Spirit Tracks é a encruzilhada crítica na lenda do herói

Como o último game do herói da lenda para o DS é marcante para toda a saga.


Existem dois games em toda a linha cronológica oficial de Zelda que são pontos críticos da trama. São eles que definem quais serão os rumos do Herói, da Deusa Reencarnada e do Vilão. O primeiro deles é o mais famoso, Ocarina of Time. Os eventos que ocorrem nesse game definem o rumo da Lenda do Herói. Dependendo do resultado da batalha final, uma linha do tempo diferente será criada. No entanto, muitos esquecem que após o desfecho incrível de Wind Waker, surge uma história totalmente diferente da eterna lenda do herói.
CUIDADO: O texto a seguir pode conter spoilers para aqueles que não jogaram Wind Waker e Spirit Tracks. Leia por sua conta e risco!

O último desejo

A história que me referi há pouco se trata de Spirit Tracks, o último game do herói do gorro verde produzido exclusivamente para o DS. E antes que eu possa me aprofundar na questão de o porquê da trama desse título ser tão marcante para a franquia, preciso voltar dois games atrás na linha do tempo em que o herói derrota Ganon no final de Ocarina of Time. Mais especificamente, para o final de Wind Waker. No momento em que o Rei Daphnes rouba a chance de Ganondorf fazer um pedido à Tiforce, ele deseja que Hyrule seja para sempre esquecida e engolida pelas águas, além de que Link, Zelda e seus descendentes tenham esperança de um novo futuro.
O desejo mais importante.
O que o rei desejou não foi apenas um pedido bondoso. Ele quebrou a maldição que unia incontáveis gerações de jovens que compartilhavam o sangue da deusa e do herói. Enfim, o ciclo interminável de destruição criado por Demise em Skyward Sword chegava ao fim. Mas o que isso quer dizer? Significaria que não haveriam mais batalhas, que o bem finalmente havia prevalecido? Não. O desejo destruiu o ódio de Demise, reencarnado em Ganon, e libertou os espíritos de Zelda e Link dessa corrente maldita. Os dois continuariam a se encontrar em gerações futuras, mas a sombra maligna de Ganondorf nunca mais iria lhes ameaçar.

Quando Link deixa para trás sua irmã e avó e parte para uma jornada com Tetra e sua tripulação, eles estão em busca de um novo lar. Hyrule não existe mais e as ilhas são apenas uma vaga lembrança do que o reino um dia foi. As aventuras que os heróis vivem em Phantom Hourglass podem ser consideradas apenas “fillers” antes da trama principal que iria ocorrer anos mais tarde. Inconscientemente o Rei Daphnes mandava suas crianças para uma nova jornada que desencadeia uma nova lenda do Herói. Uma lenda sem Ganondorf, sem Hyrule e, até mesmo, sem a Triforce.
Hora de dar adeus à Hyrule e partir em busca de um novo lar.


Novo mundo, novo inimigo


Spirit Tracks se passa cerca de 100 anos após os eventos de Phantom Hourglass. A trama do game rapidamente comenta que Link e Tetra encontraram um novo lar e que construíram sobre essa nova terra o reino de Nova Hyrule. Mas antes que os heróis pudessem viver uma vida tranquila, eles tiveram que enfrentar um perigo que assolava esse novo mundo. Se tratava de Malladus, o Rei Demônio. E não, apesar do nome, ele não é uma outra forma de Ganondorf ou mesmo a encarnação do ódio de Demise. Se trata de um novo inimigo, diferente de todos os outros. A maldade de Ganon pode ter sido eliminada, mas isso não quer dizer que o mundo está livre do mal.

Felizmente, Link e Tetra foram capazes de lutar e vencer o terrível Malladus com a ajuda dos Lokomos, espíritos viajantes que viviam em Nova Hyrule. Eles ajudaram os heróis a selar o espírito do demônio dentro de uma imensa torre, a Spirit Tower, que interconectava as linhas de trem do reino. Por canalizarem um alto nível de energia espiritual, as ferrovias são imprenscindíveis para manter o selo de Malladus. Após esse combate épico, o reino viveu uma época de prosperidade. E aqui é interessante perceber que, apesar de que Hyrule, Ganon e até mesmo a Master Sword tenham perecido no fundo das águas, as tradições ainda permanecem no novo reino. Um exemplo disso são os guardas de Nova Hyrule, que se vestem de verde assim como o Herói dos Ventos (título que Link recebeu após os eventos de Wind Waker pois, não se esqueçam, ele não é descendente do Link de Ocarina of Time, o Herói do Tempo).
A batalha final contra Malladus foi difícil, mas Link e Zelda honraram o sangue de seus antepassados.

Mas, como diz o ditado, toda calmaria precede uma tempestade. Quando o reino menos esperava, o conselheiro Cole, que na verdade era um pequeno demônio, conspirou para matar a princesa Zelda (sim, Spirit Tracks é o único game em que Zelda realmente morre) e usar seu corpo para ressuscitar Malladus. Felizmente, Link, que é um aprendiz de Engenheiro de Trens, aceita a missão de honrar o sangue do herói que corre em suas veias e parte em uma jornada, ao lado do espiríto de Zelda para restaurar a Spirit Tower. Somente com a ajuda dos Lokomos e com a lendária Spirit Sword que ele será capaz de derrotar o Rei Demônio em uma batalha espetacular.

Um futuro incerto

E finalmente chegamos ao ponto central da matéria: a encruzilhada de Spirit Tracks. Não, não estamos falando sobre os cruzamentos das linhas de trens de Nova Hyrule. Nos referimos aos três finais que a aventura reserva. Por incrível que pareça, Spirit Tracks foi o único game da franquia até hoje que possui três finais para o jogador escolher. E vamos descobrir o quão importante isso é na mecânica da história. No final, antes de partir para o combate final contra o demônio Malladus, Zelda pergunta a Link o que ele fará quando tudo isso acabar.
O mal se foi. Mas quando ele retornará?

O herói pode escolher entre se tornar um Engenheiro, Guerreiro ou apenas responder que não sabe o que fará. A consequência de cada resposta pode ser vista na cena final, enquanto Zelda está em seu quarto escrevendo uma carta e ouve um som pela janela. Se Link decidir ser um Engenheiro, ela ouvirá o apito de um trem, irá até a janela e vai acenar para o garoto. Caso ele se torne um Guerreiro, a jovem ouvirá o som de espadas e quando abanar pela janela, irá distrair Link, fazendo ele levar uma surra do oponente. Quanto à última escolha, se Link responder que não sabe, o final consiste apenas de Zelda em seus aposentos, enquanto a visão se afasta aos poucos.

Mas o que esses finais significam? Será que eles indicam que irão ocorrer mais desdobramentos de diferentes linhas de tempo? Por enquanto, só podemos imaginar. Até que saibamos mais sobre Zelda U, não podemos afirmar qual o destino de Nova Hyrule após o final de Spirit Tracks. O game é o último na linha de tempo do Herói dos Ventos e o universo desse título nunca mais foi citado em outra história. Por esse motivo, vale a pena imaginar quais seriam os acontecimentos que teriam sucedido o confronto com Malladus. Para onde foi o espírito do Rei Demônio? Ele pode voltar? As diferentes escolhas de Link podem influenciar o futuro do reino e o destino do herói. É um terreno fértil para se explorar. Tomara que a Nintendo também pense assim e decida, no futuro, retomar a história dos descendentes do Herói dos Ventos.
A pergunta que não quer calar: nessa nova Hyrule, onde está a Triforce?


Revisor: Luigi Santana
Capa: Leandro Alves
Luís Antônio Costa é graduando em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games e ciência desde pequeno, além de um leitor ávido de ficção. Redator do Nintendo Blast, além de criador e escritor do blog Ad Infinitum, podendo ser encontrado no Facebook e Twitter.

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