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Análise: Super Mario Odyssey (Switch) é uma mistura de nostalgia e novidades com o gosto de quero mais

Odyssey é o somatório de acertos de seus games anteriores mais novidades muito bem-vindas.







Desde o primeiro trailer lançado em janeiro no canal oficial da Nintendo no YouTube — que mostrou um game totalmente diferente do Mario na tela da TV — não parou mais de se falar sobre. De lá para cá, a Nintendo veio aos poucos nos apresentando o novo game do ex-encanador na medida certa. O jogo traz um formato diferente — não tanto quanto The Legend of Zelda: Breath of the Wild (Wii U/Switch), porém Odyssey acertou tanto que concorre à categoria de jogo do ano. Prepare-se para viver uma verdadeira odisseia.

Partiu salvar a princesa

De várias formas o novo game do bigodudo nos surpreende, com vários motivos nos cativa e prova o seu valor. Isso nunca foi tão forte e verdadeiro como agora em Super Mario Odyssey (Switch), que continua com seu roteiro clichê: mais uma vez temos que salvar a princesa Peach do seu eterno rival, Bowser. Contudo, este game tem um charme único, pois não é toda hora que podemos ver Bowser e Peach trajados para um casamento.




O game já começa com uma cutscene te introduzindo ao roteiro, no qual você é jogado no Cap Kingdom — Reino do Chapéu — e conhece um novo amigo, Cappy, que precisará da sua ajuda da mesma forma que você irá precisar da dele, já que a “tiara” que está na cabeça da princesa é na verdade a sua irmã, que também foi raptada por Bowser.


It’s me, T. Rex!

Diferente de seus jogos anteriores, Odyssey trouxe uma mecânica nova. Cappy é a palavra chave: lançando o chapéu aos mais diversos lugares, é possível interagir de várias maneiras, seja utilizando-o como uma plataforma para alcançar lugares mais distantes, seja com o que o torna tão especial: a habilidade de captura. Com ela Mario é enviado por uma espécie de dimensão para dentro dos minions de Bowser entre outros nos reinos, assumindo o controle deles. E o melhor, isso acontece nos primeiros minutos do game. Já imaginou controlar um Tiranossauro Rex de bigode e chapéu do Mario? Aqui você pode tornar esse sonho uma realidade.






Não posso deixar de comentar como é incrível cada detalhe nas capturas, como o gameplay muda, apesar de algumas mudanças serem bastante sutis entre as mais de cinquenta opções de transformações. Todas têm o seu charme e servem para um propósito. Já imaginou controlar os poderosos Bullet Bills e voar para onde quiser? Ou quem sabe chegar a um ponto mais alto empilhando diversos Goombas? Então, aqui está a sua chance, a criatividade é o seu limite.



Aprendendo com Breath of the Wild, Odyssey te joga direto no controle de Mario e Cappy, com poucas instruções mostradas na tela. Quer aprender logo de início? Ok, sem problema, aperte o botão “+” e selecione “Action guide”, um guia simples e intuitivo com todos os comandos. Quer aprender no decorrer do game? Ok também, Cappy irá lhe ajudar, em uma pequena telinha no canto inferior esquerdo ou direito mostrará como se faz nos primeiros momentos em que se fizer necessário utilizar tal habilidade.


Moons para dar e vender

Neste game, você irá viver uma verdadeira odisseia, por isso, Mario irá contar com Odyssey, um transporte em forma de cartola totalmente estiloso. Contudo, para a Odyssey se locomover será preciso adquirir algumas Power Moons aquelas luas que vimos em tantos trailers, pois as usa como forma de combustível. As moons são o ponto chave para Mario e Cappy chegar a reinos mais distantes, que requerem um número cada vez maior dessas luas. Você pode pegar a quantidade necessária para partir para outro reino ou se explorar o reino ao extremo, e encontrar todas as moons escondidas. Uma coisa é certa: você se pegará pensando “só mais uma lua” diversas vezes até perceber que foram dezenas de luas a mais.






Além das moons, que não são poucas, ainda temos as moedas regionais, que são moedas roxas e com um visual padrão de seu reino, alguns com 50 moedas, outros com 100. Elas compram itens — trajes para Mario e souvenirs para decorar a Odyssey — exclusivos de cada reino nas lojinhas Crazy Cap vendidas por seus carismáticos habitantes.





Espere encontrar reinos bem diferentes e divertidos ao extremo, cada um com suas peculiaridades e cheios de nostalgia. De um deserto congelado, ou uma terra cheia de ilhas cercadas por cachoeiras lindas até uma cidade intensa e movimentada, de paraísos aquáticos a uma batalha no céu, Odyssey lhe traz os reinos ou “mundos” mais legais de toda a série.



Belo, lindo e fotogênico

Como diretor de arte, posso dizer que Super Mario Odyssey é uma obra-prima, cheio de detalhes e texturas feitas com muito carinho e dedicação. Como gamer, digo que possui um visual incrivelmente estonteante, quase inacreditável para uma plataforma híbrida como o Nintendo Switch. As cores se espalham de forma magnífica e em equilíbrio. Efeitos nas areias de Tostarena me fazem querer parar o game e admirar todo o ambiente ali projetado. As águas cristalinas de Lake Lamode mostram que o Switch tem muito poder e ninguém melhor que a própria Big N para mostrar essa força.





A trilha sonora é realmente perfeita, e é mais quesito aprendido com Breath of the Wild. Elas imergem o jogador nos reinos, trazendo todo potencial que aquele mundo pode nos trazer e nos fazer sentir parte dele, isso sem mencionar as melodias clássicas apresentadas em diversos momentos. Além disso, pela primeira vez na franquia há uma canção cantada: Jump Up, Super Star é viciante, e foi com ela que a Nintendo abriu o evento de lançamento com direito a dançarinos em Nova Iorque.

A cada reino, uma paisagem maravilhosa, uma estrutura rica e cheia de detalhes. Luz e sombra dançam de uma forma surpreendente, trazendo uma sensação maravilhosa e perspectivas incríveis. É difícil encontrar erros, por mais que procure. Nostalgia chega a seu ápice quando você entra em um dos canos verdes e vai parar em uma plataforma em 8-bits, levando-nos ao tempo do Famicom. Não deixe de explorar o “mundo” 8-bits, existem diversos extras escondidos neles em harmonia ao design do “mundo” 3D.



Com tudo isso, a Nintendo sabia que ficaríamos de boca aberta com tanta beleza e que desejaríamos usar estas imagens em redes sociais e mostrar a todos o que estamos jogando e o quão divertido e bonito o jogo é. Entendendo isso, a Big N nos entregou o Snapshot mode, recurso que nos permite parar o game e dar uma de fotógrafo com direito a movimentar a câmera em diversos ângulos pondo nossa criatividade à prova.


Extras e mais extras

Apesar de possuir uma boa quantidade de colecionáveis, Super Mario Odyssey nos traz uma boa quantidade de conteúdo extra, como minigames com direito até a ranking mundial, como alguns já apresentados na E3 2017, como pular corda em Metro Kingdom.



Além dos minigames, temos um pós-game gigantesco com muitas surpresas e mais horas de jogatina. Confesso que meu queixo quase caiu com a quantidade de coisas que temos para nos divertir. Não posso esquecer de mencionar o armário do Mario: são diversos trajes, boa parte deles com uma pitada de nostalgia, enquanto outros são totalmente novos e um tanto polêmicos. Quando falamos em trajes, precisamos mencionar os amiibo, que liberam vestes bem bacanas — todos os trajes podem ser obtidos sem a ajuda dos amiibo — ou podem ser utilizados para nos dar dicas de onde estão aquelas moons mais difíceis de serem encontradas, ou seja, todos os amiibo podem nos ajudar nesta odisseia maravilhosa.

Super Mario GOTYssey

Realmente é difícil encontrar pontos negativos em Odyssey, mas dois pontos poderiam ser melhorados. O primeiro deles é a câmera, que em alguns lugares apertados acaba atrapalhando a jogatina e até mesmo “bugando”. Lembro de estar em Wooded Kingdom, coletando as moedas regionais e, por estar em uma área bastante apertada, a câmera ficou bem em cima do Mario, e mesmo movimentando a câmera ela não conseguia sair de perto. Resultado, o Mario ficava quase invisível, e por isso ele atravessava as moedas. Eu tive que entrar e sair do local algumas vezes, até a câmera mudar sua posição. O segundo ponto é sobre os controles de movimentos. Alguns são inacessíveis ou impraticáveis em uma batalha. Por exemplo, o Spin Throw, que serve como ataque e defesa, que para ser executado sem os controles de movimentos você precisa fazer o Mario rodopiar com o movimento Spin enquanto lança Cappy. Ou executar Upward Throw e Downward Throw, movimentos que fazem o Mario lançar Cappy para cima e para baixo, respectivamente. Por favor, não me entenda mal, estes pontos não tiram em nada o brilho de Odyssey, tudo que este game tem a oferecer praticamente transborda em diversão, surpresas e nostalgia. Se você quer possuir um Nintendo Switch, esta compra é obrigatória.



Se você ainda não tem um Switch e gosta da Nintendo, você precisa obter um o mais rápido possível e desfrutar desta obra-prima, pois acredite, vale cada centavo, aquele sentimento de um negócio bem feito vem a cada reino visitado. Super Mario Odyssey é o melhor game da franquia Mario e merece cada título que vem recebendo. Resumindo, eu diria que Odyssey é uma mistura de nostalgia com novidades, o antigo e o novo se encontram e trazem um sabor totalmente novo!





Prós

  • Conteúdo gigantesco;
  • Grande variedade de colecionáveis;
  • Diversos reinos;
  • Inovação e nostalgia na medida certa;
  • Visual é uma obra de arte;
  • Boa diversidade e quantidade de capturas;
  • Conteúdo extra e pós-game;
  • Trilha sonora ímpar;
  • Campanha sólida e cheia de surpresas.

Contras

  • Câmera atrapalha às vezes;
  • Algumas ações são exclusivas do sensor de movimento.
  • Super Mario Odyssey — Switch — Nota: 10
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Leandro Alves
Leandro Alves é designer pós-graduado pela Unicarioca. Diretor editorial e diretor de artes das revistas GameBlast e Nintendo Blast, iniciou a sua paixão em The Legend of Zelda A Link to the past, fã da Nintendo, porém não esconde a sua satisfação pelo PlayStation e as series Kinhgdom Hearts, Pokémon, Final Fantasy, Uncharted e Naruto Storm. Está no Facebook, Twitter e Instagram.

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