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Prévia: Dragon Quest VIII (3DS) chega renovado e com personagens extras

Clássico da era 128 bits, responsável por trazer mudanças na série, ganha nova roupagem para conquistar uma nova geração de jogadores.

Pouco menos de seis meses após o lançamento ocidental de Dragon Quest VII: Fragments of the Forgotten Past para Nintendo 3DS ‒ um remake suntuoso do título originalmente desenvolvido para o PlayStation ‒, chega a vez da sua sequência, o Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King, esquentar os portáteis deste lado do mundo. Se você já acabou a aventura anterior ou ainda é novato na série, prepare-se para conhecer mais sobre o RPG que tem tudo para dominar o início de 2017.

Primeiros passos para a modernidade

Na época do lançamento de Dragon Quest VII, a série já era considerada a maior franquia de RPG do Japão e uma das mais rentáveis da indústria de games do país. Quando os números de venda foram revelados, não houve nenhuma surpresa, assim como não seria surpresa o anúncio de uma sequência para o PlayStation 2. Porém, isso serviu para que a Enix – na época ainda não unida à gigante Squaresoft – começasse a planejar novos caminhos, algo impensável para uma série tão calcada no tradicional como Dragon Quest.

Para trazer novos ventos, os figurões da empresa decidiram arriscar chamando a até então novata Level-5 para ficar responsável pelo desenvolvimento da sequência ‒ com a supervisão de Yuji Horii, criador da franquia, é claro. Mas, essa escolha não foi ao acaso: os dois jogos desenvolvidos pela equipe, Dark Cloud (PS2) e Dark Cloud 2 (PS2), foram não só aclamados pela crítica, como também bem aceitos pelo público. Grande parte desse sucesso se deve às mecânicas bem desenvolvidas e ao trabalho gráfico em cel shading.

Seguindo os planos da Enix, toda essa experiência foi aplicada ao Dragon Quest VIII, que chegou aos consoles em 2004 e impressionou jogadores de leste a oeste. Com ele, passamos a encontrar uma lista de novidades, dentre elas podemos citar a dublagem, que foi inserida somente na versão americana e europeia. Este foi um dos pontos mais elogiados ao trazer mais vida ao mundo do jogo, graças à qualidade das vozes e à habilidade dos dubladores.

Parece um super saiyajin, mas é só tensão mesmo.
Mudanças no gameplay também foram elogiadas. Dentre as principais está a chegada do Tension System, que permite ao jogador guardar o turno atual para acumular tensão, aumentando o poder do ataque ou da magia que será utilizado no turno seguinte ‒ algo próximo do que vimos em Bravely Default (3DS) e seu Bravely System. Tanto o seu grupo quanto os inimigos podem acumular até quatro níveis de tensão, o que tornam as batalhas ainda mais “tensas” (não pude evitar).

Mais de 10 anos depois, e com milhões de cópias vendidas, a já fundida Square Enix levou a uma nova geração de jogadores do Japão uma versão renovada do jogo para Nintendo 3DS, que se adapta muito bem aos sistemas atuais da série e ao gosto do jogador moderno (que já não possui tanta paciência para algumas coisas).

Pela vida de um rei e seu povo

A trama de Dragon Quest VIII conta a história de Trodain, um reino que foi amaldiçoado por Dhoulmagus. Esse mago presenteou a princesa em seu aniversário com uma roda de fiar, colocando-a em sono profundo junto de seu reino. Calma, eu me confundi, essa é a história da Bela Adormecida. Mas, na verdade, a premissa é bem parecida. A diferença é que o mago soltou um encanto que transformou todos em planta, com exceção do Rei Trode que se tornou um troll, e a Princesa Medea que virou um cavalo.

Outro sobrevivente do ataque é o Herói (avatar do jogador), um guarda real que terá de se unir a um grupo formado por Yangus, Jessica e Angelo para derrotar o vilão e retornar o Reino ao seu estado original. É claro que durante a aventura descobriremos mais sobre o mundo, as histórias pessoais e as motivações de cada personagem, assim como passaremos por algumas reviravoltas surpreendentes.

Momentos descontraídos são parte forte da identidade do jogo.
Apesar da história ser conhecida por não ser a mais bem desenvolvida da série, ela é baseada principalmente no carisma dos personagens. Na versão de 3DS há ainda mais surpresas, graças ao conteúdo adicional exclusivo para o console.

Adaptado para uma nova geração

Apesar de ser um clássico, mais de dez anos de evolução nas mecânicas dos games e no gosto do público pedem por algumas adaptações. Para tornar a versão para o portátil da Big N a versão definitiva do título, a equipe responsável incluiu várias mudanças. A principal delas é a inclusão de inimigos visíveis no cenário. Isso ajuda a matar dois Slimes com uma cajadada só: eliminar os obsoletos encontros aleatórios e motivar uma maior movimentação pelo mapa.

Um presente para quem se aventurar pela primeira vez nesta versão, ou para aqueles que já jogaram e buscam por um motivo para jogá-lo mais uma vez, é a adição de dois novos personagens jogáveis. Antes somente NPCs (personagens não jogáveis, mas presentes na história), Red e Morrie agora podem ser utilizados em batalhas. Cada um deles traz um novo leque de possibilidades para as lutas, graças às suas características e habilidades próprias.


Além dos novos personagens, alguns antigos também receberam um tratamento especial, como as novas sequências de história que trazem uma maior profundidade à trama, tanto para o Herói quanto para o vilão Dhoulmagus. Inclua ainda nesse pacote de novidades funcionalidades exclusivas do portátil, um final alternativo, mais conteúdo pós-história, assim como novas dungeons.

Oportunidade para conhecer ou reviver um clássico

Não é sempre que temos a chance de comemorar o lançamento de um Dragon Quest no ocidente. Então, quando temos a chance de jogar dois games da série em menos de um ano, é melhor aproveitar. Se você se sentiu intimidado pelas mais de 100 horas de jogo do Dragon Quest VII, não se preocupe, pois, a simplicidade da história deste título cortou a duração para a média de um JRPG: cerca de 60 horas. Ou seja, se você busca pelo momento certo para se iniciar na franquia, a hora é essa!

Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King – 3DS
Desenvolvedora: Level-5
Gênero: JRPG
Lançamento: 20 de janeiro de 2017
Expectativa: 4/5

Revisão: Érika Honda

Thiago Caires escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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