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Análise: DOOM (Switch), matando demônios em uma adaptação angelical

O primeiro título da Bethesda para o Switch mostra que há espaço para jogos de temas mais pesados em consoles da Nintendo.

Anunciado no Nintendo Direct de 13 de setembro, DOOM foi aguardado para o Switch com uma mistura de empolgação e ceticismo. Afinal, o excelente trabalho da ID Software havia impressionado por sua qualidade técnica quando fora lançado para PlayStation 4, Xbox One e PC em 2016. Sacrifícios precisaram ser feitos, mas o port produzido pela Panic Buttom fez do console híbrido um ótimo lugar para esmagar alguns demônios.


Sem enrolação

DOOM é um jogo que vai direto ao ponto. O protagonista, que não fala e em momento algum tem seu rosto mostrado, é colocado no centro da ação logo no início do game. O jogador começa no meio do que parece ser um ritual, esmagando demônios que vão em sua direção logo na sequência.

Há uma história como plano de fundo, que conta como Marte, o planeta onde se passa o jogo, tornou-se um local infestado por demônios. À medida que o jogador explora os ambientes, coleta novos itens e encontra diferentes tipos de seres malignos, explicações são adicionadas em um menu de pausa, com informações interessantes sobre o universo do game, o que ajuda na compreensão da história. Apesar disso, o que vale mesmo é a destruição em massa de toda criatura que se mostra ao jogador. Mesmo contendo uma história simples, a campanha de DOOM é onde está o verdadeiro brilho do jogo, que empolga do começo ao fim.

Um menu de pausa conta detalhes de ambientes e itens do jogo.
Todo o conceito de DOOM é construído para que o jogador esteja sempre em movimento e em meio à destruição. Não há botão para recarregar os itens do extenso arsenal disponível — que conta com armas clássicas do DOOM de 1995, bem como com algumas que aparecem pela primeira vez nesta versão. A movimentação do personagem é rápida, como em uma corrida, e para subir em uma plataforma basta pular em sua borda, o que já o deixa pronto para o combate.

De todas as mecânicas do jogo, sem dúvidas a que mais chama atenção é a chamada Glory Kill. Os inimigos aparecem em cena em grande quantidade, e constantemente acertam o jogador. Em DOOM não há a recuperação de vida espontânea, cabendo ao protagonista causar certo dano nos demônios, que passam a brilhar em azul e laranja por um período, momento em que o jogador deve partir para um ataque corpo a corpo.

Ao ser morto por esta tática, o demônio sempre derruba itens de cura, obrigando o jogador a partir para cima dos oponentes — isso faz da Glory Kill uma das melhores mecânicas de game design que um jogo focado em tiros já teve. É surpreendente a capacidade que DOOM tem de fazer o jogador se envolver com cada combate, indo à caça aos demônios e não simplesmente esperando que a história se desenrole a sua frente.

É para glorificar de pé!
Em cada uma das missões de DOOM há, paralelamente ao objetivo principal, vários locais secretos, itens escondidos e missões secundárias. A partir do desempenho do jogador, pontos de melhoria são liberados, e podem ser usados para otimização das armas, da armadura ou das habilidades do protagonista. Nada é obrigatório, mas o jogo incentiva que o jogador explore bem os cenários para que esteja sempre páreo para os desafios crescentes que o game oferece.

Tudo isso faz com que DOOM seja, além de difícil, um game rápido, brutal e cruel, porém magnífico.

Áudio entre o céu e o inferno

Outro ponto que merece destaque é a trilha sonora do jogo. Acompanhando a temática e o frenesi de DOOM, suas faixas musicais têm tons graves e uma batida pesada, principalmente quando o jogador encontra-se rodeado de inimigos. Seguindo a mesma linha, os demais efeitos sonoros são de alta qualidade. Contudo, nesse caso, a versão para o Nintendo Switch sofre de alguns problemas.

Diante da brutalidade do jogo, é ótimo ouvir o crânio de algum demônio sendo esmagado pelo protagonista. O problema é que com bastante frequência os efeitos sonoros têm seu volume diminuído durante uma Glory Kill, o que diminui o impacto que a mecânica causa. Raramente, ainda, acontece um bug que faz o áudio do game sumir completamente. Isso pode ser corrigido simplesmente reiniciando o save a partir do último checkpoint, mas não deixa de ser frustrante quando acontece.


De qualquer maneira, os engasgos no áudio são pequenos detalhes em relação à grandiosidade sonora do game. A melhor dica ao jogador é: se possuir bons fones de ouvido, use-os quando for jogar DOOM.

Adaptação de qualidade

A maior dúvida em relação à versão de DOOM no Switch é sobre como o jogo se porta no pequeno videogame. Obviamente, não é como nas versões de 2016, com gráficos em 1080p e rodando a 60 fps. Sacrifícios foram necessários, mas a boa notícia é que o console aguenta bem o tranco.

O game agrada aos olhos mesmo não sendo igual a suas versões de 2016.
Seja na TV ou em modo portátil, a resolução fica em 720p, enquanto a taxa de quadros por segundo permanece em 30 na maior parte do tempo. Para que fosse possível levar o game por aí, a Panic Buttom — também responsável pelo porte de Rocket League no Switch — deu preferência à performance, fazendo a resolução cair um pouco quando o hardware é mais exigido.

Além disso, alguns efeitos gráficos são reduzidos, como iluminação e distância do cenário visto. Felizmente, o tamanho diminuto da tela em modo portátil esconde os defeitos do game, que continua bonito de se ver. Já na TV, o aumento de efeitos gráficos não esconde as diferenças para quem conhece a versão do ano passado. Contudo, nem por isso DOOM é um jogo feio, e ainda impressiona por sua qualidade visual. Tudo roda bem e com fluidez, mesmo nos momentos de maior ação e considerando a redução na taxa de quadros.

Consegue adivinhar qual imagem foi exibida na TV e qual foi na tela do Switch?
Das características únicas do Switch, infelizmente a desenvolvedora usou os controles de movimento apenas como substituição do botão do analógico direito (responsável por ataques corpo a corpo), e limitou a função apenas para o Joy-Con direito. Isso não traz qualquer inovação à jogabilidade e não é suficiente para fazer o jogador querer usar controles de movimento — em uma época em que donos de consoles da Nintendo já têm à disposição Splatoon (Wii U) e Splatoon 2 (Switch), mirar com o movimento do controle sempre parece ser algo bem-vindo. Quem tiver ao alcance um Pro Controller certamente o achará o controle perfeito para o game.

Multiplayer dispensável

Mesmo quem optar pela versão física de DOOM terá que reservar 9 GB para o modo multiplayer do jogo, que não consta no cartucho. Através de batalhas online, jogadores se juntam em times — ou cada um por si — para se digladiarem por cenários fechados. Há ganho de experiência, que rende aumento de níveis e consequente liberação de novas armas.

Não é nada que não seja visto em qualquer jogo de tiro online atualmente, e que não chega nem perto de empolgar como a campanha. Contudo, se você é daqueles que realmente gostam de curtir uma jogatina online e não quer se aventurar por Splatoon 2 no Switch, saiba que DOOM funciona bem nas partidas conectadas, sem quedas constantes de conexão ou lags aparentes durante as partidas. Os menus podem parecer confusos no começo, mas nada que um pouco de costume não possa resolver.

Seja bem-vinda, Bethesda

Lançado no último dia 10 de novembro, DOOM foi o primeiro título da Bethesda a ser lançado em uma plataforma da Nintendo. Será seguido por The Elder Scrolls V: Skyrim, que será lançado no próximo dia 17 do mesmo mês. Além desses, a empresa já anunciou que o recém-lançado Wolfenstein II: The New Colossus também chegará ao Nintendo Switch, mas apenas em 2018.

São jogos de peso e, pelo nível de violência que envolvem, voltados a um público que, até pouco tempo atrás, muitos diziam que nunca se encaixariam em um aparelho da Big N. Se todos vierem no mesmo nível de qualidade que DOOM, que sejam bem recebidos pelo público nintendista, pois o título do matador de demônios está incrível nesta versão, sem cortes de conteúdo — exceto para um modo criador de cenários para o multiplayer — e rodando com fluidez e beleza gráfica.

Quem diria que algo assim estaria em um videogame da Nintendo?!
DOOM é, sem dúvidas, uma referência para o gênero dos jogos de tiro. Mesmo em uma plataforma com menor poder gráfico, poder levá-lo para qualquer lugar faz do título uma obra mais do que recomendada. Que a parceria entre Bethesda e Nintendo renda muitos outros frutos no futuro!

Prós

  • Um dos melhores visuais do Switch até o momento;
  • Desempenho agradável, mesmo em 30 quadros por segundo;
  • A mecânica de Glory Kill é fantástica;
  • Trilha sonora dá o tom certo da ação do jogo;
  • O jogo é frenético, mas ainda estimula a exploração.

Contras

  • Alguns bugs de áudio desanimam;
  • Modo multiplayer não se destaca de qualquer outro jogo do ramo.
DOOM — PlayStation 4 / Xbox One / PC / Switch — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: Switch
Vitor Tibério é amante de jogos eletrônicos desde que bateu os olhos em alguns pixels do NES. Hoje leva a sério as disputas de Mario Kart mas tem um (enorme) espaço no coração reservado à franquia Zelda. Já jogou e rejogou quase todos os games da série e não consegue parar de explorar a Hyrule de Breath of the Wild.

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