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Análise: Pine Hearts (Switch): uma escalada emocionante em uma montanha de memórias

Aventura explora uma forte história de reconexão, mas deixa a desejar em aspectos de gameplay.

em 11/06/2024
Desenvolvido pela Hyper Luminal e publicado pela Little Nook, Pine Hearts é uma aventura 3D em estilo fofo. Porém, por baixo dessa estética agradável, o que a experiência realmente quer contar é uma forte história de reconexão consigo mesmo e crescimento pessoal.

Um parque recheado de lembranças

Pine Hearts conta a história de Tyke, um jovem rapaz que decide dar um passeio pelo parque homônimo. Quando ainda era criança, ele havia feito todo o percurso de escalada com o seu pai e aprendeu muitas coisas no processo; agora, a visita tem outro tom: o de reconectar-se consigo mesmo.

Sem entrar em grandes detalhes, a ideia do jogo envolve o conceito de memórias formativas. Como alguém que havia visitado o parque quando ainda era criança, Tyke tem lembranças muito fortes do local e isso vem à tona conforme exploramos.

Porém, mais do que apenas o apelo nostálgico do passado, temos aqui aspectos traumáticos e outro contexto de vida. Lembrar-se é também ressignificar experiências, tendo em vista os nossos quadros de referência do presente.

Agora adulto, Tyke tem a chance de repensar o que foi a sua infância ao voltar a Pine Hearts. Da mesma forma, ele passa a ter outras responsabilidades para com a comunidade ao seu redor e uma perspectiva bem diferente.

Essa experiência central do jogo é francamente emocionante, já que aos poucos vamos entendendo melhor as condições atuais do protagonista. Nas cutscenes dessas memórias, o jogo utiliza apenas imagens, sem texto ou dublagens, mas faz um ótimo trabalho em mostrar o que aconteceu, sendo algo muito óbvio o peso desse retorno a Pine Hearts.

Visualmente, o título é fofo e bastante colorido, e as cenas animadas de história são especialmente bem-feitas para replicar a magia da infância. Além disso, o jogo conta com textos em português do Brasil e a tradução é bem adequada, o que deixa a experiência bem mais acessível para nós brasileiros.

Simplicidade e busywork

Em termos da gameplay, Pine Hearts é uma aventura simples em que devemos interagir com o mundo ao nosso redor. NPCs e objetos variados estão espalhados pelos mapas do parque, e o caminho é notavelmente marcado por elementos interativos que são como obstáculos.

Conforme conversamos com os personagens, realizamos quests e coletamos gotas azuis pelo caminho, que servem para encher uma espécie de medidor de experiência. Ao chegarmos a determinados marcos, liberamos uma memória, que nos mostra um pouco do passado de Tyke, assim como abre a possibilidade de usarmos novas habilidades.

Na prática, o que temos que fazer é um processo simples de apertar botões indicados nos momentos certos. Para superar os obstáculos, temos que fazer apenas dois movimentos, que envolvem apertar A, movimentar o analógico esquerdo em alguma direção, manter o botão A pressionado por um tempo designado ou tentar apertá-lo no timing correto. Além de ser bem simples já por padrão, o jogo conta com opções de acessibilidade que reduzem ainda mais a complexidade da jogabilidade.

Por conta disso, o que temos é uma experiência fácil de qualquer jogador pegar independentemente do seu nível de habilidade. O problema é que ao mesmo tempo as tarefas são enfadonhas, repetitivas e pouco estimulantes; as pequenas piadinhas não são o suficiente para fazer com que as missões pareçam de fato algo que tem algum significado além de tarefas para deixar o jogador ocupado.

Confundindo o jogador

Para piorar a situação, temos alguns problemas. Primeiramente, só é possível interagir com os itens em pontos específicos do mapa, fazendo com que possamos nos aproximar deles por um ângulo diferente e precisar nos movimentar para as áreas “corretas” que ativam a interação. Uma vez concluída a tarefa, temos casos em que é impossível interagir novamente com um personagem, dando a sensação de que o mundo é apenas uma lista de ações.

Além disso, as quests são listadas em um menu de diário fixo. Chegou um determinado ponto do jogo em que fiquei impossibilitado de ver o que ainda precisava ser feito porque as coisas ficaram bagunçadas, não era possível nem sequer rolar a lista para ver outras tarefas e as que apareciam não eram relevantes ou não tinham uma indicação clara de que tinham sido concluídas ou não.

Também não tinha um minimapa para me ajudar a me localizar. Quase no final do jogo, descobri que o mapa dentro do menu de missões era dinâmico e passei a utilizá-lo para me localizar. Saber disso faz uma diferença enorme para a exploração, já que ele indica pontos interativos, personagens com quests e outros detalhes importantes, mas nada disso é explicado.

Por fim, ainda temos alguns engasgos durante a exploração. Especialmente próximo de momentos de salvamento ou algumas transições de tela, o jogo pode congelar por um tempinho antes de voltar a funcionar.

Um núcleo emocionante em uma experiência medíocre

Pine Hearts é uma experiência narrativa emocionante em seu cerne, mas os elementos de gameplay e alguns aspectos técnicos da versão de Switch deixam a desejar. Se tudo que o jogador busca é uma história com a qual é fácil sentir empatia, considero que ele sinceramente vale a pena, mas é difícil recomendá-lo para quem busca algo mais.

Prós

  • História emocionante sobre crescimento pessoal e se reconectar com o passado;
  • Gameplay ultra simples e opções de acessibilidade facilitam a entrada para qualquer tipo de jogador;
  • Estilo visual fofo;
  • Opção sólida de legendas em português.

Contras

  • Engasgos em alguns momentos, principalmente próximo dos momentos de salvar;
  • Minimapa só aparece no menu de quests e não é formalmente apresentado ao jogador;
  • Menu de quests não interativo e bagunçado, ficando difícil ver o que ainda precisa ser feito;
  • A interação com NPCs e objetos só pode ser feita em pontos específicos, fazendo com que seja fácil passar despercebido;
  • Na prática, as tarefas acabam parecendo só um amontoado de busywork.

Pine Hearts — Switch — Nota: 6.5

Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital cedida pela Little Nook


é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.
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