Jogamos

Análise: The Flame in the Flood (Switch) te leva ao limite da sobrevivência em qualquer lugar

Mais um indie que agradou nas outras plataformas chega ao Nintendo Switch te levando pelas correntezas de um mundo destruído.






The Flame in the Flood encanta com seu visual cativante e, ao mesmo tempo, assustador. Depois de passar pelas plataformas PC, Xbox One e Playstation 4, chegou a vez de experimentar este game no Nintendo Switch e descobrir por que é aqui que você poderá passar mais tempo explorando — e sobrevivendo — as correntezas e regiões pouco amigáveis, mesmo a esperança sendo a última que morre — ou não.

A garota e seu amigo fiel

O game começa com a personagem Scout, se aquecendo em uma fogueira com seu cão de estimação — você pode escolher entre o cão Aesop ou a cadela Daisy no menu antes de iniciar o game — e decide que é hora de continuar a exploração. Logo no início você verá uma placa com escrito: “Do not die”, em nosso idioma, NÃO MORRA. The Flame in the Flood não tem uma narrativa muito precisa, você irá descobrir o que aconteceu através de pistas pelo game, e seja onde estiver, seu cão irá te acompanhar e ajudará bastante, seja alertando sobre “inimigos” na área ou carregando alguns itens.

Já vimos alguns games se assemelham a esse sistema de sobrevivência, como Don’t Starve (Multi), da Klei Entertainment, no qual o foco é coletar itens, criar armas e armadilhas, buscar comida e outras coisas para sua sobrevivência. Você não recebe qualquer missão ou o que deve fazer, simplesmente você é jogado em um mundo pós-apocalíptico gerado por alguma tragédia onde muitas regiões estão debaixo d’água, de início, e algumas placas de dão dicas de coletas.



Ambiente simples e rico

O game exibe o menu com as necessidades de Scout na parte inferior da tela, o que não é tão fácil de identificar no primeiro momento, apesar de ser bem simples e bonito. Os cenários são um charme à parte, seu estilo é muito agradável e exibe uma quantidade de detalhes extremamente rica que trabalham luz e sombra com bastante competência.



 A noite, ora ou outra, atrapalha bastante a coleta de itens e, muitas vezes, um javali ou um lobo escondidos podem acarretar em morte rapidamente. Você precisará dar uma atenção maior, pois a coleta de itens é fundamental aqui, então procure atentamente ou durma algumas horas até amanhecer. Falando em dia e noite, a diversidade climática é bastante bonita: espere até ver uma tempestade à noite ou n a mudança noite e dia.
A trilha sonora é totalmente imersiva, te ambienta de forma natural para diversas situações, garantindo uma atmosfera ambiente nada enjoativa e agradável.



Eu sou a lenda

Assim como no filme “Eu sou a Lenda”, você estará em um mundo em meio ao caos. Passará sua jornada solitário na maior parte do tempo, e precisará aprender como se virar rapidamente. Acredite, The Flame in the Flood não é um jogo fácil, você irá morrer algumas vezes — muitas vezes — e aprenderá muito com isso. Com uma jangada improvisada, você atravessará o gigante rio para chegar a outras áreas, encontrará campos, lugares parecidos com cidades em ruínas, carros e casas abandonadas, sem falar sobre muitos recursos para coletar.



A coleta, como já disse antes, é fundamental. Seu inventário é bem pequeno e você deve escolher tudo com muita inteligência, pois sua sobrevivência dependerá disso. Por muitas vezes, terá que descartar certos suprimentos em prol de outros que te ajudarão a se manter em pé, então aproveite o inventário do seu cão para guardar algumas bugigangas. Outra dica que irá te auxiliar a se manter vivo é o menu que mostra as necessidades de Scout, a todo momento lhe mostrando se está com sede, fome, frio, calor e sono, como também lhe mostrará se está machucada, molhada, etc.

Os suprimentos são diversos e, em meio ao caos, você deve tomar diversas decisões complicadas. Uma experiência inicial que em que te põe nessa situação será a sede: você encontrará água poluída com certa facilidade, porém ela pode lhe causar problemas mais tarde, como ficar doente por causa de vermes, ou, ao comer algo cru, lhe trazendo intoxicação alimentar. O ideal é preparar o alimento antes de consumir, mas pode ser mais complicado do que parece, pois nem sempre você terá a disposição um filtro para sua água.

Organização zero

Uma das minhas maiores dificuldades, além de conseguir os itens necessários, foi o gerenciamento do inventário. É bastante confuso, principalmente quando precisa-se criar um novo item: você precisar entrar na aba de criação e tentar entender tudo que está lá de forma bem bagunçada, e com informações bem imprecisas. Chega a te desestimular por vezes, pois é uma tela que você utilizará muito e todas as vezes ficará confuso.

 Além do pouquíssimo espaço e da falta de organização, você ficará totalmente desprotegido quando estiver olhando sua mochila, já que o game não para, nada de pausa in game enquanto vasculha sua mochila atrás de suprimentos, então procure se isolar quando estiver em um ambiente hostil para não ser pego por lobos e ursos a noite.

Em qualquer lugar

Como a mecânica pode ser diversas vezes frustrante, não por ser ruim e sim por ser um game que lhe leve a pensar bastante antes de tomar uma decisão que pode lhe levar a morte e talvez ter que passar por bastante coisa novamente, você precisará de pausas. Curtir o game um pouco de cada vez pode ser uma alternativa, e é aí que a versão do Nintendo Switch se destaca. Aliás, você pode levar contigo e aproveitar no momento certo. Além disso, a tela de 6.2 polegadas do Switch é perfeita, fiquei bem à vontade jogando à noite em minha cama. A experiência se torna ainda melhor com um fone de ouvido.

 The Flame in the Flood é um game que te põe para pensar antes de agir e te faz aprender com seus erros. Tem uma dificuldade acentuada, porém na medida certa, com um tempo se tornará uma aventura menos difícil, com tudo que você aprende, como o gerenciamento de suprimentos e a hora correta de utilizá-los. As mortes acabam te desestimulando e se tornará um pouco repetitivo. The Flame in the Flood acerta com seu sistema de sobrevivência, seu carisma e visual estilizado incrível, porém, sua dificuldade e mecânica podem frustrar alguns jogadores mais casuais com suas mortes e falta de informação.





Prós

  • Visual detalhado e cativante; 
  • Jogar em qualquer lugar graças ao Switch; 
  • Dificuldade elevada, porém na medida certa; 
  • Trilha sonora imersiva e agradável; 
  • Mecânica e sistema de sobrevivência envolvente.

Contras

  • Menus confusos e desorganizados; 
  • Falta de conteúdo novo para o Switch.
  • The Flame in the Flood — Switch — Nota: 7.0
Revisão: Arthur Maia
Capa: Leandro Alves
Leandro Alves é designer pós-graduado pela Unicarioca. Diretor editorial e diretor de artes das revistas GameBlast e Nintendo Blast, iniciou a sua paixão em The Legend of Zelda A Link to the past, fã da Nintendo, porém não esconde a sua satisfação pelo PlayStation e as series Kinhgdom Hearts, Pokémon, Final Fantasy, Uncharted e Naruto Storm. Está no Facebook, Twitter e Instagram.

Comentários

Google+
Disqus
Facebook