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Análise: Pocket Card Jockey (3DS) mostra que há sempre como inovar

Jogo da famosa desenvolvedora de Pokémon torna uma mescla excêntrica de gêneros em uma proposta interessante.

Quando assisti ao Nintendo Direct do começo de março, não esperava conhecer um projeto no mínimo inusitado que já passara pelas mentes da Game Freak. Claro que ler o nome dessa empresa leva Pokémon à mente de imediato, mas nem só disso eles vivem — a mencionar HarmoKnight (3DS), um divertido jogo rítmico de 2012 que foi desenvolvido por essa corporação.


O mais curioso a respeito de Pocket Card Jockey é a proposta de combinar a corrida de cavalos com um jogo de cartas. Mais especificamente, Solitaire, ou Paciência — sim, aquele jogo que costumava estar presente nos computadores com Windows. Na verdade, Solitaire engloba diversas modalidades de jogos para se jogar sozinho. A versão de Pocket Card Jockey é bem mais simples que a mais conhecida, mas não deixa de ser desafiadora a certos níveis.
Em meio a toda a discussão a respeito do lançamento do NX e de Zelda ser adiado para 2017, vi na conta do Twitter americano da Nintendo o anúncio de uma versão demo de Pocket Card Jockey. Sem pensar duas vezes, eu o baixei para descobrir do que se tratava. Logo pensei em escrever um Blast Test a respeito da experiência que tive, mas resolvi deixar para trazer minhas impressões nesta análise e poder dizer que a junção é audaciosa e é realizada com a mesma maestria que a Game Freak emprega nos jogos de sua mais prestigiosa franquia.

Combinação impossível? Pense novamente

O jogo começa com a participação do protagonista em uma corrida de cavalos, a qual ele perde miseravelmente. Após seu fracasso como jóquei, ele encontra um senhor que, por acaso, tem um estábulo com cavalos melhores à disposição. Para não fazer “grandes” revelações sobre o enredo — sim, tudo acontece rápido e o roteiro não é extraordinário —, por causa das habilidades desse novato serem questionáveis, seu treinador sugere que ele descreva seus demais hobbies.

Ao descobrir que o jovem tem interesse em uma versão portátil de Paciência, o treinador propõe algo inusitado: de alguma forma, o quão bem ele se sair em suas partidas de cartas, melhor será o desempenho de seu cavalo na corrida. Claro que tudo isso fica mais simples de se entender com um pouco de prática, e logo estou participando da corrida de estreia de meu primeiro cavalo.
Simples assim.
Durante uma corrida ocorrem três etapas. As partidas de Paciência têm algumas regras importantes, mas que na prática são fáceis de entender: bastaram algumas tentativas para que eu já estivesse puxando e conectando cartas de forma quase automática. O que vem logo após é o posicionamento do cavalo, que é feito desenhando a trajetória desejada na tela de toque. Essas duas etapas se alternam até que chega uma última, o homestretch. Esse é o momento decisivo para guiar o cavalo à frente e vencer o campeonato.

A energia que o cavalo carrega ao longo do trajeto é convertida em entusiasmo, um conceito que determina o desempenho do cavalo durante a reta final. Além disso, quanto mais escolhas certas forem feitas, melhor se mantém o humor do cavalo e menos vigor ele perde, o que também é aproveitado na etapa final. Felizmente, o jogo cumpre muito bem o seu papel de orientar a respeito do que fazer em cada etapa, de modo que bastam algumas corridas para compreender inteiramente essas regras.
O Entusiasmo vai de 0 a 100, então isso é um ótimo sinal.
Os cavalos começam no Growth Mode, que permite seu desenvolvimento e a participação em corridas mais simples. O treinador é quem decide em quais desafios o protagonista poderá participar, observando seu histórico de corridas; de maneira geral, o quão melhor ele se sair, mais corridas importantes estarão à vista. Os prêmios mais almejados são os troféus das corridas G1, que são inclusive expostos em um museu. É exatamente esse o objetivo do jogo: completar todo o acervo de troféus.
Referência que não podia faltar, né?
Há alguns patrocinadores, que são os donos dos cavalos à disposição e que esperam que sempre ganhe todas as corridas. As primeiras são aguardadas com mais atenção, já que são fatores determinantes na construção da popularidade do cavalo. O animal sempre chega para ser treinado aos dois anos de idade; caso seu desempenho seja bom o suficiente até o fim do seu terceiro ano de vida, é possível utilizá-los no Mature Mode. Nesse modo, os cavalos não mais crescem, apenas participam de corridas mais difíceis até perder três corridas ou são aposentados por tempo.

Quando isso acontece, o cavalo passa à fazenda, na qual pode ser observado e até mesmo compartilhado com outros jogadores através de QR Codes. O maior propósito dessa funcionalidade é que cavalos que tiveram muito sucesso ao longo de suas carreiras dão as melhores crias — sim, estou falando de breeding, um velho conhecido dos jogadores da franquia Pokémon. O que segue após isso é escolher outro cavalo e recomeçar no Growth Mode, eventualmente optando por um que foi resultante do cruzamento de seus ex-parceiros.

Temos que vencer?

Apostar em corridas de cavalos é um vício comum dentro desse ramo, e muitas vezes a vitória depende bastante de sorte. Isso não é diferente em Pocket Card Jockey. Ao mesmo tempo que ter bons reflexos, cometer poucos erros e fazer boas escolhas é primordial para ganhar as corridas, é impossível prever o comportamento dos outros jóqueis. Muitas vezes me vi fazendo o melhor possível e, subitamente, fui jogado para fora do percurso de forma irrecuperável. Embora isso possa ser estressante algumas vezes é assim que, na minha opinião, as corridas se tornam ainda mais emocionantes e imprevisíveis.
O primeiro Jin Ba It Tai a gente nunca esquece.
Desta forma, percebi que Pocket Card Jockey nunca impõe a vitória como uma necessidade. Na verdade, parece até mesmo impossível garantir um cavalo que consiga um desempenho perfeito em todos os percursos; o importante é conseguir o máximo possível de cada equino, o que estende o tempo de jogatina e faz com que seja necessário recomeçar o ciclo diversas vezes. Isso é o que impede a monotonia — sempre que termino a trajetória de um dos meus parceiros, já estou pensando se ele será último na procriação e se o próximo se sairá ainda melhor.

Como era de se esperar, é possível conseguir apoio de certos itens para as corridas, todos de uso único. O principal ponto fraco dessa venda é a flutuação enorme de preços de recursos que nem sempre têm efeitos desejáveis. No começo é bem fácil participar de corridas com todos os itens comprados, mas, à medida que o tempo passa, os preços tornam-se exorbitantes a ponto de ter que realmente economizar para as corridas mais importantes.

3… 2… 1… START

Parte do charme de Pocket Card Jockey são os visuais cartunescos, a destacar os designs irreverentes dos cavalos. Entretanto, um dos principais pontos altos do jogo é sua música. Nesse aspecto, Pokémon não é uma simples influência — Go Ichinose, responsável pela trilha sonora, é muito conhecido por seu histórico na composição de jogos na franquia dos monstrinhos de bolso.

No geral, Pocket Card Jockey é mais um excelente trabalho sob direção da Game Freak. Os poucos pontos fracos do jogo podem ser facilmente deixados de lado considerando que se trata de uma experiência divertida e viciante. Ele entrou de vez na minha categoria de jogos para quando há pouco tempo disponível, e acredito que continuarei aproveitando-o enquanto tiver meu portátil em mãos.
Em terra de Game Freak, considero esse
um dos melhores nomes para cavalo.
Uma opção interessante é baixar a versão demo antes de comprá-lo, para assim descobrir se esse é o jogo certo para adicionar à sua biblioteca digital — ainda mais considerando que você pode transferir o começo do jogo para a versão completa. Pelo preço modesto em que é apresentado, considero Pocket Card Jockey um excelente investimento e aguardo ansiosamente os futuros projetos (Pokémon e não Pokémon) da Game Freak. O jogo está disponível por R$27,69 na eShop BR e $6.99 na eShop americana.

Prós

  • Combinação ousada, divertida e viciante;
  • Belo tanto em visuais quanto na composição da trilha sonora;
  • Roteiro simples, mas com diálogos geniais;
  • Compartilhamento de cavalos com outras pessoas;
  • Versão demo que dá uma boa ideia da experiência.

Contras

  • Imprevisibilidade de concorrentes e dos preços na loja.
Pocket Card Jockey — Nintendo eShop/3DS — Nota: 9.5
Revisão: Vitor Tibério
Robson Júnior é graduando em Ciência da Computação pela UFCG. No Blast, atua como diretor de redação e revisor. Reserva algum tempo para jogar, ler e escrever, algumas de suas paixões. Você pode encontrá-lo no Twitter e no Alvanista.

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