Crônica

Super Mario 64 e o Nintendo 64: uma breve crônica

20 anos completos e o console tem muita história para ser contada.


Há 20 anos o mundo colocava suas mãos pela primeira vez no Nintendo 64 e em seu incrível jogo de lançamento, Super Mario 64. A história todos conhecem: o jogo foi uma revolução absurda, virou o exemplo de transição do 2D para o 3D e até hoje influencia a indústria. De verdade, se fôssemos falar só disso, seria um texto genérico que existe aos montes na internet.


Então, em homenagem aos 20 anos do console e deste jogo fantástico, decidi fazer algo que, desde que passei a escrever para o GameBlast, ainda não tinha feito: um texto pessoal. E não é por achar que minhas experiências com videogames são interessantes ou dignas de notas (acreditem, elas não são), mas sim por achar que estes dois itens — o console com o controle em forma de tridente e o cartucho cinza com o Super Mario correndo em campos verdes em sua etiqueta título — devem ser celebrados, e a melhor forma de fazer isso é contando o impacto que eles tiveram em mim.


Em primeiro lugar, tenham em mente que eu tenho 20 anos. Toda esta história se passa um pouco depois do lançamento do 64, mais precisamente cinco anos. Na primeira meia-década de minha vida, eu não tinha videogame: quem o tinha era meu irmão. Eu ficava sentado olhando a tela sem poder jogar enquanto via ele se deliciando com Sonic e Virtual Fighter em seu Sega Saturn. Eu tinha muita vontade de jogar, mas infelizmente nem meus pais ou meu irmão me julgavam apto para tal ação. Com isso, meu interesse sobre jogos na época era totalmente uma reação positiva a tudo que meu irmão aparentava gostar muito no console. Não era uma experiência minha, e sim uma extensão da dele.

Até que um dia fui na casa de um colega da pré-escola e tive minha primeira experiência própria com videogames. Ele tinha um Super Nintendo com Super Mario World e me deixou jogar. Na cabeça, obviamente, comparava com a extensão da experiência de meu irmão com os jogos de Sonic, e a progressão de fases parecidas entre ambos os títulos. Então me ocorreu um pensamento: Mario era mais díficil, e, portanto, mais chato.


No auge de meus cinco anos, com minha primeira experiência própria com videogames, eu comecei a desenvolver um sentimento anti-nintendista. A mente infantil, digo-lhes, é curiosíssima. Mas assim, depois desta experiência, comecei a apreciar mais os jogos que meu irmão jogava e, com o tempo, uma mudança veio: comecei a observar mais a televisão, ao invés de quem estava usando o controle. Comecei a prestar atenção no jogo.


Por mais que minha experiência com Mario World tivesse sido negativa por eu não conseguir passar de fase, certos momentos ficaram marcados em minha memória. Quando eu observei Sonic pouco a pouco, entendi que ele era mais fácil por, em minha mente primitiva, ele ser mais “simples”. Hoje em dia sei colocar em palavras o que havia acontecido ali: eu percebi que a velocidade de Sonic permitia um level design mais simples e direto que, pelo menos em suas fases iniciais, passa a impressão de ser um jogo mais fácil que Mario, no qual detalhes e atenção são necessários com mais constancia que em Sonic.


E então um dia saí com minha mãe para pagar contas. A casa lotérica estava cheia e, bom, independente do ano vocês sabem como é complicado deixar uma criança de cinco anos em uma fila que duraria um bom tempo. Para a sorte de minha mãe, ao lado daquela lotérica tinha uma das poucas locadoras de videogame de Atibaia e ela me deixou lá enquanto ia cumprir suas obrigações.


Entrei no lugar, várias TVs com o Super Nintendo ligado. Ia vendo uma por uma procurando o jogo mais atraente para passar os próximos minutos observando... Até que a decisão foi feita, mas não conscientemente. Enquanto andava pelas várias televisões, encontrei uma com um console diferente: o Nintendo 64. E nela, com cores vibrantes, uma velocidade absurda e gráficos impressionantes. Super Mario 64 estava sendo jogado.

Para o Dácio de cinco anos, aquele momento foi o equivalente a um cientista encontrar a cura para o câncer. Estava ali o que ele achava incrível em Sonic misturado com o pouco que ele havia observado de Mario World. Naquele dia, algo nasceu dentro de mim, e eu só compreenderia muitos anos depois.


O simples olhar para Mario pulando pelos campos verdes de Bob-omb Battlefield havia tornado a nintendo em minha empresa favorita. Observei com atenção aqueles minutos de gameplay e, por muito tempo, fiquei pedindo para meus pais o tal console. Em uma época em que o PlayStation 2 já estava ali, meu irmão ria de mim. Mas meus pais atenderam e, em dezembro de 2001, minha jornada com os videogames começou.


Ainda bem, começou com o Nintendo 64. Não havia forma melhor.  E se hoje escrevo este texto para vocês, é só por causa daquela fila enorme na casa lotérica. Coincidências enormes que me transformaram em um verdadeiro entusiasta de videogames.

Obrigado, provável mega-sena acumulada, e muito obrigado, Nintendo 64 e Super Mario 64.

Revisão:Vitor Tibério
Dácio Augusto é estudante de Gestão Financeira na Fatec e redator no Nintendo Blast. Cercado de jogos desde pequeno, foi crescendo e aprendendo a fazer avaliações mais lúdicas do que objetivas.

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