica bem elaborada e muitíssimo bem executada da Nintendo fez com que o NES dominasse praticamente toda a terceira geração – mesmo com a superioridade gráfica e técnica dos seus concorrentes: Master System e Atari 7800. Seu reinado somente foi abalado no iníco da década de 1990, quando surgiram os primeiros consoles 16 bits. Mas mesmo assim, o NES continuou sendo produzido no Japão até 2003.

CCE Top Game VG 8000_wwwNo Brasil, o NES também fez muito sucesso e até mesmo ganhou um apelido – Nintendinho. Lançado oficialmente em 1993 por aqui, o console chegou em nossas terras com o design norte-americano e, pra variar, foi vítima de vários “clones” produzidos pela CCE (Top Game VG-8000), Dynacom (Dynavision III), Gradiente (Phantom System) e Dismac (BIT System) – todos muito populares até hoje, principalmente com o Polystation vendido nas famosas lojinhas de 1,99 e camelôs.polystation

A Nintendo foi esperta e oportunista, no bom sentido. Sua sensibilidade e jeito diferente de lidar com o mercado e suas necessidades fez com que seu primeiro console fosse sucesso absoluto nas duas partes do mundo. Inclusive, a entrada do Famicom no mercado norte-americano pode é considerado um marco na história dos vídeo games – a partir daí o Japão virou a mesa e passou a ser a grande potência na indústria do vídeo game, deixando para trás quem sempre esteve à frente – os norte-americanos. Responsável por reanimar e dar aquela injeção de adrenalina na indústria, não demorou muito para que surgissem concorrentes querendo pegar carona no sucesso do NES. E se bem conhecemos a gigante Atari, ela não ficaria de fora dessa grande corrida. Mas isso é assunto para o nosso próximo encontro. Até lá!

Sergio Oliveira escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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