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Análise: Seja prefeito de uma pacata vila em Animal Crossing: New Leaf (3DS)!

Em minha longa jornada de vida gamística presenciei muitos momentos marcantes: como a era de ouro dos videogames, em que a Nintendo e ... (por Gabriel Vlatkovic em 15/06/2013, via Nintendo Blast)



Em minha longa jornada de vida gamística presenciei muitos momentos marcantes: como a era de ouro dos videogames, em que a Nintendo e a Sega se digladiavam por uma fatia do mercado; o lançamento de The Legend of Zelda: Ocarina of Time, jogo que, até hoje, é visto por muitos como o melhor já criado em toda a história e a queda e ascensão da Nintendo em sua batalha feroz contra a Sony. Por todos esses anos, poucas experiências me marcaram tanto como Animal Crossing. A franquia, que teve seu primeiro título, Animal Forest, lançado inicialmente apenas no Japão para o Nintendo 64, só deu as caras por essas bandas com o lançamento de um port desta versão para o GameCube.

A gigante japonesa vendia a experiência como um novo gênero, chamado de “comunicação”, e afirmava que o funcionamento e apelo do título só seria realmente compreendido por aqueles que dessem uma chance ao jogo. Foi quando eu decidi arriscar e descobrir do que se tratava aquele jogo que aparentava não ter nenhum propósito ou razão de existir. A decisão foi uma das mais acertadas desde que comecei a jogar videogames, e Animal Crossing se mostrou não apenas um excelente jogo, como também uma experiência adorável e profunda, capaz de transcender tudo o que sentimos jogando videogames, dando ao jogador uma segunda vida que ele realmente se importa em viver e ser feliz.

Um passeio matinal pela vila
Apesar das centenas de horas que passei me divertindo com a versão de GameCube, por alguma razão me afastei um pouco da franquia nos lançamentos seguintes, Animal Crossing: Wild World e Animal Crossing: City Folk. Entretanto, algo mudou quando New Leaf foi anunciado para 3DS, e algo me dizia que era o momento certo de retornar com força total para a franquia que me fez tão feliz outrora. Ainda bem que a minha intuição estava correta...

A magia da simplicidade

Antes de tudo, Animal Crossing é uma experiência que envolve os jogadores de forma única, e muito do que for dito nessa análise empolgará apenas os já entusiastas da franquia. Então, peço para que os leitores abram a cabeça e não deixem o título passar batido, pois estarão perdendo o que pode ser facilmente o melhor jogo lançado até agora para a já espetacular linha de títulos do pequeno notável da Nintendo. 

Personagens já conhecidos como Gulliver retornam mais uma vez!
Dito isto, em Animal Crossing você controla um novo morador de uma vila bucólica (a qual o jogador decide o nome), habitada por adoráveis animais que estão lá apenas para viver suas vidas. O jogo não dá objetivos claros ao jogador como estamos acostumados na maioria absoluta dos jogos e cabe a você decidir como viver a sua vida. O jogo tem seu relógio sincronizado com o do “mundo real”, de forma que se você ligar o jogo em um sábado à tarde durante o verão, é exatamente isso que encontrará em sua vila. Animal Crossing se aproveita do relógio para ditar o que está acontecendo na vila: se jogado de madrugada, as lojas estarão fechadas e os habitantes, provavelmente, dormindo. Mas ainda assim, é possível encontrar itens que não podiam ser encontrados, por exemplo, em uma manhã. E aí está boa parte da genialidade da franquia: o jogador sempre voltará para descobrir coisas novas em sua cidade, bem como estreitar os laços com os habitantes e ter uma vida cada vez melhor.

Os eventos e visuais mudam de acordo com a estação do ano
Um dos maiores focos de Animal Crossing é a coleta de itens: sua casa (que pode ser expandida, se pagas taxas a Tom Nook, o guaxinim construtor da cidade), pode ser inteiramente customizada, desde os móveis até o piso e papéis de parede. Suas roupas, acessórios e cabelo também podem ser mudados a qualquer momento, inclusive sendo desenhadas pelo próprio jogador, caso deseje, e os habitantes perceberão e comentarão as mudanças, sempre com textos adoravelmente engraçados. Além disso, ainda é possível pescar uma infinidade de espécies diferentes de peixes, caçar insetos e até mesmo descobrir fósseis. Tudo isso pode ser doado ao museu da cidade, que ficará cada vez mais belo e completo com suas generosas doações. Como se não bastasse, é possível ajudar seus vizinhos em tarefas cotidianas, escrever-lhes cartas (que serão retribuídas com presentes e melhores relacionamentos), e até participar de comemorações a feriados, como o Natal e outros eventos.

"Eba, suco!"
Como se pode notar, a franquia lhe dá uma infinidade de coisas a se fazer, mesmo que elas não apresentem algum real desafio ou recompensa, e isso pode afastar muito os jogadores. Acontece que Animal Crossing é um jogo que tenta ser a “Amélie” dos jogos, de maneira que o jogador se envolve tanto com aquela segunda vida que passa a dar valor para a menor das conquistas, que sempre passarão sensações únicas e prazerosas (você perceberá isso quando conseguir plantar alguma fruta diferente da dominante em sua cidade: é ridiculamente simples e, ao mesmo tempo, extremamente gratificante).

Assumindo o controle

Dito isto, o que New Leaf traz de novo que torna necessária a migração para a nova versão? A resposta é: muita, mas muita coisa mesmo! Em primeiro lugar, as funcionalidades online, que já eram características das duas versões anteriores foram refinadas ao extremo, e a interação com jogadores que habitam outras vilas é gigantesca! É possível trocar todo tipo de item, estabelecer relacionamentos com outros habitantes e até mesmo participar de minigames extremamente divertidos que retratam bem a simples e pacata vida que você leva em sua cidade. 

Você poderá receber visitas de seus amigos do 3DS!
Em segundo lugar, a zona comercial da cidade, introduzida em City Folk, retornou, mas de forma mais simplificada, lógica e divertida. Para chegar até esta parte de sua vila, basta atravessar os trilhos de trem que lhe trouxe até lá. Todos os estabelecimentos já conhecidos estão lá, e ainda é possível construir novos locais (como uma danceteria em que o amado KK Slider é DJ). O que muda mesmo é a forma de interação com esse e os outros pontos de sua vila, que é justamente onde New Leaf brilha sobre seus predecessores. Pela primeira vez, o jogador não só é um habitante da cidade, como também é prefeito! Sendo assim, cabe a você desenvolver não apenas sua casa e seus relacionamentos, mas também toda a cidade. Todas as vilas contam com uma prefeitura, em que sua conselheira - a adorável cachorrinha Isabelle – lhe informará sobre seu nível de aprovação e o que pode ser feito para tornar a cidade um lugar melhor. Com isso, é possível construir novas estruturas, como poços e outras coisas que tornem a vida dos habitantes ainda melhor.

"Em minha gestão, plantarei árvores com todos os tipos de fruta!"
Com o tempo, você ganhará mais respeito dos animais da vila, outros se mudarão para lá e trarão novidades, como novos itens e mais coisas para fazer. Entretanto, habitantes insatisfeitos também podem deixar a cidade e, acredite, as despedidas podem ser dolorosas caso seu nível de apego a eles já seja grande (nunca vou me esquecer quando o crocodilo Boots deixou minha cidade na versão de GameCube).

Logo no início, ocorre a cerimônia de posse da prefeitura da cidade
Com essa nova dinâmica, o jogo, que já oferecia uma infinidade de coisas para fazer, praticamente dobra suas atividades, de maneira que é bom você começar a abrir mão de sua vida caso queira ter um bom progresso no jogo. Apesar de ter exagerado, é bom ressaltar que Animal Crossing exige um bom nível de dedicação (preferencialmente diária). Então, o jogo não é muito indicado para os que não têm muito tempo para jogar. O jogo vai continuar sendo excelente, mas não será possível aproveitá-lo em toda sua plenitude.

Dava pra ficar mais adorável?

A resposta é um SIM (gritado mesmo)! Animal Crossing sempre foi lindo, não por seus gráficos ultrarrealistas, mas por seu estilo artístico singular e carisma de seus personagens. Contudo, a Nintendo caprichou muito nessa versão, como as texturas dos personagens que estão mais bem definidas (é possível até ver os pelinhos dos animais). Os cenários também estão mais belos e cheios de detalhes e o destaque fica para a água, cristalina e crível como nunca antes vista na franquia.

K.K. Slider retorna com suas músicas adoráveis
Os personagens ainda soltam grunhidos hilários quando falam, sendo que cada um tem uma voz e um estilo diferente de expressar suas ideias. As músicas, que ainda mudam a cada hora do dia que passa, estão calmas, relaxantes, bonitas e viciantes, passando um clima delicioso de nostalgia e tranquilidade. O maior destaque fica para as músicas tocadas durante as madrugadas: lindas e serenas, elas embalam as pescarias, caçadas por vagalumes e outros insetos menos vistos durante o dia. Nota-se facilmente que a Nintendo se empenhou como nunca na produção do título, já que tudo foi feito com muito esmero para envolver os jogadores o máximo possível com a experiência única que o jogo oferece.

Os gráficos estão mais detalhados

Para a vida toda

Animal Crossing: New Leaf oferece conteúdo para centenas e até milhares de horas. Mesmo que de vez em quando as sessões de jogo se limitem a quinze ou vinte minutos (acredite, os habitantes da vila até se cansam de você se seu personagem ficar circulando por lá o dia inteiro), você sempre desejará voltar para redescobrir sua cidade, colher algumas frutas ou conseguir novas roupas para seu personagem. A partir do momento em que jogador for envolvido pelo título, não há como voltar atrás e perguntas como “o que eu fazia antes de Animal Crossing?" começarão a surgir em sua cabeça.

"Hora de brincar no parquinho!"

O melhor jogo de 3DS?

O 3DS já conta com uma biblioteca invejável de jogos e New Leaf é, certamente, o melhor lançamento do portátil até agora. O jogo pegou tudo o que foi criado durante esses doze anos da franquia e a refinou ao extremo, excluindo qualquer defeito das versões anteriores e adicionando elementos incríveis de jogabilidade. Além disso, o jogo oferece infinitas horas de diversão e um mundo que se renova e se torna mais apaixonante a cada nova partida. Atualmente, poucos jogos conseguem capturar a essência dos videogames quando eles foram criados e, quase nenhum, consegue criar uma sensação de prazer e conquista tão grande ao jogador. Felizmente, Animal Crossing: New Leaf consegue as duas coisas, com louvor.

Prós

  • Mundo imersivo;
  • Gameplay infinito;
  • Personagens adoráveis;
  • Modo online bem implementado;
  • Ser prefeito adiciona mais conteúdo a um jogo praticamente infinito;
  • Gráficos lindos;
  • Trilha sonora fantástica.

Contras

  • Estou tentando pescar um até agora.
Animal Crossing: New Leaf – 3DS – Nota 10.0
Revisão: Jaime Ninice
Capa: Felipe Araújo
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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