Como Pokémon GO (Mobile) pode se tornar ainda melhor

Pokémon GO pode ser um dos maiores sucessos da história dos videogames, mas está longe de estar completo. Confira quais melhorias queremos ver.

Em questão de horas, Pokémon GO galgou inúmeros recordes de vendas e tempo de utilização entre smartphones do mundo inteiro. Seu sucesso foi sentido na pele recentemente, com o lançamento brasileiro do jogo, responsável por fazer com que pessoas de norte a sul do país embarcassem em jornadas Pokémon por seus bairros. A Nintantic, desenvolvedora do título, revelou que o jogo, no entanto, ainda está em 10% do plano maior que a empresa tem. Afinal, quais mudanças a empresa poderia trazer para fazer do jogo um sucesso ainda maior?


Interagindo com o mapa

A premissa de Pokémon GO é de viver uma jornada Pokémon no mundo real. Para isso, a tela principal do jogo é aquele mapa do lugar onde estamos, com ruas, PokéStops, ginásios e monstrinhos escondidos. Apesar de o jogo não explicar em detalhes como este universo virtual funciona, aos poucos vamos entendendo-o — até mesmo seus Poké segredos. Mas não se trata apenas de dominar o mundo de Pokémon GO, seria ainda mais interessante se os jogadores pudessem interagir com esse mundo, de maneira que os ambientes refletissem as ações dos jogadores.
Esperando o dia em que Pokémon GO será essa realidade virtual que anunciaram
Já dá para fazer algumas coisas assim, como, por exemplo, ativar Lures Modules em PokéStops para atrair mais Pokémon (e pessoas também), mas a Niantic poderia ir muito além nesse conceito. E se pudéssemos atrair Pokémon de maneira mais seletiva, como por exemplo colocar iscas para monstrinhos de determinado tipo ou hábitos? E se desse para colocar alguns de seus Pokémon para habitar o ambiente próximo à sua casa, numa proposta semelhante às Secret Bases de Ruby & Sapphire (GBA)? Há muito o que se pode fazer para manter o mundo virtual de Pokémon GO ainda mais orgânico.

Isso também abriria espaço para mais interações mecânicas com a interface do jogo. Por exemplo, ao encontrar um matinho, não bastaria apenas andar até determinado local, mas quem sabe tocar neles para revelá-los. Algo nesse sentido poderia entreter o jogador de uma maneira mais relacionada ao gameplay mesmo.

Um mundo mais orgânico

O que falei sobre a interação com o mapa já demonstra um pouco da organicidade que queria ver no mundo de Pokémon GO, e há muitas maneiras de isso se tornar realidade. Tanto através de recursos novos quanto pelo aprimoramento dos já existentes, muito pode evoluir na maneira como o universo Pokémon de nossos celulares funciona. Quanto aos recursos novos, poderíamos ter os Centros Pokémon, Poké MartsContests Battle Towers oferecendo serviços inéditos pelos mapas aos treinadores. Além desses, eventos especiais poderiam ocorrer, como temporadas de caça de um único tipo de Pokémon ou competição de busca por monstrinhos específicos em dias especiais.
E funcionalidades já estabelecidas poderiam receber alguns upgrades. Os PokéStops, por exemplo, poderiam trazer mais informações sobre o ambiente local, sobretudo quanto à ocorrência de Pokémon. Isso não estragaria a busca por Pokémon, pois, de qualquer forma, os jogadores teriam de continuar andando até os PokéStops para conferirem essas informações. Ginásios também poderiam afetar o ambiente à sua volta, aumentando, por exemplo, a chance de treinadores do time dono de um ginásio próximo encontrar Pokémon com CP elevado.

Os Pokémon também poderiam seguir regras mais complexas de aparição. Nunca achou estranho Goldeen aparecer em terra firme com tanta frequência? Pois é, seria legal se os ambientes reais afetassem de maneira mais forte a espécie de monstrinho que encontramos. Inclua também ciclos migratórios de Pokémon e até efeitos da alternância entre dia e noite ou entre estações do ano na aparição dos monstrinhos. Seria uma razão a mais para prestar atenção à descrição e detalhes de cada monstrinho, além de trazer um tipo de desafio ao jogador que apenas Pokémon GO poderia fazer.

Dê um jeito nas batalhas

Pokémon GO é incrivelmente divertido para sair por aí caçando Pokémon, mas é inversamente ruim quando chegamos aos ginásios. A mecânica de batalha,embora possa ser universalmente aproveitada por sua simplicidade, é também muito rasa. E não podemos nos esquecer que as batalhas estão entre os elementos mais importantes da franquia! Mesmo que não explore características complexas da série tradicional, as batalhas poderiam apostar em um ritmo e mecânica mais agradáveis.
E o pior é que, por já ser uma mecânica estabelecida em Pokémon GO, fica difícil de imaginarmos uma recriação completa das batalhas em próximas atualizações. Ok, pode ser que jamais vejamos combates ao estilo RPG, até porque poderia ser algo pouco intuitivo para um jogo desse tipo, mas não é por isso que as batalhas não podem ser um pouco mais divertidas. Tornar mais clara a maneira como as lutas funcionam, aproveitar melhor a seleção de golpes da série e construir uma jogabilidade não focada em tocar e deslizar o dedo tão caoticamente pela tela ajudariam bastante.

Deixe as crianças brigarem

Todo mundo que está caçando Pokémon em Pokémon GO já comparou o CP e ataques de seus monstrinhos com os de seus amigos. Mas a franquia Pokémon sempre teve uma maneira muito mais prática de definir quem é o melhor dos melhores: batalhando! Se, nos jogos tradicionais de Pokémon, encontramos treinadores em cada esquina e podemos enfrentar amigos até do outro lado do planeta, Pokémon Go não pode ficar tão atrás nesse quesito.
Queremos batalhar!
Precisamos poder enfrentar nossos amigos e rivais, mesmo que apenas os que estiverem próximos. As batalhas poderiam até incluir apostas de Pokémon ou mesmo de itens. Esse recurso também ajudaria quem está interessado em começar a batalhar, mas não se sente seguro ainda de enfrentar um líder de ginásio. Outra função para esse recurso seria aumentar o CP de seus monstrinhos ou até evoluí-los de maneira alternativa ao uso de doces.


Prepare-se para a encrenca!

Ok, batalhas competitivas entre jogadores seriam muito legais, mas nem todo mundo poderia se encontrar com os amigos toda hora para batalhar. Uma alternativa para esses casos e que poderia abrir uma nova razão para batalhar seria se tivéssemos uma equipe maligna como adversária. Equipe Rocket, Aqua, Magma, Plasma, qualquer que seja!
Às vezes, o mais próximo de Equipe Rocket que
Pokémon GO traz é um Bulb-assalto
A ideia seria ter um antagonista para todos os jogadores de Pokémon GO do planeta, permitindo que não apenas enfrentássemos uns aos outros, mas também um inimigo comum. Além disso, seria uma batalha primariamente em singleplayer, o que ajudaria muito a ensinar sutilmente técnicas de batalha aos jogadores, algo que não pode ser feito nos ginásios. Se os treinadores das equipes malignas atrapalhassem a captura de Pokémon de outros jogadores, seria uma maneira interessante de criar esse interesse comum em derrotá-los e, assim, expulsá-los das proximidades.

Valorizando os iniciais

Uma das escolhas mais difíceis que fizemos em nossas vidas foi, obviamente, escolher nosso Pokémon inicial. Seja qual for a geração, a decisão entre as três criaturas básicas do jogo é motivo de muita dúvida e, também, de um vínculo especial com seu primeiro Pokémon. Em Pokémon GO, até podemos escolher entre Charmander, Squirtle, Bulbasaur (e até Pikachu!), mas eles acabam se tornando extremamente inúteis no decorrer do jogo.

Embora seja raro encontrar um desses quatro Pokémon nos mapas do jogo, qualquer espécime selvagem deles tem um CP maior do que o que lhe foi presenteado no início da jornada. Assim, só não transfere para o professor o Pokémon inicial quem gosta de mantê-lo simbolicamente na equipe. Para fortalecer o laço entre o treinador e seu inicial, seria legal se ele ocupasse uma posição fixa de destaque no seu time. O inicial poderia se fortalecer e evoluir de maneira diferente dos demais monstrinhos (através apenas de batalhas, por exemplo) ou quem sabe ativar efeitos passivos nos demais Pokémon (como, por exemplo, dar bônus para monstrinhos do seu mesmo tipo).

Facilite o treino e evolução

Aumentar o CP dos Pokémon e evoluí-los através de doces pode não ser a maneira mais divertida de acompanhar o progresso de seus monstrinhos, mas ao menos é uma mecânica útil para estimular sempre a captura de Pokémon, mesmo que de criaturas repetidas. Se a Niantic continuar com esse esquema, seria bom se, ao menos, o processo ficasse um pouco mais ágil. Falo das ações de transferir os Pokémon para o professor Willow, de aumentar seu CP e, claro, evoluí-los.
Será que o processo de fortalecer e evoluir seus monstrinhos é realmente interessante?
Tudo poderia ficar inclusive mais divertido e intuitivo se pudéssemos arrastar os monstrinhos iguais uns para os outros, para torná-los mais fortes. Numa mecânica semelhante a de Bejeweled (Multi) e Candy Crush (Multi), quem sabe? Ok, pode não ser pra tanto, mas, ao menos, agilizaria muito o processo se essas ações pudessem ser feitas diretamente pela lista de Pokémon, sem precisar acessar a página do monstrinho específico.
Poder transferir mais de um Pokémon ao mesmo tempo já seria uma mão na roda

Dando vida ao universo

A franquia Pokémon vem evoluindo graficamente desde a sua primeira geração, culminando nos belos visuais tridimensionais de Pokémon X/Y (3DS) Pokémon GO não é um jogo feio, e o nível visual pode ser uma escolha para permitir que o game rode mais tranquilamente e em um número maior de modelos de celular. Ainda assim, tudo é extremamente genérico em Pokémon GO, e essa nunca foi uma característica de um jogo da série Pokémon.
Imagina se os Pokémon aparecessem no mapa nesse estilo?
Sendo bem sincero, meu sonho seria uma recriação de todos os mapas do mundo com os sprites originais de Pokémon Red & Blue (GB), quem sabe até atualizando os visuais para Gold & Silver (GBC), Ruby & Sapphire (GBA) e assim por diante, conforme novas levas de monstrinhos forem sendo adicionadas. Ainda que esse desejo seja improvável de se realizar, a Niantic poderia ao menos dar um pouco mais de personalidade aos visuais de seu jogo e, quem sabe, agregar algumas características interessantes da série Pokémon.

Uma boa trilha sonora

Seja as canções tema de cada cidade e rota ou as dinâmicas músicas de batalha, a série Pokémon tem um catálogo variado e interessante de trilhas sonoras. Pokémon GO, no entanto, consta com uma seleção de músicas reduzida (basicamente ouvimos a música do mapa, a da captura e a dos ginásios) e nem todas são assim tão inspiradas. O tema principal, tocado enquanto se anda pelas ruas, apesar de ser um remix interessante, torna-se repetitivo facilmente.
A Nintatic melhoraria muito a experiência de jogo se trouxesse uma seleção de músicas mais variada e bem trabalhada. A canção tema dá um gostinho de como seria ouvir outros remixes de músicas clássicas da série ao estilo de Pokémon GO, mas queremos ver muitos outros trabalhos assim. Melodias novas também são muito bem-vindas!

Pokétroca

Ok, nós sabemos que a Niantic já confirmou que o recurso de troca de monstrinhos entre treinadores está sendo desenvolvido, porém nunca é demais lembrar que ainda faz muita falta em Pokémon GO. Troca de monstrinhos é um dos pilares de Pokémon desde o GameBoy, afinal, é inevitável para completar a PokéDex. No caso de Pokémon GO, a troca acaba sendo igualmente necessária, já que há inclusive Pokémon exclusivos de determinados continentes. Resta saber se a troca só poderá ser feita entre jogadores próximos ou entre quaisquer treinadores do globo.
E você, leitor, está curtindo Pokémon GO? Que coisas acha que a Niantic poderia fazer para aperfeiçoar essa mania mundial? Deixe nos comentários sua opinião!

Revisão: Vitor Tibério
Capa: Rafael Neves 
Rafael Neves é estudante de psicologia na UFBA e planeja ingressar no mundo da literatura como escritor. A paixão por videogames e a vontade de escrever unem-se na experiência como jornalista do ramo. Também trabalha em sua HQ virtual. Encontre-o no Facebook.

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