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Conhecendo a lenda de Majora's Mask: recepção

Dawn of The Second Day: Tocamos a canção do tempo para saber como a mídia especializada recebeu Majora's Mask na época no seu lançamento no N64.

Com o lançamento de The Legend of Zelda: Majora's Mask 3D, preparamos um material repleto de nostalgia e detalhes do remake mais esperado para 3DS. Dividido em três partes (leia a primeira parte), acompanhe o segundo capítulo desse especial. Dessa vez, tocamos a canção do tempo e fomos parar no período de lançamento do jogo no Brasil. Vamos relembrar a recepção de Majora's Mask pelas revistas especializadas da época. É melhor se apressar, pois a lua está quase caindo.

Preparando o mundo para o caos

Muitas informações tomaram as páginas das revistas especializadas em games durante 1999 e os primeiros meses de 2000. O assunto era um só: como seria a sequência do aclamado Ocarina of Time? Desde o remake no 64DD, passando por diferentes títulos até chegar no cartucho dourado em nossas mãos, foram muitas expectativas, desejos e pesadelos.
Sonho de consumo de toda uma geração.
Foi durante a E3 de 2000 que a Nintendo finalmente mostrou o jogo para o público ocidental. Consequentemente, foi aí que nós, brasileiros, começamos a ter ideia de como seria essa nova obra-prima dos videogames. Recebido com enorme entusiasmo pelas redações da época, o título deixou muito fã da série sem dormir direito, só esperando pelas próximas edições de suas revistas favoritas.

Entre máscaras e fadas, mais um jogaço

Foi com esse título que a Super Game Power nº 80 estampou sua principal matéria em novembro de 2000. Além de um extenso detonado, com dicas e macetes para superar os calabouços e terminar o jogo, tivemos uma breve análise de Majora’s Mask. O título recebeu nota máxima da revista: 10/10.
The Legend of Zelda: Majora's Mask foi capa da edição nº 80 da revista Super Game Power, em novembro de 2000.
Destacando os controles precisos, uso das máscaras como maior diversão, controle de câmera suave, sons originais e gráficos de encher os olhos, o texto produzido por Marcelo Kamikaze ainda citou o game como um dos melhores e maiores jogos já produzidos para videogames .

RPG de verdade é isso

Hoje existe muita discussão quanto à classificação de Zelda como RPG, porém, quando lançado, Majora's Mask foi exaltado como um dos melhores do gênero. Na revista Ação Games nº 158, de dezembro de 2000, o jornalista Humberto Martinez escreveu que o jogo chegava aos limites dos videogames, sendo a nova aventura de Link "O" RPG.
Com texto do lendário jornalista Humberto Martinez, Majora's Mask estampava as páginas da revista Ação Games nº 158, de dezembro de 2000.
Na publicação citada, o jogo é enaltecido ao ponto de ser chamado de o RPG mais envolvente já criado. Destacando a absurda interação com o ambiente, personagens, trama e ação. Além de trazer as dicas para começar a jornada, não poderia faltar a nota do jogo. Que foi um ótimo 9,4, com destaque para a diversão (nota 10).

Orgulho de casa

Recebido com enorme entusiasmo por todas as revistas de games brasileiras da época, não seria no seu próprio lar que as coisas mudariam. Capa da da edição nº 26 da Nintendo World, em outubro de 2000, The Legend of Zelda: Majora’s Mask passaria muito tempo entre as páginas de uma das principais publicações especializadas em videogames até hoje.
The Legend of Zelda: Majora's Maks na capa da revista Nintendo World nº 26, de outubro de 2000.
Aos gritos de “ai, ai, ai, ai… está chegando a hora…” a primeira grande matéria sobre o jogo chegou nas bancas e lares dos brasileiros. O sentimento de felicidade era imenso. Frases como “o melhor Zelda de todos os tempos” e “Poucos momentos na vida de um jogador de videogame se comparam à satisfação de plugar um novo Zelda no console e esquecer que existem coisas tão sem importância como comer, dormir e tomar banho”, enchiam nossos corações de alegria para jogar esse clássico.
Pablo Miyazawa, hoje editor-chefe do IGN Brasil, trazia tudo sobre a lenda de Majora's Mask, na edição 27 da Nintendo World, em novembro de 2000.
Era impossível não se empolgar com a excelente recepção do jogo. Com a incrível nota 98 (10 em todos os quesitos, menos jogabilidade), acompanhamos o passo a passo da aventura, da edição 27 à 29, todo escrito pelo hoje lendário jornalista Pablo Miyazawa, um dos responsáveis pelo IGN Brasil.

Palavras dos mestres

Como é de costume hoje, é durante a E3 que desenvolvedores e empresas anunciam e divulgam seus novos títulos. Na edição de 2000, o mestre Miyamoto e o diretor Eiji Aonuma deram uma entrevista interessante para a revista americana Nintendo Power, mais tarde reproduzida da nossa Nintendo World em julho do mesmo ano.

Questionados pelo pouco tempo de produção, os dois responderam que aproveitaram toda a estrutura de Ocarina of Time. O que facilitou o processo. Miyamoto ainda completou dizendo: "Trabalhei com o Aonuma para estabelecer os princípios básicos do jogo e depois deixei que ele os executasse. De certo modo, é como se construíssemos uma mesa juntos e eu lhe desse a liberdade de enfeitá-la com suas próprias ideias. Contando que a mesa esteja no final do projeto, eu fico feliz."

Por fim, perguntados sobre o universo paralelo e limitação de tempo, os dois responderam que se inspiraram em Toy Story 2, pelo menos na exploração dos personagens secundários para expandir o universo da série. Que por sua vez, esse universo seria uma espécie de jardim, cabendo ao jogador a tarefa de explorá-lo ao limite para que consiga entender as várias histórias que completam essa aventura — detalhe que eles acharam ter faltado em Ocarina of Time.

Nenhuma glória supera o valor de uma grande amizade

Aquele garoto Kokiri sonhador que se divertia pelos campos verdes da sua floresta só desejava uma fada. Nada mais que isso. Contudo, quando a recebeu da Árvore Deku, precisou enfrentar todo tipo de desafio com sua nova companheira. A fadinha, Navi, mesmo enchendo o tempo todo com suas dicas, era a grande amiga e guia de Link. Superados os desafios, ficava evidente que ele gostaria de viver em paz junto da sua companheira.

Mas não foi bem assim que aconteceu. Após passar por maus bocados juntos, incluindo uma batalha épica contra Ganon, Navi resolve deixar seu amigo e voa para o desconhecido, sem motivos claros, deixando Link desolado e sem entender o que realmente aconteceu com sua querida companheira.

Nunca foi explicado o real motivo para que Navi sumisse. O que sabemos é que Link sentiu muito sua partida, ficando amargurado e arrasado, a ponto de esquecer seus dias de glória para procurar sua amiga. É na sua aventura solitária e triste, em busca de respostas, que Majora’s Mask se torna realidade — ou sonho?

Familiaridade sombria

Sucesso de vendas e críticas, The Legend of Zelda: Majora’s Mask dominou o cenário gamer pelo anos seguintes ao seu lançamento. Nem mesmo a chegada dos consoles da geração 128-bit, com seus gráficos realistas, foi suficiente para evitar que as sombras desse título do Nintendo 64 tomasse conta dos jogadores.
Clássica propaganda de Majora's Mask nas revistas de videogame da época. 
Porém, parece que Majora’s Mask estava muito à frente do seu tempo. Muitos o viam como um reaproveitamento do sucesso do seu antecessor. Outros, como um jogo sem sentido e curto. Mas, o tempo passa, passa, e parece retornar para o primeiro dia. Através de uma maldição. Ou, quem sabe, alguém tenha apenas tocado a canção do tempo.

Quase 15 após chocar o mundo dos jogos com uma aventura sombria e cheia de mistérios, eis que, mais uma vez, o sucesso de Ocarina of Time, agora da sua versão em 3D, desperta a lenda da Máscara de Majora. Chegando ao Nintendo 3DS no dia 13 de fevereiro de 2015 (sexta-feira 13), o clássico do N64 ressurge com as mesmas expectativas e tem causado a mesma impressão de anos atrás. Prepara-se, pois a lenda ressurgiu...

Continua. . .

Revisão: Jaime Ninice
Capa: Angelo Gustavo
Ítalo Chianca escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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