A História dos Vídeo Games

A História dos Vídeo Games #16: a reascensão da SEGA com o Mega Drive

Na última coluna A História dos Vídeo Games nós vimos a entrada da gigante japonesa NEC no disp... (por Sérgio Oliveira em 27/11/10, via Nintendo Blast)

Na última coluna A História dos Vídeo Games nós vimos a entrada da gigante japonesa NEC no disputadíssimo mercado de consoles com o PC Engine. Com o apoio da Hudson Soft, o PC Engine possuia um excelente hardware e uma biblioteca de jogos muito bons. Com o mercado japonês conquistado rapidamente, a NEC decidiu que era hora de se arriscar no mercado norte-americano dominado pela Nintendo e o seu NES. Contudo, o que eles não esperavam é que uma empresa que já estava caindo no esquecimento pudesse ressurgir com um console totalmente novo.

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Em 1987 a SEGA já conhecera o doce sabor da vitória, de ser suprema e aclamada por todos por causa de seus arcades, e também o amargo sabor da derrota, da frustração e de uma aventura mal sucedida com o Master System em território norte-americano. Enquanto toda a estratégia de competir com o NES da Nintendo no mercado americano desmoronava, ela continuava fazendo um enorme sucesso nos arcades japoneses com o Sega System 16. Nele, era possível jogar Shinobi, Golden Axe e muitos outros títulos rodando a incríveis 10MHz, 4096 cores simultâneas e resolução de 320 x 224 pixels.

NakayamaCom o sucesso do sistema, Hayao Nakayama – CEO da SEGA à época – propôs a criação de um novo console que utilizasse a mesma arquitetura 16-bit do Sega System 16. Assim surgia o Mega Drive, nome escolhido para representar a superioridade e velocidade do primeiro console verdadeiramente 16-bit da história. Utilizando o mesmo processador do Sega System 16, o Mega Drive era capaz de processar informações a 7,67MHz, reproduzir até 80 sprites simultâneos na tela a uma resolução de até 320 x 480 pixels!

Lançado oficialmente no Japão em 29 de outubro de 1988, o Mega Drive contava com dois jogos convertidos do arcade: Super Thunderblade e Space Harrier 2. A qualidade dos jogos impressionava e mostrava a que o Mega Drive veio. Quase um ano depois, em setembro de 1989, o console chegava ao mercado norte-americano com o nome de Sega Genesis devido a problemas em registrar a marca Mega Drive por lá.

mega_driveCiente da paulada que havia levado ao lançar o Master System nos Estados Unidos, a SEGA ainda tentou entrar em um acordo com a Atari para que essa se responsabilizasse pela distribuição do Mega Drive nos EUA. Contudo, o acordo não se concretizou e a SEGA decidiu agir por conta própria o mais rápido possível. Sim, a rapidez fazia parte da estratégia da empresa de Kyoto. Como em uma batalha, a ideia era desorientar o inimigo e deixa-lo perdido. E foi justamente isso o que aconteceu.

Abocanhando praticamente toda a fatia de mercado que a NEC conquistara, lentamente o Mega Drive ia determinando a morte do PC Engine (chamado de TurboGrafx-16 nos EUA) que silenciosamente desaparecia das prateleiras. Aos poucos os olhos se voltavam para o Mega Drive. Konami, Capcom, Sunsoft, Hudson e a gigante Electronic Arts finalmente deram atenção a um console que não fosse da Nintendo.

Com o apoio de tantas produtoras, o Mega Drive se revelou mais que um vídeo game cujos jogos eram conversões do arcade. Castle of Ilusion, Michael Jackson Moonwalker, Lakers Vs. Celtics, Joe Montana Sports Talk Footbal, Ayrton Senna Super Monaco GP 2, Desert Strike, Road Rash, Phantasy Star e, claro, Sonic  projetaram o Mega Drive e a SEGA de tal forma que era muitíssimo comum ver a SEGA patrocinando todo tipo de evento naquela época: shows, programas de televisão e até corridas de Fórmula 1.

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altUm ano mais tarde, no dia 30 de novembro de 1990, o console chegava oficialmente à Europa. Os dois anos de maturidade e a enorme quantidade de jogos aliados a impopularidade do NES e a chegada do Natal foram variáveis que contribuiram para o estouro de vendas do console no continente. O marketing agressivo e o forte apelo publicitário, refletido nos slogans “To be this good takes AGES, to be this good takes SEGA” e “Genesis does what Nintendon’t!”, exaltavam a superioridade do console e fizeram com que as 30.000 unidades da primeira remessa vendessem feito água em poucos dias.

Nessa época já era bastante claro que a SEGA estava cumprindo tudo aquilo que prometera com o Master System e não conseguira. No Mega Drive as produtoras eram mais livres e não tinham as restrições contratuais e a censura impostas pela Nintendo no NES. Aos poucos o Mega Drive foi se tornando o todo poderoso, conquistando o mercado norte-americano e o europeu com bastante facilidade. Não existia concorrência àquela época.

Campanha publicitária da SEGA

Dona do pedaço, a única preocupação da SEGA era gerenciar o ambiente, manter seu console no topo. Para competir com os rivais a SEGA fez exatamente o que a concorrência estava fazendo para reaver uma parcela do mercado – lançar periféricos.

MegaCDPara conter a popularidade do PC Engine CD, em 1991 foi lançado o Mega CD que, ligado ao console, permitia rodar jogos em CD. Para as produtoras, isso representava um aumento significativo do espaço de armazenamento para os jogos de alguns MB para até 500MB. Para o console, o periférico adicionava um processador Motorola 68000 adicional que rodava a 12,5MHz, um processador gráfico Custom ASIC que permitia efeitos especiais de rotação e zoom, um chip Ricoh que adicionava mais 3 canais de som Stereo PCM e a capacidade de rodar vídeos Full Motion. Em 1992 o periférico foi lançado nos EUA custando U$299,00, sendo mais caro que o próprio console.

A promessa de dar uma guinada nos jogos do console, no entanto, não foi cumprida. Os jogos lançados para o Mega CD eram, na maioria das vezes, conversões de jogos antigos com algumas fases a mais, ou então filmes interativos que até chegavam a impressionar na época, mas que eram muito toscos e medíocres. O que salvou o periférico foi a boa quantidade de RPGs lançados para ele. Tais jogos fizeram o Mega CD vender cerca de 6 milhões de unidades.

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32xos.Com o lançamento mundial do Super Nintendo e os intensos esforços da Nintendo em reaver o mercado, a SEGA cometeu o primeiro, e último, grande erro com o Mega Drive lançado o 32X em 1994. Com a proposta de trazer gráficos com até 50 mil polígonos, exibir 32.000 cores simultâneas na tela e adicionar mais 2 processadores e 1 co-processador ao console, o 32X foi um fiasco sem precedentes. Com pouco mais de 90 jogos produzidos para ele, o 32X era a concretização da insistência da SEGA em uma fórmula que já não dava mais muito certo. Isso é tão verdade que nesse mesmo ano houve o lançamento do Saturn, acabando de vez com a vida do periférico que não durou nem 1 ano.

Quem possui o 32X e/ou algum dos seus jogos, pode ter certeza que tem uma raridade digna de colecionador.

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Curiosamente o Mega Drive nunca foi o console mais vendido no Japão, mas conquistou o disputadíssimo mercado norte-americano e manteve sua popularidade no mercado europeu. Em terras brasileiras o console também fez muito sucesso. Lançado oficialmente pela Tec Toy em 1990, o Mega Drive fez um enorme sucesso graças aos excelentes serviços prestados pela empresa paulista. Assim como fizera com o Master System, a Tec Toy ofereceu um excelente serviço pós-venda ao cliente, promoveu ações na mídia nacional, eventos, adaptações de alguns jogos para o português e até desenvolver jogos completos. Até a chegada do SNES pela Playtronic, o Mega Drive auxiliou a Tec Toy conquistar 75% do mercado nacional de consoles – algo incrível até mesmo para os dias de hoje.

Ainda hoje a Tec Toy produz um modelo de Mega Drive que emula o hardware do console original.

E você, caro leitor, já teve um Mega Drive? Jogou ele? Conte-nos sua experiência e o que você percebia no mercado na época dele. Compartilhe e participe nos comentários!

É indiscutível que o Mega Drive foi um console e tanto. Como todo console, teve seus altos e baixos, sabendo aproveitar como nenhum outro o seu auge. Com uma cartada de mestre, a SEGA desorientou todo o mercado com o lançamento relâmpago do console nos Estados Unidos. Rapidamente o console ganhou apoio de várias produtoras importantes da época, conquistou o mercado europeu e auxiliou a Tec Toy a tomar 3/4 do mercado brasileiro. No entanto, o feitiço virou contra o feiticeiro e a enorme quantidade de periféricos – especialmente o Mega Cd e o 32X –  fez com que o console sucumbisse à concorrência, em especial a Nintendo e o SNES. Mas, falar de Nintendo e SNES é outra história, é outro encontro. Então fique atento e nos encontraremos na próxima. Até lá!

Sérgio Oliveira é analista de sistemas pós-graduado em Engenharia de Software e Mídias Sociais e graduado em Sistemas de Informação. Admirador da área técnica, aprende sobre como os jogos funcionam e são feitos desde 1994, quando ganhou seu primeiro console.

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