Análise: Mega Man 10 (WiiWare)

Depois de Mega Man 9 se tornar um dos games mais baixados no WiiWare no ano passado, era meio óbvio que a Capcom mantesse a fórmula em mais... (por Gustavo Assumpção em 04/05/2010, via Nintendo Blast)

Mega-Man-10-Box-Art-495x660 Depois de Mega Man 9 se tornar um dos games mais baixados no WiiWare no ano passado, era meio óbvio que a Capcom mantesse a fórmula em mais um game da série. Assim, Mega Man 10 já está disponível no serviço. Confira todas as nossas impressões sobre esse grande lançamento.
Visual simples, dificuldade elevada, fases lineares, disputas contra chefes. Essa fórmula foi usada até a exaustão durante muito tempo por grande parte dos games que surgiam. Foi só no início dos anos 90 que as principais franquias começaram a se livrar desse esquema basicão de se construir um game. Então como explicar, mais de 20 anos depois, iniciativas como a da Capcom, que hoje investe em games com estilo old-school?
Acho que o principal “culpado” desse ressurgimento seja o saudosismo. De uns tempos pra cá, parece que relembrar o passado virou regra. Ao mesmo tempo que várias franquias com décadas de existência retornam, outras se adaptam a esse estilo. Começando por Mega Man 9, passando por A Boy and His Blob e Dark Void Zero e culminando em Mega Man 10, essa onda possui na Capcom seu maior expoente. É esse último game que acabei de citar que recebe agora uma análise especial, com direito a muitos questionamentos e a uma latente saudade de uma era.

De volta aos anos 80



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213407 Toda a apresentação de Mega Man 10 é derivada do excelente trabalho feito pela Capcom ano passado. O desenvolvimento mais uma vez ficou nas mãos da Inti- Creates, equipe formada por vários remanescentes da era 8 bit. Já com o 9 e mais ainda com o 10, a produtora japonesa reitera boa parte da experiência que os games conseguiam.
Está tudo lá: o visual pixelado e aparentemente pouco detalhado, os controles duros e ora imprecisos e principalmente um design de fases primoroso, que exigia ampla habilidade dos jogadores. É como se retornássemos diretamente à década de 80, onde o principal de qualquer bom game era a criatividade, e não meia dúzia de texturas bonitas. Basta jogar Mega Man 10 por alguns minutos para perceber que não se trata de um game casual, muito menos de algo típico ou que como vemos por aí. Essa décima versão é um daqueles games diferenciados, que possui um feeling extremo e oferece grande diversão – principalmente para os jogadores mais pacientes e habilidosos.
Dos anos 80 vem também uma história simples e sem grandes reviravoltas. Na trama, um vírus chamado Roboenza começa a contaminar robôs nos mais diversos lugares do mundo, causando problemas de mal funcionamento, onde as criaturas acabam ficando descontroladas. Boa parte dos personagens clássicos da franquia reaparecem – e oito novos chefes fazem sua estreia.

Desafio espantoso



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Três são os personagens jogáveis aqui: Mega Man, Proto Man e Bass, sendo que o último só está disponível se for baixado como conteúdo extra, a um pequeno custo. Proto Man é a grande novidade, já que em outras oportunidades ele chegou a ser vilão na Logo nos primeiros minutos, não é lá muito fácil se acostumar com o ritmo de Mega Man 10.
Além de um andamento mais lento e repetitivo, o game ainda não se preocupa muito em não frustrar o jogador. Na maioria das vezes são várias tentativas até conseguir superar inimigos e obstáculos. A alta dificuldade é ainda mais agravada pela baixa quantidade de itens de recuperação de energia Mas nem tudo está perdido. Uma das mais bem sucedidas adições foi a inclusão de um modo com dificuldade diminuída.
Essa era a maior queixa ao nono título da série, que por várias vezes era frustrante para os jogadores que não estão acostumados com o padrão 8 bit de desafio. Esse modo coloca plataformas para ajudar nos saltos mais complexos, diminui a AI e os danos causados ao Mega Man – uma decisão correta para atingir um público Outra novidade bem interessante é a presença de um modo Challenge com 88 desafios que funcionam de forma semelhante aos Achievements ou aos Trophies.
Logo após terminar as fases normais, esses desafios são liberados e podem render selos de ouro ou de prata ao jogador conforme a sua habilidade. Muitas vezes o modo se torna tão difícil (ou até mais) que o modo principal, aumentando a vida útil do título e fornecendo uma adição bem interessante a uma fórmula meio 10 segue o mesmo esquema de janken-pon dos demais Mega Man.
Em outras palavras, isso significa que é preciso acertar a ordem para se derrotar os chefes, usando as habilidades certas contra cada um deles. Dessa vez são oito completamente inéditos – não que isso seja totalmente bom. Os controles são tradicionais e funcionais e cumprem seu papel de forma bem interessante e sem maiores problemas

Back to the 80’s



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Eu confesso que o que mais me agrada em Mega Man 10 é o que também mais desaprovo: o visual retrô. Pareceu incoerente? Calma, eu explico. A ideia de um visual estilo 8 bit é digna de aprovação. O que me desaprova é o caminho seguido pela Capcom. Já vimos, em mais de uma oportunidade, que é possível manter o mesmo estilo atualizando-o para a época atual. Talvez o correto seria um visual mais definido e detalhado sem perder os ícones que indicam a inspiração nos games antigos.
221789 A trilha sonora, por outro lado, é absolutamente fantástica. As composições com estilão retrô são de extrema qualidade. Há algumas composições realmente brilhantes, dignas de muitos elogios, apesar de talvez parecerem um pouco menos impactantes que as da nona versão. Muitos dizem que o design de fases de Mega Man 10 é inferior ao anterior e que boa parte dos aspectos técnicos perderam o impacto da primeira vez. Talvez isso realmente seja verdade. Mas mesmo assim, MM10 ainda é divertido, grandioso e muito desafiador.
Acredito que a familiaridade com relação ao original é plenamente justificável, já que ele é uma seqüencia do anterior. Há momentos brilhantes, frustrantes e daqueles que despertam o famoso Dèja Vú. Mas o padrão de excelência atingido no que se propõe é realmente elogiável. É uma rica experiência retrô e um dos melhores games de ação em duas dimensões que você pode experimentar. Pra isso, prepare doses de paciência e de perseverança. Mega Man 10 é como um retorno ao passado, com todo o feeling e as frustrações que a época nos trazem.
Mega Man 10 – WiiWare – Nota Final: 8.0
Gráficos: 5.0 Som: 9.0 Jogabilidade: 8.5  Diversão: 8.0
* Análise publicada originalmente na Revista Nintendo Blast Nº06

Estudante de Jornalismo, apreciador de rock britânico, pouco cuidadoso com as palavras, rico de espírito, triste com as relações nesse mundo e esperançoso com o futuro.

Comentários

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  1. Bela análise. Eu sou saudosista, embora não curta muito os jogos da série principal de Rockman. Prefiro Rockman X e torço pra Capcom fazer o próximo X9 retrô também. Já imaginarem um Rock X9 com o estilo do primeiro Xizão para o SNES. Ou ainda melhor no estilo X4 do PS1?

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  2. Eu não entendo isso. No Mega Man 9, o Rock (a.k.a Mega Man) não pode mais usar a Mega Buster e o Slide.
    A Mega Buster eu até entendo, que pode ter quebrado no final do 8 (quando ele foi severamente avariado pela Evil Energy, mas salvo pelo Duo). Mas como ele foi se esquecer sobre como usar o Slide?
    Não cola dizer que a Evil Energy afetou a memória dele, pois ele lembra de todos os eventos até o 9.
    E isso se evidencia no final do 9 (WARNING! *som de alerta do Mega Man Zero* Spoilers Ahead!), onde com o Rush Vision (Do MM8), ele mostra TODAS as vezes que o Wily ficou pedindo a piedade dele (o que ele SEMPRE faz quando é finalmente derrotado), incluindo a do 8.

    Sem mencionar que o Proto Man só chegou a ser vilão no 3, pois ele só viu que o Rock também foi criado pelo Dr. Light mais para o final do jogo, no 5 (onde supostamente ele é o vilão) não era realmente ele, e no 7 ele só luta contra o Rock para ver qual dos dois é mais forte, e dá a ele seu escudo como prova de que o azulão é melhor do que ele.

    Eu poderia falar mais, mas se o fizesse, não sairia do PC no dia que escrevi isso.

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