Blast from the Past

Blast from the Past: Killer 7 (GC)

Existem jogos que vão além da proposta de divertir os jogadores e podem ser considerados verdade... (por Gabriel Vlatkovic em 25/11/12, via Nintendo Blast)


Existem jogos que vão além da proposta de divertir os jogadores e podem ser considerados verdadeiras obras de arte.  Entretanto, muitas delas não são compreendidas para terem o reconhecimento que merecem. Um dos maiores representantes de tal estilo de game é Killer 7. Criado pela mente genialmente doentia de Suda 51, este peculiar título de ação foi lançado em 2005 para GameCube, e foi um dos poucos jogos considerados adultos lançados para o console. Com uma narrativa complexa e direção artística extremamente inovadora, Killer 7 é um dos melhores games do cubo da Nintendo. Mas o título ainda oferece muito mais!



Os Heaven Smile


Killer 7 se passa em uma realidade alternativa em que a paz impera e todas as guerras acabaram. No entanto, o governo dos Estados Unidos começa a ser ameaçados por um grupo terrorista que se autonomeia como Heaven Smile. O grupo é composto por bizarros soldados que ficam invisíveis e que, ao tocarem algo, explodem ao som de uma perturbadora gargalhada. Para conter a ameaça e descobrir quem é a cabeça por trás disso tudo, o presidente contrata o Killer 7, grupo constituído por sete assassinos de mesmo sobrenome, cada um com suas próprias habilidades. A equipe é liderada por Harman Smith, um senhor em uma cadeira de rodas com poderes subrenaturais e é composta por pessoas deveras perturbadas. Passando por diversos estágios, o grupo deve investigar e enfrentar a ameaça, sem saber o tamanho da conspiração em que estão se metendo.

"Oooooi" =D


Master, we’re in a tight spot!

Doente... para não dizer mais!
Logo no início, já dá para notar que este jogo não é normal. Com um clima pesadíssimo e um visual que mistura o renomado estilo noir com o filtro cel-shading, que deixa tudo com cara de desenho animado, os visuais são de saltar os olhos de qualquer um. Após uma breve e nada esclarecedora introdução, você já é jogado na primeira fase do título e, para sua surpresa, os analógicos não funcionam e seu personagem não se movimenta nem com reza brava... será que o jogo veio com defeito? Não, é só a mente doentia de Suda querendo mudar tudo que sabemos sobre videogame! Acontece que, para controlar os personagens, basta segurar o botão A que ele sairá andando pelos bizarros cenários do jogo. Os caminhos trilhados pelos heróis é pre-definido, e sua única preocupação durante a exploração é decidir para que lado você deseja seguir quando o trajeto se bifurca. Parece bizarro, não é? E é mesmo!

Um Heaven Smile sendo dizimado
Os combates também são bastante... peculiares. O game se passa em terceira pessoa, mas, ao segurarmos o botão L, a visão passa a ser em primeira pessoa, possibilitando que os personagens possam atirar a escanear os cenários. Entretanto, é impossível se movimentar quando esta câmera é ativada. O scanner serve para localizar os  Heaven Smile, que vem em sua direção rindo macabramente, prontinhos para explodir em sua cara. Ao localizá-los, basta atirar em seus pontos fracos para que eles morram e lhe presenteiem com um rio de sangue, que mais tarde servirá para fazer upgrades nos personagens.


"Não conta pra ninguém sobre aquilo lá atrás!"
Por último, o jogo ainda conta com muitos puzzles extremamente inteligentes para serem resolvidos. É neste momento em que o game brilha! Cada um dos personagens possui habilidades únicas que variam desde alguns que possuem uma força descomunal até outros que podem ficar invisíveis. Assim, cabe ao jogador descobrir qual é o personagem ideal para desbloquear sua passagem. Os personagens, diga-se de passagem, são completamente perturbadores. Começando de um senhor cadeirante, passando por um adolescente cego e viciado em Techno (entre outras coisas) e terminando em uma mulher psicopata vestindo um vestido ensanguentado, cada um dos sete personagens do título são muito bem construídos, de forma que você desejará controlar todos para aprender as nuances de cada um. Além disso, durante a jornada, você contará com a ajuda de Iwazaru, um homem enrolado em um pano vermelho que eventualmente cai do céu pendurado em uma corda para lhe dar dicas do que fazer. Como se não bastasse, espere encontrar fantasmas, cabeças falantes dentro de maquinas de lavar roupas e outras bizarrices conforme for avançando em sua jornada.

A cabeça que habita uma máquina de lavar


Ambientação perturbadora


Como já deve ter sido possível notar, Killer 7 não é um jogo normal, e seu visual não poderia ficar para trás. O jogo é muito colorido, porém estas cores são lavadas e bizarramente uniformes. Os cenários são simples, mas visualmente incríveis, já que o estilo artístico é tão peculiar que se torna notável. As fases são muito variadas, assim como os inimigos que, apesar de possuírem a desesperadora risada em comum, são muito diferentes entre si, inclusive na forma de serem derrotados.

Os gráficos são muito estilosos!


Suda é famoso por fazer diversas referências à cultura pop dentro de suas obras. E em Killer 7 não poderia ser diferente! O game é recheado de referências claras à banda The Smiths, muito famosa nos anos 80 e liderada por Morrissey. Tais referências vão desde nomes de músicas escritas com sangue pelas paredes até o próprio sobrenome dos protagonistas. O título é uma ótima pedida para os fãs da banda, que se deliciarão em todas as fases em busca de mais e mais referências.

Uma das várias referências ao The Smiths


A trilha sonora é composta por faixas pesadíssimas, e os efeitos sonoros são tão bizarros que o farão pensar quais drogas estavam no organismo de Suda para ele ter tais ideias. Os sons produzidos pelos personagens encontrados pelo caminho e as risadas dos inimigos estão entres as coisas mais bizarras que já vi em qualquer jogo, palavra de gamer com mais de vinte anos de estrada. É espetacular!

Incompreendido


Infelizmente, Killer 7 teve avaliações bastante divergentes quando foi lançado. Uns alegavam que o jogo era um sopro de inspiração em meio a tantos jogos parecidos que não tentavam ousar em absolutamente nada; outros diziam que estavam diante de um dos piores jogos já lançados em todos os tempos. Hoje, quase oito anos depois, Killer 7 se tornou um clássico cult, e é quase impossível encontrá-lo a venda por preços razoáveis. Uma pena, pois o jogo é de fato uma das maiores obras de arte da última década, e deveria ser aproveitado em sua plenitude por todos os jogadores (acima de 18 anos) possíveis.

Revisão: Thyago Coimbra Cabral
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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