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Análise: Metroid Prime Trilogy (Wii)

Não bastava apenas renascer a série Metroid, trazer três aventuras épicas para o Wii e Game Cube e spin-offs pro DS, dar uma nova cara... (por Rafael Neves em 15/11/2010, via Nintendo Blast)

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Não bastava apenas renascer a série Metroid, trazer três aventuras épicas para o Wii e Game Cube e spin-offs pro DS, dar uma nova cara a Samus e criar um novo conceito de game: uma mistura de FPS com aventura e exploração, dando origem ao FPA (First Person Adventure), a Retro Studios e a Nintendo precisavam se certificar de que a saga Metroid Prime iria entrar para a história. E como? Compilando os três sucessos e um bocado de extras numa caixa de metal e um DVD de camada dupla. O resultado é um dos jogos mais completos para o Wii, visualmente perfeito, com músicas memoráveis e um charme inconfundível. Este é Metroid Prime Trilogy

Copiar e Colar? Muito mais do que isso!

mpt1Pra quem acha que a Retro quis nos empurrar uma compilação meia boca de seus três sucessos do Wii e GC,saiba que ela  se empenhou em trazer Metroid Prime, Metroid Prime 2 e Metroid Prime 3 Corruption da forma mais impecável e emocionante possível. Não é um mero copiar-colar, é um trabalho intensivo para melhorar cada um dos grames.

Para começar, a mecânica FPS dos dois primeiros jogos era muito paradona, ela excluía o uso de dois analógicos simultâneos através de um sistema de lock-on muito mais fixo e rígido do que o de The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Bastava apenas mirar e ficar atirando, de resto, somente desviar dos golpes dos inimigos. Enfim, a falha não foi tão discutida por que confrontos com adversários eram bem nivelados com explorações minuciosas dos cenários em busca de itens (alguém se lembrou de Super Metroid?) e os aspectos audiovisuais excelentes mascaravam qualquer falha na jogabilidade. O terceiro Prime veio e trouxe uma nova maneira de se jogar: usando o pointer do Wiimote. O resultado? Funcionou de forma fenomenal no jogo, logo, não seria de se espantar se a Retro adaptasse os dois primeiros jogos com as novas mecânicas de jogos proporcionadas unicamente pelo Wii (pelo menos assim era na época do lançamento). Em Trilogy, todos os três Primes são jogados apontando o controle para a tela, o que impede que se jogue deitado, mas garante uma experiência única. Já sabemos que ver através do visor da caçadora Samus imerge o jogador no game, somando isso aos novos controles, temos a sensação de estar na pele da bela Bounty Hunter em todos os três jogos. Também é possível pular no modo Morph Ball com um movimento do controle para cima, a troca de visores e tiros foi transplantadas para os botões “-“ e “+”. Uma pena Metroid Prime e Metroid Prime 2 não terem o recurso do Grapple Lasso, um item que trás uma excelente utilização do Nunchuk em Prime 3. Trilogy não é só uma junção dos três jogos, mas uma releitura de cada um, colocando características únicas que garantem um produto final excelente.

mpt5A crítica que faço à fusão dos jogos é que a Nintendo padronizou os menus. Pode ser bobagem, mas eu considero o menu principal de cada um dos três jogos uma senhora obra de arte, especialmente o do primeiro Prime. É uma pena ver que o menu principal tenha se tornado uma só. No entanto, eles deixaram intactos alguns detalhes próprios de cada jogo, como a interface. Balões de avisos e o menu start de cada um dos três jogos foram conservados, afinal, padronizar é até bom, mas tem limites! E como tudo isso coube em um único DVD? Não caberia em um disco normal, precisou ser usada uma mídia de dupla camada, a mesma que se usou anteriormente em Super Smash Bros. Brawl e posteriormente em Metroid: Other M, ambos para o Wii. A nova mídia possibilitou não só compilar os três Metroid Prime, mas deixou espaço de sobra para corrigir um dos maiores problemas do jogo: a demora para a portas se abrirem. Quando se tenta abrir uma porta do jogo, o game começa a carregar o cenário seguinte, o que demorava muito nos três jogos, mas agora acontece sem demora, com exceção para alguns momentos de Metroid Prime 3.

Uma obra de arte do futuro

mpt3Não tem jeito! Não há como explicar a beleza de cada mínimo pixel, de cada mínimo polígono que constitui esta obra de arte (vulgo Metroid Prime). Cada um dos três jogos tem motivos o suficiente para mostrar que o Wii tem um grandíssimo potencial, ele só não é explorado ao máximo pela maioria das desenvolvedoras. Mesmo o primeiro jogo, com seus problemas corrigidos nos outros dois games, é fenomenalmente lindo! Nesta compilação, é interessante jogar os três jogos em sequencia e notar as alterações que foram sendo feitas nos gráficos. No primeiro Prime, a armadura de Samus é muito espelhada e suas cores refletem muito a iluminação ambiente, ela não tem uma cor própria, sua coloração depende do cenário. Em Metroid Prime 2, a Power Suit é mais metálica e não feita de espelhos, possui uma cor própria muito mais forte e característica. Em Metroid Prime 3, ela é ainda mais impecável, por incrível, improvável e inacreditável que pareça. Músicas clássicas dos jogos Metroid são refeitas em lindas orquestras, o que garante uma modernização da série sem perder sua identidade tradicional. Melodias novas são compostas para cada um dos games, o que trás um ar de novidade a cada um. Antiga ou atual, cada trilha do jogo é riquíssima e vale ser ouvida mil e uma vezes até que seu tímpanos estourem (não faça isso de verdade)!

O cenário vulcânico de Prime é algo lindo de se ver, bem como sua região gélida e seus ambientes aquáticos pós-apocalípticos. Em Prime 2, o destaque fica para Sanctuary Fortress, um cenário completamente futurista e cheio de máquinas mortíferas e uma atmosfera que lembra um pouco os filmes Matrix, mas não se pode esquecer dos pântanos de Torvus Bog e do deserto de Agon Westes. Já em Prime 3, temos a cidade flutuante abandonada nos cenários de Elysia, sob um banho de gráficos e um coral lindo no plano de fundo, isso sem falar nos ambientes infernais da base dos piratas espaciais e dos impecáveis efeitos visuais do planeta Phaaze e do interior dos Leviathan Seeds. É implacável como cada detalhe do jogo funciona bem, e é interessante perceber cada um deles e ficar cheio de vontade de mostrar aos amigos. Atire um Charge Beam na parede perto de você e o reflexo do rosto de Samus aparecerá na tela como se ali realmente fosse o vidro de seu visor, experimente  mpt6passar próximo a vazamentos de gás e a tela ficará úmida e embaçada, exploda inimigos próximos e a tela se encherá de gosma. Os visores também trazem efeitos visuais nunca antes vistos, afinal, como eles é possível enxergar os inimigos pelo calor corporal, por visão raio-x, por ondas sonoras e muito mais; é fantástico!

Cada mínimo elemento do jogo é fortemente detalhado, não é a toa que quase tudo no jogo pode ser escaneado pelo Scan Visor, o que rende informações triviais ou, quem sabe, a chave para se derrotar o chefão. Mas não resta dúvidas de que ele torna o mundo de Metroid muito mais vasto e complexo, afinal, para um jogador comum uma estátua de um pássaro não é nada, mas para gamers preocupados com o universo onde pisam, saberão rapidamente que o monumento é de origem Chozo, foi construído em tal era, qual seu significado, etc. Até hoje me pergunto se os gráficos realistas do Wii têm como campeão Metroid Prime Trilogy ou Monster Hunter Tri, e acredite, a disputa é acirradíssima, ainda mais por que muitos efeitos de luz e sombra dos três jogos foram revistos e corrigidos. Isso sem falar na resolução melhorada e na visualização em widescreen 16:9. No entanto, alguns efeitos visuais como o da Morph Ball se movimentando dentro d’água foram retirados por motivos inexplicáveis.  Não há mais o que discutir, Metroid Prime Trilogy é motivo de sobra pra se comprar uma boa televisão e um cabo componente para seu Wii

Bônus e extras

mpt2Transplantar os três jogos com uma jogabilidade funcional e mais divertida, gráficos ainda mais belos e correção na demora na abertura das portas não saciou a sede da Retro Studios e da Nintendo. A parceria que deu origem a esses três sucessos trouxe uma gama de conteúdo extra e bônus que não são uma mera desculpa para completar o jogo em 100%. O conteúdo expandido tem artes concepcionais dos três jogos, elas estavam disponíveis na versão original, mas agora estão todas num só game. É divertido ver os rascunhos dos inimigos, os desenhos a mão livre do que se tornaria uma cut-scene e detalhes das armas e maquinários do universo Metroid. Há ainda uma lista de músicas para serem desbloqueadas e ouvidas a qualquer hora. Para quem curtia o tema do menu principal de cada um dos três jogos, ficará pasmo ouvindo cada um deles em Trilogy. Música de fundo de batalhas, de inimigos e da própria Samus estão lá, prontos para ser ouvidas. Há ainda uma série de funções especiais que podem ser adquiridas, como adesivos para a nave de Samus (por esquisito que pareça), a armadura Fusion Suit para o primeiro Prime (só era possível destravá-la no Game Cube conectando Metroid Fusion a Metroid Prime por um cabo especial), a capacidade de tirar screenshots e muito mais. Para destravar todo esse vasto conteúdo, há as insígnias coloridas disponíveis no três jogos. O sistema estreou em Metroid Prime 3, e agora os outros dois jogos foram padronizados com ele. Escanear novas criaturas para o Log Book de Samus, conquistar feitos incríveis, explodir centena de monstros, derrotar chefes e adquiri itens… Tudo que você faz rende-lhe insígnias.

mpt8O ruim deste sistema? Os Friend Vouchers. Trata-se das insígnias verdes, adquiridas somente por translação de dados de um Wii com o outro através da internet. É um recurso bem burocrático, que usa o Wii Connect 24 e a lista de amigos do Wii, confesso que até hoje não consegui uma só insígnia verde pela alta dificuldade que é ficar trocando dados com outros usuários. A sorte é que poucos recursos extras necessitam de tal insígnia, o resto todo é adquirido normalmente. Mas o melhor conteúdo bônus conservado em Trilogy é o multiplayer de Metroid Prime 2, até por que não precisa de nada para ser destravado. É divertido, ainda mais com os novos controles do Wii. Não chega a superar GoldenEye, Call of Duty ou The Conduit para o Wii, mas é, no mínimo, interessante. O que faltava? A Retro podia muito bem ter usado o multiplayer de Metroid Prime Hunters, o que não descartaria este capítulo da série Prime, quem sabe até o Metroid Prime Pinball também entrasse na compilação. As partidas de Hunters têm suporte a jogatina online e apresenta uma gama de personagens selecionáveis, o que se resume a apenas Samus Aran no multiplayer de Prime 2. Se somássemos os novos caçadores de recompensas que surgem em Prime 3 aos de Prime Hunters, teríamos um modo para múltiplos jogadores feroz!

Um jogo para ir até o fim

Começar Metroid Prime, desbravar Metroid Prime 2 e terminar com Metroid Prime 3 sem tirar o disco do console é um feito incrível. Acredite, zerar os três games em sequencia traz uma sensação muito melhor do que simplesmente superá-los em qualquer ordem. A trama torna-se muito mais profunda dessa forma. Em Metroid Prime, Samus descobre que o planeta Tallon IV é atacado por um cometa que trouxe ao local a substância radioativa Phazon, os piratas espaciais não perdem tempo em preparar armas biológicas novas usando a substância, o que não descarta a tradicional clonagem de Metroids. Em Metroid Prime 2, o cometa não só trouxe o Phazon ao planeta Aether, como também dividiu o corpo celeste em dois: um das trevas e um da luz. O antagonismo entre luz e sombras é elevado ao máximo, até mesmo no embate entre Samus e Dark Samus. Em Metroid Prime 3, Dark Samus volta mais forte do que nunca, alia-se aos piratas espaciais e começa a distribuir cometas recheados de Phazon, os Leviathans, em vários planetas da galáxia. Cabe a Samus e a outros três Hunters impedirem que a substância alastre-se pela galáxia, no entanto, até mesmo eles são alvos da corrupção Phazon. Prime, Echoes e Corruption, tudo num só disco: Metroid Prime Trilogy, o game com o maior conteúdo single-player do Wii e que ainda tem um interessante multyplayer. A imersão que Triogy traz é incrível, merece ser jogado de pé para se sentir realmente como se fosse Samus Aran explorando planetas hostis! Vale a pena comprá-lo, afinal, são três games incríveis pelo preço de um só, um vasto conteúdo extra e uma caixa de metal dupla contendo um folheto com artes dos jogos e um grande manual com a história da saga. É bom para seu Wii e para seu bolso, não?  Repleto de ação de um jogo FPS, mas com toda a exploração de um bom Metroid, é o jogo perfeito para quem procura algo hardcore e com os melhores gráficos possíveis. Experimente liberar a dificuldade Hyper Mode e eleve suas habilidades ao máximo! E não perca tempo, a Nintendo descontinuou a produção do jogo inexplicavelmente, então corra para garantir essa relíquia de colecionador!

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Metroid Prim Trilogy  - Wii – Nota Final: 9,8
Gráficos 10.0 | Som 9.5 | Jogabilidade 10.0 | Diversão 9.5


Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

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  1. No Metroid Prime 1 e 2, o jogador pode atirar livremente segurando o R e controlando a mira. Travar a mira era algo estratégico, que acontecia quando vc descobria o weakpoint do inimigo. Não era só travar e ficar atirando...
    O terceiro Metroid Prime foi onde a série se perdeu, com cutscenes e voice acting. Lamentável...

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  2. Belissimo review, mas vamos parar de puxar o saco da Nintendo, poxa...
    Nao deu origem ao First Person Adventure: Half-Life ja tinha sido lancado ha varios anos antes.

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  3. Muito bom esse jogo, me lembro que eu consegui comprar o meu sendo o último que tinha em disposição nas lojas da FNAC.
    Vlw a pena

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  4. Fico com meus Primes de Cube, e já que não tenho o Corruption original, comprava esse que vinha ele mais os Primes de bônus, em forma diferente - já que sem menu e efeitos do canhão é sacanagem. ^^

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  5. Ai meu blast.... Nada contra com Análises de jogos antigos, mas um monte deles é sacanagem, cadê o de black ops, golden eye ou até de batman,scribblenauts 2

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  6. Ótima análise, Rafael, mas eu consigo jogar no wiimote deitado em minha cama perfeitamente!

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  7. Discordo do amigo RevanLynn quando este afirma que a série se perdeu em Prime 3. Ao contrário, o que o Retro Studios foi situar Prime 3 em seu tempo. As cutscenes são pequenas e totalmente necessárias ao entendimento do jogo. Além disso, há um ganho substancial de grandiosidade quando o Retro introduziu o sistema de navegação entre planetas, além de novas situações, como a de ter que soldar um painel usando o pointer do wiimote.

    Prime 3 é o jogo mais maduro e bem feito da série. Mas gosto é gosto!

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  8. Também acho que MP3 conseguiu ser um game grandioso, mesmo com cutscenes. Foi bem nivelado, ao contrário de Other M, que abusou de cenas de diálogos longos. Obrigado pelos elogios!

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  9. pra min fica assim

    Prime>Corruption>Echoes>Hunters
    todos com nota 10,nenhum prime foi ruim até agora ,nem mesmo o do DS.

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  10. esse jogo é nota 10 pelo amor de deus...

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