#Zelda30th: A fórmula mágica de uma franquia

The Legend of Zelda é uma história que já está entre nós há quase três décadas. Entenda por que ele é muito mais que “apenas” um jogo.


30 anos. Isso é quase uma vida inteira no mundo dos games. E, para uma franquia conseguir se manter firme e forte ao longo de tanto tempo, ela precisa ser mais do que apenas “legal”. É necessário que o game possua um elemento especial ou uma combinação deles. The Legend of Zelda chega à sua terceira década de vida eletrônica cercado de fãs, com muitas novidades para mostrar e com um belo caminho a trilhar. Chegou a hora de entendermos quais são os segredos de uma franquia de sucesso.

A clássica história do herói

Um dos primeiros motivos por trás do sucesso da franquia está na maneira como a história é contada. Todo game da franquia segue a mesma “receita de bolo”, com algumas diferenças. Você começa como um jovem simples, vivendo uma vida pacata. Até que, subitamente, você recebe a missão de derrotar um vilão, resgatar uma princesa e salvar o mundo. Tudo isso enquanto você enfrenta perigos cada vez mais mortais, aumenta seus poderes e conhece personagens incríveis pela sua jornada. Achando tudo isso muito clichê? E é. Muitos livros e filmes usam e abusam dessa fórmula, como as séries Harry Potter e Star Wars.
A eterna luta entre o Bem e o Mal.

Mas, se essa fórmula já é tão conhecida, como ela ainda consegue fazer sucesso? A resposta é simples. Porque ela evoca um dos arquétipos (modelos) mais básicos da psique humana: a aventura de se tornar um herói. Você começa sua jornada fraco e com pouca experiência e, à medida que luta contra inimigos mais fortes, você cresce e se torna mais poderoso. Ao final, seu personagem não lembra em nada aquela simples figura assustada e com uma espada de madeira na mão. Essa transformação evoca um dos desejos mais antigos do ser humano: sua vontade de se superar e tornar-se melhor.
De formas diferentes, a lenda do Herói e da Deusa Reencarnada é contada através dos tempos.

Em todas as suas aventuras, Link parte de um início simples e, quando o jogador se dá conta, está frente a frente com Ganon para o terrível confronto final. Nesse meio tempo, tanto Link quanto o jogador amadureceram. Ambos adquiriram experiência de combate e sabem se virar diante do perigo. Além disso, vocês já se tornaram peritos em utilizar os diversos itens que encontraram pelo caminho. A mecânica das dungeons, em que o uso de um item específico se faz necessário para cruzá-las é outro elemento chave na arquitetura da história. Ela obriga o herói, utilizando puzzles de uma forma divertida e intuitiva, a saber utilizar um item para terminar um desafio.
É uma jornada repleta de perigos e surpresas, mas incrivelmente recompensadora no final.

Personagens inesquecíveis

O segundo elemento responsável pelo sucesso de Zelda são os personagens. Afinal de contas, o que seria da jornada de Link sem seus amigos e outros indivíduos para conhecer ao longo do caminho? Em todas as histórias, a maior motivação por trás do sacríficio de Link não está apenas no fato de que ele está destinado a derrotar o mal, mas porque existem pessoas que ele deseja proteger. Seja o próprio povo de Hyrule ou mesmo um personagem em particular, o herói da lenda luta não apenas pela justiça ou pela paz, mas também para garantir a segurança e felicidade daqueles que ama.

É surpreendente como até pequenos personagens na série ganham lugares de destaque no coração e nas lembranças dos fãs. Quem poderia esquecer a pequena Saria, de Ocarina of Time que, com o coração em pedaços, precisa deixar o jovem Link partir da floresta para cumprir seu destino, mesmo sabendo que poderia nunca mais vê-lo? Outra personagem inesquecível é a de nosso herói em The Wind Waker, que em pouco tempo perde não apenas sua neta para um monstro, como também assiste seu neto partir em uma jornada perigosa para resgatá-la. Ela pode não ter a mesma importância na história que Saria tem, mas ver o sofrimento da pequena velhinha é o elemento que aproxima o jogador do herói e alimenta em nós o sentimento de bravura e coragem para seguir adiante, apesar dos perigos.
Saria foi muito mais que um rostinho bonito nas memórias de Link e dos fãs.

Além de personagens secundários, os outros integrantes das aventuras de Link desempenham papéis muito importantes como seus conselheiros. Por mais irritante que a fada Navi possa ter sido para toda uma geração de jogadores é impossível negar a forte ligação que ela tinha com Link, sempre o acompanhando. O laço entre os dois era tão forte que o jovem não pensou duas vezes em deixar Hyrule para trás em busca da companheira, mesmo que isso significasse cair no mundo de Termina e enfrentar um terrível destino. Muitas gotas de suor masculino caíram dos meus olhos quando tive que assistir a brilhante Fi se despedir do herói em Skyward Sword. Dizer adeus à minha maior amiga durante a jornada não foi algo fácil de ser feito.
Tem como se esquecer de Midna e seus comentários irônicos?

Entretanto, os personagens da franquia também são integrantes de missões paralelas que conseguem roubar a cena em várias ocasiões. Talvez nunca mais eu irei me emocionar tanto com uma história de um game como aconteceu durante a missão de Anju e Kafei em Majora’s Mask. Apesar de essa tarefa ser considerada até hoje uma das mais complexas e trabalhosas de toda a franquia, meu coração ficou ferido quando tive que assistir o casal finalmente junto se preparar para o fim do mundo e não se importando com mais nada, pois tinham amor um pelo outro.
O coração dói só de lembrar desse casal.

Músicas além das melodias

O terceiro elemento que harmoniza perfeitamente com os anteriores é a composição musical da franquia. É difícil dizer qual dos games da série possui a melhor trilha sonora, pois a verdade é que todas são as melhores. Cada uma das músicas combina de forma sublime com o game a qual pertencem. Seria impossível colocar, por exemplo, “Ocean Theme”, o tema musical das viagens naúticas em The Wind Waker para substituir “Hyrule Field Theme” em Twilight Princess. Não faria o menor sentido e as melodias perderiam toda a sua mágica.
O que seria de um game de Zelda sem música?

Mais do que apenas um som de fundo, as músicas da série Zelda são um personagem extra na história. Sem elas, os games ficariam estranhos, praticamente sem nenhuma alma. Nas várias matérias que já fiz sobre as trilhas sonoras dos games da franquia, esse sentimento sobre as canções era sempre o mais marcante.

Além de apresentar ao jogador temas que marcam toda uma geração ao longo de cada game, os títulos ainda nos presenteiam com uma melodia especial no final de cada aventura. Estou me referindo ao conhecido “Staff Roll” que rola durante os créditos de todos os jogos da franquia. Eu considero essas melodias as mais especiais de todas, pois conseguem unir em apenas um arranjo musical todoz os sentimentos que vivenciei durante a aventura. É um momento realmente mágico para todo jogador, assistir sua missão cumprida ao som de uma música tão bela.

Um clássico eterno

Todos esses elementos citados anteriormente são as peças principais que criaram a “mágica” por trás da franquia e deixaram histórias lindas para sempre nos corações de várias fãs. Além disso, não é somente de uma grande aventura que cada game de Zelda é feito. Olhando tudo por cima, podemos perceber que cada elemento também permitiu que aprendêssemos algo novo sobre a vida e sobre nós mesmos. Aprendemos sobre a importância da amizade, do valor à vida, sobre persistência e, ora, até mesmo a apreciar uma boa música. São lições que levamos para o futuro e que modificam nossa maneira de pensar.
A aventura de uma vida!

Os pontos citados nessa matéria são apenas alguns dos responsáveis pela franquia do garoto do gorro verde ter o sucesso que tem hoje, pois para cada jogador que cruzou os maiores desafios em busca da paz, o game tocou-os de forma diferente. E você, eterno fã de Zelda, que outro elemento que você também acha como sendo crucial para o sucesso da franquia?

Revisão: Robson Júnior
Capa: Esdras Ferreira
Luís Antônio Costa é graudado em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Master System e conheceu Sonic, também é amante da ciência e um devorador de livros. Além do Nintendo Blast, também faz alguns textos para o Medium e pode ser encontrado no Facebook e Twitter.

Comentários

Fórum
Google+
Facebook


Últimas do Fórum

Ver mais

No Facebook

Ver mais