Jogos preferidos de Super Nintendo — Juni Chaves

Uma pequena ode às preciosidades de um dos mais marcantes consoles.


No mês de agosto deste ano, o bom e velho Super Nintendo completou 25 anos e o que poderia ser melhor do que lembrar um pouco do melhor que vimos nele, ou pelo menos do que nos marcou mais? Acredito que, com mais ou menos contato, o Super Nintendo é um console com o qual praticamente todos nós temos uma experiência única, e poucas coisas são tão legais quanto poder expressar essa sua experiência tão pessoal e ver que às vezes ela é um pouquinho de todos.



Uma das coisas que mais me atraiu a fazer esse texto foi justamente por ele não se tratar de um top 10 onde eu tivesse que escolher de uma forma um pouco mais objetiva os melhores ou piores jogos, mas simplesmente meus preferidos. Foi praticamente uma jornada de autodescobrimento criar esta lista, já que o Super Nintendo foi o primeiro console que tive real acesso (passei um tempo bem acima do razoável com Master System com apenas um jogo) e muitos dos meus interesses na época moldaram o que eu gosto ou não nos jogos hoje. Foi muito interessante ter essa percepção enquanto fazia essa lista que, inclusive, começa agora.

Super Mario RPG: The Legend of The Seven Stars

Talvez meu jogo favorito de toda a série de jogos do Mario e ao contrário do que vou comentar em vários outros, eu sei exatamente o porquê. RPGs sempre me atraíram muito, não só por sua história geralmente mais bem trabalhada, mas também por sua mecânica. Para mim, era muito gratificante ver o personagem ficar mais forte e ganhar novas habilidades e eu ganhar novas possibilidades do que fazer com eles, além de pensar um pouco mais taticamente minhas lutas em comparação a um Contra, por exemplo.


Difícil então esse amor diminuir ao se juntar com personagens tão icônicos e carismáticos, em um jogo com uma das apresentações mais bonitas que o Super Nintendo já viu. Gráficos excelentes, personagens e diálogos cativantes e uma mecânica simples, porém funcional, e a sensação de exploração e de recompensa de pegar moedas e itens escondidos fizeram deste jogo um dos pontos altos do Super Nintendo para mim.

Megaman X3

Megaman X é fácilmente um dos melhores jogos do Super Nintendo. Essencialmente é tudo o que fez a série original sensacional, sendo que melhor. Nova movimentação, novas formas de usar habilidades, sidescroll fluído e uma história muito mais densa e instigante do que vimos nos primeiros jogos do robôzinho azul. Mas há algo em que Megaman X3 se destacava, e você sabe muito bem o que é.


Zero. É tudo que todo jogador de Megaman X sempre quis. Jogar com o Zero. Estou certo de que poucas experiências em jogos foram tão legais quanto jogar com aquele personagem tão maneiro. Inclusive, é o que faz Megaman X3 brilhar: ser Maneiro. Várias armaduras, poder dar dash pra cima... Era tudo muito maneiro. Vendo em retrospecto, o design de níveis e em geral pode não ser tão elegante ou funcional quanto o do primeiro Megaman X, mas é difícil não gostar de um jogo tão... Maneiro.

The Legend of Zelda: A Link to the Past

A Link to the Past foi possivelmente meu primeiro abrir de olhos para o game design, mesmo sem nunca ter ouvido falar nisso e de uma forma totalmente inconsciente. O que sempre me fascinou em A Link to the Past foi como o jogo me guiava rumo ao seu fim.


Enquanto minhas experiências com RPGs, que ainda continuam sendo meu gênero favorito, me deixavam perdido e desperdiçando várias horas tentando saber o que fazer depois, A Link to the Past não. Parecia que eu estava com um guia, segurando minha mão e garantindo que eu fizesse o certo e, ainda assim, parecia uma aventura. Vejo isso até hoje como o grande forte da série Zelda, fazer o jogador descobrir sem se perder e foi muito bom descobrir isto com esse jogo.

Ogre Battle: The March of the Black Queen

Ogre Battle definitivamente não é a pedra mais brilhante dentre as preciosidades do Super Nintendo, principalmente quando consideramos o apelo dos RPGs à história, cujo este título realmente deixa a desejar. Mas algo me atraía muito nele e eu não tinha tanta certeza do que, algo que hoje acredito conseguir apontar com mais clareza.


Ogre Battle foi um dos primeiros jogos onde eu senti que podia escolher como jogar. Não estava tão preso a poucos personagens com algumas magias e habilidades que surgiriam em determinado momento do jogo. Eu escolheria quem iria lutar, quem seriam meus soldados e essas escolhas importavam muito; esse sentimento de poder escolher e encontrar meu modo de jogo ideal é uma das coisas que mais me alegram quando acho em um jogo até hoje.

Donkey Kong Country 3

Este é meu pequeno lugar de isolamento, pois aparentemente todo ser humano no mundo prefere Donkey Kong Country 2, menos eu. Acredito que muito disso se deve a troca de Diddy Kong por Kiddy Kong, o que levo em consideração, já que Kiddy sempre me pareceu bobão. De qualquer forma, como Dixie é a melhor escolha sempre, nunca me incomodei.


O que gostava mais de Donkey Kong Country 3, no entanto, era a sensação de exploração. Ele era tão linear quantos seus antecessores, mas não parecia. Ganhar um item de um chefe, poder acessar uma nova área e chegar com seu barquinho às novas fases fornecia uma sensação que eu não havia tido anteriormente com a série e que me motivava muito mais a seguir em frente com o jogo.

Breath of Fire

Sempre fui um pouco conhecido por ser do contra quanto a jogos e ter aquela preferência estranha pelos jogos mais zebra e, como tal, Breath of Fire sempre foi meu favorito no lugar do típico Final Fantasy. Nunca soube o porquê, mas algo nessa série me atraía mais, seja o retorno familiar ao ver o protagonista de cabelo azul ressurgindo em uma nova forma em todo jogo, ou por inimigos, cenários e história que julgava mais interessantes e poéticos.


Fato que acredito que com Breath of Fire aprendi a sair do lugar comum e explorar, que nem sempre o jogo preferido de todo mundo vai ser o seu também e que isso é muito legal. Não que Breath of Fire seja uma série desconhecida, mas foi talvez meu primeiro passo fora de uma zona de conforto, fora das recomendações de todo mundo pra checar “aquele joguinho ali que parece legal”, e essa é ainda uma das minhas atividades preferidas.

Super Mario World

Minha relação com Super Mario World é um pouco única em relação aos outros dessa lista e por isso decidi deixá-lo por último. Jogava-o em um pequeno espaço com videogames em um supermercado enquanto minha mãe fazia compras. Enquanto outras crianças corriam, brincavam com bonecos e viam filmes da Disney, o Super Nintendo era sempre minha escolha, muito em função de Super Mario World.


Não muito depois, tive acesso a diversos e diversos jogos de Super Nintendo. Mas não Super Mario World. Além de um jogo fantástico para mim, então, ele virou algo como um pequeno tesouro inacessível, apenas naquele lugar, naqueles momentos. Super Mario World foi uma pequena raridade na minha vida e acabei prezando imensamente os momentos que tive com ele e anos depois, quando pude finalmente completá-lo, foi como um pequena pendência de infância que consegui saciar e foi como se eu tivesse orgulhado um pouco meu pequeno eu.


Revisão: Ana Krishna Peixoto
Juni Chaves é formando em Sistemas e Mídias Digitais e atualmente redator no Nintendo Blast e também no Ivalice. Grande interessado em Game Design e nas áreas artísticas que envolvem os jogos, não é raro encontrá-lo falando disso no Facebook e no Alvanista.

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