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Análise: Pokémon Picross (eShop/3DS) é um convite ao mundo dos nonograms

Novo título da série Picross traz centenas de puzzles divertidos e retoma diversos aspectos dos monstrinhos de bolso em sua jogabilidade.


A série Picross começou timidamente com Mario’s Picross (GB), um jogo cujo sucesso acabou praticamente limitado ao Japão — tanto que várias de suas sequências não seriam lançadas além das terras nipônicas. Picross DS, entretanto, foi uma aposta da desenvolvedora Jupiter trazida ao mundo todo, e, felizmente, bem recebido pela crítica.


Após vários lançamentos da série na eShop do 3DS, a mesma desenvolvedora, em parceria com a The Pokémon Company, anunciou no Direct de 12 de novembro que em breve seria lançado um jogo reunindo o mundo de Picross e o de Pokémon. Os que não conheciam esse tipo de puzzle, como eu, questionaram-se quanto ao potencial do jogo. É hora de conferir se vale a pena baixar esse free-to-start!

Nonograms?

Nascidos no Japão, os nonograms (também conhecidos como picross ou ainda diversos outros nomes) são quebra-cabeças lógicos em tabuleiros parecidos com os de Sudoku, só que com notáveis diferenças. Consistem em um jogo de definir quais quadradinhos de um tabuleiro devem ser preenchidos ou deixados em branco tendo em mente algumas regras bastante simples e, no final, formar uma espécie de desenho.
Um exemplo de nonogram.
Ao lado de cada linha/coluna, há alguns números que serão essenciais para resolver o puzzle. Cada número indica o bloco de quadradinhos que estão agrupados, obrigatoriamente na sequência dada. Por exemplo, caso uma linha traga a sequência 1 3 2, significa que há um bloco unitário seguido de um trio de blocos e, logo após, dois blocos juntos. A regra é que deve haver, obviamente, espaços entre esses blocos (sem os espaços, se trataria de um único bloco), sendo o mínimo de um quadradinho.

É com essa regra básica que podem ser formados inúmeros puzzles. É bastante simples de aprender, mas difícil de aplicar com maestria. Considere, por exemplo, um tabuleiro 10 x 10 com uma coluna 1 1 1. Sem ter qualquer outra pista, é impossível determinar quais blocos serão pintados e quais blocos deixados em branco. É daí que o jogador deve começar a combinar os números dados pelas colunas e linhas e determinar os blocos que sempre serão preenchidos. Por exemplo, se houver uma linha 10 nesse mesmo tabuleiro, é perceptível que toda ela será preenchida, o que dará um suporte na resolução de todo o problema.

Temos que completar todos os puzzles!

Pokémon Picross retoma as regras clássicas dos nonograms e as une ao universo Pokémon de uma maneira bastante criativa. Os puzzles formam desenhos de Pokémon e, ao serem completados com sucesso, funcionam como uma captura do monstrinho retratado.
O tutorial do jogo é guiado pela Professor Tetra, uma pesquisadora Pokémon. Ela dá uma enorme assistência nos puzzles da Area 00 (onde fica situado seu laboratório) para que o entendimento da mecânica seja efetivo. Os puzzles dessa área formam diversos itens da série original, como Poké Balls e Repels. Após completar essa primeira seção, a professora premia o jogador com Squirtle e Eevee que serão bastante úteis na Area 01.

A partir de então, quase todos os quebra-cabeças em frente envolvem os monstrinhos de bolso em si. Completar um nível significa capturar mais um Pokémon, seguindo a frase icônica da série: “Temos que pegar todos!”. Certamente essa frase continua tendo um apelo enorme na jogabilidade de Pokémon Picross.
O monstrinho mais querido de todos é um dos primeiros desafios.
Os níveis encontrados no mundo trazem, além do puzzle em si, algumas missões. Em geral, elas tratam de um tempo máximo a ser alcançado e especificações quanto aos Pokémon utilizados durante a resolução dos problemas.

Os Pokémon obtidos podem ser utilizados de uma maneira bastante simples. Cada um conta com uma habilidade especial, num total de 12 diferentes. Enquanto algumas ajudam a revelar quadradinhos do puzzle logo antes de se começar a pensar nele, outras corrigem quando se preenche algo errado e outras lidam com tempo, desacelerando-o ou mesmo congelando-o por um curto período.
Hyper Scan é a habilidade especial de Lucario, que
corrige alguns quadrinhos se preenchidos erroneamente.
Como se tratam de poucas habilidades, elas são compartilhadas por vários monstrinhos. Embora não sigam uma sequência lógica exata, percebe-se que de acordo com a raridade deles, o poder dos movimentos aumenta. Daí, o movimento Blue Force de Vaporeon, por exemplo, é mais duradouro que o de Squirtle.

Mesmo com esses truques bastante úteis, o que conta mais durante a maioria dos puzzles é a habilidade de raciocinar do jogador. De qualquer forma, poucos movimentos têm efeitos permanentes — em suma, os mais úteis. Além disso, raros são os monstrinhos que não precisam descansar após uma batalha, e os que não têm essa necessidade não são muito poderosos. De maneira geral, quanto mais útil for o movimento, maior o tempo de espera para poder utilizar o Pokémon novamente.

O preço do gratuito

Como diversos jogos lançados recentemente, como Pokémon Shuffle e Pokémon Rumble World, Pokémon Picross é um freemium. Daí, é possível conseguir jogar por um bom tempo sem precisar pagar, mas chega uma hora em que isso é relativamente necessário. A moeda do jogo se chama Picrite. Os Picrites são dados aos montes no começo do jogo, porém, após Tetra voltar ao seu laboratório, as recompensas por cada puzzle passam a ser bem pequenas.

Para passar entre as áreas, é preciso pagar uma quantia crescente de Picrites. Alguns puzzles após começar a jogatina, eles estarão quase zerados. Afinal, a moeda do jogo tem diversas utilidades: desbloquear novos puzzles, criar Mega Pencils (necessários para criar as Mega Evoluções) e recarregar os Pokémon, pois a maioria precisa descansar após ser utilizada em um puzzle.
Mega Pencils são bastante caros: custam 500 Picrites.
Como em Pokémon Rumble World, há um limite de compras dentro do jogo. A partir de 5000 Picrites, não é mais possível adquirir a moeda — nem necessário. Para quem tem eShop BR, comprar essa quantidade de Picrites custa em torno de R$ 50,00. Entretanto, para os que têm eShop estadunidense, o preço mínimo ultrapassa os US$ 30,00, o que pode ser mais difícil de arcar considerando a cotação do dólar atual.

Diversão garantida

O jogo traz gráficos que variam entre os 8-bits e visuais atuais e conta com uma trilha sonora retrô bastante agradável. Os sprites dos Pokémon, após capturados, são os mesmos formados nos puzzles, mas com direito a cores. Embora alguns sejam difíceis de identificar, principalmente os de tabuleiros 20 x 15, eles são bastante icônicos devido a uma maior precisão no desenho do monstrinho.
Treecko foi feito em um tabuleiro 10 x 10, enquanto Celebi em um 20 x 15.
Puzzle é um gênero bastante abrangente, então é difícil achar alguém que não goste de alguma de suas vertentes. De qualquer forma, o jogo é uma boa aposta e atende bem aos requisitos para ser um freemium de sucesso no 3DS. Se você gosta de pensar um pouco mais, não deixe de conferir a obra prima que é Pokémon Picross na eShop do seu portátil!

Prós


  • Jogatina divertida e uma boa alternativa em relação aos demais do gênero;
  • Nível de dificuldade não desmotiva nem torna os puzzles enfadonhos;
  • Temos que completar todos!

  • Contras


  • O tempo de espera de certos Pokémon é muito longo;
  • A compra de Picrites se torna obrigatória após um certo período.

  • Pokémon Picross — Nintendo 3DS — Nota 9.0
    Revisão: Luigi Santana
    Capa: Daniel Serezane
    Robson Júnior é graduando em Ciência da Computação pela UFCG. No Blast, atua como diretor de redação e revisor. Reserva algum tempo para jogar, ler e escrever, algumas de suas paixões. Você pode encontrá-lo no Twitter e no Alvanista.

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