Jogamos

Análise: The World Ends With You (DS)

Chamado no Japão de ¨It’s a Wonderful World¨, teve que alterar seu nome no ocidente por questões de licença. The World Ends With You é um do... (por Alberto Canen em 16/05/2011, via Nintendo Blast)

CapaChamado no Japão de ¨It’s a Wonderful World¨, teve que alterar seu nome no ocidente por questões de licença. The World Ends With You é um dos melhores jogos para portáteis. Um RPG diferente de tudo que se tinha visto antes. Veio para terminar com a mesmice dos games de fantasia e magia, mostrando que nem só de espadas, armaduras, castelos, reis e princesas se faz uma história. Além disso, um revolucionário e complexo sistema de lutas, belos gráficos e ótima trilha sonora fazem dessa uma das melhores e mais completas experiências para se jogar no Nintendo DS, de uma forma que nenhum outro console teria recursos para fazer.
Diferente de outras mega franquias da Square Enix, como Final Fantasy, Dragon Quest e Kingdom Hearts, The World Ends With You não é localizado em um mundo fantasioso, mas sim no Japão moderno, mais especificamente em Shibuya, um distrito comercial de Tóquio. É interessante observar que muitos do locais encontrados no jogo foram construídos a partir da verdadeira Shibuya, como o cruzamento próximo da loja de departamentos 109 (que no jogo é 104), a estação de trem, a estátua de Hachiko e outros.

Esse centro urbano é conhecido por ser um dos locais mais movimentados e populares de Tóquio. Shibuya também tem renome no mundo da moda japonesa, principalmente entre os adolescentes. As roupas e acessórios são bem coloridos e exagerados. Da mesma forma acontece no game, que em vez de armaduras e elmos feitos de metais estranhos à química, adquiridos em ambientes medievais, temos lojas de departamento com roupas super modernas, acessórios descolados e vendedores especializados no mundo fashion.

Shibuya 104 Shibuya 109.3
wend_hachiko hachiko_statue

Os personagens lembram muito os de Kingdom Hearts, mas isso não é sem motivo, nem mera coincidência, pois foram criados pelo mesmo mesmo diretor, Tetsuya Nomura.
Sora e Neku
O jogador deve controlar Neku Sakuraba. Um garoto por volta de seus 15 anos, anti-social, rabugento e introvertido, do tipo que acha tudo ruim, que não quer participar da aventura. Pode ser difícil que haja uma identificação com ele, fazendo com que o jogador se sinta menos parte da história e mais como expectador. Até porque a história se desenrola muitas vezes independente da nossa vontade. Contudo, conforme o desenrolar da história, muito será descoberto e vivenciado pelo personagem - nem sempre a primeira impressão é a que fica.

Apagados

Ele acorda sem saber onde está ou como fora parar ali. Mesmo estando em Shibuya, percebe que ninguém consegue escutá-lo ou ouví-lo. Na verdade, ele se encontra em uma dimensão paralela, chamada Underground (UG), submundo, e os demais habitantes estão no Realground (RG), mundo real. Logo descobre que está participando de um jogo The Reapear’s Game (o jogo dos ceifadores), que durará 7 dias.

Durante a semana que será jogada, cada dia equivale a uma fase do jogo e há uma missão diferente recebida por mensagem de texto no celular. Existe um tempo para cumprí-la, com uma contagem regressiva, que fica estampado na mão dos jogadores. Caso chegue a zero, os personagens serão apagados (erased).

Não é possível, nesse jogo, participar sozinho. Por isso, Neku, desde o começo, terá um parceiro: na primeira semana será Shiki, uma outra adolescente que é o seu oposto. Ela é extrovertida, sociável e busca, de todas as formas, uma parceria que é a única forma de vencer esse jogo “mortal”.ShikiPose1NekuPose12

Reaper

Esse é apenas o começo da história. Muito mais vai sendo descoberto depois, conforme os encontros com outros personagens do Underground. Assim, pessoas misteriosas e diversas também estão participando do Jogo dos Ceifadores. Há reapers que servem como ¨árbitros¨, apenas indicando o que deve ser feito para progredir e dando passagem quando a tarefa é realizada. Todos acabam explicando mais do que está acontecendo e como usar as funcionalidades do game, como uso do celular, dos restaurantes e boutiques.

DiálogoOs diálogos simplesmente vão aparecendo a cada nova situação e não podem ser controlados. São feitos no estilo história em quadrinhos, com balões saindo de quem está falando. Boa parte do jogo é feita dessas conversas, que são ótimas e bastante interessantes por sinal, além de serem primordiais para avançar e utilizar todas as ferramentas disponíveis. Mas, há momentos que parecem estarmos lendo um mangá mais do que jogando um game.

A complexa batalha

O ponto mais controvertido de The World Ends With You certamente é o seu sistema de batalhas, único no mundo dos jogos. Apesar de exclusivo e interessante, é também muito complicado e intimidador, podendo levar o jogador a desistir antes de engrenar. É necessário de 1 a 2 horas para aprender o básico, sem contar as informações vão sendo disponibilizadas aos poucos, conforme progride-se na partida. No entanto, ao contrário do que se possa parecer, a jogabilidade só fica mais fácil a cada minuto que passa, fluindo como se tivesse sido simples desde o começo, chegando ao ponto de se tornar muito agradável e natural.

luta2luta3

Devemos controlar, ao mesmo tempo, os dois personagens. Neku na tela de baixo, usando a caneta stylus, e seu parceiro na parte de cima, usando o direcional. Os mesmos inimigos, chamados Noises (ruídos), são enfrentados nos dois ambientes (em cima e embaixo). Pode até parecer absurdo ter que combater em duas frentes de batalha na mesma hora. Mas o próprio game induz - e bonifica - a não fazê-lo, valendo-se de uma técnica muito simples. Quando o primeiro dos jogadores ataca, uma esfera de energia verde (puck) é arremessada para o outro personagem. Este, por sua vez, ao fazer um ataque, irá devolver o puck. Cada vez haverá um combo hit mais poderoso. Essa sequência só termina quando um dos inimigos aplica um golpe certeiro contra quem estiver “na vez”. Então começa tudo novamente.

Dominar essa técnica é fundamental para vencer lutas mais complicadas. Contudo, caso Shiki (ou outro parceiro) não esteja sendo controlado, ele passa para o modo automático. Então, quem quiser pode optar por controlar apenas Neku do começo ao fim ou apenas não se dedicar tanto ao controle direcional. Porém, estará perdendo a oportunidade de usufruir de uma das mais completas formas de lutar no Nintendo DS (e que somente ele pode abarcar).

puck

ShikiNeku utiliza poderes psíquicos para fazer uso dos “pins“ (broches), que lhe conferem diversos poderes diferentes, enquanto sua parceira Shiki se utiliza de seu gato de pelúcia para aplicar poderosos golpes. Pra lutar com ela, basta apertar uma determinada sequência no direcional, seguindo um dos caminhos que as setas indicam. Shiki também pode bloquear (direcional para baixo) e pular (direcional para cima), mas aí o caminho das setas muda e os golpes são mais poderosos. Apesar de tantos movimentos, ela não se movimenta, sendo um alvo fácil. Então, é bom ficar de olho na barra de energia, que é compartilhada pelos dois.

Existem muitos pins para uso na lutas, mais de 300 ao todo, e cada um tem um poder diferente, como arremessar objetos, mesmo carros, atirar fogo ou raios e socar. Tudo é feito através da stylus traçando linhas horizontais, verticais, círculos e arrastando e arremessando objetos. Também é possível gritar no microfone, e é melhor escolher com sabedoria o local para usar um golpe que tem essa ¨peculiaridade¨. Isso tudo pode ficar um pouco confuso no “calor da batalha”: riscos para cima, para baixo, de lado... Algumas vezes os cliques falham ou não sai aquele pretendido. Assim como os heróis, os broches vão evoluindo conforme vão sendo usados, até serem completamente dominados (mastered).

Mais de 300 Pins

Os broches podem ser adquiridos através de lojas ou em batalhas. O jogo também permite que dois jogadores conectem os seus Nintendo DS, via wireless, para trocar pins e items. Nem todos servem para batalhar, alguns são trocados por dinheiro e outros por peças nas lojas. Coletá-los, portanto, são fundamentais para vencer o jogo.

Um modo diferente de lutar é através do modo Tin Pin Slammer, que pode ser jogado por até 4 jogadores (wireless). Não tem muito a ver com o jogo em si. Apenas usa-se pins especiais para colocar para fora do campo os pins adversários. Pode ser bem divertido, dependendo da quantidade de pessoas envolvidas, e recompensador, pois Pin Points (PP) são ganhos nessas partidas . É até mesmo possível testar antes de desafiar outros jogadores.

Existem outras duas formas alternativas de se ganhar PP. É ganho de forma proporcional ao tempo que se fica sem jogar. Quanto maior a duração afastado, mais Pin Points. É uma forma de não ficar muito angustiado por não poder jogar direto esse excelente jogo. O tempo máximo é de 7 dias. A outra maneira é utilizar o Mingle Mode para procurar outro DS. Mesmo que não esteja com The World Ends With You ganha-se pontos, ainda que em menor quantidade.

Além das batalhas

Nem só de lutas se avança no game. Também é necessário escutar os pensamentos da pessoas do Realground e influenciá-las colocando ideias em suas mentes. Mas somente as pessoas do mundo real podem ter suas mentes escaneadas, nunca outros jogadores ou reapers.

As roupas e acessórios das lojas, bem como a comida das lanchonetes, são primordiais para a evolução dos personagens, melhorando atributos, como ataque, defesa e bravura. A comida precisa ser digerida antes de se alimentar novamente, o que exige a participação em algumas lutas.

LanchoneteRoupasLanchonete2

A música é um caso a parte. São diversos gêneros, eletrônica, pop, j-pop e hip-hop. Não ficam apenas no instrumental e tem um vocal muito bom. Mereceu até aparecer no game music do site. Não deixe de conferir.

A arte e os gráficos ficaram surpreendentes. Estilo é a palavra que procuramos. Que se falta em alguns games, The World Ends With You tem de sobra. Uma mistura de personagens em 2D com um mundo em 3D que simplesmente dá certo. Também há batalhas com efeitos impressionantes para o DS. Não poderíamos esperar menos da equipe da Square Enix que desenvolveu Kingdom Hearts.

Depois de completar o jogo, cada capítulo ficara disponível para jogar em qualquer ordem e com qualquer um dos parceiros de cada semana. Agora cada capítulo tem uma série de requerimentos que devem ser completados para desbloquear informações especiais que revelam mais sobre a história do jogo. É uma forma de descobrir detalhes sobre o ¨Reaper’s Game¨ e sobre o que acontece exatamente com os personagens principais.

Prós

  • Gráficos excelentes, muito bonitos e caprichados.
  • Música de primeira qualidade, que não se restringe apenas ao instrumental.
  • Jogabilidade revolucionária que, depois de aprendida, é viciante.

Contras

  • Apenas um “save” por cartucho. Apenas uma pessoa pode jogar até zerar e não pode escolher salvar em um local diferente durante o jogo.
  • Alguns golpes falham, precisando repetir para funcionar.
  • Aprendizado complexo e demorado.
The World Ends With You – Nota final: 9.0
Diversão: 9.0 | Jogabilidade: 8.5 | Gráficos: 9.0 | Som: 9.0

Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

Comentários

Google
Disqus
Facebook


  1. Nomura é gênio, e esse jogo é uma obra de arte.
    Joguei e recomendo!

    ResponderExcluir
  2. @dgazolla: Não é lançamento. Mas não poderíamos deixar de ter em nosso acervo de análises um jogo desse porte. Outras análises de jogos mais recentes, inclusive para 3DS, já foram postadas e ainda tem mais por vir. Não deixe de conferir. Abraços.

    ResponderExcluir
  3. Achei interessante, eu mesmo nunca tinha ouvido falar desse jogo. Assim que terminar zelda e picross 3d, vou começar esse =)

    ResponderExcluir
  4. eh otimo o jogo, mas nao cheguei a jogar mto... meu primo q mora em sao paulo baxo esse jogo pro R4 dele... eo kero um 3DS com o jogo original.... T-T

    ResponderExcluir
  5. Comecei este Game há algumas semanas, e posso garantir que ele é SENSACIONAL! Quando o vi pela primeira vez, já tinha uma certa segurança de que o jogo seria bom, pois ele é da brilhante linha de jogos da square enix e do diretor Tetsuya Nomura (que participou na criação de FFVI e muitos outros clássicos). Para os fãs de RPG é OBRIGATÓRIO!! Ótimo post ;)

    ResponderExcluir
  6. ótima analise de um excelente jogo, isso que o jogo é tão complexo que é dificil descrever em palavras, e vc conseguiu, parabens. Eu tenho o jogo, fiz questão de comprar original por valer muito a pena, fechei duas vezes, nenhuma delas foi 100% xD, mas dessa vez estou mais perto que nunca, dedicação de horas no jogo valem a pena! Quem não jogou, recomendo!

    ResponderExcluir
  7. Tenho o jogo assim como o disco da trilha sonora do mesmo.
    O que eu joguei, achei excelente. Entretanto, vendi meu DS após jogar durante um tempo muito curto. Achei que fosse comprar o 3DS e jogá-lo mais rápido, só que isso infelizmente não ocorreu. ):

    Mas está aqui, guardado, para quando o portátil chegar.

    ResponderExcluir
  8. @Vargolino: Você tem razão, é um jogo que vale muito a pena. Obrigado pelo comentário. Abraço.

    ResponderExcluir
  9. @Yasunori: Sem dúvida. Um jogo sensacional e obrigatório. Obrigado por comentar. Abraço.

    ResponderExcluir