Jogamos

Análise: A espera acabou! Presencie a verdadeira revolução criada por Pokémon X/Y (3DS), trazendo seus parceiros para a terceira dimensão!

277 dias. Desde o seu anúncio no dia 8 de Janeiro de 2013, eu sentia exatamente o mesmo frio na ba... (por Fellipe Camarossi em 12/10/13, via Nintendo Blast)

277 dias. Desde o seu anúncio no dia 8 de Janeiro de 2013, eu sentia exatamente o mesmo frio na barriga sempre que pensava no quanto faltava para o lançamento de Pokémon X/Y (3DS). Dias riscados do calendário, tardes procurando por mais e mais informações, expectativas, suposições, a imaginação fluía da mesma forma que eu me senti meses antes de receber o meu primeiro jogo de Game Boy Color, Pokémon Red (GB). Enfim essa espera acabou, o dia chegou e agora eu posso afirmar com toda a certeza que valeu cada segundo de espera.

De volta às raízes

Eu tenho certeza que se você, leitor, já jogou algum outro título da série Pokémon, se lembra perfeitamente de como você iniciou sua aventura. Se lembra do nome do personagem, o seu primeiro parceiro, como mergulhou de cabeça num mundo totalmente novo. Se este é o caso, marque bem a sensação na cabeça, pois você provavelmente irá sentir ela mais uma vez ao ingressar no território de Kalos, a mais nova região do mundo Pokémon.

Todo novo território é
uma obra de arte.
Apesar de praticamente ter voado pela região para poder vê-la por completo e fazer esta análise, eu sinto que terei de recomeçar minha aventura assim que este texto for publicado para poder aproveitar melhor o que deixei passar. Kalos, baseada na França, mostra-se fazendo jus à terra da beleza quando cada mínimo detalhe parece ter sido feito à mão e posicionado cuidadosamente. Em diversos cenários que passei senti vontade apenas de parar e apreciar o ambiente, ver o mundo Pokémon de uma maneira que, até então, eu só podia imaginar.

Não sei vocês, mas sempre que eu passava por uma determinada rota, caverna ou cidade dos jogos anteriores, eu formava em minha mente como seria aquele cenário visto por um outro ângulo que não fosse por cima, como seria ver a situação nos olhos do personagem que controlo. Aqui em Kalos isso se tornou muito mais simples, porque a liberdade que é possível sentir logo de cara é algo que parece irreal ao se jogar Pokémon. E não pensem que a beleza fica apenas por conta do cenário, viu? Kalos é linda de muitas maneiras.

Eu não quero estragar a surpresa de ninguém, então vou tentar não me aprofundar demais na história, mas posso garantir que qualquer um que a subestimou por causa das primeiras impressões irá ter uma bela surpresa. Pokémon X/Y traz uma abordagem madura para temas como vida, morte e amor de maneira que nenhum outro jogo da série fez até hoje, e merece total atenção – por isso tratem de escolher um idioma pro jogo que vocês consigam entender!

Até a Pokédex deles
é bonita!
E é claro, como não podia faltar, a beleza do ecossistema de Kalos é complementada por uma vasta variedade de monstrinhos disponíveis. Embora a quantidade de novatos na Pokédex beire a casa dos 80 – a menor quantidade de todas as gerações até hoje –, o novo território dá um novo sentido para “temos que pegar todos” ao ter disponível mais de 450 espécies de Pokémon dividida em três regiões principais de Kalos: Central, Coastal (“Costeira”) e Mountain (“Montanhosa”).

Com um território colossal, uma coleção gigante de monstrinhos e uma beleza ímpar, a primeira impressão que se tem de Pokémon X/Y é uma das melhores, mas vamos ter de escavar um pouco mais e mergulhar mais fundo nesta nova aventura para ver o que ela realmente tem a oferecer.

Um turbilhão de novidades

É comum da série Pokémon estar sempre introduzindo novas mecânicas e novos aspectos no decorrer dos jogos principais da franquia e é isso que mantém as experiências sempre renovadas. Com isso, devo dizer que eu acho que nunca tivemos uma revolução tão grande como ocorreu aqui em Pokémon X/Y.  Diversos tabus que perseguiram os jovens treinadores desde suas primeiras aventuras hoje não são nada; podemos andar em oito direções, podemos montar em nossos monstrinhos, podemos pular os desníveis de terra. É como começar tudo de novo, pois todas as regras que conhecíamos parecem inválidas.

E agora o Pikachu realmente
 fala o próprio nome!
Alguma vez você já se imaginou brincando com os seus Pokémon? É claro, eles são seus parceiros de combate, mas eu acho que todo treinador já quis recompensar seus amigos por cada vitória com um carinho, um brinquedo ou algum doce. Bem, agora isso é possível; com a introdução do Pokémon-Amie, uma interface de interação com seus monstrinhos, é possível levar a sua relação com os Pokémon a um novo nível, fazendo o jogador se sentir como se realmente estivesse com um monstrinho real. E não pense que isso é só pela imersão! Quando um Pokémon é bem tratado, diversos efeitos podem ocorrer em batalha, como se libertar de status negativos como Paralyze (“Paralisia”) e Burn (“Queimadura”). A união é o caminho para a vitória!

Ainda nas novidades de batalha, diversos novos ataques e habilidades surgiram nessa nova leva de Pokémon, inclusive movimentos com poderes nunca vistos antes, como ataques de um determinado tipo que também atuam como outro. Cito como exemplo o ataque Flying Press, que é um ataque do tipo Fighting (“Lutador”), mas que também age como tipo Flying (“Voador”). Vários outros golpes com os efeitos mais variados e únicos encheram o arsenal dos monstrinhos de bolso, e só testando todos eles você poderá descobrir seu verdadeiro potencial.

E as animações dos ataques estão incríveis!
A interação social também se mostrou fator determinante nessa geração, já que temos muitas formas de se jogar com outras pessoas. Através do StreetPass e SpotPass é possível fazer trocas de Pokémon usando o sistema de Wonder Trade, onde se troca um Pokémon com um desconhecido ao se encontrarem, e para todos não parecerem iguais nas batalhas, o lado “fashion” da França fez presença no sistema de customização. É isso aí, pessoal, enfim nós podemos trocar as roupas dos nossos personagens e deixá-los com nossa identidade própria identidade. Chega a ser hilário pensar que esperamos quinze anos por isso.

O protagonista enfim cria vergonha na cara e troca de roupa!
Aliás, falando de longos períodos de tempo, depois de mais de dez anos sem interferir no delicado equilíbrio de tipos do jogo, enfim temos uma nova adição para as classificações dos monstrinhos: o tipo Fairy (“Fada”). Claro, se você está acompanhando as novidades de Pokémon X/Y tanto quanto imagino que esteja, você já sabe do que esse tipo é capaz na teoria. Mas e na prática? Como já disse, certamente você irá se sentir um novato ao tentar se acostumar com as novas mecânicas dos tipos depois de anos da mesma maneira.

"É aqui que tá rolando
altas Mega Evolutions?"
O mais irônico é que existem coisas que parece que sempre deveriam estar ali, mas só agora estamos vendo, como por exemplo as Horde Battles e Sky Battles. Lembram-se de todas aquelas vezes em que esbarraram em um Zubat passando por alguma caverna? Imagine então encontrar cinco de uma vez. Esse é o conceito das Horde Battles, confrontos onde se encara cinco monstrinhos de espécies iguais ou semelhantes contra apenas um dos seus. Já as Sky Battles são apenas para seus parceiros que sejam capazes de voar, ou seja, todos aqueles que possuem o tipo Flying ou a habilidade Levitate (“Levitação”). Nesse estilo, o céu é o limite!

Para concluir, é válido relembrar as Mega Evolutions, uma bênção - ou maldição, depende de quem vê - provinda de Kalos que trouxe os combates a um novo estágio. Podendo transformar um de seus Pokémon somente durante o combate para um nível superior realmente trouxe um elemento surpresa divertido para as batalhas, sendo sempre impactante descobrir qual o monstrinho do adversário que está munido de uma Mega Stone (responsável pela transformação), já que só é possível ter um Pokémon com essa transformação por time. Amem ou odeiem, essa nova mecânica chegou pra ficar e vai levar o cenário competitivo a um novo nível, um nível Mega!

Ficou mais do que claro que esse jogo chegou para inovar e renovar, fazendo com que repensemos tudo que nos foi ensinado no decorrer de anos. Infelizmente, o principal erro da produtora foi investir demais nos detalhes e esquecer do básico que se espera de um jogo do 3DS: o 3D.

Nem tudo é um mar de Roselias

Como vou apreciar meu
Mega Manectric com essa lentidão?
Vamos começar pelo mais notável: o jogo não possui efeito 3D no mundo aberto. É, isso aí, nada de admirar as belas paisagens que citei antes com o efeito ligado na tela colossal do seu 3DS XL. Diferente da maioria dos jogos de 3DS lançados até hoje, este aqui nem tenta disfarçar com uma baixa profundidade ou efeito sutil e simplesmente desliga por completo quando se está passeando, se ativando somente em batalha. “Bem, ao menos ele funciona nas batalhas, não é?”, bem, quase isso.

A princípio eu não percebia, mas após algumas comparações da duração de certos ataques com e sem o 3D em vigor, pude perceber que há uma baixa na velocidade das animações (“framerate” para os entendedores). Dependendo do visual dos ataques, o ritmo podia cair drasticamente e se tornar duro de se ver, o que me levou a jogar o jogo praticamente inteiro em 2D. Aliás, agora faz sentido lançarem o 2DS junto do jogo; ele não foi feito para 3D.

Tudo bem que é apenas um capricho, mas isso mostra que a programação foi feita de forma corrida. Na discussão sobre o 2DS feita no Nintendo Blast, falamos que algumas empresas poderiam ficar preguiçosas quanto ao uso do 3D após o lançamento do 2DS, mas não esperávamos que o maior lançamento do ano do portátil fosse fazer isso logo de cara. É decepcionante, mas o conjunto da obra faz estes empecilhos valerem a pena.

Uma aventura interminável

Prevejo um Pikachu chegando.
Por fim, é válido relembrar que os jogos de Pokémon tem um alto valor de replay porque eles nunca realmente terminam. Você pode concluir o modo história, pode capturar todos os monstrinhos, mas sempre haverá algo a mais a se fazer. Neste caso, temos muitas coisas após o fim da partida para agradar os jogadores casuais e competitivos em suas empreitadas em Kalos.

Para começar, uma nova mecânica foi introduzida sob o nome de Friend Safari, um estabelecimento onde pessoas da sua lista de amigos ganham um tipo específico e, ao selecionar aquele amigo, Pokémon daquele tipo vão aparecer para serem capturados com suas Hidden Abilities (antes somente disponíveis através do Dream World). Todavia, embora o nome faça parecer a Safari Zone, aqui é possível entrar com seus próprios monstrinhos e carregando Pokéballs.

Sei que é estranho, mas seu Pokémon
treina seus stats aqui.
Para os fãs da Battle Tower e do Battle Frontier, temos aqui o Battle Maison, local no estilo da Battle Tower que conta com quatro líderes – cada um especializado em um tipo de batalha diferente. Se você quiser deixar seus monstrinhos prontos para encararem esse desafio, dê uma passada antes no Super Training e evolua seus stats individualmente! Você ainda pode conseguir um item com os pontos acumulados no Battle Maison que pode trocar as habilidades (Abilities) dos seus monstrinhos para as secundárias, o que pode salvá-lo de horas de busca. Parece que enfim os jogadores competitivos foram agraciados dentro do jogo!

Temos que pegar todos!

Com problemas insignificantes perante o conjunto da obra, que agrada todo e qualquer tipo de jogador, Pokémon X/Y decerto recompensou a longa espera que tivemos. Após nove meses de muita ansiedade, fomos recompensados por nossa bravura e fidelidade à série com um dos melhores jogos já lançados. Se você gosta de Pokémon, esta deve ser uma compra certa para você. Se não gosta, tente mesmo assim, você pode ser conquistado por esta peça rara e se tornar mais um fã incondicional – como outros milhões por aí.

Um "super eficaz" nas vendas!

Prós

  • Total renovação de certas mecânicas da franquia;
  • Mais de 450 Pokémon disponíveis antes de completar a história principal;
  • As Mega Evolutions se mostram um aditivo de grande impacto nas lutas;
  • Atrativos para os jogadores competitivos como o Super Training;
  • Gráficos estonteantes;
  • Trilha sonora soberba;
  • São muitos, não cabem todos aqui. 

Contras

  • Péssimo uso do efeito 3D impede o jogo de ser perfeito.
Pokémon X/Y – 3DS – Nota: 9,5

Revisão: Alan Murilo
Fellipe Camarossi é graduando em Ciências Contábeis e amante de uma boa discussão sobre videogames. Além de escrever para o Nintendo Blast, também é redator nas revistas Nintendo World e EGW. Para elogios e críticas, pode encontrá-lo no Facebook ou Twitter.

Comentários

Fórum
Google+
Facebook


Últimas do Fórum

Ver mais

No Facebook

Ver mais