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Análise: A pancadaria rola solta e em grande estilo na Liga da Justiça em Injustice: Gods Among Us

Super-Homem é o último filho de Kripton; Lanterna Verde é um membro de uma tropa de seres intergal... (por Lucas Palma Mistrello em 01/09/13, via Nintendo Blast)

Super-Homem é o último filho de Kripton; Lanterna Verde é um membro de uma tropa de seres intergalácticos que protegem o universo e a Mulher Maravilha é uma amazona filha de Atena. Sempre tive para mim que os heróis da DC são muito mais heróis que os heróis da Marvel, muito embora a qualidade das produções da segunda seja, na maior parte dos segmentos, muito maior que da primeira. Por isso, fiquei muito animado para conseguir jogar, assim que possível, Injustice: Gods Among Us, um sucesso de vendas. Acompanhe a análise deste grande título para o Wii U.

Em uma realidade alternativa

Coringa ri incessantemente dentro de uma cela de prisão, sua risada cínica atravessa uma série de paredes. Enquanto isso, nos noticiários aparece uma Metropolis completamente arrasada, em ruínas, vítima de uma explosão nuclear. Batman tenta interrogar o vilão em vão. Subitamente a parede da cela explode e por ela entra um Super Homem tomado pela fúria que, após nocautear o Homem Morcego, assassina friamente o Coringa.
Os dois principais vilões do jogo, acredite se quiser. Além das fantásticas animações e visuais, a excelente dublagem brasileira (feita por atores que também dublaram os personagens em desenhos/filmes) contribui muito para deixar a campanha tão atrativa e imersiva.  
Esta é a primeira cutscene de Injustice: Gods Among Us, que já nos impressiona para a excelente campanha e ambientação geral do universo da DC no jogo. Escrito pela equipe do estúdio NetherRealm (também responsável pelo último Mortal Kombat) em pareceria com dois autores da DC, o enredo conta como o Super Homem de uma realidade alternativa se tornou um tirano dominando o mundo – controlando outros heróis e vilões da Liga da Justiça - e forçando Batman a trazer os heróis da “nossa” realidade para ajudá-lo.

A trama parece um pouco forçada e às vezes com alguns momentos óbvios, mas cai como uma luva para explicar como os heróis e vilões brigam entre si sem critérios. A estória ganha força pela belíssima direção das cutscenes. Todas são repletas de muita ação e momentos marcantes, mesmo para quem não é fã do gênero de luta (como meu caso, confesso), mas ainda valendo a pena jogar a campanha para assistí-la. O jogo poderia ser utilizado como lição para os realizadores da atrocidade que foi o filme do Lanterna Verde, por exemplo.

Pancadaria Ímpar

Outro mérito da campanha de Injustice: Gods Amond Us são – pasmem! – a inserção de pequenos momentos com Quick Time Events. Apesar de serem um dos recursos mais odiosos do mundo dos games, os QTEs deste jogo ajudam a dar uma variedade interessante para um gênero de jogabilidade tão estabelecida como o de luta. Uns mais interessantes que outros, claro, mas o especialmente interessante é que dependendo do seu desempenho nos QTEs, a luta seguinte é afetada (seu adversário e você têm as barras de energia modificadas de acordo com o que ocorreu antes).

Apesar dos golpes principais estarem entre a lista dos mais os usuais do gênero (rasteira, golpe médio, golpe forte), como não poderia jamais ser diferente, o jogo mantém uma identidade própria. Cada herói tem um bom número de golpes especiais – uns mais, outros menos, faltando um pouco de balanceamento nesse ponto – e diferentes uns dos outros e dos demais jogos de luta. Vale a pena jogar com todos os personagens apenas para ver como os famosos heróis e vilões utilizam seus golpes.

Outra característica que torna este jogo ainda mais ímpar é combinar tudo isso acima com o uso dos cenários para contribuir com a pancadaria. Em todos os cenários há objetos, paredes e armas que podem ser utilizadas para enfrentar o inimigo ou passar por trás dele. E não são apenas "perfumaria", eles são realmente efetivos na luta. Desta maneira, se torna extremamente importante ficar atento ao seu posicionamento, e do adversário, durante a luta.

Pouco espaço para reclamações

É difícil achar um ponto em que Injustice: Gods Among Us fica devendo ao jogador. O título parece concentrar tudo que esperamos de bom em um jogo de luta. Mas ainda assim é possível elencar uma outra coisa que incomoda: a dificuldade – tanto na campanha quanto nos outros modos de jogo – é um pouco irregular dentro de um mesmo nível. As vezes uma luta pode ser alucinante, com o adversário mal deixando você respirar, como em outras ele pode ficar parado por um tempo como um saco de pancadas.
E, especialmente para a versão do Wii U, a compra de DLCs não é uma das melhores atividades. Além do atraso enorme em relação às outras versões (que volta a acontecer nesse momento), a navegação no eShop para compra delas não é das melhores. Não há imagens nem informações sobre o que você está comprando, sendo necessário conferir em outras fontes.

Outra reclamação mínima é que, especialmente para os jogadores de longa data, o Game Pad (que pode funcionar como off-tv ou ter uma lista de golpes para te auxiliar) é impossível de usar a técnica milenar de colocar a camisa por cima dos controles para diminuir a judiação dos seus dedos. Mas isso tudo é muito pequeno diante da combinação quase perfeita que o jogo é capaz de fazer entre os personagens, jogabilidade, campanha, visual e controles. Um título imperdível para fãs de jogos de luta ou para fãs dos heróis da DC, e ele compensa igualmente para ambos.

Prós

  • Uso do ambiente é efetivo;
  • Excelente dublagem brasileira;
  • Controles ótimos;
  • A qualidade visual do gameplay real não fica longe das cutscenes; 
  • A campanha é fantástica, vale ter o jogo apenas por ela, mesmo para quem não é fã de jogos de luta;
  • Golpes são variados e exploram o potencial de cada personagem;
  • Quick Time Events ajudam a diversificar a jogabilidade da campanha.

Contras

  • Dificuldade irregular dentro do mesmo nível;
  • Compra de DLCs pela eShop tem poucas informações;
  • Não é possível colocar a camisa por cima do GamePad;
  • Atrasos entre Nintendo e Waner Bros. para disponibilização das DLCs. 

Injustice: Gods Among Us – Nintendo Wii U – Nota: 9,0

Revisão: Ramon Oliveira de Souza
Capa: Felipe Araújo
Lucas Palma Mistrello é historiador, mestre pela Universidade Federal de São Paulo. Redator nos Blasts desde 2012, começou com os games com o Atari 2600 e é eclético em gênero e temas: vai de COD e Medal of Honor a Pokémon e Zelda com a mesma vontade. Sempre está de olho nos comentários das postagens.

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