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Katrielle Layton: sua representatividade e seu apetite insaciável por mistérios

Tal pai, tal filha; Katrielle mostra que tem o que é preciso para trazer novas perspectivas ao universo Layton.


No único jogo em que apareceu até o momento, Katrielle Layton abriu a Layton Detective Agency. Juntou-se a uma equipe improvável, mas capacitada: um cachorro falante com amnésia e um jovem voluntário que está ali por sentir que deve ajudá-la no que for possível. Após destrinchar a experiência de Layton's Mystery Journey: Katrielle and the Millionaires' Conspiracy (3DS/Mobile), vamos dar uma aprofundada no que representa o estrelato de Kat para o futuro da franquia.

Protagonista feminina

Em uma entrevista ao site Nintendo Life, o presidente e CEO da Level-5 comentou sobre as mudanças que estavam ocorrendo na franquia, como o fato de Layton's Mystery Journey ser o primeiro jogo principal a não ser protagonizado pelo Professor. No que foi discutido, Akihiro Hino deixou claro que a intenção do novo título era voltar a focar na resolução de puzzles e, enquanto revisita as raízes, deixa de lado a sensação de que o futuro do mundo está em jogo. Para não colocar Hershel em tarefas de menor porte em relação ao que ele já havia investigado nos seis jogos anteriores, surgiu a necessidade de conceber um protagonista que estaria sujeito a problemas mais cotidianos, que acabou sendo uma filha sua.
Além de presidir a Level-5, Akihiro Hino está por trás do desenvolvimento da franquia desde o primeiro jogo.

A Famitsu já havia trazido quase um ano antes dessa entrevista o seu próprio momento de discussão com Akihiro Hino, quando praticamente tudo a respeito do jogo ainda era um mistério. Na matéria, ele falou que o fato da protagonista ser do sexo oposto ao habitual da franquia estava atrelado ao público da franquia ser praticamente dividido meio a meio na questão de gênero. Dessa forma, sua vontade era de que a porção feminina dos jogadores tivesse uma resposta ainda melhor ao jogo, uma vez que séries de drama protagonizadas por mulheres costumavam fazer bastante sucesso e o jogo está estruturado de maneira análoga a esse tipo de programa.

Funcionou?

Essa pergunta não posso responder pelo público feminino, já que não o integro. Entretanto, acompanhar Katrielle mostrou que sentir-se representado por ela é bem mais fácil do que pelo seu pai. É como se Hershel fosse o ídolo e Kat uma representação mais relacionável e próxima ao jogador do que ele, e isso faz bastante sentido. Afinal, a mystery journey pela qual ela passa é apenas a introdução de suas capacidades às investigações de Londres, enquanto Layton tem mais anos de experiência e uma reputação mais bem firmada.

Compartilhando do raciocínio afiado de Hershel, Kat tem o costume de apresentar suas deduções de maneira mais descontraída e, por causa disso, encontra pessoas que não simpatizam com a sua imaginação aguçada. Emiliana Perfetti, por exemplo, nos permite observar um momento em que Kat deixa a sua imagem de gentlewoman de lado para ser sincera quanto a não ir com a cara de sua rival.
Ops...

Além de tudo, Kat se mostra corajosa e disposta a passar pelos riscos necessários para resolver os mistérios que surgem na sua agência, encarando até mesmo uma acusação de crime com tranquilidade. Ela não se limita a parecer com seu pai, pois traz também consigo um pouco de Luke, aprendiz do Professor. Além de ter uma língua afiada, ela come tanto durante o jogo que fica difícil não lembrar do garoto. Ostenta um carisma e senso de humor que cumprem o que Akihiro Hino tinha prometido: uma aventura mais leve e mais próxima do dia a dia.

Funcionou!

Kat costuma exclamar que “a verdade é sempre mais estranha que a ficção”. Se formos observar todas as reviravoltas que ela expõe em uma demonstração de excelência na resolução de puzzles, não tem como ter dúvidas quanto a isso. No entanto, não vamos deixar todos os créditos com ela: tudo isso só se realiza se o jogador se dispor a quebrar cabeça em seu jogo. Ainda não há certeza quanto ao retorno de Kat no próximo Layton, embora isso seria provavelmente um bom investimento para a amada franquia da Level-5.
Eu dei uma pesquisada e essa frase não é de autoria da Kat. Fiquei um pouco triste, confesso.

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Robson Júnior é graduando em Ciência da Computação pela UFCG. No Blast, atua como diretor de redação e revisor. Reserva algum tempo para jogar, ler e escrever, algumas de suas paixões. Você pode encontrá-lo no Twitter e no Alvanista.

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