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Análise: Phoenix Wright Ace Attorney Trilogy (3DS) dá uma nova dimensão à nostalgia

Com um update visual, a atemporal série se torna mais acessível, mas peca em agradar a jogadores de longa data.



Apartir de hoje, você não tem mais desculpa para não conhecer Phoenix Wright. A trilogia que constitui a primeira saga do advogado de terno azul e cabelo de porco-espinho foi lançada no Japão para GBA, ao final da vida do portátil. De lá pra cá, os três primeiros jogos (Phoenix Wright: Ace Attorney, Justice for All e Trials and Tribulations) já receberam remakes/remasterizações para Nintendo DS (na primeira vez que vieram ao Ocidente), para o Wii (via WiiWare), para dispositivos Android e iOS e, por fim, chegou a vez do 3DS, ao receber Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy.


Retomando os primórdios do advogado mais famoso dos jogos

Para quem ainda não sabe do que se trata, a série Phoenix Wright traz um misto de Visual Novel com Point & Click no contexto de um “Coutroom Drama”, isto é, um daqueles seriados de advogados e julgamentos. No papel de Phoenix Wright, o recém-formado advogado de defesa, sua mentora, Mia Fey, e sua assistente médium, Maya Fey, e um hilário elenco de personagens marcantes, o jogador deverá provar a inocência de seus clientes.


A defesa dos acusados se dá de duas formas: primeiro é necessário conversar com testemunhas e pessoas de interesse para o caso, coletar evidências e depoimentos, tudo isso feito no estilo point & click, ao navegar por diversos cenários. Na sequência, agora munido de itens que possibilitam sua argumentação, você terá que passar por diversos depoimentos na corte, procurando alguma declaração que contradiga alguma de suas evidências. Aí então é o momento de gritar o famoso “OBJECTION!”.

A mecânica e a história permanecem impressionantemente frescas e continuam a agradar e envolver o jogador, mesmo depois de tanto tempo. As piadas ainda são engraçadas, e as referências, embora não sejam mais recentes, boa parte se tornou cult, e continuam válidas. Ler os textos e conhecer a fundo os personagens caricatos que formam esta bizarra Los Angeles é gratificante, contanto que você saiba inglês — ou japonês, já que nesta versão é possível alternar entre os idiomas e jogar com o áudio e texto original.

As poucas mudanças estéticas

A principal mudança na coletânea, entretanto, foi o update gráfico, que permitiu a troca dos sprites feitos em pixelart pelas ilustrações que os originaram — tal qual foi feito nos remakes para plataformas mobile. Além disso, uma das mudanças mais bem-vindas nesse quesito foi a troca da fonte também pixelizada por uma muito mais agradável de se ler — o que, considerando a quantidade de texto a ser lido no jogo, faz uma grande diferença.


De forma exclusiva para o 3DS, temos também o recurso do 3D estereoscópico. Embora não vejamos os cenários com profundidade como ocorre em Dual Destinies (aqui eles parecem mais uma espécie de quadro pintado atrás dos personagens), as camadas ajudam a destacar e distanciar o texto das outras coisas que estão ocorrendo na tela. Infelizmente, o 3D acaba se limitando a isso; raramente se vê mais do que três ou quatro diferentes camadas de profundidade. Poderiam ter explorado mais o efeito 3D em diversas ocasiões, como, por exemplo, quando Victor Kudo joga sementes na tela, Max Galactica joga cartas ou Angel Starr oferece uma de suas bento box — grandes chances de causar um impacto a mais que foram perdidas.

A falta do “algo mais”

Infelizmente, tal qual nos últimos remakes da trilogia, a Capcom só foi capaz de atualizar os gráficos e pecou no resto. Ao abrir o jogo, somos recebidos com uma nova versão orquestrada do tema da série (a única coisa realmente nova do game), mas, ao escolhermos um dos três títulos para inciar nossa aventura jurídica, tudo o que escutamos são as músicas de sempre com quase a mesma qualidade que elas têm desde as versões originais de GBA.

Do lançamento da série até hoje, a Capcom lançou vários CDs promocionais com reinterpretações de músicas da série: Turnabout Orchestra, com versões orquestradas das músicas, Turnabout Jazz, com adaptações de Jazz (Godot aprova isso) e, o mais recente que foi lançado junto com o Trilogy de 3DS, Turnabout Piano, com versões tocadas somente no piano. Seria muito interessante se pudéssemos trocar o estilo musical do jogo tal qual podemos trocar a língua de inglês para japonês. Ou ao menos que elas estivessem disponíveis para serem ouvidas num modo sound test, ou até mesmo uma galeria de extras, com artes conceituais (como ocorre em Layton Vs. Wright) e que justificasse a compra de um título que já foi relançado tantas vezes.

VEREDITO

Para encerrar meu caso, reitero o quão atemporal a essência da série é: seja jogando hoje ou há oito anos, a pessoa é capaz de ter o mesmo prazer e rir da mesma forma. Entretanto, por um dos grandes atrativos de Phoenix Wright ser seu enredo, o fator replay acaba sendo quase nulo e as poucas modificações feitas no título não justificam, para alguém que já jogou a série, adquiri-la novamente (exceto caso você seja um fã aficionado como eu). Em contrapartida, a franquia nunca esteve tão acessível e de uma forma tão confortável como está agora na versão de 3DS. Pelo preço de R$ 59,90 na eShop brasileira, se você já teve vontade ou curiosidade de experimentar os tribunais mais famosos do mundo dos games, a hora é agora.

Prós


  • Excelente update gráfico;
  • Textos mais fáceis e confortáveis de se ler;
  • Enredo e piadas continuam tão recentes e eficazes quanto no lançamento;
  • Possibilidade de jogar com áudio e textos originais japoneses;
  • Preço camarada de 59,90 reais (menos que 20 reais por jogo!);
  • Ótima oportunidade para novatos começarem na série.


Contras


  • Uso simplório do efeito 3D, um dos chamarizes da versão;
  • A falta do necessário update na qualidade das músicas e áudio em geral;
  • Ausência completa de qualquer recurso extra que justifique a compra para quem já jogou as versões anteriores.

Phoenix Wright: Ace Attorney Trilogy — 3DS/eShop — Nota: 7.5
Revisão: Alberto Canen
Capa: Hugo H. Pereira 
Hugo H. Pereira cursa artes conceituais nos EUA e atua como ilustrador e redator no Blast. Quando não está colocando seus desenhos no Facebook, está gritando "Objection" por ai ou resolvendo enigmas com o Professor Layton.

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