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Análise: Cube Life: Island Survival é um sandbox digno para o Wii U

Mesmo com uma mecânica batida e inovações razoáveis, Cube Life consegue cumprir o que promete, trazendo a experiência de Minecraft (Multi) ao Wii U.

Há muito tempo os jogadores de Wii U e 3DS clamam para que Minecraft, um dos jogos mais vendidos da história, ganhe versões para os consoles da Nintendo. Com a venda do título para a Microsoft, as chances disso acontecer foram reduzidas de “quase nenhuma” para “impossível”. Em resposta a isso, a Cypronia começou a desenvolver um sandbox indie para Wii U com a intenção de suprir a falta do estilo na plataforma. E assim, Cube Life: Island Survival chega a nós, com uma mecânica já conhecida de todos ealgumas surpresinhas agradáveis.

Um “modo sobrevivência” digno

O jogo, assim como o seu título de “referência”, possui dois modos básicos: sobevivência e criativo. O primeiro consiste em você se tornando o único sobrevivente de um naufrágio, aparecendo somente com as roupas do corpo na praia de um arquipélogo de ilhas “desertas”. A forma de introdução dessa história é bastante desnecessária, mas tira algumas risadas pelo tom “arcaico” no qual foi feita.



Assim o jogo começa. Algumas características do seu layout inicial são dignas de nota: a hora do dia aparece no canto superior direito da tela, o que é muito útil para controlar o ciclo dia e noite. No canto superior esquerdo, três pontuações ficam presentes: sua vida, sua fome e sua sede. Diferenciando-se um pouco de Minecraft e dando um pouco mais de dificuldade para a jogabilidade, uma vez que existem alimentos que diminuem mais sua fome ou sua sede, forçando você a procurar uma variedade maior deles para ficar preparado.

Além disso, tentando prezar pelo realismo, dependendo das funções executadas pelo seu personagem, seus pontos de fome e de sede caem de forma diferente. Com qualquer um deles baixos, sua vida é impedida de ser regenerada. Esse detalhe, somado ao fato de você começar a perder quantidades consideráveis de vida se não se alimentar, dá um quê de desespero ao jogador, que realmente começa a lutar pela sobrevivência do seu personagem cúbico.
cia.

Belo visual, mesmo em cubos

Outro ponto positivo do jogo é o seu visual. A água transparente com belos reflexos e a iluminação solar que varia de intensidade ao longo do dia (se tornando incômoda e exagerada às vezes) são dois dos pontos mais facilmente perceptíveis ao começar a jogar Cube Life. A movimentação funciona perfeitamente e o campo de visão é bem amplo, o que facilita na hora de identificar de onde você veio e para onde vai.

Os sons ambientes são outro forte do jogo, com músicas calmas e vários sons diferentes, variando ao longo da passagem do dia e da noite. Mais uma vez, esse é outro ponto que aumenta a imersão ao jogo e a sensação de “sobrevivência”, o qual é o principal foco da Cypronia ao desenvolver o título.

Entretanto, infelizmente temos problemas de queda na taxa de frames, mesmo que bastante raros. Mas nada que atrapalhe muito o fator diversão. Enquanto isso, os cenários noturnos são tão belos quanto os diurnos. Você ainda consegue enxergar em noites de lua cheia, mesmo com dificuldade. Mas enxergando ou não, sair de noite não é muito indicado nos primeiros dias de jogo…



O perigo espreita na escuridão

Como já é clássico de jogos sandbox de sobrevivência, o dias são feitos para caçar, mas as noites são para ser caçado. Em Cube Life, a principal ameaça são os canibais, aborígenas que só aparecem na parte da noite e desaparecem inexplicávelmente na parte da manhã. Sempre aparecem em grande quantidade e o foco deles é você, pura e simplesmente. Dessa forma, aventurar-se ao ar livre de noite sem esbarrar com essas figuras perigosas é impossível.

Além deles, alguns animais são bem perigosos de se enfrentar mesmo durante o dia. Nas partes submersas, tubarões podem ser os causadores da sua morte ou então, ao entrar nas grandes cavernas, talvez esbarre com uma aranha gigante. Dizem as lendas que polvos gigantes também podem ser encontrados, mas infelizmente (ou felizmente) ainda não encontrei nenhum.



Graças ao fatos “sobrevivência” do jogo, enfrentar essas criaturas se torna algo bem difícil no inicio, em que você vai ser preocupar em não morrer de fome, basicamente. Com a construção de casas e progressiva evolução da sua base e das suas coletas de materiais, só aí você terá bons machados e armaduras para enfrentar todos os riscos que espreitam cada ilha de Cube Life.

“Save, save, save, save…”

Ainda no modo “sobrevivência”, a contagem de dias é cumulativa, para lhe dar um parâmetro de quantos dias você já conseguiu sobreviver na ilha. Porém, é importante dizer que, se você morrer, você literalmente perde o jogo. Tudo que você fez até então é perdido e você pode recomeçar do último save que você fez. Dessa forma, a qualquer modificação importante do seu jogo, é de crucial importância salvá-lo, pois morrer sem ter feito isso pode ser bem frustrante.

Ao morrer, o jogo fornece uma tabela atualizada em tempo real da lista dos jogadores que mais sobreviveram até agora no mundo, mostrando há quantos dias eles estão vivos e em que nível se encontram. O nível aumenta sua defesa e dano, e pode ser aumentado através da experiência acumulada fazendo qualquer coisa. Isso mesmo! Caçar, construir, coletar e destruir. Tudo lhe dá alguma quantidade determinada de pontos de experiência.



E por falar em construir, esse é um dos pontos positivos do jogo em relação ao seu título de “referência”. Na primeira versão do jogo, já são mais de 200 itens possíveis de serem craftados. E mesmo com uma variedade um pouco baixa de armas, os alimentos e materiais são bem complexos e detalhados. É possível, inclusive, fazer um barco à vela para se transportar mais facilmente entre as ilhotas do cenário.

A criatividade é livre, mas nem tanto

Além do modo “sobrevivência”, como falamos no início, Cube Life também apresenta o modo “Criativo”, onde o jogador é imortal, pode voar e é livre para construir o que quiser, uma vez que tem todos os materiais existentes no jogo à sua disposição. Tudo a um clique de distância. Esse modo é interessante pois nele o jogador é livre para construir o que quiser, no melhor estilo “LEGO” e “Minecraft” de ser.

O GamePad, marca registrada do Wii U, foi bem utilizado no jogo, levando em consideração o fato dele ser independente. Alguns comandos só são possíveis de serem executados com a tela sensível ao toque, como mexer em alguns menus, craftar e mover itens. Mas tudo isso é facil de se acostumar, e os controles do game rapidamente tornam-se instintivos.

Como o jogo está em sua primeira versão, a quantidade de blocos e itens que podem ser utilizados é muito inferior a do seu mestre, Minecraft. Porém, como a Cypronia disse no site oficial do jogo, a equipe tem a itenção de ouvir as críticas e sugestões dos jogadores através do Miiverse, Twitter e Facebook para melhorar cada vez mais a experiência do jogo no decorrer do ano e também em 2016.


Um bom “primeiro passo”

Cube Life: Island Survival conseguiu fazer o que o projeto Ucraft não conseguiu: levar uma experiência próxima a de Minecraft para o Wii U. O jogo independente possui suas falhas e vários conteúdos serão acrescentados nele ao longo dos meses e com o feedback dos jogadores nas redes sociais oficiais da Cypronia. Mas mesmo que no início, o jogo já vale a pena ser comprado por sua qualidade e potencial.

Se você curte jogos sandbox e estava ansioso por um mundo aberto como esse no Wii U, não perca tempo! Cube Life: Island Survival é ótimo e tem potencial para se tornar ainda melhor com o passar do tempo.



Prós

  • Gráficos bonitos;
  • Modo sobrevivência desafiador;
  • Interatividade de pontuações com o Miiverse;
  • Recurso de craftar bem detalhado;
  • Guias para ajudar no inicio do jogo;
  • Bela ambientação;
  • Promessa de futuras atualizações;
  • Bom uso do GamePad.


Contras

  • Raras quedas na taxa de frames;
  • Ausência de multiplayer;
  • Modo Criativo ainda muito básico.


Cube Life: Island Survival — Wii U — Nota: 7.5

Revisão: Alberto Canen
Capa: Nívia Costa

Gilson Peres é Psicólogo e Mestrando em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014, mas começou sua vida gamer bem cedo, no NES. Pode ser visto por aqui sempre escrevendo algum texto polêmico, instrutivo ou nostálgico.

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