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Majora não é vilão em The Legend of Zelda

Pois é, aquela máscara que estampa a capa do game não pertence ao vilão da história.


Todo o bom jogador conhece Majora’s Mask. E mesmo aqueles que nunca jogaram nenhum game da franquia Zelda já ouviram falar do título. Uma história surreal em que Link precisa salvar o mundo de Termina de ser esmagado pela Lua em três dias com a ajuda de diferentes máscaras. Basicamente, uma versão “dark” de Ocarina of Time. O vilão da vez é a maligna máscara Majora, que controla o ingênuo Skull Kid. Mas será mesmo? Parece claro. Porém e se, no fim, sempre estivemos enxergando esse conto sob uma perspectiva incorreta? É o que vamos discutir aqui.
CUIDADO: O texto a seguir pode conter spoilers para aqueles que não jogaram Majora's Mask. Leia por sua conta e risco!

As origens da máscara

Para entendermos essa teoria maluca, precisamos primeiro descartar a explicação que o Happy Mask Salesman dá a Link sobre a origem da máscara demoníaca. A partir daqui, vamos imaginar que ela nunca foi criada por uma tribo de poderosos seres misteriosos, que uniram poderes sinistros no objeto e decidiram selá-lo e escondê-lo por causa do perigo dela cair em mãos erradas. Nossa teoria parte da linha imaginativa do mangá de Majora’s Mask, que conta um pouco sobre as verdadeiras origens da máscara.
A verdadeira origem dessa máscara é muito mais sombria do que você imagina.
Nessa versão da história, Majora era um monstro poderoso mas que, apesar de possuir muito poder, não fazia mal a ninguém. Por ser temido pelas pessoas e outros seres, ele vivia sozinho, isolado em uma caverna de Termina, afastado da civilização (sentiu o drama do monstrinho? Agora dá para entender porque ele se deu tão bem com Skull Kid). Mas tudo muda de perspectiva quando um valente guerreiro, aclamado por muitos como uma divindade, chega ao vilarejo que ficava perto da morada de Majora. Era nada menos do que Fierce Deity.
Majora: o terrível e solitário monstro de Termina.

Antes de continuarmos nossa análise fictícia, vamos fazer uma intermitência aqui. Será que Fierce Deity não era a versão de Link de Termina? Ora, nós sabemos que o Herói da lenda de Hylia sempre reencarna em um mortal para proteger uma Zelda e lutar contra um Ganondorf, desde que Demise lançou sua terrível maldição eterna, séculos atrás. Fierce Deity podia muito bem ser o Link dessa era, depois de ter cumprido sua missão ao derrotar o respectivo vilão.

Se olharmos para o visual de Link em Majora’s Mask, quando ele usa a Fierce Deity, é clara a semelhança da divindade com a versão adulta do herói. Tudo bem, sabemos que as transformações com as máscaras preservam aspectos de Link, como pode-se perceber com as máscaras Deku, Goron e Zora, mas, mesmo assim, a suspeita é grande.

E passado esse adendo, hora de voltar para nossa história principal! Onde eu estava? Ah sim, Fierce Deity chega no vilarejo e, como todo bom herói, ao descobrir que existia um monstro poderoso escondido nas redondezas, decide ir investigar. Ao encontrar Majora, Fierce Deity não perde tempo e começa a combater a fera. O problema era que Majora apenas queria ficar em paz, não era uma criatura belicosa. Sem conseguir escapar dessa encrenca, Majora decide lutar, e ela e Fierce Deity travam uma batalha feroz.
Monstro e divindade se encontram.

No fim, o herói divino prevalece sobre as forças de Majora. E, como que fascinado pelos poderes do monstro que havia acabado de derrotar, Fierce Deity esculpe uma máscara a partir dos restos da carcaça do animal (existem outras versões que dizem que foi o próprio Majora que decidiu selar sua alma em uma máscara, para escapar da morte). Percebendo que a alma de Majora havia sido preservada no interior do artefato, o herói guarda-a consigo para não deixar algo tão perigoso cair em mãos erradas. No entanto, ao saber que algum dia o selo poderia se quebrar e Majora poderia voltar para se vingar dele e, quem sabe, de toda Termina, ele decide seguir o mesmo destino do monstro e também sela seu espírito em uma máscara. O mais estranho é que, de alguma forma, Majora sempre manteve a máscara de seu nêmesis perto de si e, como veremos adiante, descobriremos o porquê disso.
Como se não bastasse ter destruído Majora, o Herói ainda esculpe uma máscara dos restos do monstro.

Link, mais uma marionete

Na hora final, quando a Lua está prestes a cair em Termina e nem mesmo os gigantes são o bastante para contê-la, Link decide seguir a terrível Majora para dentro do lúgubre corpo celeste. É no meio de um amplo campo que ele encontra uma criança sentada sozinha ao pé de uma grande árvore. Ela usava Majora e fazia uma estranha proposta a Link (se o herói já tivesse dado suas outras máscaras a todas as outras crianças da Lua): brincar de mocinho e vilão. Ela entrega a Fierce Deity ao herói e diz “então, você será o vilão e eu serei o mocinho. Portanto, você corre, ok?”. Hein?
Link e SkullKid não passavam de fantoches no plano maior de Majora.

Muitos jogadores ficam até hoje sem entender a decisão de Majora. Ela praticamente assina sua setença de morte ao fazer isso! Quando Link recebe a máscara, pode-se ler na descrição “poderiam os poderes sombrios dessa máscara serem piores do que Majora?”. Ora, por que o vilão iria entregar uma máscara tão poderosa ao seu inimigo? Link fica tão poderoso ao encarnar o poder do Fierce Deity com a máscara que, durante o combate, Majora não tem chance de revidar seus ataques.

O motivo por trás dessa trama elaborada era simples: vingança. Como o indivíduo encarna o espírito da máscara ao utilizá-la, Majora esperava que, ao entregar a máscara a Link, ele poderia enfrentar a reencarnação do Fierce Deity e derrotar seu maior inimigo de uma vez por todas. Uma pena que no fim essa estratégia foi um tiro pela culatra e Majora acabou tendo sua alma destruída no combate, deixando apenas uma máscara comum no seu lugar.
A batalha (de vingança) final.

No fim, podemos realmente considerar Majora um vilão? Está mais para vítima, não é mesmo? Tudo bem, concordamos que, pela ética, nada justifica o sofrimento que a máscara causou a Link, Termina e seus habitantes, além da destruição que ela iria provocar com a colisão da Lua. Essa história da origem da máscara encontra muitas conexões com a história de Skull Kid: um ser solitário e abandonado pelos seus amigos, cheio de rancor e ódio do mundo e de todos.

O jovem encontrou em Majora um espírito que entendia suas dores e compartilhava seu sofrimento e que era o único que teria poderes para lhe ajudar a realizar sua vingança infantil. Tanto ele como Link foram marionetes no plano de Majora. Um plano que tinha apenas um objetivo: destruir aquele que tinha tirado sua paz e, quem sabe, havia provocado todo esse ciclo de ódio e ressentimentos desde o começo.
"O vilão" da história? Eu acho que não.
Revisão: Luigi Santana
Capa: Felipe Fabricio
Luís Antônio Costa é graduando em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games e ciência desde pequeno, além de um leitor ávido de ficção. Redator do Nintendo Blast, além de criador e escritor do blog Ad Infinitum, podendo ser encontrado no Facebook e Twitter.

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