#Kirby25th: Kirby's Biggest Case, Kirby na versão noir alemã

Paródia de Dick Tracy não foi bem recebida pelos fãs.

Kirby, a bolotinha rosa da Nintendo, é conhecida por sua fofura e as aventuras com muita ação para todas as idades. Contudo, o escritor e ex-editor chefe da revista alemã Club Nintendo, Claude M. Moyse, decidiu mudar isso ao fazer uma versão para adultos de Kirby em 1996, lançando a história em quadrinhos Kirby's Biggest Case, ilustrada pela editora Work House.

Kirby para adultos?

Tudo começou como uma ideia para divulgar os jogos de Kirby na Alemanha, para isso, Claude M. Moyse decidiu lançar uma história em quadrinhos com um teor mais sério e dramático do que os populares jogos da Nintendo, supostamente para atrair o público alemão. Contudo, a ideia teve uma péssima recepção por fãs do mundo todo e foi um fracasso no país europeu, transformando Kirby's Biggest Case no segundo e último volume das histórias em quadrinhos da bolotinha rosa na Alemanha.

Antes da rechaçada versão de Kirby de Claude M. Moyse, o personagem já havia protagonizado a história em quadrinhos alemã Kirby and the Mystery of the Glibbers em 1993, ilustrada por Ken Asata e cujo escritor é desconhecido. Tal anonimato do profissional de roteiro levanta dúvidas até hoje do responsável pelo projeto, que muitos acreditam ser o próprio Claude M. Moyse devido a temática e gênero da história serem praticamente as mesmas encontradas em Kirby's Biggest Case, três anos depois.

Os principais motivos e mudanças na identidade de Kirby que incomodaram os fãs e fizeram das histórias em quadrinhos da Club Nintendo uma mancha na história foi o teor erótico das tramas. Kirby era ilustrado com roupas de detetive e o pinguim Rei Dedede foi colocado como assistente da bolotinha rosa em casos de investigação criminal que exibiam Kirby lendo revistas pornográficas, bebendo bebidas alcoólicas, fumando, espiando banheiros femininos, entre outras atitudes consideradas impróprias e incompatíveis com a personalidade de Kirby, gerando a revolta dos fãs.


Dick Tracy e a máfia norte-americana

Em Kirby's Biggest Case, a bolotinha rosa aparece como uma paródia do popular detetive Dick Tracy, história em quadrinhos estadunidense lançada em 1931, criada pelo cartunista Chester Gould. Escrito e ilustrado em um momento em que a máfia norte-americana vivia uma era de expansão no EUA, Gould criou Dick Tracy para denunciar a violência urbana em Chicago, uma das cidades estadunidenses com maior atuação e influência da máfia durante os anos de 1930 a 1950.

Baseado na situação da polícia, da máfia e dos cidadãos de Chicago dos anos de 1930, Dick Tracy foi criado dentro do gênero noir. Noir é um subgênero do suspense policial que teve sua ascensão durante os anos de 1939 e 1950 no EUA. Narrativas noir são suspenses e mistérios policias com estética dos filmes de terror da década de 1930 ambientadas num mundo pessimista e regrado a vícios e mortes.

Fortemente influenciado pelo expressionismo alemão na época do regime nazista, Moyse achou que a ideia renderia bons frutos na Alemanha com um Kirby versão noir. Motivo também de Kirby aparecer na cor branca — narrativas noir são comumente em preto e branco — todavia, a ausência da cor de rosa em Kirby também se deve ao fato que na época, pensava-se que o público ocidental entenderia o personagem como um produto para meninas.


Rixa com Masahiro Sakurai

O gênero noir está longe demais de ser o ideal para uma história de Kirby, por conta disso, muitos acreditam que a versão alemã fracassada da bolotinha rosa tenha sido feita propositalmente pelo escritor Claude M. Moyse como forma de retaliação ao sucesso do game designer japonês Masahiro Sakurai.

Durante uma entrevista online, Moyse revelou que não gostava de Masahiro Sakurai — por razões não citadas — e que com sua história em quadrinhos queria "transformar Kirby em uma aberração". No entanto, devido à natureza de brincadeira da entrevista, não se sabe se Moyse estava sendo sincero em fazer essas declarações ou apenas brincando.


A verdade é que brincadeira ou não, Kirby's Biggest Case foi um fracasso e saiu caro para a imagem de Claude M. Moyse, enquanto Masahiro Sakurai continua sendo um dos pilares de sucesso da Nintendo, bem como sua bem-sucedida criação, Kirby.
Karen K. Kremer é mestre jedi em história pela UEPG e game designer pela Universidade Positivo. Viajante do tempo e cinéfila, considera Quantum Break uma obra-prima. Cresceu fazendo Meteoro de Pégasos e jogando videogame. Apaixonada por literatura, ilustração e dinossauros. Diz a lenda que com um bat-sinal no Twitter ou DeviantArt ela aparece.

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