Blast Log

Majora's Mask 3D - Parte 1: Três dias para o Fim do Mundo

Embarque ao meu lado e de Link em uma jornada contra o relógio para salvar o mundo da destruição iminente.


The Legend of Zelda: Majora’s Mask, lançado em 2011, era continuação do grande sucesso Ocarina of Time. Desde aquela época, esse game era o mais estranho da série Zelda, afinal de contas, a princesa nem sequer estava na história. Mesmo assim, o título ficou para sempre guardado com muito carinho no coração dos fãs. E foi com muita alegria que todos receberam o anúncio do tão aguardado remake dessa obra para o 3DS. Hoje vou começar meu diário de viagem através de Termina, um reino misterioso que terei que, junto de Link, salvar de um fim terrível em apenas três dias. Que Hylia me proteja!
CUIDADO: O texto a seguir contém spoilers para quem não jogou The Legend of Zelda: Majora's Mask 3D. Leia por sua conta e risco!

Antes tarde do que nunca

Antes de começarmos a falar do game propriamente, acho importante lembrar que nunca joguei o título original. Minha história com a franquia Zelda é mais recente do que podem imaginar (nunca joguei Ocarina of Time original também, somente o remake para o 3DS em 2013). Eu já tinha ouvido muitos amigos falarem sobre Majora’s Mask. De como o game era incrível, interessante e tal. Mesmo assim, nunca tinha me animado a jogá-lo, mesmo que fosse em um emulador. Para minha alegria, em julho de 2014 consegui resgatar o código do game para o Virtual Console e, quando finalmente ia me aventurar em Termina, tive que viajar para o exterior. Imaginem a minha tristeza em ter mal começado o game e somente poder voltar a ele depois de um ano? Ainda bem que para minha sorte (e de muitos fãs)  em novembro do mesmo ano o remake para o 3DS foi anunciado. Isso que eu chamo uma “jogada” do destino, não acham?
Eu podia ouvir a música de "Pegar o Item" quando tirei esses presentes da caixa.

Fazendo a devida economia, consegui por as mãos na incrível edição limitada do New Nintendo 3DS  XL de Majora’s Mask e no game no mesmo dia em fevereiro, uma semana depois do lançamento de ambos. Eu finalmente poderia experienciar o game e descobrir porque ele era um dos títulos mais amados pelos fãs da franquia. Eu já havia iniciado ele no Virtual Console, mas poder ver o início com uma qualidade visual superior foi uma experiência recheada de nostalgia e felicidade. Eu voltei da minha aula da faculdade, fui para cama, coloquei os fones de ouvido, inseri o cartucho e apertei o botão de “Start”. Será mesmo que, como muitos diziam, eu “iria conhecer um terrível destino” naquele game?

Acho que não estou mais em Hyrule

O game começava com uma pequena introdução, sem som algum, dizendo que Link havia partido de Hyrule depois de suas aventuras através do tempo em busca de um querido amigo. Logo me lembrei que deveria ser a fadinha Navi, minha companheira de jornadas em Ocarina of Time. Na cena seguinte, lá estava eu, novamente na pele do jovem herói do Tempo, cavalgando lentamente em sua fiel Epona por uma floresta tenebrosa. Eu quase podia sentir uma estranha sensação pairando no ar. De repente, o cansaço toma conta de mim e caio no chão, desacordado. O problema é que, aparentemente, eu não estava sozinho naquela floresta.

Das sombras, uma máscara estranha aparece sendo usada por um Skullkid acompanhado por duas fadas. Curioso é que me lembro de ter encontrado uma dessas estranhas criaturas em Lost Woods em Hyrule. Até tocamos algumas melodias juntos. Será que podia ser a mesma pessoa? Mas esse Skullkid não estava interessado em saber como eu estava porque ele começou a me revistar e pegou meu bem mais precioso, a Ocarina of Time. Skullkid fica brincando com o objeto como se fosse um brinquedo enquanto as fadas irmãs, Tatl e Tael reclamam que seu companheiro não divide os espólios de suas travessuras com elas.
O que você pensa que está fazendo Skullkid?

Ainda bem que não decidi cochilar por muito tempo e quando me levanto, Skullkid tenta disfarçar o roubo na minha frente. Salto sobre ele mas somente consigo agarrar seu pé enquanto ele pula em Epona e cavalga rapidamente pela floresta. Em uma curva brusca, sou jogado para longe e os dois desaparecem. Finalmente, ganho o controle sobre mim mesmo e agora parecia que eu estava de volta aos velhos tempos de realizar missões. Tento seguir o rastro de Skullkid por entre troncos caídos e arbustos mas, quando menos espero, fico a beirada de um precipício e, sem equilíbrio, caio na escuridão. Enquanto meu grito ecoa nesse vazio, faces coloridas voam pela tela. Onde eu iria parar?

Caindo em uma câmara estranha, me deparo com Skullkid e as fadas enquanto uma música sinistra toca ao fundo. O pequeno travesso ri da minha cara e ainda diz que se livrou de Epona porque ela não obedecia suas ordens. Como assim? Mas antes que eu pudesse fazer algo, uma magia emana da máscara de Skullkid e me cerca. Me vejo de repente rodeado por Deku Scrubs e um deles torna-se gigante e começa a me perseguir. Quando saio desse pesadelo, olho meu reflexo no lago a minha frente e tenho uma terrível surpresa. Eu havia me transformado em um pequeno Deku Scrub!
Essa não! E agora?

Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo. O que eu iria fazer? Corro desesperado tentando alcançar o Skullkid, mas ele foge por um corredor e uma das fadas, Tatl fica em meu caminho. Para o azar de ambos, a passagem se fecha em nossa frente e perco meu inimigo de vista, assim como Tatl se separa de seu irmão Tael. A fadinha fica triste e pede desculpas por ter ajudado Skullkid em suas travessuras e me pede para lhe unir com seu irmão novamente. Bem, eu não parecia ter outra escolha no momento, não é mesmo?



Caminhando pelo labirinto dessa câmara, logo percebo que ser um Deku Scrub tem suas vantagens. Eu consigo girar meu corpo rapidamente se precisar atacar um inimigo e o melhor, sou capaz de usar grandes flores para me lançar no ar e atravessar grandes distâncias. Até que não estou tão mal! Uma coisa que eu e Tatl achamos esquisito foi uma árvore envelhecida que se encontrava no final de uma plataforma. Seu rosto parecia incrivelmente triste e ficamos imaginando o que poderia ser aquilo. Mas deixando isso de lado, continuo seguindo em frente, sentindo que cada vez mais estava me dirigindo para um lugar misterioso.

Planando de flor em flor com muito estilo.
De repente me encontro no interior de uma torre. Engrenagens se movem e ouço um tique-taque ressoar pelas paredes. Quando finalmente encontro uma porta que poderia me levar a alguém que pudesse me ajudar, ouço uma risadinha vindo de trás de mim e uma frase que jamais iria esquecer: “Você teve um terrível destino, não é mesmo?”. Quem falava isso era um rosto que não via fazia muito tempo. Era o alegre vendedor de máscaras, da loja de Hyrule Town. O que ele estava fazendo aqui?

Sempre com um sorriso na face, o vendedor não parecia se assustar com a minha forma. Na verdade, ele também tinha tido problemas com o travesso Skullkid e sua máscara mais preciosa havia sido roubada. Ele me disse que se eu recuperasse meu instrumento mágico e a máscara da travessa criatura, ele poderia me ajudar. Como será que ele sabia sobre a Ocarina? Bem, eu não tinha tempo para pensar nisso porque o vendedor estava com presa. Ele iria partir em três dias, então precisava ser rápido se quesesse encontrar o Skullkid. Mal eu suspeitava que o tempo seria, de fato, o meu bem mais precioso.
Esse sorriso era muito suspeito, mas ele era o único em que eu podia confiar.

Bem-vindo a Termina!

Quando saí da torre do relógio, uma tela preta com os dizeres “Manhã do Primeiro Dia, 72 horas restando” aparece diante de mim. Será que era disso que o vendedor de máscaras estava falando? A cidade em que agora me encontro se chama Clocktown, na terra de Termina. Os cidadãos andavam de um lado para o outro, muito ocupados para prestar a atenção em um pequeno Deku Scrub. Falando com alguns deles, descobri que toda a agitação era por causa da noite do carnaval, que aconteceria dali a três dias. Quem sabe se eu encontrasse Skullkid a tempo eu não podia aproveitar os festejos, não é? O curioso era que apesar de ser uma terra muito parecida com Hyrule, ninguém tinha ouvido falar da princesa Zelda ou muito menos sobre a lendária Triforce. Onde quer que eu estivesse, era um lugar muito longe de casa.



Continuando minha busca pelo Skullkid, capturei uma pequena fada rosa que me implorou que a levasse até a Fairy Fountain pois o travesso mascarado havia quebrado o corpo de Great Fairy em vários pedaços. Encontrando a fonte e restaurando a fada, a bondosa criatura me presenteia com poder mágico. É bem pouco, mas deve me ajudar na minha jornada por enquanto. E na verdade foi um acréscimo muito útil, pois com esse poder pude utilizar uma habilidade dos scrubs: soltar bolhas de cuspe no ar. É uma habilidade bem nojenta, mas válida. Com ela, estourei um balão gigante que uma criança estava há vários minutos tentando estourar em vão e descobri que ele fazia parte do secreto Bomber’s Group, que guardava uma entrada secreta para o observatório de Termina.
Achar esses garotos marrentos não foi uma tarefa tão díficil, mesmo para um Deku Scrub.

Os garotos disseram que somente com um código eu poderia me juntar ao clube deles e o problema é que não estavam dando muita confiança a um patético Deku Scrub. Eles decidem me por ao teste com um jogo de esconde-esconde. Mas antes de partir em busca do grupo, vejo que existe alguém flutuando em balão perto de mim. Ao estourá-lo, descubro ser o bizarro Tingle, um jovem mercador que pensa ser uma fada.. Por me confundir com um semelhante seu por causa de minhas roupas verdes ele decide me vender mapas por um preço camarada, então decido comprar o de Clocktown. Depois disso, surpreendo os bombers ao encontrar cada um deles rapidamente e os garotos me revelam seu código secreto. Com essa informação em mãos, decido tentar chegar até o observatório. Quem sabe lá eu obtenha alguma pista sobre o paradeiro de Skullkid? O problema é que o caminho secreto até lá não é fácil e tenho que fazer uso das minhas habilidades como Deku Scrub para prosseguir. Quando finalmente chego, encontro o simpático astrônomo que me convida a olhar pelo telescópio.
Ver essa Lua pela primeira vez me deu arrepios!



Imaginem a minha surpresa quando, no topo da Torre do Relógio enxergo o pequeno Skullkid dançando e fazendo pallhaçadas! Mais qualquer sinal de diversão desapareceu quando ele apontou para o céu. Eu não acreditava no que estava vendo. A lua estava gigantesca! E o pior, possuía um rosto ameaçador! Aquilo não era normal.Mais esquisito ainda foi quando uma lágrima caiu da lua como se fosse um cometa. Quando saio do telescópio, o astrônomo me fala que aquilo deveria ser uma Moon’s Tear, uma joia rarissima. Ao olhar na parte exterior do prédio, encontro o artefato e o bondoso senhor me permite ficar com ele.


Mas e agora, o que eu devia fazer? Quando havia falado com os habitantes da cidade mais cedo eles haviam mencionado que a parte superior da Torre do Relógio só abre na noite do Carnaval. Será que eu teria que esperar mais dois dias para poder chegar até Skullkid? O pior era que o tempo estava correndo diante dos meus olhos. Eu nem havia percebido, mas um relógio estava aparecendo embaixo da tela. Cada minuto que se passava era uma hora perdida e ele somente mostrava três dias. Decididamente a história do vendedor de máscaras, do carnaval e a Lua se aproximando da cidade a cada minuto não podiam ser apenas coincidências.
Nada como dançar para fazer o tempo passar!

No primeiro andar do observatório encontro um espantalho fã de danças. Ele me pergunta se quero dançar com ele para que o tempo passe mais rápido. Eu topo. Afinal, o que eu tenho a perder? Depois do que pareceram apenas alguns minutos de dança, a tela novamente se torna negra e aparecem novas palavras “Manhã do Segundo Dia, 48 horas restando”. Aquilo estava me deixando muito desesperado. Será que eu havia desperdiçado tempo? Eu deixo o espantalho e o observatório para trás e retorno ao centro de Clocktown.

A Noite do Terceiro Dia

Penso em investigar mais aspectos da cidade mas simplesmente estou ansioso demais para poder subir na torre então, espero pacientemente na frente do relógio. Felizmente pude ocupar meu tempo fazendo negócios com um simpático Deku Scrub que era proprietário de uma flor gigante na frente da torre. Consegui trocar a Moon’s Tear, conseguir um título de proprietário do espaço e fazer o comprador muito feliz. Em pouco tempo, a tela diminuiu, escureceu e as palavras “Manhã do Terceiro Dia, 24 horas restantes” apareceram. Era questão de minutos até a noite chegar e eu poder alcançar o topo da torre.
Enfim, a Noite do Carnaval chega.

Quando a noite finalmente chegou, fogos de artifício saltaram pelos céus e uma escada se abriu na parte superior da torre. Fazendo bom uso do minha nova aquisição de propriedade, utilizo a flor gigante para me lançar no ar e alcançar as escadas. Antes de subir ainda consigo pegar um Heart Piece, que bom! Ao chegar no topo da torre, encontro aquele que tanto procurava. Skullkid flutua sobre mim enquanto observa a Lua, muito maior agora. Ele ri de mim e me diz que o fim de aproxima. Sem entender o que estava acontecendo, Tael surge do lado dele e me grita um pedido de ajuda: “Pântano, Montanha, Oceano, Canyon… Rápido... Os quatro que lá estão... Traga-os aqui...”. Skullkid bate na fada e me diz que nada mais pode ser feito para impedi-lo.
Atirar bolhas de cuspe é minha única alternativa, restando cinco minutos para a Lua cair.

Skullkid grita e uma magia terrível emana de sua máscara. Ao mesmo tempo, a gigantesca Lua começa a cair do céu. Entro em desespero. Com o contador me mostrando que faltavam apenas cinco minutos para a Lua cair, não sei o que fazer. Skullkid fica apenas rindo de mim no céu, então decido que a única coisa que me resta fazer é atacá-lo. Lanço uma bolha de cuspe e consigo nocauteá-lo, fazendo-o derrubar a Ocarina. Pego o instrumento e, de repente, uma memória passa pela minha mente. Me lembro da princesa Zelda e da canção que ela me ensinou quando eu parti para minha jornada, a “Song of Time”. Tatl me chama a atenção que eu não iria conseguir tocá-la naquela forma de Deku. Mesmo assim, decido experimentar. Sem saber como, canos gigantes de madeira saem de minhas costas e consigo tocar a melodia do tempo. Em questão de segundos, o mundo a minha volta começa a se diluir e sou jogado em um vórtex sem saber onde iria parar.
Direto...Do Túnel do Tempo!

Como por milagre, eu retorno para a manhã do Primeiro Dia, em frente à Torre do Relógio. Nem eu nem Tatl entendemos como isso aconteceu, mas agradecemos por estar vivos e pelo poder da Ocarina. Me lembrando da promessa que tinha feito ao Masksalesman, entro na torre e resolvo falar com ele. Apesar dele ficar feliz em eu ter recuperado a Ocarina ele enlouquece quando conto que não consegui pegar a máscara de Skullkid. Ele me diz que aquele artefato se chama Majora’s Mask, uma máscara usada em antigos rituais macabros que guarda um terrível poder. Ele teve muito trabalho para obtê-la e me disse que se ela caísse nas mãos erradas, seria um desastre.

Mesmo descontente, ele mantém sua promessa e me ensina uma que canção seria de muito ajuda, a “Song of Healing”. Essa tocante melodia é capaz de curar qualquer feitiço ou maldição, além de acalmar as almas. Depois de tocá-la, finalmente consegui retornar a minha forma original, além da maldição do Deku Scrub ter sido selada em na Deku Mask, que o vendedor disse que eu poderia usar a qualquer momento para me transformar, sem preocupações. Ele me fez prometer que vou recuperar Majora’s Mask e me dá de presente o Bomber’s Notebook, um diário no qual eu poderia fazer minhas anotações sobre diferentes eventos.
Finalmente voltei ao normal!

Ao sair da torre, Tatl me lembra sobre o que seu irmão disse. Aquilo provavelmente é uma pista sobre o que eu devo fazer em seguida pois, ao olhar para o céu, vejo que a Lua continua olhando ameaçadoramente para Clocktown. Isso queria dizer que, daqui a três dias, Skullkid tentaria jogá-la novamente sobre a cidade. E também queria dizer que esse era o tempo que eu tinha para achar uma solução e salvar o mundo, caso contrário teria que voltar no tempo outra vez. A questão era, seria eu capaz de fazer isso em tão curto prazo?

Continua nas próximas semanas...

Revisão: Luigi Santana
Capa: Welligton Aciole
Luís Antônio Costa é graudado em Ciência da Computação pela UFRGS. Apaixonado por games desde que ganhou seu primeiro Master System e conheceu Sonic, também é amante da ciência e um devorador de livros. Além do Nintendo Blast, também faz alguns textos para o Medium e pode ser encontrado no Facebook e Twitter.

Comentários

Fórum
Google+
Facebook


Últimas do Fórum

Ver mais

No Facebook

Ver mais