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Análise: Mergulhe no empolgante universo cyberpunk de Deus Ex: Human Revolution Director's Cut (Wii U)

Deus Ex: Human Revolution, sequência de um dos mais influentes jogos da década passada, Deus Ex... (por Gabriel Vlatkovic em 15/12/13, via Nintendo Blast)


Deus Ex: Human Revolution, sequência de um dos mais influentes jogos da década passada, Deus Ex, foi lançado para PlayStation 3 e Xbox 360 em meados de 2011. Como todos sabemos, devido às limitações técnicas do Wii, console da Nintendo na época, os nintendistas ficaram de fora e não receberam o jogo, que foi aclamado pela crítica e se tornou um dos mais importantes daquele ano. Com o lançamento do Wii U e seu poderoso hardware, a Eidos Montreal decidiu criar uma nova versão do jogo para que jogadores que ainda não haviam experimentado pudessem finalmente adentrar no universo cyberpunk de mundo aberto do jogo. Depois de inúmeros adiamentos, Deus Ex: Human Revolution: Director’s Cut finalmente foi lançado e, indo direto ao ponto, a espera valeu a pena!


Em busca de respostas

Human Revolution se passa 25 anos antes da aventura original e conta a história de Adam Jensen, chefe de segurança da Sarif Industries, uma empresa de biotecnologia em crescimento. O ano é 2027 e o poder do governo vem diminuindo exponencialmente em prol das grandes corporações, que dominam cada vez mais a política e os rumos dos países. Logo em seus primeiros dias de trabalho, Jensen é forçado a encarar uma situação perigosíssima: a Sarif Industries é brutalmente atacada por terroristas, que deixam muitas vitimas, incluindo nosso herói.

Jensen teve seu corpo praticamente destruído após o ataque
Após quase morrer e ter boa parte de seus membros substituídos por próteses, Jensen retorna ao trabalho incumbido da missão de buscar e punir os responsáveis pelo ataque. Para tal, o rapaz deverá investigar grandes corporações e viajar por lindíssimos locais futuristas em busca de pistas que o leve aos responsáveis pelo ataque. Mal sabe ele o tamanho da encrenca em que está se metendo!

O verdadeiro conceito de liberdade de exploração

Human Revolution pode não possuir o mundo aberto de GTA e o enorme leque de customizações dos mais importantes RPGs ocidentais atuais, mas ainda assim é uma lição de level design e de como deixar as decisões nas mãos do jogador. Todas as missões, sejam elas obrigatórias ou opcionais, podem ser cumpridas de diversas formas, cabendo ao jogador criar estratégias para chegar ao seu objetivo. O melhor é que o jogo não tenta forçar nenhuma aproximação que os desenvolvedores achem mais adequada, já que todos os ambientes são construídos de maneira que o jogador se sinta livre para fazer do seu jeito.

O jogo possibilita uma abordagem mais furtiva às missões...
Precisa se infiltrar em um prédio? Ok, agora decida se entrará pelas tubulações ou se invadirá os sistemas de segurança para liberar seu caminho ou ainda se matará qualquer um que tentar impedir a sua entrada. Qualquer uma das decisões acima podem ser tomadas sem medo de que o jogo puna seu modo de jogar, além de que os cenários estarão preparados para abrigar qualquer uma destas situações.

mas não deixa de lado quem gosta de um bom tiroteio!
Para tornar tudo ainda mais crível, o sistema de upgrades do jogo realmente funciona, não estando lá apenas para marcar presença. Cada ponto de experiência deve ser distribuído com cautela e se adequar ao seu estilo de jogo, ou seja, de nada adiantará evoluir sua defesa e habilidade com armas de fogo se o seu negócio é sair invadindo sistemas e hackeando sistemas de segurança. O que acontece é que você deve investir na evolução dos atributos que definem seu estilo de jogo, e não distribuir pontos aleatoriamente, a não ser que seu desejo seja passar por grandes dificuldades durante toda a aventura.

O diferencial do Wii U

Director’s Cut conta com uma série de melhorias substanciais em relação ao jogo lançado dois anos atrás. Em primeiro lugar, a Eidos melhorou os gráficos e a inteligência artificial dos NPCs da aventura, tornando tudo mais agradável e realista aos olhos e à mente do jogador. Além disso, as lutas contra chefes, que antes favoreciam os jogadores que preferiam sair atirando em tudo, foram reformuladas de modo que é possível derrotar todos eles sem disparar um único tiro. Este ponto foi um dos mais criticados na época do lançamento original do jogo, e o fato de estar corrigido agora já é um grande passo. Entretanto, como o título deixou de ser exclusividade do console da Nintendo, o real diferencial está no uso do GamePad!

O GamePad é usado de formas muito funcionais
Além disso, o GamePad não foi ignorado desta vez, e conta com mapas interativos em que é possível escrever anotações, um acesso mais rápido ao inventário e lista de habilidades de Jensen e de quebra um guia interativo com comentários dos desenvolvedores sobre cada aspecto e missão do título, desde dicas até opiniões e impressões sobre o processo de criação de tais momentos. A adição não é apenas muito legal, como também extremamente funcional e útil para marinheiros de primeira viagem, já que a aventura, que dura mais de 40 horas, é bastante desafiadora em muitos momentos.

A aventura dura cerca de quarenta horas
Para fechar, Director’s Cut ainda inclui o DLC “The Missing Link”, que adiciona quatro horas de gameplay à aventura além de esclarecer alguns pontos que ficaram em aberto durante a jornada. A implementação do conteúdo é tão natural que aqueles que nunca jogaram o título nem perceberão que estão jogando algo que não estava lá na versão lançada em 2011.

Desempenho (quase) perfeito

Com gráficos aprimorados e jogabilidade muito imersiva, Director’s Cut só peca em um ponto: a inteligência artificial. Apesar de melhorada em relação ao lançamento original, a programação dos personagens ainda não convence completamente e é responsável por alguns momentos estranhos que acabam por quebrar a imersão do título. Reações estranhas e desordenadas e perda de memória recente dos NPCs são alguns dos maiores problemas. Em minhas andanças pela Detroit futurista do título, deparei-me com um grupo que me ameaçou por eu estar caminhando por uma área em que eles se consideravam proprietários. Após dar meia volta, retornei ao local e pude passar livremente, como se agora algo tivesse mudado, mesmo que não. Contudo, nada disso tira o brilho do jogo, que é uma excelente experiência interativa e quase beira a perfeição se não fossem esses pequenos problemas.


Human Revolution é mais uma prova de que o Wii U é capaz de oferecer experiências adultas, imersivas e gratificantes. Com um enredo envolvente e cheio de reviravoltas e uma jogabilidade refinada que respeita o estilo de jogo de cada um, o título é um dos melhores já lançados para o Wii U e deve ser jogado por qualquer um que aprecie aventuras futuristas de qualidade.

Prós

  • Enredo envolvente;
  • Belo uso do GamePad;
  • Jogabilidade diversificada;
  • Diversas melhorias em relação ao título original.

Contras

  • Problemas com a inteligência artificial tiram parte da imersão da aventura.


Deus Ex: Human Revolution Director’s Cut – Wii U – Nota: 9.0
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Rafael Lam
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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