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Análise: Theatrhythm Final Fantasy: Curtain Call (3DS) é a versão definitiva do jogo de ritmo da Square Enix

Com muito conteúdo, novos modos e vários ajustes, o novo Theatrhythm tem tudo para agradar vários tipos de jogadores.


Mesmo com seu nome estranho e de difícil pronúncia, Theatrhythm Final Fantasy foi um grande sucesso no 3DS. O título revisitava a música da série Final Fantasy por meio de desafios rítmicos com pitadas de RPG. Foi pensando nessa grande aceitação que a Square Enix produziu a sequência, de nome Theatrhythm Final Fantasy: Curtain Call. Além de ter um nome ainda mais maluco e mais complicado, o novo jogo muda pouco a fórmula básica, mas adiciona uma quantidade impressionante de conteúdo e vários novos modos. Será que vale a pena o “bis”?

Um universo de conteúdo

Theatrhythm Final Fantasy: Curtain Call tem várias novidades. A primeira delas é a quantidade de conteúdo: mais de 200 músicas e 60 personagens estão disponíveis. O jogo abrange episódios mais recentes da série como Final Fantasy XIV (PS3/PS4/PC) e Lightning Returns: Final Fantasy XIII (PS3/X360), inclui todas as faixas e DLCs do primeiro título de 3DS (salvo a composição Sonmus de Final Fantasy XV), e possibilita a compra de várias outras músicas e personagens por meio de DLC. Dessa vez, jogos secundários da série também têm representação no jogo, como Final Fantasy Type-0 (PSP), Final Fantasy Tactics (PS/PSP), Final Fantasy Mystic Quest (SNES) e Final Fantasy Crystal Chronicles (GC). No Japão também foram lançados DLCs de Romancing Saga, uma série de RPGs da Square-Enix não muito conhecida no Ocidente. A variedade é tanta que fica difícil não encontrar várias músicas favoritas. Não deixe de usar fones de ouvido: a qualidade do áudio é excelente.

Outra boa notícia tem a ver com pequenos detalhes de progressão do título, vários ajustes foram feitos e tudo está mais acessível. Um bom exemplo são os estágios: desbloquear músicas e dificuldades no primeiro título era trabalhoso e exigia muitas partidas; em Curtain Call, mais da metade composições é liberada bem rápido, com todos os níveis de dificuldade já disponíveis desde o início. Outra melhoria tem a ver com a velocidade de algumas ações, como rever o resultado de um estágio ou o avanço de nível dos personagens — as informações aparecem rapidamente e não é mais necessário dar inúmeros toques na tela para avançar.

Um teatro musical variado

A palavra “Theatrhythm” é a junção de “theatre” (teatro) e “rhythm” (ritmo) e descreve perfeitamente a jogabilidade de Curtain Call: um jogo de ritmo com visual que lembra uma apresentação teatral de marionetes. Os astros dessa peça são as composições musicais e personagens da popular série Final Fantasy, sendo o resultado um título que mistura ritmo e RPG, com uma boa dose de nostalgia.

Como todo jogo musical, o objetivo em Curtain Call é acompanhar a música da melhor maneira possível. Para isso, é necessário executar movimentos na tela sensível ao toque do portátil. Um círculo vermelho exige um simples toque, uma seta amarela é ativada com um risco na direção indicada, já a linha verde pede que o jogador segure a stylus na tela de toque durante toda sua extensão. Os movimentos são fáceis de entender e aprender, mas a combinação de todos eles pode deixar as coisas bem complexas e desafiantes. Uma das novidades de Curtain Call é a possibilidade de se usar os botões e Circle Pad do 3DS para executar os comandos. Quem já está acostumado com a tela de toque vai ter dificuldade em usar os botões, pois eles não oferecem a mesma precisão e velocidade da caneta — ao menos em um primeiro momento.

Os estágios em Curtain Call são divididos em três tipos, que tentam reproduzir os principais momentos da série Final Fantasy. No Field Music Sequence (FMS), os personagens avançam por cenários conhecidos ao som de composições mais tranquilas; nesse modo as linhas verdes são sinuosas e exigem que o marcador seja movimentado verticalmente. Já o Battle Music Sequence (BMS) retrata batalhas contra inimigos, com direito a summons e ataques especiais. Por fim, temos o Event Music Sequence (EMS), onde momentos marcantes da série são revividos por meio de um vídeo com cenas dos jogos.

Treinando os heróis favoritos

Como seu antecessor, Curtain Call apresenta também características de RPG. Você escolhe um grupo de quatro personagens, sendo que vários heróis da série estão disponíveis. Vencer desafios dá experiência para os personagens, que sobem de nível e ganham habilidades e atributos. Isso afeta o jogo de várias maneiras: mais HP permite errar mais nas músicas; feitiços e ataques matam inimigos mais rápido (dando mais itens como recompensa) e assim por diante. Desbloquear personagens novos ainda exigem os infames Crystal Shards, mas dessa vez o processo é mais rápido e dinâmico.

Uma novidade na evolução de personagens é o CollectaCard Crystarium. Por meio desse sistema é possível fortalecer os heróis com as cartas colecionáveis encontradas no jogo. O legal é que usar certas combinações de cartas, como uma sequência de cartões da mesma série ou várias iguais de diferentes raridades, podem gerar resultados mais fortes. Não gostou da maneira de como um personagem evoluiu? Curtain Call permite reverter os personagens para o nível 1 — o herói mantém alguns atributos adquiridos anteriormente e poderá ser treinado novamente.
As cartas melhoram os atributos dos personagens
Esses sistemas são divertidos, mas pouco afetam a jogabilidade básica no geral. O que ainda conta para o sucesso é a habilidade de conseguir acertar as notas e padrões. Tanto é que é perfeitamente possível ignorar os personagens e só jogar as músicas normalmente, sem comprometer a diversão. No fim das contas, a profundidade dos sistemas de RPG é muito baixa. Essas características não eram tão relevantes assim no primeiro título e, infelizmente, a Square Enix perdeu a oportunidade de deixá-las mais interessantes em Curtain Call.

Aventurando-se nos mapas de desafios

Quest Medley é um dos novos modos de Curtain Call. Essa modalidade, que apareceu inicialmente na versão iOS de Theatrhythm, lembra a exploração de grandes mundos presentes na série Final Fantasy. O objetivo é atravessar um mapa, sendo que cada ponto é uma música a ser superada. Os pontos de vida não são recuperados em cada estágio; logo, é importante montar um bom time e errar o mínimo possível. Os cenários são gerados aleatoriamente, o que resulta em aventuras distintas. Três durações podem ser escolhidas — curta, média e longa —, sendo que o tamanho do mapa afeta a dificuldade dos desafios e as recompensas obtidas.

Os mapas têm vários caminhos bifurcados, desafios especiais, baús com itens e até mesmo chefes extras, sendo necessária estratégia para se dar bem. Itens podem ser utilizados para conseguir vantagens como: recuperar HP, alterar a música de algum estágio ou proteger o grupo de heróis. Está preso em algum ponto difícil? Use as moedas de jogo do 3DS para comprar uma passagem de Airship e, assim, pular alguns estágios. É um modo muito divertido e imersivo, além de ser perfeito para conhecer estágios que você normalmente não jogaria — só fique atento à dificuldade, que sobe repentinamente em alguns momentos.
Os estágios de Airship são do tipo FMS e têm visual diferente

Enfrentando oponentes pelo mundo

O Versus Battle é outra novidade em Curtain Call. Neste modo, é possível enfrentar grupos oponentes em estágios do tipo BMS, sendo que quem tiver a melhor pontuação no final ganha a partida. É possível enfrentar o computador ou outras pessoas — localmente ou pela internet. As partidas à distancia funcionam perfeitamente bem e sem atrasos. A recompensa de jogar este modo são cartas que servem para fortalecer os personagens.

Poderes especiais de nome EX Burst podem ser ativados durante a partida. Eles atrapalham o oponente de alguma maneira. Alguns exemplos: um ataque faz com que qualquer comando fora da precisão Critical é marcado como Bad (ou seja, um erro); um outro golpe troca o HP dos oponentes; um terceiro confunde o oponente, bagunçando a ordem dos comandos. Os poderes são escolhidos aleatoriamente e são muito desbalanceados — eles podem tornar a partida uma bagunça frustrante.
A caveira indica que somente a precisão Critical será computada

Colecionando eternamente

Curtain Call tem uma quantidade incrível de colecionáveis. Além de Collectacards com vários níveis de raridade, o jogo tem também troféus que são adquiridos ao executar tarefas no jogo. Eles vão desde coisas simples como “complete dez músicas” a desafios trabalhosos como “ganhe classificação perfeita em todas as músicas”. Uma novidade em Curtain Call são os sons desbloqueáveis, que podem substituir os sons das notas. Por fim, o jogo tem também uma galeria de vídeos e músicas. Conquistar tudo o que o jogo tem a oferecer é uma tarefa trabalhosa e tomará muito tempo.

Algo legal são os Proficards: cartões customizáveis com todas as informações e estatísticas do jogador. Eles podem ser compartilhados via StreetPass ou Versus Battle no modo online. Superou algum desafio complicado ou conseguiu uma ótima pontuação? Tire uma foto! O jogo tem integração completa com o Miiverse, sendo assim, é muito mais fácil compartilhar seus feitos. Em alguns momentos, também é possível capturar imagens da tela, que ficam salvas no cartão SD do portátil.

Uma sequência incrível

Mesmo se parecendo muito com seu antecessor, Theatrhythm Final Fantasy: Curtain Call tem características para agradar tanto veteranos quanto novatos. A quantidade imensa de conteúdo, a jogabilidade precisa e divertida e os novos modos são as principais qualidades desse jogo de ritmo. O título também tem várias características tradicionais de RPGs japoneses como, por exemplo, personagens que podem ser treinados, com direito a habilidades especiais e itens. Contudo, são sistemas simples e que não influenciam tanto na jogabilidade. Com tantas qualidades, Theatrhythm Final Fantasy: Curtain Call é um título que todo fã de jogos rítmicos não deve deixar de conferir — independentemente de gostar ou não da série de RPGs.

Prós

  • Quantidade muito extensa de conteúdo;
  • Jogabilidade intuitiva e desafiante na medida certa;
  • Ótima qualidade de áudio;
  • Variedade grande de desafios, que podem agradar vários tipos de jogadores;
  • Vários ótimos ajustes em relação ao jogo anterior.

Contras

  • Características de RPG sem muita profundidade;
  • Os ataques Ex Bursts no modo Versus mais atrapalham do que deixam a competição divertida.
Theatrhythm Final Fantasy: Curtain Call — 3DS — Nota: 9
Revisão: Jaime Ninice
Capa: Farley Santos
Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura e Motoi Sakuraba, é apreciador de boardgames, game music, fotografia, livros e animes. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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