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Análise: Darkest Dungeon (Multi) traz a aflição e estresse na palma da sua mão

Momentos de angústia e raiva agora podem ser usufruídos na tela de toque.



Darkest Dungeon realmente foi um jogo que pegou muitos jogadores de surpresa quando foi anunciado. Estando disponível, originalmente em 2015, para o PC na plataforma Steam, através do programa de Acesso Antecipado, o aclamado título, conhecido pela sua alta dificuldade, levou cerca de 1 ano até ser totalmente polido e devidamente lançado em Janeiro de 2016, onde os jogadores puderam conferir o ápice da frustração em sua melhor forma.


Após seu lançamento, mais tarde no mesmo ano foi a vez do PS4 e Vita receberem o título, com controles adaptados e contendo o mesmo clima de tensão, que se tornou característica do game. E depois de toda essa trajetória, é a vez dos consumidores da Nintendo sentirem na pele a loucura que os aguarda enquanto desbravam a Masmorra mais Escura, seja jogando em uma TV ou on the go.

Uma simples premissa, mas com segredos e consequências terríveis

Vivendo uma vida de riquezas, luxúria e fartura, o dono de uma mansão encontrou-se extasiado pela vida que levava, almejando algo a mais que possa preencher esse vazio e frustração de tempos que outrora já foram almejados. Depois de estudar sobre rituais e magia negra, descobriu-se que sua própria residência guarda um segredo há muito perdido, envolvendo monstros, doenças e morte. Falhando miseravelmente em descobrir parte desses mistérios, o lorde não viu outra alternativa a não ser confiar tal tarefa em seu herdeiro, uma vez que em sua atual condição não foi capaz de fazê-lo.
 
Colocando o jogador na pele de tal sucessor, a aventura tem seu início em uma vila. Para conseguir extrair o máximo de informações e, principalmente, lucros e tesouros das explorações ao redor da mansão, cabe a nós administrarmos os investimentos no desenvolvimento das repartições que ali se encontram, além de contratar mercenários ávidos por fama e aventuras dispostos a sujar as mãos em prol dos nossos objetivos.

Loucura e desespero batem na porta dos jogadores… e personagens

Sem sombra de dúvidas a principal característica do título é como algumas decisões afetam diretamente o psicológico dos personagens, afetando drasticamente a dificuldade de exploração e combates contra monstros e outros inimigos. Doenças, que causam efeitos negativos, pavor do escuro e errar ataques são apenas algumas das situações que farão com que os mercenários testem sua fé para não sucumbir perante o medo. O nível de estresse é tão importante que ele muitas vezes é o fator decisivo para alcançar a vitória ou a derrota.


A situação fica ainda mais complicada quando descobrimos que os personagens não são curados após as batalhas ou o retorno das masmorras. Para alcançar a tranquilidade e estar devidamente pronto para outras missões, cabe a nós designarmos os heróis para determinados locais onde possam se divertir e aliviar a tensão acumulada. Enquanto isso, mais mercenários chegam buscando o mesmo que anteriores, tornando a jornada um ciclo até que o terrível segredo da mansão seja revelado.

Para garantir que a imersão do título seja preservada, a escolha da arte caiu como uma luva na proposta do título em trazer um ambiente, de certa forma, pesado e quase sem esperança. Os locais que podem ser acessados contam com detalhes em tonalidades escuras, assim como a caracterização dos personagens transmitem um semblante sem alegria e únicas, dependendo de sua classe. O design dos monstros também não fica atrás, com caracterização medonha e muitas vezes baseada nos locais onde são encontrados. A trilha sonora também cumpre seu papel, com batidas fortes e densas, estando em total acordo com a situação a qual é utilizada.

Raízes em RPG’s de mesa

Outro fator deveras interessante em Darkest Dungeon é como prestar atenção em atributos, vantagens e fraquezas que afetam o desenrolar do jogo de maneira drástica. Com 15 classes distintas, analisar seus equipamentos, resistências e até mesmo posicionamento nas batalhas, é o que garante mais um dia de vida para aqueles que desbravam os terrores dos cenários.

Ainda nos atributos, alcançar determinados níveis de estresse faz com que os personagens desenvolvam características únicas, sejam elas boas ou ruins (na maioria das vezes ruins). Tais características se assemelham muito às peculiaridades do sistema de RPG de mesa Gurps, pois cada uma delas afeta os guerreiros diretamente tanto na exploração dos locais quanto nas batalhas. Por exemplo, um personagem que adquiriu “cleptomania” irá roubar a maioria dos tesouros encontrados, impedindo que o jogador use-os ou coloque-os à venda. Além disso, os ataques baseiam-se em danos modestos e mais próximos do ‘real’, onde ataques de aliados e inimigos tiram entre 5 e 15 de HP, por exemplo.

A angústia que também pode afetar os controles

Por ser um jogo desenvolvido para a utilização de mouse e teclado, adaptar seus controles para o joystick as vezes não é uma tarefa simples. Embora tenham conseguido, algumas dificuldades foram encontradas, principalmente utilizando os botões nos menus do vilarejo. Dependendo do que o jogador estiver olhando, os botões podem apresentar uma função diferente quando utilizados em outras situações.


Mas é justamente nesse momento que o Switch brilha. Ao contrário da versão do Vita, o port para a plataforma da Nintendo conta com controles devidamente adaptados para a tela sensível ao toque, fazendo com que a experiência de jogo seja tão boa ou até mesmo melhor do que quando jogado utilizando o mouse. Com comandos simples que necessitam de um ou dois toques e arrastar, o jogo permite um total controle das ações na palma da mão.

Uma grata surpresa, mesmo quando o inevitável não surpreende mais

Apesar da grande dificuldade, imprevisibilidade e frustração para alcançar os objetivos do jogo, a aventura torna-se repetitiva com o passar do tempo. Mesmo que os cenários sejam gerados proceduralmente, dando a impressão de novidade a cada exploração, a aventura acaba por se tornar a mesma coisa, enfrentando quase sempre os mesmos inimigos e utilizando as mesmas estratégias dependendo dos personagens nas equipes. A falta de um sistema de grinding mais funcional também colabora para o aumento de tédio durante a jogatina, principalmente quando seus melhores personagens se afundam na loucura e acabam por cair em batalha, fazendo com que o processo de melhoria de outros personagens comece do zero.

Entretanto, Darkest Dungeon oferece para os mais corajosos (e pacientes) uma experiência de alto nível de RPG, saindo dos padrões convencionais que são vistos em títulos como Final Fantasy, por exemplo. Administrar e conciliar exaustivamente as campanhas de exploração com as melhorias da vila sem dúvidas podem render horas e mais horas de diversão, com garantia de uma sensação de dever cumprido ao fim do jogo.



E mesmo que muitos o considerem um jogo não muito convidativo, a boa notícia é que a versão para os consoles conta com todas as atualizações necessárias que deixam o jogo mais acessível, ajustando sua dificuldade e disponibilizando melhorias, principalmente no quesito de recrutamento de outros personagens, já que agora existe a possibilidade de obter-se personagens mais fortes à medida que a devida unidade responsável por essa função na vila esteja aprimorada. O difícil mesmo é acreditar que o jogo possuía ainda mais dificuldade antes dos updates.

Prós

  • Alto nível de tensão e estresse, cumprindo bem a proposta do título;
  • Alto nível de dificuldade para aqueles que buscam esse tipo de jogo;
  • Gráficos, ambientação, narrativa e trilha sonora em excelente harmonia e que se completam, aumentando ainda mais a experiência de jogo;
  • Controles adaptados para tela sensível ao toque;
  • Tradução para o português brasileiro disponível.

Contras

  • Falta de um modo para jogadores mais casuais;
  • Repetitividade na exploração e melhorias dos personagens;
  • Adaptação para os controles é feita de maneira confusa;
  • Alta dependência da sorte em inúmeros momentos durante as batalhas.
Darkest Dungeon - Switch/PC/PS4/Vita - Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Diogo Mendes
Análise produzida com uma cópia digital cedida pela Red Hook Studios
Kaio C. escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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