Blast from the Past

Viewtiful Joe trouxe pancadaria e muito estilo ao GameCube

O pimeiro grande jogo de Hideki Kamiya nos levou de volta à era de ouro dos videogames!


O GameCube pode não ter obtido o sucesso esperado pela Nintendo, mas ainda assim possui uma biblioteca invejável de jogos que marcaram uma época. Além dos clássicos da própria Big N e de suas maiores parceiras como a Retro Studios e a Silicon Knights, algumas third-parties também contribuíram para que o console possuísse vários jogos de peso. Este é o caso da Capcom, que trouxe toda a franquia Resident Evil para a Nintendo e ainda ofereceu experiências únicas e inovadoras. Uma das mais marcantes, Viewtiful Joe, misturava um estilo visual único com uma jogabilidade incrível em duas dimensões..



Criado e desenvolvido por Hideki Kamiya, mente por trás da atual Platinum Games, o jogo fazia parte do Capcom Five, uma série de exclusivos experimentais da desenvolvedora que seriam lançados para GameCube. Os títulos em questão eram Dead Phoenix, P.N.03, Killer 7, Viewtiful Joe e Resident Evil 4. Infelizmente, apenas P.N. 03, o mais fraco dentre os jogos citados, se manteve exclusivo para GameCube, enquanto Dead Phoenix foi cancelado antes mesmo de sabermos do que exatamente o jogo se tratava.  Recheado de ação e humor, o jogo foi um marco por trazer uma estética completamente diferente à utilizada na época, e ajudou a impulsionar a carreira de Kamiya e torna-lo um dos mais influentes desenvolvedores do Japão.

Henshin a Go-Go, Baby!

Joe era um cara normal e vivia uma vida tranquila. Fã de tokusatsus e animes, o rapaz era um típico nerd que não perdia um evento que envolva suas paixões. Certo dia, Joe e sua namorada Silvia decidiram ir ao cinema para assistir ao novo filme do Captain Blue, herói favorito do rapaz. Mal sabiam eles que um simples passeio resultaria em uma encrenca da pesada. No meio do filme, um dos monstros que enfrentava Blue simplesmente saiu da tela e sequestrou Silvia para dentro do filme. Impressionado, Joe mal teve tempo de reagir, já que Captain Blue também o levou para dentro do filme.



Muito fraco, Captain Blue entregou o V-Watch a Joe. O estiloso relógio era capaz de transformar Joe em um super-herói que remetia aos mais clássicos live actions da indústria japonesa. Com um grande poder em mãos e sua namorada levada por um grupo de terríveis vilões, Joe não tinha alternativa senão usar o equipamento. Após uma cena extremamente cafona (e ainda assim maravilhosa), Joe criou uma frase de efeito e partiu para a pancadaria, mas então como o herói Viewtiful Joe.

Pancadaria sob medida!

Para quem viveu a era de ouro dos videogames, Viewtiful Joe não era apenas um jogo, mas uma homenagem a um gênero cada vez mais esquecido: os beat’em ups. Com jogabilidade bidimensional, o jogador devia conduzir Joe por sete estágios enquanto espancava hordas de inimigos com chutes, socos e voadoras. Mas é claro que o título não ficava o tempo todo na zona do conforto, e fazia de tudo para inovar e provar o quão incrível podia ser um jogo de proposta simples.


Ao se transformar em Viewtiful Joe, o protagonista ganhava com uma série de poderes especiais que tornavam tudo muito mais divertido. Baseados em manipulação do tempo, os poderes de Joe podiam ser intensificados e ele podia até mesmo resolver quebra-cabeças com suas habilidades especiais. Chamados Viewtiful Effects, eles eram responsáveis por boa parte da diversão do jogo. O primeiro aprendido por Joe é Slow, poder que deixava toda a ação em câmera lenta e intensificava muito os golpes do rapaz, que destroçavam facilmente os inimigos. Contudo, a lentidão da ação também tornava os inimigos muito mais fortes, o que forçava o jogador a agir com cautela.


O segundo movimento, Mach Speed, era o oposto de Slow, e acelera a passagem do tempo de tal forma que Joe era capaz de derrotar vários inimigos simultaneamente sem eles mal perceberem de onde vieram os socos e pontapés. Por último, Zoom In aproximava a câmera do protagonista e fazia com que ele utilizasse uma enorme quantidade de movimentos belíssimos. A melhor parte de tudo isso era que o jogador podia mesclar todos os poderes de Joe para realizar combos extremamente fortes e surpreendentes, o que tornava o combate extremamente dinâmico e divertido.


Durante a jornada, o personagem ainda podia aprender uma série de poderes especiais e até mesmo utilizar armas, tudo graças às V-Coins, moedas que eram obtidas quando os inimigos são derrotados. Falando em inimigos, a Clover Studios fez questão de diversificar muito o elenco do jogo, que ia de lutadores parecidos com os famosos Bonecos de Massa de Power Rangers até helicópteros. O elenco de chefes também era extremamente criativo e as batalhas eram muito desafiadoras e exigiam que o jogador tutasse com muito cuidado e com movimentos precisos.

A difusão do cel-shading

A sexta geração foi marcada pela consolidação dos gráficos tridimensionais e pela evolução natural dos jogos considerados realistas. Por conta disso, títulos com estilo gráfico mais cartunesco ou infantil eram taxados como um retrocesso, e isso seguiu até o lançamento de The Legend of Zelda: The Wind Waker, que provou a todos que os videogames podem ter gráficos incríveis, mesmo que não tão realistas. Viewtiful Joe seguiu a vertente popularizada pelo clássico da Nintendo e não fez feio. Contando com um estilo único, com traços muito bonitos e animações extremamente fluidas, a obra de Kamiya chamava atenção logo que batíamos os olhos em sua ação desenfreada, e ajudou a consolidar o cel-shading como um estilo extremamente popular entre os jogadores.


Além dos gráficos incríveis, Viewtiful Joe contava com uma trilha sonora empolgante que casava perfeitamente com o estilo descontraído do título, que como dito possuía doses cavalares de humor e ação durante a campanha. As cutscenes também eram muito caprichadas e ajudavam a tornar o jogo uma experiência memorável.

O legado de Joe

Viewtiful Joe foi muito aclamado pela crítica quando foi lançado, o que acabou rendendo um port para PlayStation 2, uma sequência, dois spin-offs e até mesmo um desenho animado. Infelizmente, a Clover Studios, subsidiária da Capcom responsável pelo título, foi dissolvida em meados de 2006 e a marca ficou perdida no tempo. Hideki Kamiya e outros membros da equipe fundaram a Platinum Games, que produziu títulos espetaculares como Bayonetta (Multi) e Madworld (Wii), mas foi apenas com o recente The Wonderful 101 (Wii U) que pudemos relembrar o estilo maluco da franquia que deu fama aos desenvolvedores.


Um marco para sua época e um passo à frente na indústria, Viewtiful Joe é uma prova de que jogos não precisam de gráficos ultrarrealistas ou violência perturbadora para ser incrível. Com sua jogabilidade profunda e ainda assim descompromissada, gráficos lindos e uma história nonsense e muito engraçada, Viewtiful Joe é um exemplo a ser seguido e um dos melhores jogos lançados para o saudoso cubo da Nintendo.

Revisão: José Carlos Alves
Capa: Stéfano Genachi
Gabriel Vlatkovic é economista formado pela Unicamp. Trabalha como Analista de Finanças e joga videogames há quase vinte anos. Adora ouvir música, assistir a filmes e seriados e discutir a Timeline de Zelda. Quando não está trabalhando, está no Facebook.

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