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The Fall (Wii U) é sombrio, misterioso e muito instigante

Com um clima pesado, puzzles complicados e um nível de dificuldade muito elevado, o novo indie da Over The Moon é um dos games mais difíceis do ano.

Atualmente o tema futurista é palco para jogos, geralmente, de ação, guerra ou terror. Poucos jogos utilizam a ficção científica como tema chave e The Fall está aí para fazer a diferença. O jogo com enredo totalmente sci-fi não possui o foco na ação, mas sim na resolução de puzzles para resolver o misterioso enredo do jogo.




O indie que já está disponível na eShop do Wii U não é livre de defeitos, mas é a pedida certa para jogadores fanáticos por jogos de extrema dificuldade, que te fazem perder a paciência por não entender o objetivo da missão de cara. Esse, senhoras e senhores, é The Fall.

É apenas o começo…

A história de The Fall começa com um astronauta caindo em um planeta desconhecido, se afundando em uma região impossível de retorno. Com a queda, o astronauta perde a consciência e seu corpo passa a ser controlado pela inteligência artificial de sua roupa: ARID. ARID, controlada por você, precisa encontrar um meio de arranjar primeiros socorros para o piloto desmaiado, atravessando as cavernas escuras do misterioso planeta.

O problema começa realmente quando ela percebe que não é a única inteligência artificial no meio das estranhas cavernas e, da mesma forma, outros humanos já haviam passado pelo planeta antes. Vale lembrar que as outras máquinas não estão lá com o intúito de ajudar ARID em sua missão particular.


É importante citar também que The Fall é o primeiro capítulo da hitória sci-fi desenvolvido pela Over the Moon através do Kickstarter. Dessa foram, sua história não é totalmente concluída ao final desse primeiro jogo. Um marco dele é que seus mistérios se tornam cada vez mais elaborados e os diálogos entre as máquinas são sensacionais.

Pouca ação, mas muita ambientação

Muitos podem ver as imagens do jogo e lembrar de Metroid ou Castlevania, podendo inclusive comprar o jogo através dessas comparações. Entretanto em pouqúissimas coisas The Fall se assemelha a esses clássicos. Enquanto o foco de Metroid e Castlevania é a ação e aventura, o indie da Over the Moon mantém o foco na solução de puzzles e nos longos diálogos, com uma pitada de ação de vez em quando.

Essa ação, diga-se de passagem, também tem seu quê de dificuldade, uma vez que o controle da mira é todo através do direcional analógico direito do Gamepad (semelhante ao sistema de Trine 2 - Director’s Cut). A vida de ARID se regenera com o passar do tempo, assim como o seu escudo, porém, ao tomar vários danos seguidos ,ela morre rapidamente.


Um dos pontos mais altos do jogo é na utilização do cenário. A ambientação é perfeita e o cenário possui elementos-chave tanto para a resolução dos puzzles quanto também para a sobrevivência da protagonista no meio de um tiroteio. Caixas, tambores e colunas que normalmente são meras atrações visuais nos jogos, servem como bloqueio de tiros quando utilizado o controle certo.

Como diabos eu resolvo isso?!

Além das barreiras contra tiros nos raros momentos de ação, o momento no qual o cenário mais se destaca é na hora de resolver puzzles e completar as missões. Com uma lanterna (também controlada pelo analógico direito), ARID pode vasculhar todo o sombrio território procurando por algo que possa ajudá-la. Diversos itens ou objetos em geral são destacados pela lanterna e recebem uma descrição rápida em uma caixa de diálogo.

A dificuldade aqui é que não é óbvio quais itens você pode pegar e quais não, quais você pode usar e quais não e o principal, onde usar cada um deles. Em certo momento do jogo, por exemplo, é necessário ligar a energia de uma sala, mas a caixa dos disjuntores está com fios partidos. O que deve ser feito? Pegar um pedaço de ouro no final da sala, subir dois andares, passar por alguns inimigos, entrar em um escritório com uma mesa de trabalho, pegar o alicate que está ali perto, trabalhar o pedaço de ouro na mesa até conseguir criar um fio condutor, retornar com o fio até a caixa dos disjuntores e usar o fio de ouro nela. Isso somente para acender as luzes de uma sala, que não chega nem perto de ser a missão principal daquele momento.


Isso demonstra que os puzzles são extremamente inteligentes e muito bem articulados com o espaço do jogo. A escuridão do ambiente só dificulta ainda mais a busca por objetos que se confundem totalmente com o cenário “neutro”. Não será incomum perder a paciência com certos puzzles ou então ficar horas a fio com o jogo parado, pensando em como você pode utilizar os itens que você já adquiriu em alguma parte do mapa pela qual você já passou.

Houston, we have a bug!

Um dos pontos baixos do jogo são os congelamentos de tela que às vezes ocorrem quando se está mudando de salas. Pelo que pesquisei,  não é um bug exclusivo da versão de Wii U e parece que pretendem lançar um patch para correção. Porém o bug ainda está lá, obrigando o jogador a quebrar seu ritmo de jogatina para fechar o software e abri-lo de novo.

Outro bug presente, porém mais raro, é que, ocasionalmente a opção de voltar para o menu principal do jogo some. Dessa forma o jogador fica preso dentro do jogo, obrigando-o, mais uma vez, a fechar o software manualmente. E, como se isso não bastasse, o uso do gamepad é praticamente nulo, servindo apenas para a opção off-tv.


Falando em controles, outra questão que não chega a ser prejudicial mas, para certos jogadores faz falta, é a inutilidade das setas direcionais. Em alguns momentos me vi querendo controlar o personagem não pelo direcional analógico esquerdo, mas sim pelas setas direcionais. Me surpreendeu o fato das setas não servirem para o deslocamento do personagem, e nem para mais nada no jogo.

Uma boa pedida para os que gostam de desafio

Mesmo com certos problemas técnicos e com o visual obscuro, The Fall agrada pelo enredo interessante, jogabilidade desafiadora e puzzles complicadíssimos. Já é comum, atualmente, diversos games independentes terem o nível de dificuldade bem superior ao de games feitos por grandes empresas, mas não acho precipitação dizer que esse aqui já é um dos indies mais difíceis lançados esse ano.

Se você gosta de puzzles, jogos inteligentes, tema futurista no melhor estilo ficção científica, mas com pouca ação, The Fall é o jogo certo para você. Uma observação importante é que, para entender claramente a história do jogo, é preciso um nível mínimo do inglês,  pois não se tem previsão alguma de que seja lançado um patch com tradução para a nossa língua.
Contudo, a Over the Moon fez um ótimo trabalho com o seu jogo e já deixa um gostinho de “quero mais” nos experts que conseguirem completar todas as missões. Nos resta, assim, esperar pelos próximos capítulos de uma série que tem muita para oferecer.

Prós


  • Enredo muito inteligente;
  • Boas dublagens;
  • Puzzles criativos;
  • Incrível utilização do ambiente do jogo;
  • Nível de dificuldade altamente desafiador;
  • Batalhas complexas com relevância do cenário.

Contras


  • Bugs ainda não corrigidos podem atrapalhar a imersão;
  • Ambiente muito escuro às vezes pode incomodar;
  • Uso pífio do Gamepad do Wii U;
  • Puzzles podem se tornar frustrantes.

The Fall - Wii U - Nota 7,5
Revisão: Marcos Silveira
Capa: Felipe Araujo



Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, mas começou sua vida gamer bem cedo, no NES. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico.

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