Blast from the Past

Pikmin 2 (GC/Wii) e o charme de seu planeta único

Porque o mundo descoberto por Capitão Olimar é tão interessante?

Se é fácil lembrar da Nintendo e de Shigeru Miyamoto por Mario, Zelda e Star Fox, é mais difícil lembrar dos mesmos por terem criado Pikmin. Mas é compreensível que a franquia do astronauta enfrentando insetos gigantes não tenha grande destaque na mídia ou grande peso em vendas em meio a encanadores, heróis do tempo e bichos em naves espaciais.

Talvez, a maioria das pessoas - como eu - deva ter conhecido Capitão Olimar e seus pikimins através da série Smash Bros. Mas afinal, o que há em Pikimin que o fez ter duas sequências além de um jogo de 3DS anunciado para 2017? Por que Miyamoto continua participando de novos conteúdos relacionados a série - como os curtas - enquanto há tantas outras franquias da Nintendo para serem trabalhadas? Tudo isso não deve ser à toa.


Portanto, decidi dar uma chance e ver o que havia por trás da capinha colorida e amável do jogo. O primeiro Pikmin foi lançado em 2001 para Game Cube, com sua sequência sendo lançada em 2004, para o mesmo console. No ano de 2009, os dois jogos foram relançados para Wii com suporte ao Wiimote. Em 2013, Pikmin 3 foi publicado como título de lançamento do Wii U. Dentre todos esses jogos, decidi começar pelo Pikmin 2 (explicarei o motivo da escolha à frente).

Mas antes de partirmos de Hocotate, planeta natal do Capitão Olimar, rumo ao planeta RNF-404, é interessante rever alguns conceitos utilizados em outras franquias da Nintendo, como Mario, Zelda e Metroid para pensar de que formas Pikmin digeriu conceitos que a empresa já vinha trabalhando.

The Legend of Zelda: Majora’s Mask é considerado pelos jogadores um dos melhores jogos da franquia. Além do sistema de máscaras e sidequests interessantes, o jogo chama a atenção pelo sistema de tempo, no qual Link possui um ciclo de três dias para explorar Termina. Assim que o período acaba, o jogador volta no tempo, recomeçando a contagem. O que a princípio parece uma limitação, faz com que o jogador crie uma certa “estratégia” para explorar o mundo e conseguir atingir seus objetivos.


Já nos títulos 2D da série Metroid, temos jogos construídos que incentivam os jogadores a explorarem os mapas várias e várias vezes para avançar na história e obter recompensas. A ideia é sempre pegar itens que são usados em diferentes pontos do mapa, abrindo maiores possibilidades de exploração. Esse tipo de design ganhou até um termo específico, chamado de “Metroidvania”.

A famosa franquia Mario, por sua vez, chama atenção por diversos atributos, porém poucos comentam da sua excelente curva da dificuldade. A partir de Super Mario World, do SNES, podemos dizer que os jogos são divididos em dois níveis de dificuldade: se você jogar até o fim, provavelmente atingirá o objetivo final de forma agradável, inclusive jogando multiplayer nos mais recentes com certa tranquilidade. Porém, se for tentar coletar todos os itens, fazendo 100% dos colecionáveis do jogo, você encontrará grande dificuldade - até porque, para terminar tudo, é necessário passar por mundos extras que são extremamente difíceis.


Hora de irmos, finalmente, para Pikimin. Pikmin 2 é uma sequência direta do primeiro na qual Capitão Olimar volta ao seu planeta após escapar de RNF-404. Ao chegar em Hocotate, depara-se com a empresa a quem prestava serviços totalmente falida, sendo forçada a vender tudo que possui. Seu presidente percebe que a carga que trouxe do outro planeta pode ser vendida por um alto preço, então ordena que seu funcionário, acompanhado por Louie, outro trabalhador, volte ao planeta RNF-404 com o objetivo de coletar mais tesouros e debitar a dívida.

É aí que a aventura começa. O jogo possui quatro mapas principais, e cada um possui vários tesouros a serem coletados e inúmeros obstáculos. No local, existem diversos tipo de insetos que atacam Capitão Olimar e os pikimin. Há também um tempo máximo para exploração da área, que é de um dia (equivalente a cerca de 15 minutos). Depois do pôr do sol, insetos mais fortes surgem, por isso é necessário colocar sua nave em órbita.


Você comanda até cinco tipos de pikmins: vermelhos, azuis, amarelos, brancos e roxos. Cada um possui resistência contra um elemento: os vermelhos são resistentes a fogo, azuis conseguem entrar na água, amarelos não tomam dano de eletricidade, brancos são resistentes a veneno e roxos têm maior força. A força é importante para carregar coisas, afinal, todo tesouro, flor e inseto morto, possuem um peso para ser levado para a nave. Com os tesouros coletados, ganha-se dinheiro para quitar o débito, e com as flores e insetos é possível criar mais pikimins.

A partir daí o jogo começa a tomar uma forma única: é preciso administrar os pikimins comandados, no total de 100, conforme seu objetivo no mapa, que precisa ser bem calculado, afinal você tem até o fim do dia para explorá-lo. Os inimigos possuem padrões de ataque e defesa diferentes, requirindo conhecer cada um deles e utilizar a estratégia correta para que seus bravos soldados não morram à toa. O jogador pode dividir o controle entre Olimar e Louie, de modo que você consiga realizar dois objetivos diferentes conforme joga. Além disso, é necessário passar por obstáculos específicos com pikimins específicos (como cercas de fogo, cercas eletrificadas e trechos com água), para conseguir chegar e carregar os valiosos tesouros até a nave. Tesouros esses que são coisas comuns de nosso dia a dia, como tampas de garrafas, restos de comida, pequenos itens eletrônicos, entre outras coisinhas.


Outro ponto interessante do jogo é o sistema de dungeons presentes nos mapas, nas quais o tempo não avança. São divididas em diversos andares e possuem enormes quantidades de tesouro. Em contrapartida, no fim sempre há um inseto mais poderoso e, durante o caminho, não é possível chamar mais pikimins de sua nave, tornando o processo mais difícil.

Se coletar dinheiro suficiente para saldar sua dívida e salvar a companhia é uma tarefa relativamente tranquila - é possível fazer isso no terceiro mapa - explorar e coletar tudo de RNF-404 (que mais se assemelha com o planeta Terra sem humanos) leva tempo. São cerca de 200 tesouros espalhados pelo mapa, protegidos por inimigos mais e mais fortes - Não se deixe enganar pelo clima colorido do jogo, há batalhas que chegam a durar uma média de dez minutos. Não há limite de tentativas para realizar toda essa exploração (ao contrário do primeiro jogo, no qual o jogador possui no máximo 30 dias para completá-lo - e foi por isso que optei começar pelo segundo). Durante a jornada é possível encontrar itens que facilitam a vida do Capitão Olimar, ajudando na exploração e deixando-o mais resistente a golpes de inimigos.

Pikmin consegue reunir elementos incríveis em seu gameplay. É um misto de estratégia  em tempo real nas batalhas, com exploração nos mapas. Além disso, o design de cada inseto é muito bem trabalhado, de modo que não é difícil de imaginar que daqui milhares de anos existam bichos semelhantes perambulando pelo planeta.

Embora, a princípio, não pareça chamar muita atenção, faço um apelo para que joguem Pikmin. Todos os jogos possuem as características citados nesse texto (com exceção de um elemento ou outro), portanto pode-se jogar qualquer um deles para encontrar essa experiência. Experiência que consegue juntar o que videogames possuem de melhor, criando uma atmosfera incrível e única.
Guilherme Almeida , também conhecido como SkSonicSk, escreve para o Hyrule Legends. Fã da Nintendo (mesmo com Sonic no nickname!) e de Zelda, pretende ser produtor de jogos no futuro e, quem sabe, produzir algo para a empresa que tanto ama. Às vezes, reclama no Twitter.

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