O que é Super Smash Bros?

Afinal, seria Smash a celebração dos videogames ou a celebração da Nintendo?

Quando Super Smash Bros. foi lançado para o Nintendo 64, em sua caixa com destaque estava escrito “O conflito das estrelas da Nintendo!”. Ali, se criava uma franquia forte e os jogos de luta se tornavam cada vez mais um festival de crossovers (nessa época, a parceria entre Marvel e Capcom também estava no ápice). Os fãs da Nintendo, naquela época privados de grandes lançamentos do mercado de luta, sentiram-se felizes com o lançamento do jogo e também amavam a atenção a detalhes que o jogo tinha, sendo uma grande homenagem à história da empresa como um todo. Isso aumentou mais ainda com Melee, no qual personagens mais antigos, como Mr. Game & Watch entraram no elenco. A coleção de trophies, também introduzida aqui, era um grande museu da Nintendo, com todos abismados com os dados presentes na entrada de cada um.


E então Brawl chegou. E com o seu vídeo de anúncio, Solid Snake. Um símbolo normalmente associado com o PlayStation no elenco fez a comunidade de Smash começar a se dividir. Uns argumentavam que Masahiro Sakurai (o diretor da série) fazia o que ele queria, se não afetasse a diversão que o jogo fornecia. Outros, por sua vez, falavam que Smash era a celebração da Nintendo, e colocar o Snake era sair completamente disso. Um pouco depois, Sonic foi anunciado para o jogo e as coisas mudaram mais. O argumento que “Smash cada vez mais se torna uma celebração dos videogames em geral” começou a aparecer. Com Smash for Wii U/3DS tendo muitos personagens third party e o recente anúncio de Cloud (Final Fantasy VII) vindo para o jogo por meio de conteúdo extra pago, a discussão está bem mais forte. Mas afinal, o que realmente é Smash Bros? É isso que tentaremos explorar hoje, por meio de algumas hipóteses e trabalhando em cima delas.

Hipótese 1: Seria Smash uma celebração dos videogames em geral?

Cada vez mais se observa uma tendência da série a querer se tornar uma espécie de enclicopédia histórica da Nintendo, com seus trophies e coisas do tipo, mas ao mesmo tempo Sakurai não estaria mirando em transformar a série numa enciclopédia histórica da indústria dos jogos em geral? Se pararmos para observar, todo personagem que foi adicionado na versão mais recente do jogo que veio de fora da Nintendo tem um valor histórico enorme para a indústria. Pac-Man, Mega Man, e Ryu são icones tão conhecidos para quem acompanha games como Mario (embora que, fora dos jogos eles não chegam nem perto do reconhecimento do bigodudo). Cloud talvez seja o mais próximo de um símbolo para a globalização do RPG eletrônico que podemos ter, e é o sinônimo de Final Fantasy.
Se isso não é celebração dos videogames, não sei o que é.
Essa hipótese ganha força com o trailer do Pac-Man, lançado durante a E3 de 2014. Se ele não grita “Olha a celebração dos games aqui…” eu não sei o que mais poderia gritar. E a imagem de quando você termina o modo classic com o Ryu é uma grande homenagem aos jogos de luta e o clichê do Shoryuken.

Hipótese 2: O elenco de Smash é decidido por acordos comerciais

A Nintendo é uma empresa, e é óbvio que visa lucro ou acordos que sejam lucrativos para ela, da mesma forma que as outras empresas procuram o mesmo.  No caso, colocar o Sonic no Smash, um mascote que querendo ou não anda em queda de popularidade cada vez maior no passar dos anos, é um ótimo acordo para a Sega, e a Nintendo ganha colocando um personagem que muitos fãs pedem por conta da já lendária rivalidade entre as duas empresas na era dos 16-bits.
Boatos dizem que a Nintendo ganhou muito dinheiro só com essa imagem.

O próprio Cloud pode ser fruto disso. Ter ele no Smash pode ser o preço para se ter o remake de Final Fantasy VII no próximo console da Big N.

Hipótese 3: Nós entendemos a celebração da Nintendo de forma errada

Sonic é o eterno rival de Mario. Pac-Man é o pai dos arcades, que com sua popularidade, pavimentaram o caminho para a existências de consoles caseiros. Cloud é a representação da rivalidade entre Nintendo e Sony. Mega Man é o pai dos jogos de plataforma e é associado com a Nintendo. Ryu teve seu ápice de popularidade no lendário Street Fighter 2 de Super Nintendo.

Querendo ou não, todos os personagens podem ser associados com algum momento histórico da Nintendo, ainda deixando condizente a “celebração da Nintendo”, e não dos videogames. Essa temática estaria fora de cogitação se um Master Chief ou Kratos entrassem em Smash, aí sim saindo completamente do que é esperado, já que esses dois não conseguem ter nenhuma relação com a nintendo.

Só o Snake que não faz muito sentido nessa suposição mesmo...
Então, se formos entender dessa forma a abordagem de Sakurai, se vê que ele consegue sair de uma massagem de ego da Nintendo em sua homenagem/celebração, também lembrando de rivalidades (nem sempre positivas) e das origens da empresa.

Existem muito mais possibilidades do que Smash é hoje em dia do que essas três. Fica a critério da experiência de cada um o que achar sobre elas. Eu particularmente fico com a segunda hipótese, mas veremos com o tempo se estou errado.

Revisão: Luigi Santana
Dácio Augusto é estudante de Gestão Financeira na Fatec e redator no Nintendo Blast. Cercado de jogos desde pequeno, foi crescendo e aprendendo a fazer avaliações mais lúdicas do que objetivas.

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