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Análise: Monster Hunter Generations (3DS) é tensão e diversão na dose certa

Encare o mundo das caçadas de Monster Hunter Generations com uma mistura de novidades e nostalgia.

A franquia Monster Hunter marcou presença em diversos consoles ao longo dos anos, mas foi no Nintendo 3DS que ela conseguiu o seu maior destaque no Ocidente. Após o sucesso de Monster Hunter 3 Ultimate, lançado em 2013, e Monster Hunter 4 Ultimate, de 2015, fomos agraciados pela Capcom com a chegada de Monster Hunter Generations. O terceiro título da série para o console, sendo o segundo exclusivo, chega para agradar aos fãs antigos e tentar, de alguma forma, conquistar os jogadores que ainda não tiveram a chance de se aventurarem pelo mundo das caçadas.



Minha experiência pessoal com a série começou, de certo modo, em Monster Hunter 3 Ultimate. Apesar de não ter jogado o título, pude acompanhar de perto a empolgação de amigos com a franquia, fato que despertou em mim uma grande curiosidade em conhecer mais a fundo este universo. Eis que logo em seguida ao meu interesse, chega o lançamento de Monster Hunter 4 Ultimate e, incentivada pelos mesmos amigos, adquiro o jogo e surge um profundo encantamento pela série. Agora, é a vez de Monster Hunter Generations dar continuidade a esse enredo e provar que esta segue sendo uma das melhores franquias do mundo dos videogames.

Mas por que a demora?

Como quase sempre acontece com os jogos focados no público japonês, Monster Hunter Generations não chegou em todos os países ao mesmo tempo. O jogo foi lançado no Japão no dia 28 de novembro de 2015 com o nome de Monster Hunter X (Cross). É bastante lamentável para os fãs ocidentais da franquia ter que esperar tantos meses para um lançamento “localizado”. Entre aspas porque, como de costume, o jogo não possui localização para o português, tratando-se apenas de uma versão ocidental. O atraso não tira o brilho e a empolgação pelo lançamento daqui, mas é um pouco frustrante estarmos acostumados a acompanhar lançamentos mundiais de muitos jogos importantes e não vermos o mesmo acontecer com esta série.

Encontro de gerações

O jogo possui quatro cidades — Bherna, Kokoto, Pokke e Yukumo — que são liberadas quase que simultaneamente logo no início da jornada. Mais o Hub, onde podem ser feitas as missões multiplayer online e offline, além de permitir que o jogador também as realize em single player. São nessas cidades que acontecem toda a história do jogo, através de conversas e pedidos de missões dos NPCs. Poder viajar livremente entre elas é um aspecto muito interessante porque todas as trilhas sonoras são cativantes e o jogador não se cansa por falta de opções e variações.

Monster Hunter Generations promove uma verdadeira mistura entre gerações. Cada uma das cidades representa uma geração passada e, junto a isso, muitos NPCs, conhecidos pelos jogadores que se aventuraram nos jogos anteriores, podem passar por elas. É sempre muito legal identificar velhos conhecidos em um game totalmente renovado. Além disso, há tanto mapas quanto monstros das outras gerações, intercalando-se com as novas aparições, promovendo uma mistura de sentimentos entre explorar o novo e revisitar velhos conhecidos. É uma experiência muito divertida, cheia de fan service e referências.
O Hub e seus encantos.

As melhores adições

De forma geral, Monster Hunter Generations é bem parecido com seu antecessor. A fórmula do jogo é bem similar ao que foi visto em MH4U, ambos usam o mesmo motor gráfico e, por isso, são graficamente parecidos. Porém, há algumas adições e novidades que tornam a experiência em MHGen única.

A Capcom acertou em cheio com os Hunting Styles e com as Hunter Arts. Ambas proporcionam novas formas de jogar, possibilitando que cada pessoa encontre sua própria estratégia, diferenciando ainda mais os caçadores entre si. Se 14 tipos de armas ainda não são suficientes, agora a diversificação também está no estilo de jogo. Os Hunting Styles — Guild, Striker, Aerial e Adept — são determinantes para a nova maneira de se jogar Monster Hunter.

O jogador pode escolher um estilo balanceado a diferentes situações que permite o uso de duas Hunter Arts, como o Guild Style. Pode também escolher um estilo que facilita montar nos monstros com boosts nos pulos mas que libera apenas o uso de uma Hunter Art, como o Aerial Style. Pode preferir o Adept Style, que também só concede um espaço para Hunter Art, mas garante movimentos instantâneos quando o jogador consegue evadir ou bloquear no momento exato. Ou pode escolher um estilo mais agressivo, com controles simples e que permite o uso de três Hunter Arts simultaneamente, como o Striker Style.


Todos os Hunting Styles são bacanas e possuem características interessantes, entretanto, a limitação em só poder usar uma Hunter Art nos estilos Aerial e Adept me frustraram um pouco, pois os estilos combinados às diferentes Hunter Arts fazem toda a diferença na hora da caçada. As Hunter Arts em si nada mais são do que poderosos ataques, contra-ataques, maneiras de curar a si próprio ou a outros caçadores. Ademais, há Hunter Arts específicas para cada arma, algo muito valioso a ser explorado.

Os gatinhos vieram com tudo

Se tem uma coisa que já era extremamente fofa em Monster Hunter eram os Palicos. Desta vez, a Capcom se superou e permitiu que, além de controlarmos o nosso próprio caçador, pudéssemos controlar os nossos Palicos. Sim, há uma opção no quadro que fica dentro da casa para alternar entre o Hunter e o Prowler. A novidade já se tornou essencial para qualquer missão de gathering, visto que o Prowler não precisa se equipar de itens como a rede para pegar insetos ou a picareta para explorar as rochas. E mais, não há limites de stamina para ele também, o que significa que podemos explorar os mapas em constante corrida sem nenhuma preocupação com o cansaço. Além disso tudo, há missões específicas no jogo que só podem ser executadas pelos Prowlers.

Os Palicos de suporte, que acompanham o Hunter durante as missões, receberam novas características especiais, como diferentes movimentações que devem ser aprendidas e aperfeiçoadas para poderem ser executadas em missão. Ao mesmo tempo que houve um aumento da complexidade no uso dos Palicos, verificam-se novas maneiras de explorar o viés que cada um possui. Por exemplo, é possível recrutar Palicos de acordo com suas habilidades (lutador, protetor, curandeiro, assistente, entre outros), selecionar o tipo de alvo preferencial (monstros pequenos primeiro, apenas monstros grandes, balanceado, etc.), mas também é possível recrutá-los a partir de suas características físicas, como cor do pelo, dos olhos, tipo de orelha, rabo e até por timbre de voz. Simplesmente sensacional!

Caçando monstros e melhorando seus equipamentos

A história de Monster Hunter Generations, assim como em outros jogos da série, não é a parte mais importante. A grande motivação para realizar missões e progredir no RPG está em evoluir suas habilidades, liberar novas Hunter Arts e poder criar novas armas e armaduras cada vez mais fortes para enfrentar monstros cada vez mais ferozes. Porém, o jogo possui uma curva de aprendizagem e dificuldade um pouco estranha. Apesar de contar com uma grande variedade de missões de treinamento (uma espécie de tutorial que o jogador pode escolher fazer ou ignorar), a progressão da dificuldade dá uns saltos dependendo dos monstros que você escolher enfrentar primeiro.

Uma pessoa que já esteja bastante íntima com a mecânica e com o comportamento de diversos monstros familiares que aparecem em MHGen pode não sentir uma diferença tão grande na quebra de ritmo e de dificuldade. Entretanto, um novato certamente terá mais dificuldades em ultrapassar algumas barreiras (lê-se enfrentar um Cephadrome em uma missão 2*, Caçar um Nibelsnarf em uma missão 3*, um Malfestio em 4* ou uma Nargacuga em 4*). Nada que um bom equipamento, algumas poções extras e uma dose de persistência não resolvam.

A essência de Monster Hunter é justamente essa: você achar que é impossível derrotar um monstro qualquer sozinho, ter paciência para estudar a movimentação dele, sabedoria para escolher as habilidades corretas para seus equipamentos e determinação para alcançar seu objetivo. É justamente essa tensão que se transforma em alívio e felicidade quando aparece um “Quest Complete” bem grande na sua tela.

Diversão garantida com os amigos

Para completar todo o ensejo, temos o modo multiplayer — online e offline —, que continua sendo um dos carros chefes do jogo. Mas nada é tão bom que ainda não possa melhorar. Ainda não é possível ter uma conversa por chat de voz com os outros jogadores durante as partidas online, entretanto, isso é facilmente resolvido com o uso de algum recurso específico para este fim, como o Skype, caso a jogatina esteja entre amigos, por exemplo — que, aliás é altamente recomendada. Se Monster Hunter Generations já se supera em termos de entretenimento na campanha solo, no multiplayer o jogo mostra que a diversão não tem limites.

Um ponto que melhorou, mas ainda não agrada 100%, é a presença da Prep Area ao lado do Hunters Hub. Em MH4U era preciso ir até outra cidade durante uma partida multiplayer para poder comprar ou forjar novos equipamentos, ir até a sua casa para usar o baú especial dos itens e equipamentos e uma série de funções que tomavam muito tempo para serem executadas. Com a presença da Prep Area em MHGen, tudo fica a uma área de distância, facilitando o deslocamento para poder resolver essas questões e reduzindo o tempo entre ir e voltar para onde as caçadas multiplayer se iniciam. Porém, o ideal era estar tudo em uma mesma área.

A essência de Monster Hunter se manteve do último título da série para agora, mas a ideia de misturar as gerações, trazer novos monstros e novos mapas intercalados com a nostalgia de encontrar as primeiras criaturas que foram caçadas no passado e ambientes conhecidos faz de Monster Hunter Generations um jogo para se ter um carinho muito especial. Todas as inovações na mecânica dos combates com a adição dos Hunting Styles foram muito bem-vindas. A ideia de permitir as caçadas com o Prowler também agrada bastante. O jogo talvez não seja tão acessível para os novatos quanto o seu anterior, pela grande quantidade de adições e aumento de complexidade, mas nada que seja impossível. Certamente foi desenvolvido para agradar a todos e, do seu jeito, consegue desempenhar muito bem essa função.

Prós

  • Monstros e mapas de todas as gerações;
  • Referências aos jogos anteriores;
  • Adição das Hunter Arts e Hunting Styles;
  • Novas possibilidades de combos;
  • Prowler jogável;
  • Palicos mais complexos;
  • Motivação para melhorar os equipamentos;
  • Multiplayer muito divertido.

Contras

  • Lançamento no Ocidente atrasado;
  • Curva de dificuldade estranha;
  • Hub Area e Prep Area poderiam ser uma coisa só.
Monster Hunter Generations — 3DS — Nota: 9.0
Revisão: Vitor Tibério
Ana Krishna Peixoto é graduanda em Ciências Econômicas pela UERJ. No Blast, é Social Media e Redatora. Suas paixões são os livros, a escrita e os videogames. Fã de PlayStation, não nega sua queda pela Nintendo. Pode ser encontrada no Facebook e no Twitter.

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