Nintendo usou jogo de Guerra nas Estrelas para quebrar patente da Sega

SEGA havia registrado patente sobre mudança de câmera em jogos, e a usava para impedir lançamentos de jogos da Nintendo nos anos 90.

Um dos grandes sucessos dos arcades, no início dos anos 90, foi Virtua Racing, da SEGA, em 1992. Uma da características do jogo era poder alterar o ponto de visão, ou a câmera, entre o carro visto por fora e visto de dentro do cockpit. A "novidade" é que, ao lançar este título, a SEGA registrou uma patente no Japão alegando que ela havia criado esse sistema; de alternar entre diferentes tipos de visões durante a jogabilidade, batizado de "viewpoint change".


Essa patente impossibilitava que outras desenvolvedoras usassem legalmente essa mecânica, e atrapalhou muito a criação dos jogos nos anos seguintes, exceto em caso de acordo prévio, como fizera com a Atari. Quando estúdios lançavam jogos concorrentes com os da SEGA, e que continham a mudança de ponto de vista, ela os acionava judicialmente alegando uso da sua patente. A principal vítima dessas ações, como podemos imaginar, era a Nintendo.

Com a chegada do Nintendo 64 e seus ambientes tridimensionais, em 1996, especialmente o grande avanço dos jogos de corrida, onde a mudança de câmera é, hoje, um pilar do gênero, a Big N decidiu dar um basta a essas manobras judiciais da sua concorrente. Para tal, os funcionários da Nintendo vasculharam jogos do passado até encontrarem algum que também possuísse essa mecânica, mas lançado antes de Virtua Racing.

Foi encontrado: era Star Wars: Attack on Death Star, desenvolvido pelo M.N.M Software (posteriormente conhecido Midway), para os computadores Sharp X6800, em 1987.Com a ajuda do desenvolvedor desse jogo, Mikito Ichikawa, a Nintendo conseguiu quebrar a patente da Sega. Ele contou a história no livro Untold History of Japonese Game Developers, de John Szczpaniak, acompanhe:
Minha empresa havia lançado um jogo chamado Attack on The Death Star, e foi o primeiro jogo, no Japão, a incluir essa mudança de ponto de visão. [...] A SEGA originalmente havia registrado essa patente, e eles usavam para causar problemas nos lançamentos de determinados jogos da Nintendo. Mas a Nintendo argumentou que a patente da SEGA era inválida, pois o jogo do meu estúdio fora o primeiro a usar essa mecânica, então eu cooperei com a Nintendo e testemunhei afirmando que a patente era falsa. [...] Nunca recebi nenhuma recompensa da Nintendo, ou desculpas da SEGA. Caso eu não tivesse cooperado, a SEGA teria sucesso em continuar impedindo o lançamento de jogos da Nintendo, e escreveria sua própria versão da História dos Vídeo Games.
Este é mais um dos capítulos da Guerra dos Consoles, entre Nintendo e Sega. Também já relatamos como a SEGA originalmente não desejava guerra publicitária, e como ela poderia ter desenvolvido o Virtual Boy antes da Nintendo.

Lucas Palma Mistrello é historiador, mestre pela Universidade Federal de São Paulo. Redator nos Blasts desde 2012, começou com os games com o Atari 2600 e é eclético em gênero e temas: vai de COD e Medal of Honor a Pokémon e Zelda com a mesma vontade. Sempre está de olho nos comentários das postagens.

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