#Kirby25th: Kirby and the Rainbow Curse (Wii U)

Seguindo os moldes de Canvas Curse, o primeiro Kirby para Wii U é charmosamente lindo, criativo e levemente problemático.


Em pleno 2015, em que jogos dos mais diversos gêneros buscavam a primazia visual, com estilos cada vez mais próximos da realidade, a Nintendo se junta com a produtora HAL Laboratory para trazer ao mundo gamer um jogo com visuais longe de serem fotorrealistas, mas com um apelo charmoso muito forte para aqueles que possuem um coração mais, digamos, alegre.


Kirby and the Rainbow Curse (Touch! Kirby Super Rainbow no Japão e Kirby and the Rainbow Paintbrush na Europa) foi lançado para o Wii U no começo de 2015 (22 de janeiro no Japão, 20 de fevereiro na América do Norte e 8 de maio na Europa) com uma proposta diferenciada: superar 28 estágios controlando uma bolinha rosa de massa de modelar através de linhas de tinta coloridas sendo desenhadas através do gamepad do Wii U. Talvez não tanto uma inovação por já ter sido algo explorado em Kirby: Canvas Curse (NDS), mas incrivelmente divertido e "fora da curva", evitando monotonias e a sensação de repetitividade de controles no jogador. Sair da zona de conforto, em todos os aspectos possíveis, sempre foi uma característica da Nintendo, e isso se traduz muito bem em Rainbow Curse.

O mundo de Kirby, o Planeta Popstar, está perdendo suas cores graças aos caprichos de Claycia, uma criaturinha outrora do bem. Claycia utilizou as cores do Planeta Popstar parar criar sete mundos. Kirby e seu amigo Bandana Waddle Dee ganham cores novamente ao serem resgatados por Elline, um pincel mágico de Seventopia. Com a ajuda de Elline, Kirby e Bandana Waddle Dee partem em busca de Claycia e das cores que ela roubou de Popstar para que possam restaurar a vida no planeta.



O modo história de Rainbow Curse é curto, com cada mundo, em um total de 7, podendo ser finalizado em um tempo de 50-60 minutos. É possível ainda gastar algumas horas no Challenge Mode, que consiste em pegar todos os baús de um nível em um curto intervalo de tempo. Não é o modo mais divertido, mas estende o tempo de jogatina de forma satisfatória. Para incrementar a variedade na jogabilidade, é possível que Kirby assuma outras formas em alguns estágios, se transformando em um foguete, um submarino e até mesmo um tanque de guerra. Tais transformações, aliadas aos encontros com chefes, trazem um ar de novidade ao jogador ao quebrar, mesmo que por apenas alguns instantes, a forma principal em circunferência da bolotinha rosa.



Talvez um dos pontos que mais faça Kirby and the Rainbow Curse se sobressair positivamente em relação aos demais jogos que competem com ele seja justamente um de seus maiores problemas: sua jogabilidade. Ora, é preciso reconhecer que há diversão em utilizar uma tela para pintar e controlar a bolinha rosa, mas tudo é feito apenas através da tela do gamepad do Wii U. Ou seja, os lindos cenários e personagens em massa de modelar acabam tendo de ser apreciados na pequena tela do controle, afinal, desenhar as linhas nos lugares corretos olhando fixamente para a televisão à sua frente é uma tarefa árdua. Talvez a real beleza da estética de Rainbow Curse seja melhor apreciada em telas maiores por quem assiste a jogatina (transmitida simultaneamente no gamepad e tv), ou quem assume o controle de Bandana Waddle Dee para proteger Kirby, no modo multiplayer.

Deixemos de lado os aspectos técnicos do título. Independentemente de sua duração, ou de suas falhas com a jogabilidade, Kirby and the Rainbow Curse consegue trazer uma pontada forte de alegria e estampar um sorriso no rosto de quem se aventura em seus mundos coloridos. É fácil se deixar contagiar pelas cores e pela parte sonora, fofa ao extremo; é fácil sentir um calor no miocárdio, com uma sensação de nostalgia pela infância com massinhas de modelar. Talvez esta seja também uma das características mais marcantes da Nintendo, fortemente presente em Rainbow Curse: saber que não são necessários temas complexos para que haja diversão. A simplicidade e a inocência, muitas vezes, podem ser suficientes.



Sempre gosto de olhar para um jogo através de diferentes perspectivas, uma delas sendo uma perspectiva mais humana e esperançosa, talvez ingênua. Em um momento monocromático e um tanto quanto "morto", Kirby and the Rainbow Curse nos mostra que, com um pouco de coragem, podemos trazer cores e vida ao nosso redor, independentemente do quão escuro tudo possa parecer. Cada cor pode representar um sentimento, uma emoção, e a junção de todas elas faz a beleza da vida, em um equilíbrio coloridamente harmonioso. Talvez não sejamos como Kirby, fáceis de modelar como massinhas, mas com toda certeza somos capazes de colorir nossos mundos. Muitas vezes uma tarefa difícil, é verdade, mas no fim sempre teremos um baú do tesouro nos esperando.
Revisão: Ana Krishna Peixoto

Francisco Camilo é formado em Serviço Social pela PUC-MG e até hoje não entende a verdadeira razão de ter feito tal curso. Apaixonado pelo mundo dos jogos eletrônicos, tem em sua mente um futuro ideal cuja existência é incerta e o leva a questionar se o que imagina é parte de um sonho ou ilusão. Pode ser encontrado aqui principalmente em análises e buscando troféus na PlayStation Network.

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