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Dark Souls Remastered: qual impacto o título pode ter no Switch?

Aclamada pela jogabilidade desafiadora, chegada da franquia Souls ao console híbrido significa muito para a Nintendo.




Dark Souls figura como uma das franquias de maior sucesso e repercussão na última década. Com seu conceito desafiador, o game criou uma legião de fãs dispostos a chorar de frustração pela alta dificuldade e a sorrir de satisfação a cada obstáculo vencido. Depois de três títulos lançados, Bandai/Namco e From Software enfim acendem uma fogueira nas plataformas Nintendo com o anúncio de Dark Souls Remastered para Switch.


Considerado um legítimo integrante dos chamados games hardcore, ao exigir plena dedicação do jogador para chegar ao seu final, Dark Souls pode significar muita coisa para o Switch e para a Nintendo. É possível relacioná-lo à vinda de mais títulos multiplataforma para o console híbrido e ao fator da portabilidade que permitirá, pela primeira vez, levarmos nossos frascos de Estus para onde quisermos. Não à toa a versão de Switch vem sendo a mais comentada pelo público.

Uma mensagem ao hardcore gamer

Dark Souls definitivamente é uma das séries mais populares entre os jogadores dedicados, justamente a parcela do público gamer que afastou-se da Nintendo nos últimos anos devido à baixa disponibilidade de jogos do tipo em suas plataformas.

Dark Souls no Switch pode atrair a atenção de uma parcela do público que há muito tempo estava longe dos aparelhos da Nintendo
É claro que não podemos generalizar, afinal os consoles da casa do Mario receberam vários títulos considerados hardcore, mesmo entre os exclusivos. Completar 100% em Donkey Kong Country Returns (Wii, 3DS) não era tarefa fácil e certamente muitos estão sofrendo para juntar as 999 Power Moons em Super Mario Odyssey (Switch). Outros exemplos também incluem as séries Fire Emblem, No More Heroes, Metroid, Pokémon e The Legend of Zelda. Cada um deles, à sua maneira, proporciona desafios que exigem plena dedicação.

No entanto, o termo hardcore hoje não é empregado apenas para os jogos que exigem dedicação do jogador. Com o crescimento da popularidade de títulos FPS ou com temáticas mais sérias e realistas, boa parte dos jogadores também considera como hardcore os games que proporcionam momentos de adrenalina, ação, realismo, violência, histórias profundas e apresentação de alto desempenho gráfico. Diversos títulos multiplataforma reuniram tais aspectos e alcançaram relativo sucesso.

É exatamente nesse ponto que verificamos o impacto de um título como Dark Souls ser anunciado para Switch. O game que virou sinônimo de experiência hardcore apresenta uma verdadeira mescla de elementos que agradam tanto a quem busca uma aventura cheia de efeitos gráficos, realismo e violência, quanto àqueles que procuram algo que exija dedicação. Ironicamente, seria como um retorno desse tipo de jogo à empresa que no passado já foi a casa de Contra, Ninja Gaiden e Battletoads, considerados até hoje entre os títulos mais difíceis da história dos videogames.

Dificuldade, adrenalina e tensão na tela da TV ou na palma da mão
Atualmente contando com DOOM, The Elder Scrolls V: Skyrim, L.A. Noire e em breve Wolfenstein II para Switch, o anúncio de Dark Souls Remastered mostra uma nova investida da Nintendo em direção às desenvolvedoras third parties para retomar parte desse público, que agora poderá ter esses jogos no Switch desfrutando de experiências locais e portáteis. Sem dúvidas, um anúncio que veio na hora certa.

Dark Souls: amor e ódio

Ambientado num enredo repleto de mistérios e criaturas horripilantes, o título idealizado por Hidetaka Miyazaki leva a obscuridade de sua história para a jogabilidade, proporcionando, ao mesmo tempo, curvas de dificuldade altíssimas e um enorme fator de exploração. Críticos o definem como um RPG de fantasia obscura com elementos de hack and slash. Tudo planejado de modo a fazer o jogador sofrer bastante e ter a tela de jogo frequentemente estampada com a frase You Died (Você Morreu).

É na perseverança que encontramos a essência de Dark Souls. O sistema de evolução do personagem leva em conta o acúmulo de almas ao derrotar os inimigos, utilizadas para aumentar a gama de atributos conforme a escolha do jogador e de acordo com a classe definida (guerreiro, piromante, ladrão, assassino, clérigo e até mesmo depravado, com atributos menores que os outros).

A portabilidade e a chance de morrermos literalmente em qualquer lugar
Parte da frustração e satisfação do game está exatamente nessa curva de evolução. Ao morrermos, perdemos as almas acumuladas que não foram gastas, mas podemos recuperá-las se voltarmos ao local do inimigo que nos derrubou. Contudo, caso o jogador morra novamente nessa tentativa, elas serão perdidas definitivamente.

Todos os inimigos do jogo podem matá-lo rapidamente caso você vacile nos controles e nunca é uma boa ideia atrair vários de uma vez. Histórias envolvendo perdas de almas e a tristeza por ter de reuni-las de novo existem aos montes pela enorme comunidade de fãs.

As batalhas contra chefes também são outro fator memorável da série. A caracterização desses inimigos é de arrepiar, tanto pelos aspectos bizarros como pela qualidade e criatividade empregadas em seu desenvolvimento. Cada um deles exige a prática de estratégias envolvendo padrões de ataque, defesa, esquiva e pontos de vulnerabilidade. Só quem já derrotou algum após centenas de tentativas sabe o tamanho da felicidade ao superar o desafio.

O Iron Golem continuará imenso, mesmo na telinha do Switch
Levar toda essa experiência ao Switch é uma ótima porta de entrada para a série em plataformas Nintendo. A versão remasterizada do primeiro game, já com todos os conteúdos adicionais inclusos, torna-se um excelente pacote para aqueles que ainda não conhecem a franquia Souls, além de ser uma boa oportunidade para fãs e novatos jogarem em casa ou na rua.

Questão de escolha

Desde que foi anunciado no Nintendo Direct-Mini em 11 de janeiro, Dark Souls Remastered divide opiniões. De um lado, existem aqueles que duvidam que a experiência no Switch possua a mesma qualidade das versões que sairão em outras plataformas. Do outro, muitos comemoram o fato de poderem se aventurar pelo game em qualquer lugar.

Versão remasterizada trará melhorias em relação ao título original de 2011, que já era bonito
Segundo a Bandai/Namco, a versão de Switch, desenvolvida pelo estúdio Virtuous (o mesmo que adaptou L.A. Noire) rodará a uma taxa de 30 quadros por segundo com resolução superior ao título original lançado em 2011, chegando a 1080p em modo dock e 720p no modo portátil. Nas demais plataformas, haverá taxa de 60 quadros e suporte a resoluções em 4K. Em qualquer versão do game, será possível interagir on-line com até seis jogadores, que podem ser aliados ou invasores no mapa.

Um fato é que hoje existe público para as duas propostas. Se o jogador prefere alto desempenho, haverá versões do jogo que proporcionarão isso, do mesmo modo que haverá a versão de Switch voltada ao público que procura a vantagem da portabilidade. Jogar um título como Dark Souls em qualquer lugar é um enorme avanço para os videogames e muitas desenvolvedoras estão de olho nesse aspecto exclusivo do console híbrido, bem como em seu público, já que vários desses jogos estão chegando a plataformas Nintendo pela primeira vez.

A chegada de Dark Souls pode abrir mais uma porta para a vinda de mais títulos multiplataforma ao Switch
No final das contas, tudo se trata de uma questão de escolha e é importante para a Nintendo que estas escolhas também possam ser feitas em suas plataformas. Atualmente, Dark Souls representa muito na cultura gamer e, quanto mais portas abertas e fogueiras acesas, melhor. Embora não tenha confirmado oficialmente, a Bandai/Namco já revelou interesse em levar Dark Souls II e III também ao Switch. Praise the Sun!


Não deixe de comentar e compartilhar sua opinião sobre no que Dark Souls pode impactar a relevância do Switch, tanto para o público quanto para a chegada de mais títulos multiplataforma ao console híbrido.

Revisão: Vitor Tibério
Renan Rossi é jornalista formado pela USC e aficionado pela história dos videogames e como cada pequeno acontecimento culminou nessa cultura incrível que vivemos hoje. Quando não escreve, viaja por Hyrule, toca umas ocarinas com a galera, procura adversários em Mario Kart, defende o Charizard nas rodas de conversa e acredita que já está na hora de Bowser, o melhor vilão de todos os tempos, ter o seu próprio jogo.

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