Blast from Japan

Disney's Magical Quest 3 (SNES): hora de salvar os sobrinhos do Pato Donald

Lançado exclusivamente para o Super Famicom, apenas os japoneses tiveram o privilégio de encarar essa aventura Disney.

Como o terceiro título da trilogia Magical Quest para Super Nintendo nunca saiu do Japão, o mais correto seria chamarmos de Mickey to Donald: Magical Adventure 3 (Super Famicom), como o game é conhecido por lá. Mas esse infortúnio não é exclusividade desse título, já que não são poucos os jogos que são lançados em terra nipônicas e nunca veem a luz do Sol no Ocidente — ao menos não devidamente localizados. Os motivos são diversos. Pode ser pelas desenvolvedoras japonesas simplesmente não confiarem nas nossas habilidades como jogadores, como ocorreu com Super Mario Bros. 2 (NES, 1988), que foi substituído por uma versão mais fácil para nós "noobs" do outro lado do mundo; ou pelo fato de elas não acreditarem no nosso gosto por determinado gênero, o que levaria a prejuízo nas vendas — basta lembrar de tantos JRPGs que ficaram apenas por lá.


No caso de Magical Quest 3, apesar de não haver uma explicação para ele nunca ter sido lançado por essas bandas do planeta, não é tão difícil imaginar o motivo. Basta notarmos que o jogo chegou às prateleiras japonesas no final de 1995 e que o Nintendo 64 já havia sido anunciado para o ano seguinte. Isso por si só já diminuiria as vendas de jogos de menor expressão, tornando um risco o investimento na distribuição em massa do mesmo.
Disney's Magical Quest 3 Starring Mickey & Donald foi lançado no Ocidente para o Game Boy Advance em 14 de junho de 2005, e foi assim que nós pudemos, quase dez anos depois de seu lançamento original, conhecer melhor esse game tão divertido.

Mickey e Donald ao resgate

Os sobrinhos do Pato Donald — Huguinho, Zezinho e Luisinho — encontram um livro mágico e ao abri-lo são raptados para dentro dele pelo Rei Bafo, que dominara a Storybook Land — como é conhecida a terra mágica de dentro do livro. A fada que toma conta desse local aparece para pedir ajuda e a dupla Mickey e Donald vai resgatar os garotos bem como derrotar o vilão para trazer paz novamente ao reino.


Os heróis devem passar pelos sete locais da Storybook Land, que parecem retirados de contos de fadas, com castelos medievais e até um navio voador. No final, como acontece em todos os jogos da série, eles enfrentam o malvado Bafo. O visual mantém o mesmo tom dos jogos anteriores e é uma das características que mais chamam atenção, criando um clima bem Disney de ser, com os heróis e inimigos muito bem feitos e carismáticos, mesmo que vários tenham sido aproveitados dos seus antecessores.

Na versão para GBA, as sobrancelhas do Mickey foram retiradas para fazer jus ao personagem nos desenhos, que havia passado por pequenas alterações entre o lançamento do jogo para Super Famicom e o port para o portátil da Nintendo.
Em todas as fases há portas espalhadas pelo cenário que levam a salas com tesouros, lojas — nas quais vidas e corações podem ser adquiridos —, e salas de bônus, onde é possível escolher uma carta e receber um prêmio de forma aleatória (do mesmo tipo que se vende nas lojas), ou não receber nada, caso vire uma carta com o rosto do Bafo.


Vale notar que as fases, apesar de bonitas e criativas, não representam qualquer desafio e os jogadores podem passar sem muito esforço. Cada nível possui um subchefe e um chefe principal, e mesmo eles são muito simples de serem vencidos. Passando tão rápido pelo jogo, o fato de ele ser muito curto acaba ficando em evidência, mesmo ele não sendo menor que os games anteriores da série, apenas mais fácil.

Vestidos para a aventura

Seguindo a tradição da franquia, Magical Quest 3 traz novos trajes para nossos heróis, cada um com uma habilidade diferente. O diferencial é que dessa vez eles são diferentes para cada personagem, o que torna a ação cooperativa mais interessante e justifica zerar uma segunda vez utilizando o outro herói.

A primeira fantasia é de cavaleiro, mas nada de espadas ou armas letais: Mickey usa escudo e na ponta da sua lança há uma luva de boxe; Donald, por sua vez, usa um martelo daqueles de brinquedo. Falando no pato, ele é o ponto mais cômico de todo o jogo — e meu personagem favorito da Disney. A sua "armadura", por exemplo, trata-se de uma panela como elmo e um barril de madeira para proteger o corpo, já que a de ferro não coube nele. Além disso, ele reclama exageradamente por tudo, mesmo quando um inimigo o acerta, o que é muito divertido durante toda a jogatina. É uma pena que as falas estejam em japonês, porque, graças à versão de GBA, sabemos que ele não alivia nem para a fada — é muito mau-humor num pato só.


Outra questão interessante é que as diferenças não são apenas cosméticas — algo inédito na franquia até então. Utilizando o primeiro traje, Mickey pode atacar em todas as direções em linha reta, enquanto Donald ataca apenas para frente de cima para baixo, mas em compensação pode flutuar na água, já que sua armadura é de madeira e a do camundongo é de ferro, levando-o para baixo.

A segunda fantasia traz o equipamento que nos permite escalar árvores, da mesma forma que lenhadores utilizam para alcançar a parte mais alta dos troncos. Essa tem as menores diferenças, basicamente na aparência e no estilo de lançar a corda. Elas servem para escalar, girar inimigos e devolver balas de canhão.


Por fim, temos a roupa que permite o uso de magia. Mickey adquire um traje estilo mágico de circo, e Donald, um ao estilo Aladim, com direito a lâmpada mágica e tudo mais. O camundongo atira pombos de seu chapéu, e o pato utiliza uma mão de gênio para lançar magia e servir como plataforma, o que gera interessantes momentos cooperativos.

Graças ao Game Link Cable, era possível desfrutar de partidas a dois também no Game Boy Advance, desde que ambos os jogadores tivessem o cartucho.
É notório que muitos jogos bons são lançados no Japão e, por um motivo ou por outro, acabam ficando apenas por lá. Nós ainda temos a sorte de receber alguns deles nos anos seguintes, como Super Mario Bros. 2 citado no início e que veio para o Ocidente como Super Mario Bros.: The Lost Levels, ainda que em uma coletânea para o Super Nintendo: Super Mario All-Stars (SNES, 1993). Felizmente, ainda que de forma tardia e num portátil, Disney's Magical Quest 3 Starring Mickey & Donald foi um dos títulos que conseguiu chegar para nós: seja sempre bem-vindo!

Revisão: Luigi Santana
Capa: Angelo Gustavo
Alberto Canen é formado em Direito pela UFRN. Joga videogame desde os tempos do Atari e sempre acompanha as novidades na indústria de jogos. Está no Facebook e no Twitter.

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