Smash Blast: Entrevista com o Team DASH

Batemos um papo com o grupo sobre o cenário competitivo brasileiro.


O Team DASH é o principal responsável pelos campeonatos de Smash Bros. que andam acontecendo no país. Batemos um papo com três membros da equipe, o Phoca (um dos cabeças da organização), o Quinho, representante comercial da mesma e Emanos, o responsável pelo Team DASH Paraná. Foi uma conversa interessante sobre o estado do competitivo de Smash no mundo e no Brasil, opiniões sobre os personagens não Nintendo no jogo e, mais importante, a história do Team DASH em si.

A entrevista

NB: Pessoal, o Team DASH anda ficando conhecido em vários ciclos brasileiros de jogos de luta. Como vocês criaram o grupo?

Phoca: O grupo começou a se desenhar no meio de 2013. O cenário de Smash em SP estava morto, sem ninguém mais organizando nada (antigamente a Powershield organizava torneios aqui) e, falando por mim, a fim de voltar a competir em cima de uma modificação do Brawl (último Smash na época), chamei o Anderson (Dede) e o André (Banze), antigos membros da Powershield, para organizarmos um torneio com todos os Smashs, incluindo o Mod. Durante o segundo semestre a gente foi organizando pequenos torneios (pequenos mesmo, de 15 pessoas no máximo) em uma lan house na zona sul, e em 2014 esses torneios começaram a aumentar. Ao longo do ano entraram outros membros, como o Yost e o Quinho e, então, no ínicio de 2015, essa equipe virou a Team DASH.

Quinho: A gente fazia os campeonatos em uma lan house. Eles não tinham muito público (eram mais os parceiros do Smash mesmo), a coisa começou a ficar séria mesmo quando a Gaming do Brasil, representante da Nintendo por aqui na época, chamou a gente para realizar o torneio de lançamento do jogo no 3DS aqui em São Paulo.

Foi nessa época também que eu entrei definitivamente para a equipe. Com o sucesso do torneio de lançamento do jogo, a Team Dash começou a organizar campeonatos cada vez maiores. E ao notar que as pessoas estavam participando cada vez mais desses campeonatos que organizávamos por aqui, decidimos expandir, e foi aí que topamos com o Emanos, foi uma coincidência sensacional!

Emanos: Bom, aqui em Curitiba começou devido ao meu incentivo a criar um cenário de Smash 4 (Wii U/3DS) na cidade através dos eventos do Blast. Vendo a popularidade e o potencial que poderia ter em fazer uma possível parceria para expandir os dois estados, contactei a Team DASH e acabamos criando nossa primeira expansão do grupo, a Team DASH do estado do Paraná. Hoje em dia fico responsável pelos eventos que ocorrem na cidade de Curitiba.  A partir do próximo mês criaremos um campeonato quinzenal num arcade localizado no centro da cidade, que se chamará Pinhão Smash House (PSH), e contará com stream de todas as partidas.
Boa parte da Team Dash junto de parte da comunida de Smash brasileira. 

NB: A expansão veio com o torneio da Gaming, então. Dada a concentração de um óbvio torneio de lançamento, o público foi mais local. Só que na época o torneio deixou muita gente animada, até de outros estados. Sabendo que logo depois vocês expandiram para o Paraná, e que o UFS contou com vários lutadores de fora, qual a visão de vocês sobre a cena brasileira geral?

Quinho: A expansão da cena brasileira atualmente está de acordo com um recente boom no cenário do Smash mundial, o número de pessoas participando destes torneios está cada vez maior e, pra nós aqui no Brasil, temos números sem precedentes!

Os competidores brasileiros estão cada vez mais focados em vencer, e eu vejo uma distância cada vez melhor entre os que sempre figuram no top 8 com os outros participantes, o que vejo como uma mudança superpositiva. Smash ainda tem muito espaço para crescer, principalmente com a pessoa passando de um jogo para outro!

Phoca: Acredito que a perspectiva é boa. O crescimento em 2015 foi totalmente fora do que esperávamos, meio porque não esperávamos nada, mas parte também por um alcance muito grande que obtivemos, com diversos canais vindo nos contatar espontaneamente. O UFSmash, nosso grande evento de 2015, foi planejado apenas com dois meses de antecedência, e neste ano já há diversas pessoas de todo o país perguntando se teremos novamente este ano, e ainda estamos em janeiro. Um relacionamento com o Chile e o próprio USA (pelo Banze e o N64) ajudou também a nossa relevância no cenário mundial. Acredito que com o planejamento que estamos tendo para 2016, poderemos receber mais jogadores de todo o país, assim como mais estrangeiros. Dois top players chilenos já estão vindo para nosso torneio de fevereiro, Wavedashers 3, focado em Melee.

Emanos: Considerando nossos números, tivemos uma expansão extremamente positiva em todo o país. Acredito que podemos fazer o cenário crescer ainda mais se focarmos em mais campeonatos e conteúdos que atraiam o público constantemente. Campeonatos mensais/quinzenais/semanais ou trazer um top player para um de nossos campeonatos que tiverem mais peso estão em nossos planos principais para atingir esse objetivo.
Sampex II- Março de 2015

NB: Vocês assistiram ao Genesis? (grande torneio de Smash nos EUA que aconteceu agora em Janeiro)

Quinho: Assisti sim.

Phoca: Com certeza!

Emanos: Eu estava lá (risos).

NB: Um comentário que muitos jogadores andam fazendo, tanto na Smashboards como em grupos, e que ficou aparentemente mais evidente graças a esse torneio, é que a Sheik chegou num nível que é de fato meio “injusto” usar ela contra qualquer outro personagem. Vocês concordam? Acham que isso pode evoluir para um Melee, no qual Fox contra Fox é comum demais?

Quinho: Eu participo de outros cenários competitivos além de Smash e já vi coisa que faz a Sheik no Wii U passar vergonha. E quem já jogou o Brawl com Meta Knight sabe que ela tá bem longe de ser roubada como falam.

Phoca: Por enquanto acho que não. A Sheik é realmente um personagem muito bom, mas o top 8 dos torneios não está infestado dela como era, por exemplo, Brawl com o Meta Knight. Se ela vai se tornar o MK do Wii U, só o desenvolvimento do competitivo irá dizer, se mais players abandonarem seus personagens para poluir o top com Sheiks. No início do Brawl o top também era variado, mas acabou morrendo no final de 2012, por conta do alto número de Meta Knights.

Emanos: De forma geral a Sheik é sim a melhor personagem, mas ela não chega a ser um absurdo como Meta Knight no Brawl. Acredito que na medida que o competitivo evoluir, partidas contra Sheik irão depender mais da reação dos jogadores do que simplesmente as opções que o personagem possui.

NB: Voltando para o Team DASH em si, os torneios estão se tornando cada vez maiores. E os custos? Como é a colaboração e apoio? E os ruleset (aglomerado de regras para as partidas. Todo torneio conta com um), são próprios ou parecidos com os praticados lá fora?

Phoca: Nos custos, os preços praticados e a premiação é dada de acordo com a nossa realidade hoje, de forma que seja possível cobrir todos os gastos e fazer caixa. Nossos equipamentos de hoje foram todos pagos com caixa que fizemos, sem investimento nosso.

No ruleset depende. Em Melee faz anos que é utilizado o ruleset universal. No N64 por muito tempo adotamos o nosso próprio, até que no UFS passamos a adotar o mais praticado lá fora, com apenas três cenários. No Wii U temos nosso próprio.

Quinho: Os custos costumam ser altos, e é por isso que ainda não realizamos torneio com pot split, pois tentamos deixar a inscrição no menor possível para não ser muito caro aos competidores. Temos alguns parceiros importantes que nos ajudam muito na questão de custos, o principal sendo o Glaydson Games, que nos ajuda sempre na premiação principal (seja console, controle, jogo, amiibo, etc.). Entre os outros parceiros temos a Multi. Player Store, que oferece brindes e também vende chaveiros nos eventos; a KPR Soluções, nossa fornecedora de troféu, que faze designs sensacionais; e a PUC, que é uma parceira e tanto, oferecendo o espaço para realizarmos os nossos principais eventos e sempre nos dá apoio dentro do campus!

Emanos: Aqui em Curitiba estamos à procura de parceiros que possam ajudar em premiações mais atrativas aos jogadores, por enquanto estamos seguindo o velho e bom pot split aos quatro primeiros colocados em nossos campeonatos.

NB: O que vocês acham de personagens third parties no jogo? Como se sentem?

Phoca: Eu acho legal. Não gostei do Cloud porque pessoalmente não gosto de Final Fantasy, e queria outro personagem da Square no jogo (Chrono, que pra mim faria muito mais sentido do que o Cloud). De resto acho legal todos: Megaman, Ryu, Sonic, Snake. O último apenas porque sou muito fã de Metal Gear Solid, porque também não faz sentido nenhum estar no jogo.

Quinho: Eu acho meio lixo. Descaracteriza um pouco a série. Alguns até fazem sentido, outros eu realmente gosto, como Sonic e Snake, mas tem uns que me incomodam, como o Cloud, a Bayonetta, etc.

Mas no fim do dia, nós temos que aceitar os personagens, afinal, com um elenco desse tamanho, sempre terão os personagens que a gente mais gosta e os que a gente não liga/odeia.

Emanos: Eu acho uma maravilha, querendo ou não Smash Bros. se tornou uma franquia que celebra a história dos videogames, e Cloud definitivamente é a melhor opção entre os personagens da Square Enix.

NB: Voltando pra DASH, vocês fazem pelo menos um grande torneio por mês, e agora em janeiro fizeram o torneio beneficente, o Share one Stock De onde surgiu a ideia desse estilo de torneio?

Phoca: Essa o Quinho responde 100%.

Quinho: A ideia do torneio beneficente foi minha. Esse ano foi a segunda versão dele.
Eu participo de uma ONG que visita instituições que cuidam de crianças com doenças degenerativas (como câncer, doenças motoras, transtornos mentais, etc.) e a grande maioria dessas instituições funcionam através de doações, pois também são organizações sem fins lucrativos.

A que mais passa dificuldade financeira é a COTIC, inclusive sendo forçada a fechar uma de suas casas por dívida. Eu achei que seria uma boa fazer um campeonato com o intuito de ajudá-la, já que tinha certeza que a recepção seria boa. Dos cenários competitivos que participei, o de Smash é o mais acolhedor, o que me fez considerar que o pessoal gostaria bastante. E o resultado me deixou muito feliz e emocionado, o pessoal participou em peso!

Nas duas edições do Share One Stock, nós arrecadamos cerca de R$ 1.000,00 para a instituição comprar remédio/pagar contas/comprar roupas/comprar produtos de higiene pessoal. O pessoal do Smash é sensacional!
Torneio Sampex, realizado em fevereiro do ano passado.
NB: Isso é legal demais, parabéns! Agora chegamos na última parte da nossa entrevista, com uma pergunta que o público fez: Vocês pretendem criar um diálogo com a cena internacional?

Quinho: Nós temos um contato bem legal com o cenário internacional, principalmente pelo Twitter! Já recebemos jogadores de outros países da América Latina, principalmente do Peru, Chile, México, e sempre mantemos contato por Facebook, Twitter, entre outros.
O próprio Emanos foi pro Genesis 3 e conheceu muita gente,  e o Toph e o Scar citaram a gente algumas vezes na stream deles!
Eu acho que o cenário de Smash está sendo notado, principalmente devido aos esforços do Banzé no N64 e do Aisen no Melee, que se classificaram muito bem quando competiram nos EUA. O P7 também, que reina supremo aqui no Brasil, e recentemente foi em um torneio no Paraguai, tendo se sagrado campeão por lá!

Phoca: Entrar em contato, você diz? Se sim, já temos isso hoje. Somos bastante próximos do Chile, e nosso N64 é muito próximo do USA, com o segundo do Genesis (Super Boomfan) sempre apoiando nosso cenário, streams,Twitter... O Banze e o Kort são considerados players de nível mundial por eles. A página “Melee on me” também está sempre nos apoiando e divulgando nossos torneios. Nossa principal "fraqueza" no contato com o pessoal lá de fora é no Wii U hoje, um pouco pelo Player 7 ainda não ter ido jogar lá fora, talvez.

Emanos: Temos contato com o pessoal do Smash.gg dos EUA, que nos permitiram postar e anunciar nosso eventos de maior foco no site deles.

Quinho: E caso a pergunta estivesse mais voltada para trazer jogadores de fora: Aguardem que teremos novidades!

E participem do Wave Dashers dias 13 e 14 de fevereiro! Teremos surpresas lá! Talvez não seja um Zero da vida, mas sempre estamos em contato com os conterrâneos dele.
Emanos jogando
NB: Finalizando a entrevista: Emanos, como foi jogar no Genesis? E Quinho e Phoca, como foi torcer por ele?

Quinho: Foi demais ver o Emanos e o Banzé participando do Genesis! O Emanos ainda pegou um lugar superprivilegiado nas finais do Smash 64 e ficou sendo nosso correspondente lá, mandando tudo que ele via para a gente!

Phoca: O Emanos e o Banzé mandaram muito lá, não só representando a Team DASH, mas principalmente mandando vídeos e fotos o tempo todo do evento. Foi como se a gente compartilhasse a experiência deles. Foi animal.

Emanos: Foi uma experiência única essa de estar na origem de todo cenário competitivo de Smash. Tive o privilégio de ajudar e conhecer um pouco como é organizar um campeonato de grande porte como o Genesis 3, no qual é necessário um grande número de voluntários para tudo ocorrer bem. Graças a essa ajuda, pude ter assentos privilegiados perto dos finalistas de cada top 8.


E essa foi a entrevista! É interessante ver como o cenário nacional vem evoluindo. Cabe a nós ajudar a Team DASH também, participando dos torneios e desenvolvendo a cena brasileira.

Revisão: Vitor Tibério
Capa: Felipe Araújo
Dácio Augusto é estudante de Gestão Financeira na Fatec e redator no Nintendo Blast. Cercado de jogos desde pequeno, foi crescendo e aprendendo a fazer avaliações mais lúdicas do que objetivas.

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