#Pokémon20th: O início da aventura

Faltando um mês para seu aniversário, relembre como começou uma das maiores febres mundiais: a franquia dos monstrinhos de bolso.


Em 1996, a ideia de uma mente brilhante foi transformada em realidade na pequena tela do Game Boy japonês. Os desenvolvedores por trás do tal projeto não tinham noção do sucesso que ele iria proporcionar à sua empresa: torná-la conhecida internacionalmente e gerar uma franquia multibilionária. Pokémon Red Version e Pokémon Green Version foram o pontapé inicial para a criação de um fenômeno cuja influência atingiu de certa forma todos os gamers atuais, quase vinte anos depois do lançamento original.

Quem tudo começou

Quando criança, Satoshi Tajiri adorava colecionar insetos. Com o tempo, veio a urbanização e ele percebeu que esse hobby não poderia ser aproveitado pelas próximas gerações pela falta de espaços para sua prática, mas ele queria encontrar alguma forma de compartilhar essa diversão com todas as outras pessoas. Na escola, o garoto não podia ser considerado um estudante aplicado — seu vício em videogames falava mais alto do que sua vontade de estudar. Seu interesse nessa crescente indústria fez com que ele começasse a revista Game Freak, voltada à sua era arcade dos jogos, na década de 1980.

Ken Sugimori, um jovem ilustrador, foi uma das outras pessoas que primeiro se interessaram nessa publicação e se envolveram nesse projeto, que evoluiria na vontade de criar os próprios jogos. Nesse momento, a Game Freak foi transformada em uma empresa de desenvolvimento de videogames. Em uma das suas primeiras ideias, Satoshi observou a utilidade do Cabo Link do Game Boy, recém-lançado portátil da Nintendo. Considerando o seu antigo hobby e as possibilidades ainda não pensadas para a conectividade do pequeno console, nascia a franquia Pokémon.
Uma das primeiras artes conceituais da franquia Pokémon por Ken Sugimori.
De 1990 a 1996, a equipe trabalhou intensamente nessa iniciativa, enfrentando diversas dificuldades técnicas e financeiras. Com o apoio de gênios do mundo nintendista, como Shigeru Miyamoto, Pokémon Red Version e Pokémon Green Version foram finalmente lançados em 27 de fevereiro de 1996 nas terras nipônicas.
As capas dos jogos iniciaram a tradição do mascote para cada versão.

As vendas dos dois jogos foram de certa forma mornas por algum tempo, mas a presença de um 151º Pokémon — de cuja existência a própria Nintendo não fazia ideia — escondido por programadores no código do jogo fez o interesse da população japonesa no jogo aumentar. Afinal, quem não gosta de um pouco de mistério acerca dos segredos ocultos em um jogo?

Temos que pegar!

Ambas as versões do jogo traziam um jovem protagonista que sai em sua jornada para obter o título de Pokémon Champion de sua região, chamada Kanto. Enquanto viaja, o jogador explora as rotas que ligam as cidades em busca de Pokémon, monstrinhos que podem ser coletados em pequenas cápsulas, as Poké Balls. O fato delas serem portáteis é o que dá o nome à franquia, Pocket Monsters (monstros de bolso).

A busca pelos Pokémon vai além de uma mera coleção, afinal o protagonista tem que enfrentar diversos treinadores e derrotar oito Gym Leaders para conseguir o direito de enfrentar a Elite Four, uma equipe com especialistas no assunto. Por causa disso, os monstrinhos apresentam níveis e stats próprios que podem ser melhorados ao serem utilizados em batalhas e até mesmo evoluir em formas melhoradas e mais poderosas.

Ampliar o número de espécies de Pokémon diferentes e treiná-las adequadamente é a chave para obter o almejado título. Entretanto, além de derrotar os treinadores pelo caminho, era necessário capturar cada um dos monstrinhos para poder afirmar que havia realmente “zerado” o jogo. Quando um Pokémon é obtido, ele é registrado automaticamente na Pokédex, uma espécie de enciclopédia digital, que conta com informações variadas de cada um.
A primeira Pokédex, modelo HANDY505
O Cabo Link, que tanto chamou a atenção de Satoshi Tajiri, era utilizado para fins que envolvem ambos os aspectos: treinador e colecionador: com esse apetrecho, jogadores podiam conectar seus jogos entre si. A partir daí, travar batalhas com níveis acima dos desafios encontrados nos jogos e também trocar Pokémon com os amigos era bastante simples e prático, uma utilidade ainda não bem explorada do cabo.
Wireless? Só na terceira geração.

Essa conexão era possível entre quaisquer versões, o que era inclusive necessário para completar a Pokédex, pois Red e Green contavam cada um com alguns Pokémon exclusivos e que não podiam ser encontrados na versão oposta. A busca incansável pelos monstrinhos foi o que criou o motto que persiste até hoje: temos que pegar todos.

Embora resumida, essa foi a base da mecânica proposta por Pokémon Red & Green. Esse estilo de jogo é utilizado até hoje e aprimorado a cada lançamento na linha original da franquia, além de ter originado vários spin-offs e influenciado diversos desenvolvedores em suas próprias criações.

Do Japão para o mundo inteiro

Ainda em 1996, Pokémon Blue Version foi lançado no Japão trazendo correções de bugs, melhorias gráficas e sonoras e algumas diferenças pontuais, afinal era o lançamento de uma versão única. Mesmo assim, esse terceiro título da franquia não trouxe todos os Pokémon capturáveis na região de Kanto: ainda era necessário pegar alguns do par de jogos inicial.

Foi a partir dessa versão revisada que a partir de 1998 o resto do mundo recebeu o lançamento de Pokémon Red Version e Blue Version, bem ao final da vida útil do Game Boy — o que não impediu que fosse um sucesso comercial no resto do globo. O êxito da franquia nos videogames acompanhou a aclamação do anime baseado nos jogos, expandindo os horizontes de Pokémon em números inimagináveis.
As versões americanas que rapidamente se eternizaram no coração dos gamers.
Os gráficos em 8-bits e sem cor do Game Boy não foram suficientes para passar algo que realmente lembrasse o anime, mas com a constante evolução dos portáteis da Nintendo, os Pokémon foram retratados cada vez mais próximos ao que se via na tela da TV. As novas interatividades foram permitindo, ao longo dos anos, a conexão mundial entre os jogadores, eventos com distribuição de Pokémon raros e a evolução do metagame proposto pelos primeiros lançamentos.
Com uma lista que passa atualmente dos 700 monstrinhos de bolso, a franquia Pokémon se tornou uma verdadeira marca comercial. Spin-offs, pelúcias, camisetas, TCG e o desenho animado são apenas algumas das heranças deixadas por uma equipe de pessoas brilhantes por trás do nascimento de uma febre mundial. Se depender dos milhões de fãs que foram conquistados por esse universo, a busca por ser um Mestre Pokémon nunca terá um fim — apenas constantes recomeços, para que se possa reviver o espírito de capturar todos mais uma vez.
Revisão: Gabriel Verbena
Capa: Felipe Araujo
Robson Júnior é graduando em Ciência da Computação pela UFCG. No Blast, atua como diretor de redação e revisor. Reserva algum tempo para jogar, ler e escrever, algumas de suas paixões. Você pode encontrá-lo no Twitter e no Alvanista.

Comentários

Fórum
Google+
Facebook


Últimas do Fórum

Ver mais

No Facebook

Ver mais