Jogamos

Análise: Shin Megami Tensei: Devil Survivor (DS)

Lançado no Japão como um Megami Ibunroku , que significa que é um spin-off da série Shin Megami Tensei , Devil Survivor teve seu nome a... (por Walter Macieira em 24/11/2009, via Nintendo Blast)


Lançado no Japão como um Megami Ibunroku, que significa que é um spin-off da série Shin Megami Tensei, Devil Survivor teve seu nome alterado nos EUA por questões de padronização e popularização da famosa série de RPGs japoneses. Famosa por abordar temas polêmicos e religiosos de forma diferente, a franquia é uma verdadeira redenção para os amantes de jogos mais adultos e de nicho.

  • O destino de Tóquio

Shin Megami Tensei: Devil Survivor começa quando Naoya, um mestre em programação e primo do protagonista, marca um encontro com ele e seus dois melhores amigos, o aluno de computação, Atsuro, e a amante de música Indie, Yuzu. Naoya diz não poder comparecer ao compromisso e entrega a cada um dos jovens um COMP, Communication Player, um aparelho com diversas funções, como trocar e-mails e armazenar arquivos. Ao que parece, Naoya instalou um programa de segurança nos aparelhos, para testar as habilidades de seu melhor aluno, Atsuro. Ao destravar a segurança, os três COMPs recebem um estranho e-mail, com o nome de Laplace Mail. A estranha mensagem parece prever o futuro, citando 3 eventos que irão ocorrer mais tarde, naquele mesmo dia. Enquanto Atsuro quebra a cabeça para desvendar o sistema de seu professor, o protagonista e sua amiga decidem passar o tempo passeando pela cidade. Ao passar pelos arredores da área residencial de Aoyama, os dois descobrem que um jovem, vizinho de Naoya, foi assassinado por um animal carnívoro, tornando verídica uma das previsões do e-mail. Ao reencontrar Atsuro, o garoto diz ter eliminado a segurança, quando, de repente, o Demon Summoning Program se inicializa automaticamente e faz com que 3 criaturas saiam de dentro dos COMPs. Depois de sobreviverem ao ataque dos demônios, os garotos recebem um e-mail de Naoya sugerindo que sigam para o cemitério de Aoyama e lá, a segunda previsão do Laplace Mail se torna real. Pouco tempo depois, a força militar japonesa ergue uma barricada em volta da Yamanote Line, região urbana de Tóquio, alegando um escapamento de gás tóxico e inflamável, prendendo o herói e seus amigos dentro da cidade. Paceful days are over. Let’s Survive.



Um início que pode até ser visto como um tanto superficial, mas a trama se desenrola dee forma surpreendente e oculta. Muitas partes da história não vêm aos olhos e cabe ao jogador procurá-las. Os reais motivos da barricada, a história por trás do programa de invocação de demônios, até os próprios personagens contam com origens inusitadas que nem eles próprios imaginariam. Para ter acesso à trama completa, é necessário conseguir os 5 finais diferentes, característica convencional na série, cada um representando um destino diferente, não só para os envolvidos, mas para a sociedade como um todo.

  • Um novo jeito de lutar

No fator Gameplay, Devil Survivor apresenta duas partes básicas: Map Mode e Battle Mode. O primeiro representa o decorrer da história, os diálogos e eventos. É também onde os jogadores podem acessar as funções de seus COMPs. Um fator importante no Map Mode é a passagem do tempo. Cada evento com o ícone de relógio demora 30 minutos para ocorrer, é preciso que o jogador fique atento para determinados compromissos e eventos com hora marcada. Também existem eventos secretos, marcados com letra roxa, e muitos desses podem afetar a história do jogo. São nos eventos e nos diálogos que a trama desenvolve-se. O jogador pode dialogar com outros personagens, dando sua opinião, e também tem acesso ao Death Clock, um algarismo que flutua sobre a cabeça de cada um, representando os dias de vida que lhes restam.


O Battle Mode é representado unicamente pelas batalhas, que guardam o objetivo real do jogo: sobreviver. Os heróis utilizam dois programas homebrew presentes em seus COMPs para conseguir lutar de igual pra igual com os demônios. O Demon Summoning Program e o Harmonizer. O primeiro é um cliente que utiliza um servidor para realizar invocações de criaturas e deuses para lutar lado a lado com os inimigos. O segundo, ritimiza seus ataques e permite que usem magias. A jogabilidade nessa parte se dá em forma de um mistura inovadora. Os personagens se movem em um contexto de SRPG, semelhante aos sistemas de Final Fantasy Tactics ou Disgaea; a diferença se dá ao fato de os ataques não serem realizados no mapa. Ao invés disso, o jogo entra em uma batalha de RPG comum, em primeira pessoa, com até três unidades de cada lado, contando apenas com 1 turno de ataque para cada equipe, podendo-se conquistar outro turno extra ou fazer com que o oponente não possa lutar, atacando de longe, mas isso depende de variáveis externas. Também é possível usar magias de cura ou habilidades dos demônios nas partes estratégicas, e, ao alcançar cada novo nível, é possível escolher o atributo que será aumentado no protagonista. Esse sistema pode ser considerado uma herança da série spin-off Majin Tensei, com pequenas alterações.

  • Aliste seu exército demoníaco

No menu do COMP é onde o jogador se prepara para as batalhas. Na parte Team é onde você pode montar seu time de até 4 personagens e associar 2 demônios para cada um. Também é nessa área onde o jogador pode escolher as magias e habilidades passivas de cada unidade humana, que são adquiridas por meio da Skill Crack, dentro das lutas, ao matar inimigos específicos, que são escolhidos pelos próprio jogador. Ainda é possível criar diversos combos e estratégias. Outras importantes funções do COMP são a Demon Auction, uma espécie de leilão virtual onde as criaturas do submundo oferecem sua lealdade em troca de Macca, a moeda infernal, e a Fusion, onde ocorrem as fusões de monstros com o objetivo de criar outros mais poderosos e exclusivos. Em certo ponto do jogo, o jogador passa a ter acesso aos Mitamas, 4 espíritos que representam aspectos da alma humana, que podem ser usados em fusões para aumentar determinados atributos e adquirir habilidades raras. Ao todo são 130 demônios. Outras funções do COMP são receber e responder e-mails e ver o perfil dos principais personagens.


Na parte gráfica, Devil Survivor é majestoso. Dessa vez o design dos personagens é do mangaka Suzuhito Yasuda, criador de Yozakura Quartet. O artista conseguiu captar a cultura pop japonesa e representá-la nos personagens. Porém a arte do lendário Kazuma Kaneko não foi abandonada, seus designs de demônios que já foram utilizados em diversos jogos da série, estão de volta. Suas artworks são usadas nas batalhas, no lugar de sprites comuns, deixando o visual do jogo mais adulto, bonito e sombrio. Outro fator incrível são as imagens da cidade, que a representam fielmente e ao mesmo tempo, se mostram como plano de fundo perfeito para o contexto do jogo. A utilização de sprites se resume às unidades do campo de batalha, sendo bem-feitos e detalhados.
Na parte musical o jogo também mostra excelência. Um conjunto de composições notável e épica que acompanha o fluxo de acontecimentos e as situações, em uma qualidade que, sem dúvida, supera os padrões básicos. A música tema do jogo, Reset, é uma obra de arte e como se não bastasse, ainda faz parte da própria história do jogo. Outros destaques são Deep Darkness e Garuda. Apesar de bem trabalhada, a trilha sonora não é variada e isso pode se tornar um fator negativo na realização de grinding, prática típica do estilo, considerada repetitiva e maçante por muitos jogadores e que tem o objetivo de aumentar o nível dos personagens.

  • O treinamento é necessário

O que pode se tornar um problema visível de Devil Survivor é a dificuldade que supera padrões convencionais, o que torna bastante necessária a pratica já citada de grinding. Porém é muito relativo se referir a isso como um defeito,afinal, a recente criada divisão entre o casual e o hardcore foi definida, principalmente, pelo desejo de desafio por parte dos que se dizem Gamers. Logo, a pessoa que busca um RPG de origem japonesa, já tem consciência do desafio ao qual será exposto.

Devil Survivor é, sem dúvida, a melhor escolha de SRPG para o Nintendo DS por apresentar um enredo sólido e envolvente, jogabilidade inovadora, gráficos belíssimos e desafio considerável, suficientes para prender a atenção de qualquer tipo de jogador.
Let’s Survive

Shin Megami Tensei: Devil Survivor – DS – Nota final: 9,5
Gráficos: 8 | Som: 10 | Jogabilidade: 8 | Diversão: 10


Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.


  1. Eu nem ligava muito pra esse jogo, mas depois dessa análise, fiquei com vontade de jogar :D

    ResponderExcluir
  2. Discordo em relação a nota 10 para o som, apesar de ser uma boa trilha sonora, os fãs de Shoji Meguro sentiram sua falta neste jogo.

    MAS, tudo será resolvido com a vinda de Shin Megami Tensei: Strange Journey, sequência direta da série (após SMT III: Nocturne).

    ResponderExcluir
  3. O único "defeito" se é que pode ser apontado como tal, é que é um título extremamente complexo (o que é uma marca registrada da série).

    ResponderExcluir
  4. Gente Começei a Jogar mais quando chega a hora de fazer a primeira escolha dps das falas de um garoto,eu nao consigo escolher,se alguem souber oq é me manda uma mensagem pra Viniciussanjuan@hotmail.com

    ResponderExcluir

Disqus
Facebook
Google