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Análise: Beach Buggy Racing (Switch) tem boas ideias, mas também várias falhas

O jogo de corrida com trapaças da Vector Unit peca pela repetição e por ser uma proposta simples demais para consoles de mesa.

Mario Kart é uma franquia influente desde o início dos anos 1990, não apenas por criar um novo gênero — o de corridas de veículos com trapaças —, mas também por estar sempre na vanguarda de boas ideias e, a cada iteração, apresentar a melhor experiência que o gênero tem a oferecer.


Assim sendo, naturalmente aparecem outras propriedades intelectuais que tentam seguir as estradas trilhadas pelo pessoal do Reino do Cogumelo, seja copiando o estilo ou adicionando novas ideias a um gênero que, às vezes, parece engessado. É nesse espírito que surge Beach Buggy Racing, que tenta abocanhar uma fatia do mercado, principalmente em plataformas não Nintendo. Será, contudo, que o resultado final é bom o suficiente?

Mudando de tela

Beach Buggy Racing é um jogo que nasceu nas plataformas móveis (Android e iOS) como uma versão aprimorada de Beach Buggy Blitz, jogo de corrida infinita — com carros! — lançado também para estas plataformas e feito pela mesma equipe. A Vector Unit, desenvolvedora de ambos, por ter sucesso em suas empreitadas, logo decidiu portar a experiência do título para os consoles. O jogo chegou primeiro ao Xbox One e PlayStation 4 e, agora, é lançado para os donos do Nintendo Switch.

Chegar à plataforma da Nintendo é um passo interessante para o jogo, principalmente por conta das capacidades portáteis do console híbrido. No entanto, um game do gênero precisa de muita inovação para parecer interessante em um console que já conta com o deslumbrante Mario Kart 8 Deluxe. E se, por um lado, felizmente Beach Buggy Racing custa bem menos que o jogo da Big N, por outro, seu motor engasga ainda nas primeiras curvas.

Nem tão bem ajustado

Beach Buggy Racing (BBR, para encurtar) tenta traduzir para os consoles a experiência vista no mobile. Positivamente, temos um título que roda de maneira fluida, a 60 fps, mesmo no multiplayer para dois jogadores. Os visuais são bonitos na tela da TV (e na do Switch), sem parecerem esticados e com pixels estourados depois da ampliação da imagem. Não é nada que impressione, mas o jogo fica charmosamente parecido com um jogo de sexta geração (do PS2, GC e Xbox) em alta definição.
O lado negativo dessa transposição fica na parte que a Vector Unit “tirou o pé do acelerador”. Apesar de tentar se adaptar ao Switch, oferecendo suporte a multiplayer com um par de Joy-Cons, não há qualquer outra característica que utilize as funcionalidades do console. Jogos de corrida com sensores de movimento não são adorados por muita gente, então essa pode ser uma ausência justificável, porém BBR praticamente não faz uso dos controles de vibração (a não ser em raros momentos em que o rumble parece se ativar de modo rápido e aleatório).
A divisão de Joy-Cons é a única coisa que se adequa às características do Switch.
Duas ausências muito sentidas no jogo são modos online e, por incrível que pareça (uma vez que o jogo nasceu nos celulares), suporte à tela de toque. Por se tratar de um game leve, com tempos de carregamento bem curtos, torna-se proveitoso para uma jogatina portátil. No entanto, por algum motivo a Vector Unit derrapou em não adaptar tal função para o console da Nintendo.

Potencialmente bom

Ao ser iniciado, BBR dá opções de jogatina em multiplayer, corrida rápida, campeonatos e modo carreira. O multiplayer permite jogar com até quatro jogadores localmente. Como o jogo mantém poucos elementos no cenário, em momento nenhum o jogador sente que seu espaço está muito pequeno, mesmo em tela dividida . A exceção óbvia, contudo, fica para a jogatina de três ou quatro pessoas na tela do Switch.
Os modos de jogo.
Apesar de o jogo contar com vários estilos de corrida (como detalharemos mais à frente), por algum motivo a Vector disponibilizou para o multiplayer apenas a corrida tradicional. A simples adição de outros estilos poderia manter os jogadores interessados por mais tempo.

O ponto de maior interesse em BBR é o modo carreira. Nele, o jogador tem apenas um personagem disponível, podendo escolher qualquer veículo a qualquer momento. Ao vencer os desafios propostos, uma classificação de uma, duas ou três estrelas é dada, a depender do desempenho. Ao final de cada nível, um personagem bloqueado lhe desafia e, se vencido, fica disponível para ser controlado nos níveis seguintes.
O melhor é que o jogador não é obrigado a apenas apostar corridas para prosseguir no modo carreira. Vez ou outra aparecem desafios de destruição de obstáculos ou veículos, corrida contra o tempo e até de eliminação, no qual o último colocado é desclassificado a cada 15 segundos. Infelizmente (e inexplicavelmente) não é possível jogar o modo carreira em multiplayer.

A cada desafio completado no modo carreira, uma quantidade de dinheiro é dada ao jogador, para que este melhore seu veículo, aumentando características de aceleração, velocidade máxima, dirigibilidade e força. Apesar de interessante, a medida pouco influencia no gameplay, uma vez que o nível de dificuldade da inteligência artificial aumenta significativamente à medida que o jogador progride na profissão.

Colocou todos os atributos do seu carro no nível máximo? Prepare-se pra ter inimigos mais rápidos, que conseguem te acertar itens com cada vez mais frequência. E, se você não melhorar o veículo, seus oponentes virtuais ficarão sempre mais rápidos — um recado do jogo para que o jogador faça uso do sistema de upgrades.
O modo de campeonatos não difere muito do modo carreira, mas se mescla com ele de forma bem interessante. A ideia é que o jogador vença um torneio de quatro pistas, tendo a sua disposição um veículo preestabelecido e um dos personagens já liberados no modo carreira. O dinheiro ganho nos campeonatos ainda pode ser usado para melhorar o veículo no outro modo.

Várias opções, muita repetição

Beach Buggy Racing conta com 27 itens para serem usados na zoeira das pistas. Há aqueles com as já esperadas funções em um jogo do gênero, como os mísseis que saem em linha reta e os que perseguem o próximo colocado, mas também há alguns bem criativos, com destaque para o Low Gravity, que diminui a gravidade para todos os veículos à frente do jogador, ou o Angry Bull, que dá ao carro de quem o usa chifres e a capacidade de atropelar qualquer coisa no caminho, sejam oponentes ou partes do cenário.
Durante a corrida, é possível ficar apenas com um item por vez. Além disso, cada personagem possui um power up especial único, que vai sendo carregado à medida que o jogador corre. Esses especiais são muito bem-vindos, porém só podem ser usados uma vez por corrida — por outro lado, a inteligência artificial utiliza várias vezes em determinados desafios.

BBR soma ainda 15 pistas únicas. Apesar de não ser um número grande, casa bem com o porte do jogo. O problema é que, seja nos campeonatos ou na carreira, as pistas são repetidas várias e várias vezes. Conforme o jogador progride nos modos, novas pistas vão aparecendo. O problema é que, até que o corredor chegue a liberar alguma, já jogou as outras tantas vezes que enjoou.

As músicas sofrem do mesmo problema. A equipe da Vector Unit conseguiu criar excelentes composições para o game, com bastante uso de guitarras para dar um ar praiano em um surf music acelerado. Contudo, as faixas são curtas e, naturalmente, perdem o brilho depressa, ainda mais considerando que o jogo conta com poucas composições e que estas se repetem independentemente da pista escolhida.

Divertido, por pouco tempo

Infelizmente Beach Buggy Racing, além dos defeitos já apresentados neste texto, também não está imune a bugs. A jogatina flui bem na maior parte do tempo, mas vez ou outra o seu veículo se choca ao de um oponente e eles se grudam por um tempo. O pior mesmo foram as duas vezes em que o jogo simplesmente fechou em nossos testes, exibindo uma mensagem genérica de erro.

Apesar de tudo que foi falado aqui, Beach Buggy Racing é um jogo divertido. Os designs das pistas, os itens criativos e as músicas fazem o jogador se empolgar por algum tempo. O problema é que a empolgação não dura muito, e o game cai logo no esquecimento. Se o jogador já tem Mario Kart 8 Deluxe, é entusiasta do gênero e tem US$ 10,00 sobrando, ou se não tem à disposição os US$ 59,99 cobrados no Mario Kart, BBR pode ser uma boa opção. Só é importante que o jogador não crie grandes expectativas.

Prós

  • Trilha sonora empolgante;
  • Itens e seus efeitos trazem variedade ao gênero.

Contras

  • Pistas, músicas, itens e modos se repetem e diminuem a longevidade do jogo;
  • Não aproveita as características do console, como tela de toque e vibração dos controles;
  • Nível de dificuldade mal ajustado;
  • O jogo ainda tem muita cara de jogo mobile.
Beach Buggy Racing — Android, iOS, PS4, XBO, Switch, PC — Nota: 6.0
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Bruno Alves
Vitor Tibério é amante de jogos eletrônicos desde que bateu os olhos em alguns pixels do NES. Hoje leva a sério as disputas de Mario Kart mas tem um (enorme) espaço no coração reservado à franquia Zelda. Já jogou e rejogou quase todos os games da série e não consegue parar de explorar a Hyrule de Breath of the Wild.

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