Blast Test

A demo de Code Name: S.T.E.A.M. (3DS) é longa, completa e divertida

Com muito conteúdo, a versão de demostração do novo jogo da Intelligent Systems mostra bem a jogabilidade do título.


Uma das maiores surpresas reveladas pela Nintendo na E3 de 2014 foi Code Name: S.T.E.A.M., título de estratégia em terceira pessoa para o 3DS. Desenvolvido pela Intelligent Systems, que é conhecida pelas séries Fire Emblem e Nintendo Wars, o jogo deixou jogadores um pouco decepcionados: os gráficos não pareciam muito bons, a direção de arte causou estranheza e a jogabilidade parecia confusa. Para tentar reverter essa situação, a Nintendo liberou no eShop uma versão de demostração do título. A demo é suficiente para mudar opiniões?

Lutando contra alienígenas em um mundo steampunk

Code Name: S.T.E.A.M. se passa em uma realidade paralela na qual a humanidade usa máquinas movidas a vapor para praticamente tudo. Um dia, Londres é atacada por alienígenas, que parecem ter como único objetivo destruir tudo. Nem tudo está perdido: um time de agentes especiais, liderados pelo presidente dos EUA, Abraham Lincoln, entra em ação para acabar com a ameaça alienígena. A ambientação usa a vertente de ficção steampunk, na qual a presença de dispositivos à vapor é forte. Já o traço dos personagens lembra algumas HQs americanas.

A jogabilidade mistura estratégia por turnos e tiro em terceira pessoa. Cada personagem pode ser movimentado livremente pelos cenários, mas ações, como andar e atacar, consumem vapor — e cada herói tem à disposição somente uma quantidade limitada por turno. Os personagens, que são baseados em ícones da literatura e história, têm características e habilidades distintas, o que permite montar inúmeras estratégias.

Explorando uma Londres inusitada

A demo de Code Name S.T.E.A.M. mostra exatamente o início da história. Por meio de cenas não interativas que lembram gibis, vemos os alienígenas atacando Londres e logo em seguida já assumimos o controle do protagonista Henry Fleming. Os primeiros mapas funcionam como tutorial e explicam como se mover e atacar. Os controles são simples e funcionais: o Circle Pad movimenta o personagem e o botão L dispara a arma principal. A câmera pode ser controlada pelos botões ABXY ou por meio da tela sensível a toque — o Circle Pad Pro e C-Stick do New 3DS também podem ser utilizados.

As partes introdutórias não oferecem grande desafio, mas a situação muda drasticamente depois que todos os conceitos básicos foram explicados: a quantidade de inimigos aumenta e o jogo fica bem mais difícil. É a partir desse momento em que é necessário pensar com cuidado cada movimento, gastando o vapor de maneira consciente. Para deixar as coisas mais interessantes, os heróis conseguem executar um movimento chamado Overwatch: guardando certa quantidade de vapor no final do turno, o personagem ataca qualquer inimigo que apareça no seu campo de visão, interrompendo, assim, as ações do oponente. Os inimigos também conseguem executar o Overwatch, o que é mais um incentivo para avançar com cuidado.

Estratégia em time

Henry Fleming não está sozinho nessa empreitada contra os invasores do espaço. Durante a demo, vários aliados se juntam ao grupo, cada qual com habilidades específicas. John Henry tem menos vapor à disposição, mas sua arma lança explosivos que atingem vários inimigos simultaneamente. Já Lion é resistente e consegue executar um salto para alcançar locais distantes, o que também funciona como um ataque poderoso. Por fim, temos Tiger Lily, uma garota especializada em curar aliados. Os personagens também podem carregar uma arma extra que pode ser utilizada a qualquer momento.

Mesmo com tantos aliados, é necessária muita atenção em Code Name S.T.E.A.M. Todos os passos e movimentos têm que ser feitos com cuidado, pois inimigos estão escondidos por todo canto. A câmera está presa nos heróis, ou seja, não é possível navegar por todo o estágio e verificar onde estão os inimigos. Isso pode parecer uma falha, mas é fácil perceber que toda a jogabilidade é centrada justamente nisso: é necessário navegar com cuidado, explorando o terreno pouco a pouco, sem nunca esquecer de montar emboscadas com o Overwatch. É possível também utilizar o cenário a seu favor, como em uma missão na qual é possível derrubar um lustre em cima dos inimigos. Felizmente estão espalhados pelos cenários vários pilares verdes que permitem salvar o jogo e recuperar a energia dos aliados ao custo de moedas.

Algo que incomoda é a duração do turno dos inimigos: eles demoram para executar suas ações e se movem de maneira lenta. Espero que na versão final esses momentos sejam bem mais breves ou que uma opção de acelerar as ações dos inimigos esteja disponível. Ainda sobre os inimigos, há algo que atrapalha um pouco a estratégia. Durante a ação, é difícil saber detalhes dos inimigos como seu alcance e tipo de ataque e na maioria das vezes você só descobre essas características depois de ter recebido dano. Isso é dificultado mais ainda pelo fato de que os inimigos têm aparência similar. Mas, aparentemente, os inimigos terão visuais mais distintos na versão final.

Gibi interativo

Visualmente, Code Name S.T.E.A.M. é muito melhor rodando no portátil do que em imagens. A animação é fluida e os cenários são ricos em detalhes, por mais que a abundância de objetos possa deixar as coisas um pouco confusas. Já a direção de arte é controversa e vai continuar dividindo opiniões, por mais que as cenas não interativas sejam bem legais de ver. Já na parte sonora, o jogo conta com dublagens competentes (mas pouquíssimas variações de frases) e ótima música — a trilha sonora, que é assinada pelo  mesmo compositor de Advance Wars: Days of Ruin (DS), é repleta de guitarras e muito enérgica.

Um ótimo paliativo

A demo de Code Name S.T.E.A.M. é bem completa e consegue transmitir bem todas as principais características do jogo. Ela é composta de quatro missões, que podem ser jogadas novamente quantas vezes você quiser — medalhas adquiridas poderão ser transferidas para a versão completa, o que é um ótimo incentivo para revisitar os mapas. Existe uma boa variedade de situações e é possível ver a jogabilidade praticamente em sua totalidade. E vocês, o que acharam da demo de Code Name S.T.E.A.M.? Ela conseguiu mudar sua opinião sobre o jogo?

Revisão: José Carlos Alves
Capa: Stefano Genachi

Farley Santos é brasiliense e gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. Fã de Yoko Shimomura e Motoi Sakuraba, é apreciador de boardgames, game music, fotografia, livros e animes. Além de mostrar seus cliques no Flickr, tem também um blog onde escreve sobre inúmeros assuntos.

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