Cidades de Pokémon: conhecendo-as no mundo real

Muitas localidades da série dos monstrinhos de bolso são baseadas em cidades reais, confira as principais inspirações.



Com a aproximação do lançamento dos jogos Pokémon Sun & Moon (3DS), todos já estão preparando a bagagem de viagem para Alola, a nova região do mundo Pokémon. As regiões nos jogos da franquia dos monstrinhos de bolso são marcadas por serem inspiradas em localidades do mundo real, o que as torna muito memoráveis. O mesmo pensamento vale para suas cidades. Neste artigo, falaremos sobre algumas cidades dos jogos Pokémon que foram amplamente inspiradas em localidades existentes no mundo real, algumas que vão desde o nome até a cultura local.

Pallet City — A cidade do jogador e do criador

Tudo começa pelo início. — O primeiro vilarejo que todos os jovens treinadores Pokémon tiveram acesso nos jogos da franquia foi a pacata cidade de Pallet, um local remente imediato de lembranças: quem não se lembra da primeira batalha com Green/Blue? Ou, então, de sentir pela primeira vez aquela extrema sensação de dúvida no momento de escolher qual Pokémon para ser o primeiro companheiro de sua jornada? Ou de até mesmo ser surpreendido pelo Professor Oak para não andar pela grama sem um Pokémon consigo?


Pallet Town (em japonês マサラタウン Masara Town) é a cidade natal e de vivência do jogador nos jogos Pokémon Green, Red, Blue & Yellow (GB/GBC/3DS) e nos remakes Pokémon FireRed & LeafGreen (GBA). Curiosamente e coincidentemente, o vilarejo foi baseado na cidade japonesa de Machida, a cidade natal do criador da franquia, Satoshi Tajiri. Sendo assim, não é mera coincidência a sensação de nostalgia evocada por Pallet, afinal ela é baseada na cidade natal de Satoshi.

Machida é uma cidade localizada na porção ocidental da região metropolitana de Tóquio. É uma cidade bem grande em termos geográficos e de população, o que vai na contramão de Pallet, mas ainda não descarta todas as inspirações baseadas no respectivo município. Pallet, por exemplo, possui uma saída para uma rota aquática só acessível por Surf ao sul, assim como Machida. Além de, é claro, se localizar na região de Kantō, no Japão, que curiosamente é o mesmo nome da região a qual Pallet se localiza no mundo Pokémon.


No  mais, estas são as semelhanças entre as duas cidades. Pode parecer pouco, porém torna-se compreensível a partir do momento que vemos como o vilarejo de Pallet é pouco desenvolvido. Mas mesmo simplória, a localidade ainda consegue cumprir seu papel: servir de começo e de memória aos treinadores Pokémon.

Ecruteak City — A tradição japonesa

As quatro primeiras regiões dos jogos Pokémon, de acordo com a ordem de gerações, foram baseadas em diferentes áreas do Japão. Ecruteak City, da região de Johto, é a cidade que mais evidencia isso. A cidade, introduzida nos jogos da segunda geração Pokémon Gold & Silver (GBC), é o local onde podemos conquistar a quarta insígnia de ginásio após derrotar o líder Morty, especialista em Pokémon do tipo fantasma, em seu ginásio. O município também abriga o teatro das Kimono Girls, garotas tradicionais que utilizam a vestimenta japonesa e possuem, inclusive, relação com o lendário Ho-oh — isso é retratado melhor nos remakes Pokémon Heart Gold & Soul Silver (DS).

A localidade detém de uma cultura bem forte e muito remetente ao Japão. Isso é perceptível (principalmente nos remakes) por toda a ambientação da cidade: o formato das casas desde os telhados até o interior; o tema musical que nos remakes recebeu toques de instrumentos japoneses; toda a construção da Bell Tower que é de formato semelhantes às casas e etc.



Todo esse enfoque não foi em vão: Ecruteak teve uma forte inspiração vinda da cidade de Kyoto, uma das maiores e mais populosas cidades do Japão. Ela se situa na maior região metropolitana do país, ficando atrás somente da Grande Tóquio e inclusive já fora a capital do Japão.

Kyoto fora fundada logo no primeiro século após o nascimento de Cristo e por muitos anos teve o status de capital nipônica, perdendo o título no século XIX. A cidade tem por volta de 1600 templos budistas, além de palácios e jardins que dão à localidade o título de centro cultural do Japão. Em Ecruteak essas características são retratadas por meio de suas construções: as habitações do jogo remetem ao formato dos templos tradicionais de Kyoto, com seu teto triangular e suas cores fortes (marrom escuro, por exemplo).



Além de tudo, Kyoto é conhecida por ter tido um passado forte e com turbulências. Por exemplo, a cidade já foi inclusive alvo de bomba atômica dos Estados Unidos. Ecruteak é uma cidade de passado forte e que se mostra presente na cultura, um exemplo disso é a história dos cães lendários da cidade.

Segundo a mitologia do vilarejo, a Burned Tower é uma torre quase milenar tendo sido construida há 700 anos e fora construída junto da Bell Tower, sua “torre gêmea”. As torres serviam de ponte de comunicação entre humanos e Pokémon. Diversos humanos durante o passar dos anos, alguns inclusive ancestrais do líder de ginásio Morty, escalavam as torres para se comunicar com os Pokémon lendários que costumavam habitar o topo delas.

Cento e cinquenta anos antes dos acontecimentos de Pokémon Gold & Silver, uma das duas torres foi totalmente queimada por um fogo misterioso, que foi sucedido por um raio e uma forte tempestade que colocou tudo abaixo. Este acontecimento fez com que três Pokémon de nomes desconhecidos morressem, mas ao final fossem ressuscitados pelo lendário Ho-oh originando os três cães lendários (Entei, Raikou e Suicune).

A questão é que Ecruteak é a única cidade de Johto com um passado melhor trabalhado, forte e presente na cultura. Isto dá uma maior ligação entre Ecruteak e Kyoto, e a torna uma das cidades mais inspiradas em localidade do mundo real dos jogos Pokémon.

Castelia City — A cidade que nunca dorme

Unova, a região da quinta geração dos jogos dos monstrinhos de bolso, foi a primeira a quebrar a tradição ao se basear em uma localidade fora do Japão. Tivemos a primeira região inspirada em uma cidade dos Estados Unidos, mais especificamente na área metropolitana de Nova York, a região que abriga a maior quantidade de pessoas de todos os outros centros metropolitanos localizados nos Estados Unidos.

A área metropolitana é representada por uma das maiores e mais populosas cidades do planeta: Nova York, obviamente. Para retratar isto em Pokémon, os produtores claramente deveriam dar a Unova uma cidade digna de ser chamada de gigante, com arranha-céus, prédios, um Central Park e tudo que Nova York pode oferecer de melhor.



Neste pensamento, surge a cidade de Castelia (em japonês ヒウンシティ Hiun City), uma das maiores do mundo Pokémon em termos territoriais e habitacionais. Quando lançados os jogos Pokémon Black & White (DS), Castelia impressionava pelo seu tamanho, pelos seus altos prédios e pela perspectiva diferente que nenhuma cidade em algum jogo anterior havia apresentado.

A cidade é diretamente inspirada em um dos grandes bairros de Nova York: a ilha de Manhattan. Este é o bairro mais populoso de Nova York e é o centro econômico e administrativo de Nova York, o que já nos remete diretamente a Castelia que cumpre o mesmo papel para Unova.



A capital de Unova é composta por cinco grandes avenidas. A avenida de frente para o mar e de ligação ao porto da cidade é considerada a mais importante por abrigar os mais relevantes prédios da cidade, incluindo o Pokémon Center e a Battle Company. Os cinco portos localizados nela servem de conexão da cidade para transporte de carga com o resto mundo e o resto da região, referenciando diretamente o Staten Island Ferry, porto que serve de transporte da ilha de Manhantan até a ilha Staten tanto de pessoas quanto de carga.

A metrópole também se foca muito em ser um centro administrativo e econômico (perceptível nas outras avenidas) fazendo com que acabe surgindo a pergunta de como ocorre o entretenimento em Castelia. A cidade oferece algumas exposições de arte como principal atração, o que não é muito chamativo se levarmos em conta o resto de Unova. De forma similar a Manhattan, que também não possui foco maior no entretenimento, Castelia deixa o entretenimento para a sua cidade-irmã, Nimbasa, livremente inspirada em Coney Island (outro grande bairro de Nova York) que se foca em trazer enormes locais baseados na diversão (como estádios de futebol, parques de diversões, atrações musicais e etc).


A representação da arte em Castelia é fortemente apresentada na forma do líder de ginásio do local, Burgh, especializado em Pokémon do tipo inseto e que é literalmente a figura de um artista. O nome do personagem, inclusive, é uma referência aos burgos de Nova York (os grandes bairros), enquanto na versão japonesa seu nome faz uma referência a arte (アーティ Arty).

Assim como sua contraparte real, a cidade de Castelia também tem seu Central Park. No Castelia Park é possível encontrar Pokémon selvagens interessantes como Eevee, que não são encontrados facilmente em outras regiões do jogo. Além de tudo, Castelia também nos permite experimentar comidas e culturas de outras regiões como uma forma de englobamento de outras culturas em partes da sua cidade.

Isso tudo torna a capital de Unova como uma das cidades mais inspiradas em local existente no nosso mundo do mundo Pokémon. Porém, ela não é a única capital a ter tal característica, há ainda mais uma grande cidade com tal desenvolvimento.

Lumiose City — La Ville-Lumière

Seguindo o mesmo esquema de Unova, a região de Kalos apresentada nos jogos que abriram a sexta geração, Pokémon X & Y (3DS), também detém de uma “cidade capital” sendo o centro comercial, cultural e turístico da região, além de ter o título de cidade mais populosa do território.


A cidade de Lumiose (ミアレシティ Miare City) foi a metrópole a receber esta função na região de Kalos. Considerando que a contraparte da região no nosso mundo é a França, país em que o território foi fortemente inspirado, Lumiose tem como inspiração Paris, a cidade da luz. Isso já se confirma logo na descrição da cidade que não coincidentemente é The City of Light, a mesma da capital francesa.

Lumiose possui inúmeras semelhanças com Paris, desde seu nome e descrição até os estabelecimentos da cidade. Paris, por exemplo, é considerada como a central da França pois é conectada com todas as partes do país por meio de ferrovias que interligam a capital a todas as regiões subdivididas da nação. A capital de Kalos também segue o mesmo esquema e para perceber isto basta olharmos para o mapa da região: Lumiose se encontra no centro do mapa e é conectada com cinco rotas que dão acesso a todas as partes de Kalos, entretanto, sem o uso de ferrovias como em sua contraparte no nosso mundo.

Há outras fortes semelhanças com Paris em Lumiose. A capital da França é reconhecida mundialmente pela sua alta culinária com restaurantes da mais alta elegância e cardápios provenientes de alguns dos melhores chefs de cozinha do planeta. Na capital de Kalos é possível visitar um dos três restaurantes da cidade, que são classificados pela qualidade da comida: Le Nah (comida de qualidade mais questionável), Le Yeah (comida de qualidade agradável) e Le Wow (comida de qualidade exuberante).



A alta influência de padrões de beleza na França também é retratada em Lumiose. Na cidade, você pode visitar dois tipos diferentes boutiques para comprar diversos tipos de roupas e estilizar seu personagem na moda de Lumiose, além também de estilizar seu Furfrou numa loja focada no embelezamento e tosa deste tipo de Pokémon. Você também pode visitar o Lumiose Museum, uma referência direta à atração de Paris por conter inúmeros museus, sejam de arte ou não.

É vísivel que assim como a capital da França, a capital de Kalos também tem enfoque no turismo e no chique, no fashion, no rico e no estilo. Vale lembrar que tal foco também foi retratado pelo resto da região como forma de simbolizar a primeira vez que você poderia customizar um personagem nos jogos Pokémon, por exemplo.

Não podemos deixar de citar que a famosa Torre Eiffel não deixou de ser retratada em Lumiose na forma da Prism Tower. Em Kalos, ela serve como palco de ginásio para Clemont, líder especializado nos Pokémon elétricos, onde você pode conquistar a Voltage Bridge. A referência aos Pokémon elétricos é pelo fato da torre utilizar-se muito de energia para se manter brilhante e atrativa aos turistas.

Com isso, encerramos o turismo por locais do nosso mundo presentes no mundo Pokémon. Falamos apenas de quatro, mas existem inúmeros locais em Pokémon que nos remetem a algo que conhecemos. O que nos resta agora é pegar uma mochila e viajar explorando outros lugares com proposta parecida nos jogos dos monstrinhos de bolso. Bon Voyage!

Revisão: Ana Krishna Peixoto

Guilherme Lima é entusiasta gamer que ainda sonha com a possibilidade de algum dia poder criar seus próprios jogos. Seu primeiro console foi um Sega Genesis e atualmente ele aprecia a maioria as franquias da Nintendo, principalmente Pokémon.

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