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Análise: Mario Kart 8 Deluxe (Switch) é o embalo certo na franquia

Contudo, pequenas derrapadas atrapalham a volta perfeita.

Mario Kart 8 Deluxe (Switch) é, em poucas palavras, tudo de incrível que Mario Kart 8 (Wii U) foi, só que com alguns poucos ajustes e a adição de uma quantidade de conteúdo que o destaca positivamente dos outros jogos da franquia. Incrível de sua apresentação à execução, MK8D é sem dúvidas o melhor Mario Kart já lançado, mas que também chama atenção pelas oportunidades perdidas em melhorar o que já existia.


Ultrapassando o primeiro colocado

Quando Mario Kart 8 foi lançado para o Wii U, em maio de 2014, o impacto causado foi grande. O jogo trouxe visuais incríveis, que se evidenciavam devido ao ceticismo do público quanto ao poderio técnico do Wii U e pelas plataformas concorrentes ainda estarem, à época, engatinhando.

Além da beleza visual, MK8 soube implementar bem a nova mecânica de anti-gravidade, que, juntamente a uma ótima seleção de itens e uma jogabilidade bem ajustada, fizeram o jogo ser o melhor da franquia até então. Sendo o game um sucesso absoluto de crítica, com o Nintendo Switch surgiu a oportunidade da Big N ampliar seu alcance de público.

Com pequenos ajustes que vão de melhoria visual à adição de conteúdo, Mario Kart 8 Deluxe não deixa a desejar em relação a sua contraparte, e o resultado é um relançamento com cara de jogo novo.

Beleza de sobra

Desde o primeiro momento já é possível perceber uma bem-vinda diferença em MK8D: o novo título apresenta tempos de carregamento consideravelmente menores, principalmente na versão digital, o que até o faz se adequar bem à proposta portátil da plataforma híbrida.

Os visuais também agradam. Enquanto que o título de Wii U rodava a uma resolução de 720p e a inconstantes 60 fps, no Switch nenhum detalhe é perdido — além de manter a resolução na tela do aparelho, a imagem na televisão é reproduzida em 1080p, ao mesmo tempo que o console trava a jogatina em 60 fps mesmo quando em multiplayer.

Tal aumento de resolução permite ao jogador prestar mais atenção aos detalhes do jogo (que não são poucos). Os serrilhados praticamente sumiram e as imagens mais distantes ficaram mais definidas. Para quem jogou o game anterior, será fácil perceber as diferenças principalmente nas pistas distribuídas via DLC.

Dry Bowser ficou nervoso quando viu tanta água.

Crescendo em conteúdo

Todo o conteúdo presente em Mario Kart 8 está disponível para a versão Deluxe. Isso inclui todas as pistas, veículos e personagens, contando com o material distribuído via DLC, pago ou não. Ou seja, além das 16 pistas adicionais cobradas em MK8, o incrível nível de dificuldade 200cc também marca presença, (quase) tudo disponível para ser desfrutado desde a primeira jogada.

Todos estes personagens já estão disponíveis desde a primeira jogada.
As pistas e os personagens já vêm desbloqueados de início, inclusive aqueles que não estavam presentes na versão de Wii U — King Boo, Dry Bones, Bowser Jr., Villager, Isabelle e os Inkling Boy e Girl, que trazem veículos novos e que casam bem com o visual do jogo. O ponto positivo desta decisão é que o jogador não precisa esperar para desfrutar de praticamente todo o jogo, já podendo partir para as jogatinas online com o personagem favorito.

Por outro lado, o sistema pouco estimula o jogador a competir nos modos single player, pois pouco há para ser liberado. Há disponíveis para desbloqueio apenas peças de veículos (que dependem da quantidade das moedas coletadas) e um novo personagem, que não é detalhado nesta análise para preservar quem prefere evitar o spoiler.

É notável a atenção dada aos detalhes pela equipe de desenvolvimento. Os dois veículos com a temática de Splatoon, por exemplo, soltam tinta pelo escapamento quando pegam algum turbo, em vez do fogo, que é o padrão no jogo.

Mecânicas renovadas

Felizmente, Mario Kart 8 Deluxe saiu da mesmice e incluiu novas mecânicas que fizeram toda a diferença em comparação ao jogo do Wii U. Voltando a uma tradição da série, agora é possível o jogador ter dois itens simultaneamente, porém o sistema funciona um pouco diferente dos demais jogos da franquia.

Espaço para dois itens, mas nenhuma buzina para destruir o casco azul.
Até então, para o jogador se manter com dois itens, tinha que segurar um atrás de seu kart para poder liberar espaço no slot de itens. Em MK8D cada personagem tem dois slots de itens, o que o permite se manter com dois itens simultânea e independentemente de segurar um atrás do kart ou de qual item tenha aparecido no primeiro slot. O ritmo das corridas fica intenso, já que há até 24 itens sendo espalhados pelas pistas a todo o instante, deixando tudo mais dinâmico e exigindo mais habilidade do jogador para se livrar de todos.

Contudo, algo parece ter saído errado no balanceamento do jogo. MK8 parecia ter atingido o equilíbrio certo entre o aparecimento dos itens mais “apelões” e a capacidade do jogador desviar deles. O Spiny Shell ainda era o terror do primeiro colocado, mas a Mega Horn aparecia com uma frequência aceitável. Já em MK8D, espere ter sua buzina inutilizada por um raio para logo após ser acertado pelo casco azul — combinação muito frequente e que às vezes ainda é acompanhada por um casco vermelho.

Não basta ser atingido por um raio, tem que levar um casco azul na cabeça logo em seguida!
Os blocos duplos de itens retornam de Mario Kart: Double Dash!! (GC). Eles permitem que o jogador preencha seus dois slots de itens de uma vez e ficam posicionados em alguns locais das pistas por onde o jogador normalmente não passaria, incentivando a exploração de outros locais do circuito. Apesar de ser algo bem-vindo, não dá para não pensar que a Nintendo poderia ter feito como em MKDD, em que os blocos duplos mudavam de posição a cada volta, surpreendendo o jogador.

Outra implementação interessante foi a do terceiro nível de drift. Ao segurar R (ou ZR) por tempo o bastante em uma curva, os pneus do kart brilharão azul, depois vermelho e então rosa, garantindo quase o mesmo efeito de um cogumelo.



O Boo, item que deixa o jogador temporariamente invisível e ainda rouba um item de outro corredor, está de volta. Ele, juntamente com o novo nível de drift, traz maior dinamismo ao jogo, que se torna a verdadeira e positiva confusão que só Mario Kart sabe fazer.

Apenas no Switch

Como The Legend of Zelda: Breath of the Wild (Wii U/Switch) não fez uso do HD Rumble, muitas pessoas se perguntam se a tecnologia é uma sensação válida de jogo. Como Mario Kart 8 Deluxe é o segundo grande jogo do Nintendo Switch, ficou para ele a missão de apresentar a novidade a um grande público.

O HD Rumble não vai mudar a forma que você joga Mario Kart, mas traz efeitos realmente interessantes e bem-vindos às jogatinas. Ao usar um turbo, por exemplo, os Joy-Cons vibram como se algo estivesse saindo deles, simulando o fogo que é solto pelo escapamento. O mesmo acontece com cascos, bananas, raios… cada item tem uma diferença sutil na vibração.

A imersão atinge um novo nível com o HD Rumble. Por exemplo, a depender do lado de impacto no kart após um pulo ou derrapagem, o Joy-Con correspondente vibra mais forte, sendo uma boa opção o jogador usar cada parte do controle em uma mão, sem que as duas estejam conectadas ao suporte que acompanha o console.

E por falar no que acompanha o console, a versatilidade dos Joy-Cons se destaca. Sendo MK8D um jogo com foco no multiplayer e lançado no início da vida de um console, é um forte ponto positivo poder dividir o único controle do pacote em dois e aproveitar o game com outra pessoa sem precisar desembolsar com um controle adicional.

A configuração não é a mais confortável, pois cada Joy-Con é realmente muito pequeno, mas é boa o suficiente para jogatinas não muito prolongadas, ainda mais considerando o baixo custo da opção.

Pronto para a batalha

O verdadeiro brilho do jogo fica para o modo batalha, que foi completamente reformulado na nova versão. O novo jogo conta com arenas próprias para o modo, sendo três de jogos anteriores da franquia (Wuhu Town, Luigi’s Mansion e Battle Course 1, de MK7, MKDD e Super Mario Kart, respectivamente) e cinco novas (Battle Stadium, Sweet Sweet Kingdom, Dragon Palace, Lunar Colony e Urchin Underpass, esta extraída diretamente de Splatoon, sucesso do Wii U).

O estágio de batalha do 3DS volta com grande beleza.
Balloon Battle: o bom e velho modo batalha tradicional que conhecemos desde Super Mario Kart (SNES) só que com cinco balões em vez de três. O objetivo é estourar os balões dos oponentes e ganhar pontos por isso. O interessante é que é possível roubar balões dos adversários, deixando tudo mais dinâmico e divertido.

Renegade Roundup: um interessante novo modo ao melhor estilo polícia e ladrão. De um lado, um time que usa Piranha Plants como itens permanentes para capturar os adversários. Estes, por sua vez, devem escapar do time da “Lei” e liberar seus amigos que foram capturados.

Bob-omb Blast já existia no Mario Kart 8 original. Neste modo todos os corredores pegam apenas bombas das caixas de itens. Como é de se imaginar, a confusão é certa quando sobra pouco espaço entre as explosões.

Coin Runners já tinha aparecido em jogos anteriores da franquia (no Wii e no 3DS). A ideia é acabar o tempo da brincadeira com o maior número de moedas. Parece fácil, mas, quando a arena está cheia de oponentes perseguindo o líder da partida, as coisas podem fugir do controle.

Shine Thief volta direto de MKDD. O jogador que detiver a estrela tem um contador de tempo regressivo a seu favor enquanto os demais corredores tentarão acertar o dententor para roubar a estrela. Vence aquele que fizer seu contador chegar a zero.

A reformulação de todo um modo fez toda a diferença para este relançamento. É bom ver que as batalhas, que estavam esquecidas há algumas iterações da franquia, voltam a ter destaque entre os jogadores e são, de fato, divertidas o suficiente para serem o maior brilho de Mario Kart 8 Deluxe.

Online retocado

Coube espaço também para fazer uns ajustes na parte online de MK8. Felizmente, agora há a possibilidade de trocar o personagem e o veículo na sala de espera para as corridas, sem que seja necessário sair da sala e reiniciar uma conexão.

Poder trocar o personagem e a configuração de kart sem sair da sala economiza um tempo considerável.
Encontrar pessoas disponíveis está mais rápido, e a qualidade da conexão no geral fica estável, porém vez ou outra a infeliz mensagem de erro de conexão pode aparecer para esfriar a brincadeira.

Impossível esconder a frustração quando essa tela aparece.
Ao jogar apenas com amigos, faz falta a possibilidade de conversar por voz durante a espera pela partida. Como o Switch não tem microfone como o Wii U, a expectativa é que a função esteja disponível no aplicativo que a Nintendo prometeu desenvolver para dispositivos móveis.

Ainda pode melhorar

Apesar de MK8D ser um jogo fantástico, alguns polimentos ainda podiam ter sido feitos. Não faz muito sentido ter um amigo para jogar online no mesmo Switch se, na hora de escolher a próxima pista, apenas o primeiro jogador tiver direito a voto, sendo que o segundo jogador necessariamente seguirá a escolha do primeiro.

O player 2 conta como voto, mas sua escolha sempre será igual à do player 1.
O Mario Kart TV também sofre de problemas. Trata-se de um ambiente do jogo em que gravações das corridas ficam salvas e podem ser editadas pelo jogador. Enquanto no Wii U existia a possibilidade de compartilhar os vídeos no YouTube, no Switch a função foi retirada, o que é de estranhar, já que a plataforma parece ter sido construída para o compartilhamento de mídias, a exemplo da facilidade de capturar imagens da tela.

Outra oportunidade que a Nintendo perdeu de melhorar foi quanto ao uso de moedas. Diz o manual do jogo que elas servem para aumentar a velocidade final do kart, porém na prática pouca diferença faz. O principal uso delas acaba sendo a liberação de partes de veículos, o que as torna praticamente inúteis uma vez que o jogador já tenha liberado tudo que há no jogo.

No topo do pódio

Apesar de alguns detalhes não permitirem o polimento perfeito, os defeitos são pequenos e não chegam a atrapalhar o jogo no geral. Mario Kart 8 Deluxe é uma obra-prima que deve ser jogada por qualquer fã da franquia. Se a versão do Wii U já se destacava por sua qualidade, a do Switch é, no geral e nos principais aspectos, um jogo melhor em quase todos os aspectos, sendo provavelmente o Mario Kart definitivo do Switch.

Se ainda considerarmos o fator portabilidade do console, MK8D é sem dúvidas um jogo que merece ser jogado até por quem conheceu a versão do Wii U. É o melhor Mario Kart já feito.

Prós


  • Visuais aprimorados em relação à versão anterior;
  • Vasta quantidade de conteúdo;
  • Três níveis de drift e duplos itens renovam a mecânica do jogo;
  • HD Rumble é excelente;
  • Reformulação do modo batalha;
  • Ajustes menores foram bem-vindos.

Contras

  • A Mega Horn é praticamente inutilizada pelo raio, que é seguido pelo Spiny Shell com uma frequência muito alta;
  • Não ser possível compartilhar vídeos;
  • As moedas são praticamente inúteis após desbloquear todas as peças de karts;
  • O player 2 poderia ter direito a voto nas partidas online.
Mario Kart 8 Deluxe — Switch — Nota: 9.0


Revisão: Luigi Santana
Vitor Tibério é amante de jogos eletrônicos desde que bateu os olhos em alguns pixels do NES. Hoje leva a sério as disputas de Mario Kart mas tem um (enorme) espaço no coração reservado à franquia Zelda. Já jogou e rejogou quase todos os games da série e não consegue parar de explorar a Hyrule de Breath of the Wild.

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