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Análise: Dillon’s Rolling Western (3DS/eShop)

Depois de nos levar para um parque no qual crianças ficaram presas em blocos, em Pushmo , e ao Ja... (por Farley Santos em 05/04/12, via Nintendo Blast)


Depois de nos levar para um parque no qual crianças ficaram presas em blocos, em Pushmo, e ao Japão feudal, em Sakura Samurai, a próxima aposta da Nintendo para o eShop foi o Velho Oeste americano. Dillon’s Rolling Western é um misto de ação 3D e tower defense, com um protagonista original e uma mecânica de jogo bem peculiar.

Desenvolvido pela Vanpool, mesma desenvolvedora das malucas aventuras do Tingle no DS , Dillon’s Rolling Western foi exibido pela primeira vez na E3 de 2011. Pouco foi exibido do jogo, somente alguns poucos vídeos e informações. Muitos meses depois, o jogo foi finalmente lançado.

O tatu no Velho Oeste

As coisas não andam bem em Frontier (ou ‘frontreira’), uma das regiões do velho oeste. Malignas criaturas de pedra chamadas Grocks (não confundir com nossa amada Pedra do N-Blast Responde) estão literalmente surgindo de buracos na terra, atacando vilas e comendo todos os Scrogs, criaturas que se parecem com porcos e são a fonte de renda destas vilas. Para o alívio dos cidadãos aparece a dupla Dillon e Russ, um tatu e um esquilo respectivamente. Eles são rangers, uma espécie de mercenários e passam a proteger as vilas dos ataques dos Grocks, desde que sejam pagos para isso.

Na verdade, quem faz todo o trabalho duro é Dillon. O tatu é do tipo durão e de poucas palavras, mas faz o seu trabalho bem. Russ é o contrapeso tagarela: é ele que lida com os prefeitos da vila e todos os outros personagens, mesmo com aquela cara de maníaco. É uma região que passa por crise, logo, todos estão apreensivos e Russ tenta ao máximo quebrar essa tensão. São nesses diálogos que, aos poucos, o passado nebuloso da dupla é revelado. É importante prestar atenção.

Dias estratégicos

Dillon é durão, mas infelizmente é só um. Os Grocks atacam em grupos, dificultando drasticamente a tarefa de defender as vilas. Por sorte, os moradores das vilas construíram torres nas intermediações e nelas é possível equipar armas para atacar os Grocks, possibilitando que Dillon tenha alguma chance contra as criaturas. Mas como era de se esperar, nada disso é de graça: Dillon tem que tirar dinheiro do seu próprio bolso para poder equipar as torres com armas. Existem também torres de observação, que te informam onde estão os inimigos no mapa presente na tela de toque.


Cada dia nas vilas é marcado por três momentos distintos: preparação, ataque e descanso. Durante a preparação, Dillon tem que explorar a região procurando por minas e ruínas que têm itens que podem ser trocados por dinheiro (como metais raros e pedaços de coração) e coletando scruffles, vegetais que servem para alimentar os scrogs. É possível, também, visitar a vila e construir barreiras nas entradas, comprar itens de suporte (bombas explosivas e bombas congelantes são alguns exemplos) e alimentar os scrogs.

Noites perigosas

Quando anoitece, começa o ataque dos Grocks. Dillon deve impedir que eles cheguem até a cidade atacando os grupos, contando com a ajuda das torres. Como nos jogos estilo tower defense, os inimigos andam por caminhos pré-determinados. Caso um grupo de Grocks alcance a cidade, uma quantidade específica de scrogs é perdida, diminuindo a recompensa recebida no final. Caso todos os scrogs sejam devorados é fim de jogo e a dupla é expulsa da vila.


Após o ataque dos Grocks, Dillon e Russ descansam no saloon. Lá é possível conversar com os moradores para receber missões (que consistem em tarefas como pegar itens específicos ou executar certa quantidade de ataques), comprar equipamentos de um mercador e recuperar a energia perdida com uma refeição.

A cada dia que passa, os Grocks se tornam mais agressivos, dificultando a tarefa de defender a vila. É aqui que se torna importante observar o comportamento dos inimigos e armar corretamente as torres para que se tenha sucesso. O terceiro dia pode ser brutal, já que a quantidade de inimigos é alta e decisões importantes têm que ser tomadas. Ao fim de três dias, as tocas dos Grocks desaparecem e a dupla segue para a próxima vila. Conforme avançam pelas vilas, aparecem novos tipos de Grocks e terrenos mais complexos, numa dificuldade crescente.

Rolando e atacando

A maior particularidade está nos controles. Dillon se locomove rolando pelo deserto, de maneira extremamente similar à Sonic, através da combinação de Circle Pad e tela de toque. São duas variações de controles: uma para o campo e outra para as minas e batalha. No campo é necessário riscar a tela de cima para baixo para fazer Dillon rolar, controlando a direção com o Circle Pad, sendo que o botão L o faz parar completamente. Já nas batalhas, Dillon é controlado como se fosse um estilingue: toque e arraste a tela na direção contrária a que quer lançar Dillon. É um sistema meio estranho no começo, mas extremamente dinâmico e preciso.


Na batalha, Dillon conta com variados movimentos para derrotar os Grocks. Além do ataque rolando é possível usar suas garras, resultando num ataque mais poderoso. Outro ataque é uma espécie de “girada” contínua, na qual Dillon ataca o inimigo ininterruptamente e ganha vários itens. Qual dos dois usar dependerá muito da situação, já que todos os grupos continuam se movimentando enquanto em batalha. Se vários inimigos estiverem perto da cidade, o melhor é derrotá-los rapidamente com as garras, mas se estiver precisando de itens, basta usar a “girada” contínua. É possível melhorar todos esses ataques através de novos equipamentos e algumas poucas novas habilidades aprendidas durante a progressão da aventura.

Deserto repetitivo

Por se passar numa região desértica, os cenários têm pouca variedade. Tudo não passa de areia, cactos e pedras, com eventuais áreas verdes e alguns poucos rios. Mesmo assim, cada uma das vilas é desafiadora por conta dos detalhes de topografia. Já os gráficos são bonitos, com personagens bem modelados e texturas legais, reforçados por um efeito 3D de profundidade bem sutil. O único porém é a taxa de quadros que não é tão fluída no campo. Já a música é bem memorável, pois o jogador é obrigado a ouvi-la repetidamente. Não que as composições sejam ruins, mas falta variedade.

 

Não existem muitos extras, por mais que seja importante jogar novamente as vilas para conseguir uma classificação melhor. Mas o jogo é longo. Cada sessão dura no mínimo quinze minutos, sendo que para alguns vai ser necessário jogar novamente algumas vilas por conta da dificuldade que, as vezes, beira o frustrante.

Um novo clássico

Dillon’s Rolling Western é um dos jogos mais completos de eShop. Com uma quantidade de conteúdo incrível para um jogo por download e parte técnica acima da média, é um dos melhores lançamentos do eShop até o momento. O valor e dificuldade podem assustar algumas pessoas, mas, dominadas todas as nuances, o jogo fica bem melhor. E além disso temos um personagem novo e que pode muito bem ser utilizado pela Nintendo no futuro. Quem sabe Smash Bros.?

Prós:

  • Jogabilidade única através da tela de toque;
  • Bela mistura de ação e tower defense;
  • Dificuldade na medida;
  • Muito conteúdo.

Contras:

  • Problemas com a taxa de frames no campo;
  • Repetitivo em alguns momentos;
  • Pouca variedade de cenários e músicas;
  • Pode ser considerado caro para alguns.
Dillon’s Rolling Western – Nintendo 3DS – Nota Final: 9
Gráficos: 8,5 | Som: 7,0 | Jogabilidade: 9,0 | Diversão: 9,0
Revisão: Ricardo Bach
Farley Santos é brasiliense e graduado em Ciência da Computação. Gosta de explorar games obscuros e pouco conhecidos. É apreciador de game music, fotografia, histórias de ficção e animação japonesa. Tem também um blog, onde escreve sobre inúmeros assuntos.
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