Hands-on

Rodea The Sky Soldier (Wii U): primeiras impressões

Confira o que pensamos após as primeiras horas desse inusitado e instigante título do Nintendo Wii U.


Praticamente pronto desde 2011, quando foi desenvolvido para o Nintendo Wii, Rodea the Sky Soldier finalmente foi lançado — em abril no Japão e em novembro de 2015 nas Américas. Mas será que tanta espera valeu a pena? Para responder essa e tantas outras perguntas, confira nossas primeiras impressões desse título do lendário Yuji Naka, responsável por jogos da série Sonic e Nights.

O céu não é o limite

Entre problemas de desenvolvimento, atrasos, possíveis cancelamentos e trocas de plataforma, Rodea the Sky Soldier tem sido pauta de notícias e artigos desde 2010. As especulações acerca do próximo título do criador de Sonic não paravam, mas não era para menos. O jogo aparentava ser uma bela mistura de elementos das séries Sonic e Nights, deixando os fãs da SEGA esperançosos por mais um grande título.

Quase cinco anos depois de finalizado e com versões para três consoles diferentes (3DS, Wii e Wii U), Rodea é oficialmente lançado. Com isso, em volta de tantos acontecimentos, expectativas e mistérios, eu criei meu próprio hype para este título que tanto prometia. Contudo, vieram as primeiras análises e a recepção estava sendo desastrosa.

Não me abalei pela recepção morna. Tinha que ter alguma coisa espetacular nesse título. Não era possível. Hoje, com o jogo em mãos, finalmente teria a chance de tirar as minhas próprias conclusões. E logo percorri os primeiros minutos de jogo, a primeiríssima impressão é que realmente Rodea traz alguns elementos das duas séries clássicas. Porém, essa mistura está longe de ser homogênea e interessante.

Conflito de gerações

Como já falei antes, o jogo foi desenvolvido originalmente para o Nintendo Wii. Por isso, nem mesmo os retoques — simples e superficiais — conseguiram esconder as marcas do tempo no Wii U. Embora a tela de seleção traga um belo colorido e as CGs tenham recebido um tratamento menos superficial, basta surgir a primeira imagem do jogo para termos a impressão que estamos diante de um título de gerações passadas. Sim, gerações, no plural.
Assim que assumimos o controle do jovem robô Rodea nas ilhas flutuantes do jogo, sofremos o primeiro grande baque. Os visuais são muito ultrapassados, lembrando jogos do início da vida do PlayStation 2 e alguns menos produzidos do Wii. Serrilhados, texturas pobres, efeitos de sombra e luz quase inexistentes e pouquíssimo polimento são detalhes que brotam até para os menos criteriosos. Foi bem complicado acreditar que se tratava de um jogo de Wii U, principalmente após jogar belíssimos títulos como Pikmin 3, Splatoon e principalmente Wind Waker HD — que até o original é mais bonito do que Rodea.

Passado o susto inicial com os visuais, tentei encarar o jogo de outra forma. Sabia que era um jogo pensado para o Wii, tinha que relevar a defasagem visual — como precisou ser com vários jogos do console na época que concorria com o PS3 e Xbox 360 — e tentar me divertir com as outras características possivelmente mais atraentes, como a jogabilidade ou até a trama.

Sem me aprofundar muito na história, pois farei isso na análise que sairá ainda esta semana, não temos nada de muito inovador. Na verdade, são elementos clichês e reciclagens de títulos anteriores do próprio Yuji Naka, mas que somados com a atmosfera e o bom protagonista, não decepcionam. O grande problema, contudo, é a jogabilidade.

Caindo das alturas

A premissa do jogo é sair voando entre plataformas flutuantes, coletando itens, destruindo inimigos e seguindo a rota correta enquanto administra a barra de energia que mantém Rodea no ar. Algo muito similar ao que vimos nos jogos da séries Nights, seja no Saturn ou no Wii.

Da mesma forma que Nights: Journey of Dreams (Wii), Rodea foi pensado para utilizar as capacidades do Wii Remote para uma experiência única. Contudo, numa decisão da própria desenvolvedora, que justificou a ausência da compatibilidade pelo fato do Wii Remote não acompanhar o console de fábrica, a versão do Wii U não possui qualquer possibilidade de conexão com o controle de movimento.

A ausência do Wii Remote e de qualquer interação com o GamePad é bastante sentida quando começamos, transformando a experiência de jogo em algo bastante complicado e frustrante nas primeiras horas de jogatina. É quase impossível voar com facilidade e controlar de forma natural o personagem.

Para completar o primeiro contato com Rodea, o sistema de câmera simplesmente duplica a dificuldade de jogar, deixando o jogador sem visão do personagem durante vários trechos e impossibilitando qualquer tentativa de jogar de forma tranquila. Se já não fosse o bastante, nas primeiras fases do jogo temos um confronto contra um enorme chefe. Tinha tudo para ser épico, mas controlar Rodea enquanto luta contra o inimigo e a câmera torna tudo muito mais chato e complicado.

Lutando contra os problemas 

É realmente difícil gostar do jogo nos primeiros minutos. Seus visuais ultrapassados, controles complicados, sistema de câmera nada funcional e até a trilha sonora sem muita clareza poderá fazer você se arrepender da compra. Mas se você, assim como eu, insistir no jogo e superar o desgosto inicial, também poderá se apegar aos carismáticos personagens — muito bem dublados —, ao mundo fantástico e a atmosfera tão familiar para os fãs das produções de Yuji Naka.

Aos poucos, e muito aos poucos mesmo, você provavelmente estará controlando Rodea com mais desenvoltura, estará procurando melhorias em lugares escondidos e enfrentando todos os inimigos do jogo sem pensar muito nos problemas. Se por acaso você chegar nesse estágio que alcancei, posso garantir que se divertirá bastante e poderá aproveitar um jogo interessante, com carisma e aparentemente feito com muito carinho.

Além do mais, comprando o título para Wii U, você recebe de bônus a versão de Wii. E acredite, pelo pouco que experimentei dessa versão até agora, temos uma experiência muito melhor do que vemos no Wii U. Caso você seja um colecionador, lembre que estamos diante do último título lançado para Nintendo Wii, o que torna essa caixinha azul com dois discos e duas capas um valioso título que em um futuro não tão distante valerá uma bela fortuna.
Fique atento para conferir a nossa análise completa de Rodea the Sky Soldier, ainda esta semana.
Essa matéria foi possível graças a Big Boy Games, que gentilmente nos cedeu uma cópia de Rodea the Sky Soldier. Para adquiri-lo, visite a página do jogo na loja!



Revisão: Robson Júnior
Ítalo Chianca escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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